Crônicas de um caderno engavetado
16 Angustiada
Oh tempo! Por que você insistiu nesses passos tão apressados se o que nos esperava era a apenas a tristeza?
Você sabe me dizer o que te motivou a trotar com tanta pressa se a estrada nunca saiu do lugar?
Você insistiu em seguir a quem te deixou sangrando no meio do caminho?
Porque eu cometi esse grande erro, deixei meu coração de lado e segui quem me deixou sangrando no meio do caminho.
Oh tempo! Por que você se deixou ludibriar com palavras e confiou tão cegamente nelas que perdeu o foco de todo o resto?
Mais uma vez eu te digo que palavras me iludiram, me persuadiram e por isso hoje escrevo com dor...
Eu acreditei que era importante na vida de algumas pessoas e depois descobri que fazia papel de figurante, que meu trabalho não fazia diferença nenhuma pra ninguém e que tentando agradar os outros eu deixei pra trás minhas verdadeiras vontades...
Oh tempo! Quando a primavera voltará a iluminar nossas almas?
Durará por toda a eternidade essa sensação de que a vida perdeu toda a graça?
Que tudo de bom já passou e eu estou sendo condenada pelos meus erros antigos?
Hum... Você sabe me dizer para onde está indo agora?
Você sabe me dizer se aprendeu alguma coisa com o que aconteceu?
Sabe, algumas feridas poderiam ter sido evitadas se a prudência regesse as escolhas, mas é da natureza humana pensar com o coração e acreditar.
Esse ainda é o meu maior pecado: ACREDITAR!
Oh tempo! Pensei que crescer seria mais fácil, mas mal sabia eu que tudo não passava de uma cilada...
Você pode correr na velocidade que quiser que continua sendo infinito, contudo no dom da vida eu sou um sopro, e quem pode me dizer quanto me resta pra fazer alguma coisa que seja relevante e aquiete o coração angustiado por tantos conflitos interiores que apesar de silenciosos na superfície me incomodam por ser ruidosos?
Oh tempo! Tenha misericórdia dessa pobre alma perdida num mundo enlouquecedor em potencial...
Não permita que eu me perca do meu coração outra vez...
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