Utópico.
23 Capítulo 22 - Complicações.
O dia havia sido extremamente corrido, não conseguiu ficar a sós um minuto se quer com Luna. Mas os sorrisos e olhares que eles trocavam provavelmente não haviam passados despercebidos pelos olhos de águia de Luce. Em vários momentos ela encarou os dois com o cenho franzido, mas eles somente ignoravam e se faziam de desentendidos.
No dia anterior eles haviam recebido muito doações e quando chegaram pela manhã perceberam que o número de voluntários havia sido bem maior do que haviam previsto, não sabia exatamente o que tinha desencadeado aquilo, mas não podia estar mais feliz.
O dia correu sem qualquer imprevisto negativo, muitas pessoas do níveis inferiores receberam suprimentos, roupas, cobertores, remédios e até mesmo livros. A felicidade que via estampado naqueles rostos compensava qualquer outra coisa.
Estava tão distraído que nem percebeu a aproximação sorrateira de Luna, quando percebeu que ela estava parada ao seu lado soltou uma pequena risada baixa. Ela havia pedido para eles serem discretos, mas Luna e descrição não combinavam pelo visto.
— Está rindo do que? — Perguntou ela com o cenho franzido.
— De você e sua descrição. — Disse ele sorrindo.
— Ué, só estou dobrando essas roupas que vão ser entregues as pessoas. Eu ein, não sabia que essa bancada era de uso exclusivo seu. — Disse Luna de forma divertida enquanto dobrava as roupas.
Antes que ele pudesse responder Luce apareceu fuzilando os dois com os olhos, encarava um e depois o outro. Luna deu ombros e continuou a dobrar as roupas fingindo não reparar a presença de Luce ali. Ela estava morrendo de curiosidade e estava ficando bizarro e engraçado ao mesmo tempo.
— O que está acontecendo? O que rolou que não estou sabendo? — Perguntou ela tentando sussurrar para não chamar atenção.
— Hum? —Sebastian fez uma cara de sínico e deu ombros.
—Ora, seus... — Mas antes que ela pudesse falar algo um dos voluntários veio dizer que estavam precisando de ajuda com a comida que ia ser distribuída.— Tudo bem, já estou indo. E vocês dois! Depois eu vou querer saber o que estão escondendo.
Eles observaram Luce se afastar e ambos suspiraram. Conhecia a irmã o suficiente para saber se não contassem ela ficaria infernizando a vida deles e se descobrisse por outras pessoas iria ralhar até o século seguinte. Luce tinha tendencia ao rama e Sebastian não estava afim de passar por aquilo, de novo. Já que tudo era motivo para drama e chantagem emocional.
— Ela não vai parar de perturbar até a gente falar , não é? — Perguntou Luna soltando outro suspiro.
— Não mesmo. Se conheço bem minha irmã ela não vai parar enquanto não descobrir o que ela quer saber, podemos até tentar despistar. Mas se ela descobrir de outra forma vai ser ainda mais dramático. — Disse Sebastian bufando.
Luna olhou para os lados como se procurasse alguma coisa, ao olhar para trás de onde eles estavam ela sorriu, o que fez Sebastian franzir o cenho. Mas antes que ele pudesse perguntar algo ela o segurou pelo pulso e começou a arrasta-lo para longe da movimentação.
Alguns segundos depois estavam em um beco que o final dele virava levemente para a direita e depois acabava. Era um bom lugar para ficar se não queria ser visto. Antes que pudesse perguntar a Luna o que diabos estavam fazendo ali sentiu suas costas contra a parede, ao mesmo tempo que sentiu os lábios dela contra os seus.
Um sorriso se formou em meio ao beijo e ele não tardou a retribuir, seus lábios se moviam de forma suave sobre os dela. Suas mãos envolveram a cintura de Luna e ele puxou o corpo dela o colocando junto ao seu.
Podia sentir as mãos dela deslizando por sua face em uma leve caricia e adorava aquilo, Deus como adorava. O beijo se intensificou um pouco, mas nada realmente extravagante, era só uma forma de demonstrarem o quanto se gostavam e o quanto se desejavam.
Quando finalmente afastaram os lábios eles estavam arfando, Sebastian sorria e Luna estava um pouco corada. Talvez pelo beijo, talvez por tê-lo arrastado até ali, ele não fazia ideia e nem ligava. Ela realmente ficava lindo com o tom avermelhado que estava em sua face.
— Talvez eu estivesse com mais saudades do que gostaria. — Resmungou ela sorrindo.
Sebastian ergueu a mão direita e deslizou a mesma sobre a face de Luna de uma forma suave e carinhosa. Céus, ele realmente estava perdidamente apaixonado por ela. Era difícil de esconder isso conforme as coisas iam acontecendo, ele manteve o sorriso em seus lábios e se inclinou dando um beijo calmo sobre os lábios de Luna.
— Eu também senti saudades sua Luna, principalmente de ter você em meus braços. — Ele se inclinou e sussurrou aquelas palavras no ouvido da morena.
Ao observar o corpo dela se arrepiar e o leve estremecer do mesmo, Sebastian não pode evitar sorrir. Era bom saber que não era o único ali afetado pela proximidade. Assim que Luna ergueu a face e sorriu para Sebastian ele avançou sobre os lábios dela novamente, de forma intensa e apaixonada.
Suas mãos apertaram ainda mais a cintura dela de forma firme, ao mesmo tempo que ele sentia as unhas de Luna deslizando por sua nuca. Os lábios continuaram a se mover de forma intensa, quando sentiu Luna morder seus lábios ele soltou um pequeno gemido, até tentou conter o mesmo. Mas não teve muito sucesso mediante aos arranhões e mordidas.
— Melhor voltarmos Luna, antes que eu faça alguma besteira. —Disse ele afastando um pouco o corpo dela do seu, estava em uma situação complicada.
Ela franziu o cenho e sorriu concordando. Mas primeiro ela mordiscou os próprios lábios e grudou seu corpo ao de Sebastian, com certeza ela estava sentindo o que ele havia tentado esconder, já que os corpos estavam grudados. Ela se ergueu e sussurrou ao ouvido dele para finalizar com uma leve mordida.
— Talvez seja exatamente isso que eu queira. —Disse Luna rindo.
Ela se afastou tão rápido quanto se aproximou e começou a caminhar para fora do beco.
Sebastian xingou alguns palavrões que mal faziam parte de seu vocabulário. E quando conseguiu acalmar seus ânimos e sua excitação voltou para a mesa com as roupas. Luna estava dobrando as roupas com uma cara de paisagem que merecia um Oscar.
Enquanto ele estava tendo pensamentos maliciosos por conta do que havia acontecido e principalmente pelas palavras proferidas pela jovem. Definitivamente ela estava tentando enlouquecê-lo e estava conseguindo.
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Depois do pequeno momento que havia tido com Sebastian o dia se passou repleto de olhares, sorrisos e indiretas. Luna estava se divertindo, mas não podia esquecer de seu objetivo principal. Tirar Eleanor e Crystal da cidade, tudo já havia sido planejado e combinado.
As duas estavam vestidas com roupas discretas e entre os voluntários, assim no melhor momento seria fácil para Luna acha-las e tira-las de la. Crystal já não estava mais tão magra, estava bem arrumada e foi fácil para Luna ver as características de sua família naquela jovem, era difícil de negar que ela era da família.
Pablo também estava entre os voluntários e parecia não gostar muito da proximidade dela e de Sebastian, mas Luna não se importava e ele sabia disso. O sol já havia começado a desaparecer e em breve haveria uma apresentação no centro do nível 4. Seria uma apresentação teatral com direito a música e algumas surpresas, claro que eles haviam bolado uma distração para afastar os guardas dos portões.
Eles teriam pouco tempo para que elas passassem por lá, mas teria que ser o suficiente. Quando os últimos raios solares desapareceram ela olhou para Pablo e moveu a cabeça confirmando que estava na hora. De forma rápida e discreta ele se aproximou das duas como se desejasse ver alguma coisa na mesa que elas organizavam as doações.
— Tudo bem, Luna? — Perguntou Abi.
— Sim, sabe o que fazer, não é? — Perguntou Luna para Abi em um sussurro.
A loira somente assentiu e começou a se afastar disfarçadamente. O palco para a apresentação havia sido montado a alguns metros dos portões principais. De uma distancia que chamaria a atenção dos guardas, mas ao mesmo tempo não deixava que eles vissem as coisas com perfeição, o que poderia obriga-los a se aproximar.
— Vai começar a apresentação, vamos lá! — Disse Luce empolgada.
— Claro! Vão indo na frente, preciso ir ao banheiro! — Exclamou Luna fazendo uma careta.
Um dos moradores havia emprestado a casa para que eles pudessem usar o banheiro, descansar um pouco ou algo do tipo. Mas aquela casa não havia sido escolhida ao acaso, ela ficava bem perto do portão e na parte de trás havia um pequeno vão que caberia facilmente alguém, escuro, silencioso e discreto. Perfeito para que Eleanor e Crystal se escondessem até o momento certo.
Ela adentrou a casa e sorriu ao observar que a mesma estava vazia, provavelmente estavam todos esperando a apresentação. Luna se aproximou em silêncio da parte de trás, não demorou para colocar o rosto para fora da janela e observou as sombras daquele pequeno vão. Um humano não veria nada, mas ela podia ver os três espremidos ali.
Assim que a viram se aproximaram com cautela e Luna não pode evitar sorrir, ao constatar que finalmente sua tia teria sua liberdade e voltaria para onde estava sua família. E Crystal pela primeira vez teria uma família de verdade.
— Está tudo certo? — Perguntou Pablo confuso, afinal ele achava que ela criaria a distração.
— Sim, deve começar em breve. — Disse ela em um tom calmo.
— Mas como se você está aqui? — Questionou ele em um sussurro.
— Abi o fará.— Disse Luna o encarando com o cenho franzido.
— O que? Você contou para ela? E se ela te entregar Luna, está louca? — Ele tentava sussurrar, mas a voz acabou saindo um pouco descontrolada.
— Primeiro de tudo fale baixo ou vai chamar a atenção, segundo não se esqueça com quem está falando e terceiro e não menos importante. Ela sabe disso a alguns meses, ela me encontrou em um momento de descontrole e assim que viu os meus olhos soube o que eu era. Desde então ela guardou o meu segredo e quando preciso ela me ajuda, confio nela. Então não questione minha decisão, somente obedeça. — O tom era firme e baixo, Pablo acabou se encolhendo.
Aquilo fez Luna sorrir, afinal, ele havia se lembrado quem mandava e o que ela poderia fazer com ele. Era melhor assim, já estava cansada dos chiliques de Pablo. E sua prioridade naquele dia era tirar as duas dali e não perder seu tempo em uma discussão inútil.
— Obrigada por isso minha sobrinha! — Disse Eleanor sussurrando e sorrindo logo em seguida.
— Não me agradeça por isso, tia. Somos família e a família se protege. Vocês duas hoje terão sua liberdade de volta. — Disse a morena sorrindo. — Agora preciso ir, afinal, preciso estar a vista de todos quando acontecer.
— Assim que tivermos o sinal eu tiro elas daqui. — Disse Pablo.
— Até mais, Crystal. — Disse Luna.
A jovem somente sorriu e assentiu, era bem tímida ou não estava acostumada a conviver com outras pessoas. Luna não sabia ao certo, mas não ligava muito para dizer a verdade. Luna se apressou a sair da casa e ir em direção as pessoas que começavam a se aglomerar para ver as apresentações. Não demorou muito para achar Luce e Sebastian, ela tratou de ficar ao lado deles com um pequeno sorriso em seus lábios.
Não demorou muito para algumas dançarinas entrarem no palco e começarem uma dança oriental e sensual, era chamada de dança do ventre. Todos estavam encantados com a forma que elas e suas roupas se mexiam. Quando Luna olhou ao redor pode constatar que alguns guardas haviam se afastado do portão e estavam praticamente babando nas moças.
Luna achava bem patético a forma como a maioria dos homens era totalmente previsível, claro que não eram todos, mas a maioria estava da mesma forma. Ao encarar Sebastian e Luce percebeu que ambos sorriam admirados, Sebastian por mais que estivesse admirando a dança não estava babando ou olhando com malicia. Aquilo aqueceu um pouco o coração de Luna.
— Luna como você conseguiu isso? — Perguntou Luce sem tirar os olhos da dança.
— Contatos, mon cherie. — A morena soltou uma pequena risada e deu ombros.
— Nunca tinha visto essas danças, havia lido sobre elas em alguns livros. Mas nunca imaginei que era tão bonito. — Comentou Sebastian enquanto cruzava os braços na frente do corpo.
— Vi uma vez em Paris, tiveram algumas apresentações. Acabei conseguindo o contato deles e convidei para virem hoje, eles são nômades. Viajam por ai levando sua dança e sua arte. — Disse Luna. Aquela era uma meia verdade, mas ninguém precisava saber.
Uma movimentação estranha se iniciou um pouco atrás de onde o palco havia sido montado, uma claridade estranha estava chamando atenção de algumas pessoas. Luna se conteve para não sorrir, não demorou muito para Abi aparecer ao seu lado e assentir.
— FOGO! TA PEGANDO FOGO! — Alguém gritou.
Algumas das doações que eles haviam recebido não estavam em bom estado, algumas comidas estavam vencidas ou estragando, roupas em péssimas condições. Eles acabaram separando tudo em um único lugar, era um monte que iria para o lixo.
Algumas pessoas começaram a se dispersar e se afastar rápido do local onde estava a pilha em cima. Já alguns curiosos se aproximavam para ver, ela pode observar os guardas que estavam perto do portão se aproximar correndo. Eles se dividiram em dois grupos um para tentar acalmar e controlar as pessoas e o outro para tentar conter o incêndio.
— O que está acontecendo? Vamos ver se podemos ajudar. — Diz Sebastian já se afastando das meninas e indo em direção a labareda que parecia maior.
Luna olhou para Abi com o cenho franzido, era só para chamar atenção, ela esperava que o fogo não saísse do controle ou a coisa poderia ficar feia. E com toda certeza ela não queria que ninguém ali ficasse machucado.
— Senhor, senhoritas. Parece que a pilha de produtos que foram descartados da doação pegou fogo, não sabemos o que iniciou o fogo. Mas já conseguimos conter e os bombeiros já estão chegando. — Disse um dos guardas.
— Ótimo, afastem um pouco mais as pessoas para que ninguém se machuque. — Disse Sebastian.
O homem se assentiu e virou indo na direção dos outros guardas para repassar a ordem. Não demorou muito os guardas começaram a aconselhar as pessoas a irem para suas casas e afirmou que a situação estava sobre controle. Luce soltou um pequeno suspiro e fez um bico.
— Mas que droga, ia ser tão divertido o encerramento. — Resmungou a loira.
Luna se sentiu um pouco mal por isso, sabia como aquilo tudo era importante para Luce. Mas era por uma boa causa, precisava deixar sua família a salvo e isso incluía a prima e a tia que nem sabia que existia até algumas semanas atrás.
— Mesmo com esse pequeno imprevisto foi tudo um sucesso Luce, se acalme. — Disse Luna a abraçando com um pequeno sorriso.
— Eu sei, mas poxa.. — A jovem ainda tinha um pequeno bico nos lábios e aquilo fez Luna rir.
Um guarda se aproximou correndo e encarou os quatro assustado. Ele sussurrou algo no ouvido de Sebastian e o mesmo começou a correr na direção do portão. Abi e Luna se olharam, as três começaram a correr atrás dele. Não podia dar nada errado, mas que merda.
— Vocês fiquem aqui! — Disse Sebastian assim que chegaram o portão.
— Onde você vai? O que está acontecendo? — Perguntou Luce arfando pela corrida.
Talvez a amiga precisasse se exercitar um pouco, ao olhar para Abi viu que a mesma não estava muito diferente e franziu o cenho. Ela era a única enforma ali? Tudo bem que ela treinava, lutava e corria desde os 6 anos, mas as duas não aguentarem uma pequena corrida era demais.
— Viram duas pessoas saindo daqui e indo em direção a floresta, uma movimentação estranha e acham que são os Deverpolt. — Disse Sebastian enquanto começava passar pelos portões.
— Se são eles está louco de ir lá? — Gritou Luce.
— Fiquem aqui. — Disse Luna para as duas
Sebastian deu ombros e continuou a caminhar, aquilo não estava nos planos e poderia dar uma merda muito grande. Ela começou a se aproximar de Sebastian rápido, alguns guardas tentaram intercepita-la, mas ela foi mais rápida.
No exato momento que parou atrás dele viu dois vultos correndo em direção as arvores, pela escuridão e distancia nenhum dos arqueiros dali conseguiria atingi-las. Luna soltou a respiração que nem percebeu que estava prendendo. Mas não demorou para ficar tensa quando viu que Sebastian continuava a descer em direção as margens da floresta.
— Sebastian, que merda que está fazendo? — Questionou ela irritada. Ele iria acabar estragando a merda toda.
— Luan volta, aqui é perigoso. Eu vou tentar conversar com eles. — Disse Sebastian em um tom calmo enquanto parava na frente de Luna.
— VOCÊ O QUE? Está louco? Vamos voltar antes que algo ruim aconteça, eu não saio daqui sem você. — Ela disse em um tom firme.
Com os seus sentidos avançados ela podia sentir que não estavam sozinhos. Haviam pelo menos 40 pessoas escondidos entre as arvores. Pode ouvir a voz de seu pai e de seus tios se falando, foi obrigada a conter um sorriso com o que estava ouvindo. Mas a prioridade agora era outra, elas estavam a salvo e Sebastian não.
— Essa guerra tem que acabar Luna, pessoas inocentes estão morrendo. Eu sei que a culpa é de Travis, mas um dos lados tem que ser racional. Os habitantes de Borthen não merecem ficar no meio desse fogo cruzado, assim como a esposa dele, Amber, não merecia. — Disse Sebastian enquanto voltava a andar.
Ouvi-lo falar daquela forma e ainda por cima de sua mãe acabou tirando um pouco o foco de Luna. Ela ficou encarando Sebastian enquanto ele descia em direção a margem da floresta, podia escutar os gritos desesperados de Luce. Isso a tirou de seu devaneio e a obrigou a reagir, então ela correu na direção que ele estava.
Ela o agarrou pelo braço e fez com que ele a encarasse novamente. Ele parecia decidido e aquilo não era bom, sabia que diálogos com seu pai não adiantava, Alphonse tentou por ano, assim como Agatha. Ele acabaria morte e isso ela talvez não pudesse suportar, como se confirmasse seu pensamento ela ouviu uma voz desconhecida dizer.
"Ele não é um dos filhos de Travis? Vamos mata-lo agora, para mandar um recado."
"Será que é uma boa ideia? Poderiam acertar a Luna." Era a voz de Bruce.
"Não se Mark atirar, ele nunca erra." Disse Nikollay
O coração dela saltou ao ouvir aquela vez, Deus como havia sentido saudades de sua outra metade. Sebastian ainda a encarava confuso, sem pensar muito ela se colocou bem na frente d Sebastian. Deixando bem claro para aqueles que estavam escondidos em meio as sombras da floresta que não iria permitir. Um pequeno rosnado saiu de sua garganta quando ela pronunciou.
— Não, isso não vai rolar. Não comigo aqui. — Sebastian acharia que ela estaria falando, sobre ele ir até os Deverpolt. Mas seu pai entenderia o recado, pelo silêncio, ele havia entendido.
— Luna não tente me impedir, eu vou falar com eles sim. Olhe para mim. — Disse ele de uma forma firme.
Ela havia ficado de costas para ele e encarando a floresta com uma expressão fria. Sua família entenderia muito bem o que ela queria dizer com aquele olhar, soltou um pequeno suspiro e suavizou a expressão antes de se virar para Sebastian.
Ele colocou as duas mãos na face dela e a acariciou com um pequeno sorriso em seus lábios. O corpo dela enrijeceu, ela sabia que todos estavam olhando e aquilo poderia ser ainda pior. Sebastian se inclinou e desferiu um pequeno beijo na testa dela, Luna fechou os olhos e soltou um suspiro cansado.
— Não posso simplesmente ficar sentado vendo eles se matarem, Luna. Já teve guerras demais, está na hora disso acabar. Eu entendo que Travis não é uma pessoa boa, convivo com ele há 24 anos e sei que ele é um ser desprezível. Mas quem vai ser o próximo inocente morto? Minha mãe, Luce? Ou alguns dos filhos deles? Isso tem que acabar. — Disse Sebastian.
— Eu concordo que tenha que acabar Sebastian e acredite em mim, isso vai acabar. Mas não é com a sua morte que isso vai acabar. Isso só pioraria tudo, deixa de ser teimoso e vamos voltar, por favor. — Ela disse praticamente implorando, seu tom continha um pouco de panico.
Estava ouvindo o debate sobre irem até lá e matarem ele ou escuta-lo, não estava gostando daquilo. As vozes que eram desconhecidas insistiam em mata-lo, Nikollay ainda estava em silêncio e Bruce dizia que talvez fosse melhor ouvi-lo antes de uma decisão.
"Chega." Foi a única palavra que Nikollay disse e o silêncio aumentou, isso não era bom.
— Por favor, Sebastian. Eu não posso perder você também, eu já perdi demais. — O tom era de desespero e uma lagrima traiçoeira e solitária escorreu pelo canto dos olhos dela.
— Luna, não chora , por favor. Eu vou ficar bem, confia em mim. — Disse ele enquanto enxugava aquela lágrima.
Luna apertou suas mãos ao redor da dele e o encarou. Mas antes que ela pudesse falar alguma coisa um barulho atrás deles chamou a atenção de ambos. Sebastian foi o primeiro a olhar e o mesmo ficou um pouco tenso. Respirando fundo ela se virou olhando na mesma direção e quis que um buraco os engolisse.
Haviam 6 pessoas paradas atrás dele vestidos com o uniforme preto de combate já conhecido por ela, o brasão dos Deverpolt reluzia logo acima do coração, exceto em dois deles. O brasão era de outro Clã, que Luna não demorou a identificar.
— Você quer conversar garoto? Vamos conversar, vamos começar pela parte que o merda do seu pai expulsou a minha família como lixos ? Ou pela parte que ele matou a minha mulher na frente das minhas filhas de 4 anos? Pode escolher, eu deixo. — A voz de Nikollay soou fria e selvagem.
O corpo de Luna estava tenso enquanto encarava os seis, aquilo ia dar uma merda muito grande. Ou ele acabaria morto ou ela acabaria estragando seu disfarce, da forma que fosse era difícil que acabasse bem.
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