Utópico.
24 Capítulo 23 - Alianças.
A forma como Luna tentava afastar o garoto a floresta, a forma como ela tentava fazer com que eles fossem embora. Mostrava para Bruce que aquilo não era uma atuação, conhecia a sua metade o suficiente para saber que tinha alguma coisa errada, alguma coisa que seu pai não sabia.
— Ele não é um dos filhos de Travis? Vamos mata-lo agora, para mandar um recado. — Disse Beatrice.
—Será que é uma boa ideia? Poderiam acertar a Luna. — Disse Bruce apreensivo.
— Não se Mark atirar, ele nunca erra. — Ouviu a voz do seu pai pronunciar aquelas palavras e engoliu a seco.
E naquele momento Luna se impôs se colocando bem na frente dele de uma forma protetora. Bruce franziu o cenho, ele estava certo algo estava muito errado. Ele sabia que ela estava escondendo algumas coisas nas suas cartas, mas o que passava em sua mente não seria possível. Seria?
— Não, isso não vai rolar. Não comigo aqui. — A voz dela era firme e com uma raiva contida.
Naquele momento Bruce observou Nikollay encarar a cena com o cenho franzido, então uma expressão de entendimento e de raiva tomou conta da face daquele homem. Os outros começaram a discutir entre matar o garoto, escuta-lo ou simplesmente ir embora. Mas seu pai permanecia em silêncio observando a discussão de Sebastian e Luna.
O que aconteceu a seguir fez com que Bruce conte-se um riso, era uma situação tensa. Mas perceber que Luna estava apaixonada e pelo filho do inimigo era meio engraçado e irônico. Logo ela que sempre falou que não pretendia se envolver emocionalmente com ninguém.
Já que a perda da mãe deles havia destruído o pai deles, ela sempre teve receio do amor depois daquilo. Bruce já enxergava tudo de uma perspectiva diferente. Ele havia sofrido depois da morte de sua mãe? Sim, mas antes disso era um homem feliz e satisfeito com sua vida e sua família. Ele sempre procurou lembrar dos momentos felizes e nunca deixou de acreditar no amor.
Ver aquele rapaz acariciando o rosto de sua irmã de forma tão terna e depois depositar um beijo na testa da mesma fez Bruce sorrir. Dava para perceber que provavelmente eles compartilhavam do mesmo sentimento.
— Pai, vamos ouvir o que ele tem a dizer. Não vamos fazer nada precipitado. — Disse Bruce.
— Pra que? Ele é filho do homem que matou sua mãe, não quer vingança? — Perguntou Beatrice.
— Matar o filho de alguém não vai trazer a minha mãe de volta. — Resmungou Bruce.
— Só eu estou achando a Luna bem estranha? Ta merecendo um oscar. — Disse Mark com o cenho franzido.
— Agora que você falou, ela está protegendo ele demais. Será que ela tem algo em mente e precisa dele? — Pergunta Cameron.
A discussão recomeça e Bruce revira os olhos, eles eram tão idiota assim? Como ninguém além dele percebeu o que realmente estava rolando entre aqueles dois? Talvez aquilo fosse bom, já que não sabia como seria a reação de sua família.
— Chega! — Disse Nikollay fazendo todos ficarem em silêncio.
Parece que ao ouvir a voz do pai, Luna havia entrado em desespero, sua voz ficou embargada e ela implorava para que eles fossem embora. Céus! Ela estava mesmo apaixonada e Bruce não fazia ideia de como ajudar. Encarou seu pai que ao perceber a forma que Luna agia deixou a expressão sombria.
Se ele tivesse reparado o mesmo que Bruce, eles estariam fodidos. Conhecia sua irmã, pela postura dela, ela não pretendia recuar, mesmo que ficasse encurralada. E ele seria leal a ela, se precisasse distrai-los para ela fugir com o garoto, Bruce faria isso.
Em pouco segundos Nikollay saiu do esconderijo e parou alguns metros a frente dos dois jovens que estavam tão perdidos um no outro que demoraram a repara-los. Claro, que os outros cinco rapidamente seguiram Nikollay e se posicionaram ao lado dele.
Quando os dois se viraram ele não conseguiu conter um pequeno sorriso ao vê-la, ele sabia que sentia a falta dela. Mas não imaginava que era tanta, seu coração saltava dentro do peito. Principalmente pela expressão que tomava conta da face de Luna.
— Você quer conversar garoto? Vamos conversar, vamos começar pela parte que o merda do seu pai expulsou a minha família como lixos? Ou pela parte que ele matou a minha mulher na frente das minhas filhas de 4 anos? Pode escolher, eu deixo. — A voz de Nikollay estava raivosa e isso não era bom.
— Senhor Deverpolt, nunca concordei com as atitudes de Travis. Tanto referente a sua família, quanto a forma que ele comandava e tratava as pessoas na cidade. Ou melhor, trata. Ele nunca se importou com nada além de si e quem está pagando por isso é o povo.—Disse Sebastian.
Bruce tinha que admitir, o garoto tinha coragem. Em nenhum momento ele se deixou intimidar pelos seres que estavam parados na sua frente. Encarava a todos com uma expressão tensa, mas sem se acovardar, ponto para ele.
Seu pai soltou uma risada debochada e aquilo fez com que Luna fechasse os olhos. Bruce percebeu que ela respirou fundo antes de abri-los. Encarava os seis em silêncio visivelmente tensa. Gritos eram escutados vindo da direção dos portões, quando Bruce olhou para cima percebeu que tentavam conter uma jovem de cabelos loiros que parecia desesperada pelos dois estarem ali.
— Luna, não acha melhor você subir e tentar acalmar Luce? Diga que vai ficar tudo bem. — Escutou o rapaz falar em um tom baixo e calmo.
Luna soltou uma risada e colocou a mão em seus quadris enquanto se virava e o encarava. Aquilo não era bom, ela e a mamãe sempre faziam aquilo quando estavam irritadas. Aquilo não seria nada bom, ele não queria estar na pele daquele garoto por vários motivos.
— Você é burro ou o que Sebastian? Está se fazendo de retardado por acaso? Qual a parte que eu não vou à porra de lugar nenhum sem você que VOCÊ não entendeu? — Ela começou em um tom raivoso, mas ainda contido. Conforme foi falando a voz foi se elevando e por fim estava gritando.
Todos olhavam aquela cena chocados em silêncio, Luna era conhecida por sempre manter a calma. Para controlar a transformação dela, ela sempre precisou ter controle de suas emoções.
— Isso não é fingimento. — Murmurou Mark e somente aqueles com a audição aguçada puderam ouvir.
Parecendo lembrar-se da situação que estava ela se virou ficando entre os seis e Sebastian novamente. Soltou um suspiro e ergueu uma das mãos que estava apoiada na cintura entrelaçando os dedos nos fios negros e puxando de forma leve. Ela sempre fazia aquilo quando estava tentando se controlar.
— Luna eu só... — Mas antes que ela falasse a voz de Nikollay soou de uma forma medonha, até mesmo para Bruce.
— Vai ficar discutindo com a namorada ou vai me responder garoto? Não tenho a noite toda. — A voz era fria e um tanto quanto animalesca.
— Eu quero acabar com isso, com toda essa guerra, com essas mortes. Nenhum inocente deve morrer por conta de toda essa confusão, que foi criada por Travis. — Disse Sebastian.
Nikollay mais uma vez riu de forma debochada e maneou a cabeça negativamente. Luna encarou Bruce com um olhar de súplica e ele não precisou de muito para entender, ele somente assentiu. Fazendo que ela soltasse um pequeno suspiro com um certo alivio.
—E como pretende fazer isso? — Perguntou Cameron.
— Ajudando vocês a detê-lo, se me prometerem que ele terá um julgamento. Ele tem que pagar pelo que fez, mas fazer isso sem um julgamento só tornaria vocês igual a ele. — Ele era audacioso, Bruce precisava admitir.
— Não me compare com aquele maldito. — Rosnou Nikollay dando um passo para frente.
Mas assim que os olhos de Luna mudaram de cor e sua postura também o mesmo recuou confuso encarando a filha. O rapaz parecia totalmente alheio aos movimentos de sua irmã, provavelmente por ela estar em sua frente e por ser mais baixa do que ele.
— E o que faz pensar que precisamos de sua ajuda? — Perguntou Beatrice.
— Moro dentro daquele lugar, pra mim, seria bem fácil deixar vocês entrarem. Grande parte da guarda está insatisfeita, a maioria dos moradores da cidade também. Principalmente depois de o que Bernard fez. — Disse Sebastian.
Bruce percebeu a expressão do rapaz se tornar mais sombria ao mencionar o próprio irmão e seus atos. Eles haviam escutado por alto os boatos, mas ninguém queria dizer exatamente o que havia acontecido.
— Nós escutamos alguns boatos de que ele havia sido preso, então é verdade. — Quando Sebastian confirmou, Mark continuou. — E o que ele realmente fez?
Naquele momento, Luna ficou tensa e arregalou os olhos, ela parecia um pouco assustada com aquela pergunta. Bruce não estava gostando daquilo o cenho dele se fechou enquanto encarava sua irmã com o cenho franzido.
Sebastian ficou tenso e com uma expressão raivosa. Ele ergueu a mão sobre os fios loiros e deslizou a mão sobre os mesmo de forma nervosa.
— Descobrirmos que ele era um merda que... — Observou ele engolir a seco e olhar para as costas de Luna.
— Ele é um monstro que drogava mulheres para abusar delas. Ele tentou fazer isso com uma moça, mas Sebastian e Luce estavam passando na hora e acabaram percebendo que algo estava estranho e salvaram a moça antes que ele conseguisse fazer algo. — Luna soltou um pequeno suspiro e cruzou os braços na frente do corpo. — Então eles depuseram contra o próprio irmão e colocaram ele atrás das grades, satisfeitos?
Nikollay cruzou os braços na frente do corpo e ficou analisando Luna em silêncio. Provavelmente seu pai já havia percebido que tinha algo errado naquela historia. Bruce encarou Luna com o cenho franzido e de repente algo veio a sua mente.
— Quando foi isso? — Perguntou Bruce.
Luna maneou a cabeça negativamente, mas era tarde para Bruce voltar a traz. Percebeu que todos o encaravam e depois encaravam Sebastian e Luna. E em pouco tempo a face de seu pai havia se transformado de uma forma que até ele teve medo.
Observou Luna dar uns passos para trás até ter suas costas coladas com o peito de Sebastian. O mesmo pareceu engolir a seco, ela estava pronta para correr se fosse preciso.
— Respondam, quando foi isso? Quando ele atacou a tal garota? — Nikollay respondeu encarando Luna.
Ela desviou seu olhar para o chão e aquilo foi o suficiente para que Bruce sentir a dor invadindo o seu peito novamente, isso fez com que ele recuasse alguns passos e colocasse a mão sobre a boca com uma expressão de panico. Era por isso que ele havia sentido o desespero dela, naquela noite, ela realmente estava em perigo.
— E o que isso importa? — Perguntou Luna erguendo o olhar e os encarando com o queixo erguido. — O que importa é que Luce e Sebastian salvaram a garota, impediram que ele fizesse aquilo que queria e o levaram para a prisão. Nem Travis conseguiu livrar a cara do filho, porque o povo está bem puto com aquilo, ainda mais depois que descobriram que ela não foi a primeira e que com as outras ele fez o que queria.
A expressão de Luna era séria, queria dar aquela discussão por encerrada. Mas não dava para saber se aquilo aconteceria. Bruce observou seu pai se virar de costas e encarar a floresta com as mãos em sua cintura. Ele estava tentando se controlar para não ir lá e matar o desgraçado, os outros pareciam não ter entendido. Então, olhavam para o seu pai confuso.
Bruce não era muito a favor de violência, mas a vontade que ele tinha era de invadir aquela cidade e acabar com aquele desgraçado, como ele poderia fazer isso com uma mulher? E principalmente com a sua outra metade.
— Nós realmente podemos ajudar vocês a entrarem na cidade, no palácio e tirar Travis do poder. Proponho um julgamento publico provavelmente o povo vai condenar ele mesmo. — Disse Luna dando ombros.
— Eu só tenho um pedido a fazer. — Disse Sebastian.
— Pedido? Acha que está em condição de fazer um pedido?— Disse Nikollay se virando e o encarando sério.
O rapaz soltou um pequeno suspiro, parecia já estar ficando irritado com aquela situação. Todos os outros permaneciam em silêncio somente observando aquela cena.
— Vamos ajudar vocês a invadirem a cidade, o palácio. Acho que o que eu tenho a pedir é bem simples. — Disse o loiro dando ombros.
Nikollay sorriu diante da resposta do rapaz, era corajoso. Se fosse outra pessoa provavelmente estaria com medo, afinal, estava falando com seis seres que eram mais poderosos que ele.
— Gosto da sua audácia rapaz. Então diga o que você quer? Vou pensar se atendo ou não. — Disse Nikollay cruzando os braços na frente do corpo.
— Quero que não aconteça nada com Luce, Luna ou com Amélia. Elas não merecem pagar pelos crimes de outras pessoas, então eu ajudo vocês e elas ficam livres. — Disse ele serio.
Bruce pode ver a surpresa tomando conta da face de Luna antes que ela se virasse para encara-lo confusa. Ele a fitou e desferiu um pequeno sorriso enquanto estendia sua mão e acariciava a face dela.
— Eu preciso protegê-las. — Foi tudo que ele murmurou.
— Por que pede só por elas e não por você? — Perguntou Mark.
Sebastian desviou seus olhos dos de Luna para encarar o irmão mais velho deles. O loiro soltou um pequeno suspiro enquanto dava ombros e dizia.
— Me importo mais com a vida delas do que com a minha. Se elas estiverem a salvo não me importo muito se eu não vou estar. — Disse de forma firme.
— Mas Sebastian... — Luna começou a dizer, mas ele a interrompeu.
Aproximou-se dela e desferiu um pequeno beijo em sua testa antes de se afastar e acariciar a face dela. Ele voltou a fita-la em silêncio, pareciam perdidos como se estivessem em seu próprio mundo.
— Tudo que me importa é que vocês fiquem bem. E eu vou fazer qualquer coisa para que isso aconteça, você nunca vai estar segura lá, não depois de tudo que aconteceu. Eu posso tentar te proteger, mas se eu não for o suficiente Luna? Não posso mais permitir que ele toque em Luce ou Amélia de novo. E se ele tentar fazer algo com você? Eu não suportaria se algo acontecesse a você... — As palavras dele continham angustia e medo, mas eram quase um sussurro. Como se ele não quisesse que ninguém além dessa escutasse.
Mal sabia ele que mesmo que sussurrasse todos ali escutavam tudo perfeitamente. O silêncio era constrangedor, bom pelo menos Bruce estava se sentindo constrangido de presenciar um momento tão íntimo.
— E você estaria mesmo disposto a ir contra o seu pai para proteger essas três mulheres? — Perguntou Beatrice rindo com deboche. — Duas são da sua família, então até entendo. Mas essa outra? É só uma parente distante, o que ela queria de tão especial?
Parecia que todos queriam ouvir aquela resposta, aos poucos os outros começavam a perceber a mesma coisa que Bruce. Talvez aquela conversa ficasse ainda mais tensa e ele não seria capaz de conter 5 pessoas mais poderosas que ele. Luna se virou de uma forma um pouco bruta e encarou Beatrice com superioridade.
— Acho que isso não é da sua conta, nem sabemos quem você é. Você não carrega o brasão dos Deverpolt, então não é uma deles. O assunto é com eles e não com você. — Disse de uma forma fria.
— Luna, acho melhor...— O rapaz começou a dizer, mas ela levantou uma mão para silencia-lo. — Deixa isso para lá, não me importo me responder.
Ele continuou ignorando o aviso de sua irmã, aquilo fez Bruce rir baixo. Pelo visto havia encontrado alguém que simplesmente ignorasse as ordens dela, se ninguém morresse naquela noite seria engraçado ver o que aconteceria com esses dois.
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Ela estava começando a se irritar com aquela garota. Primeiro ficava incitando os outros a matarem Sebastian, agora ficava se metendo onde não era chamada, que merda que ela queria com aquilo tudo? Estava usando todo o seu auto controle para não voar em cima dela.
— Você não se importa, mas eu sim. Ela mal chegou e já quer sentar na janela? Não devemos nada a ninguém aqui, quem deve é Travis e Albert. Ela nem uma Deverpolt é para ficar se metendo no assunto alheio, bom se eles não quiserem a droga do acordo o problema é deles. Boa sorte tentando achar uma forma de invadir o castelo sem ajuda. — Disse Luna de forma ríspida.
Não demorou muito para que Bruce começasse a lançar alguns olhares na direção de Luna. Ele estava tentando conter o riso e isso a estava irritando, ela lançou um olhar irritado para ele. Logo ele ergueu as mãos e deu ombros em sinal de rendição com um sorriso travesso nos lábios, fazendo ela revirar os olhos.
Seu pai encarava o chão em silêncio, ele estava quieto a tempo demais. Isso não deveria ser bom, pelos olhares que havia recebido sabia que ele percebera que a pessoa que foi atacada foi ela e provavelmente que algo estava acontecendo entre ela e Sebastian.
Como ela odiava não poder falar abertamente e resolver aquilo de uma vez, ela nem estava preocupada em si com seu disfarce. Mas se Sebastian descobrisse quem ela era assim, talvez ele nunca a perdoasse e ela não sabia se poderia conviver com isso.
— Ele é seu pai, se você está traindo seu pai como saberemos se não fara o mesmo conosco? — Ao ouvir a voz de seu tio, Luna teve vontade de soca-lo.
— Sebastian tire a camisa. — Disse Luna encarando os seis a sua frente com uma expressão fria.
— Não acha melhorem fazer isso em um quarto? — Disse Bruce rindo de forma sugestiva.
— Ora, cale a boca Br... Só cale a boca. — Ela quase disse o nome dele, mas como ela poderia saber?
Ela se virou para encarar Sebastian e apoiou novamente as mãos em seus quadris. Quando ele não fez menção de se mover ela revirou os olhos e se aproximou puxando a barra da camisa dele para cima. O rosto de Sebastian corou violentamente enquanto ele tentava conter Luna.
— O que está fazendo? — Sussurrou ele.
— Tira essa merda logo Sebastian. Não vou transar com você na floresta com toda essa plateia, só quero mostrar a eles, como o seu papai é um homem maravilhoso. — Disse ela com deboche.
O rosto de Sebastian se iluminou em compreensão. Ele ficou em silêncio encarando Luna, ela suspirou e se aproximou do corpo dele. Começou a erguer a camisa dele até por fim retirar a mesma. Ela queria poder fazer aquila de forma lenta e apreciar o corpo dele, se imaginou arrancando as roupas dele em vários momentos, imaginou se perder em meio ao corpo dele., mas infelizmente não seria naquela noite que faria aquilo.
Apoiou suas mãos nos ombros dele e o fez se virar, assim que ele estava de costas para eles mostrando as cicatrizes ela se virou e encarou sua família e os dois agregados. Ela odiava olhar aquelas marcas, a vontade dela era de infligir a Travis as mesmas dores.
— Luce também tem marcas como essas, mas ela tem bem menos. Já que Sebastian tentava proteger a irmã e acabava apanhando por tentar ajuda-la, eles passam por isso desde crianças. Provavelmente Amélia deve ter algumas, já que a alguns dias encontrei ela com a cara toda roxa no café da manha. — A expressão deles era de raiva.
Conhecia sua família o suficiente para saber o quanto detestavam aquele tipo de brutalidade contra inocentes. Principalmente porque da para perceber que algumas são bem antigas, provavelmente ele era criança quando foram feitas.
Ele se virou em silêncio e ela estendeu a blusa, por alguns segundos ela se permitiu admirar aquele peitoral definido. Escutou um pigarro e se virou para encarar sua família com a cara mais sínica do mundo, como se não tivesse sido flagrada babando no tanquinho do inimigo.
— Travis fez da vida deles três um inferno, Luce não larga tudo por causa de Amélia, Sebastian não deixaria Luce sozinha. E Amélia querendo ou não é mãe do outro monstro e não queria deixar o filho. O que acabou casando anos de sofrimento para todos eles, eu vim para cá pelos meus próprios motivos. Mas no final percebi que eles estavam tão fodidos quanto eu. — Ela deu ombos e continuou encarando a todos em silêncio.
— Ainda acho que é arriscado. E se ele decidir ficar do lado do papaizinho dele? No final o sangue pode falar mais alto. — Disse a garota irritante.
— Olha você realmente está começando a me irritar, garota. — Disse Luna de forma ríspida.
— E você vai fazer o que princesinha? — Disse Beatrice dando um passo a frente.
Luna ergueu a sua face e a encarou com desdem enquanto dava alguns passos na direção dela. Não demorou para a garota começar a fazer o mesmo, ela estava pouco se fodendo se aquilo traria algum problema só queria arrebentar a cara dela.
Sentiu braços fortes envolverem sua cintura e a puxarem para trás. Seu corpo de imediato reconheceu o toque de Sebastian e suspirou quando ele a prendeu a si e a acariciou levemente na cintura enquanto sussurrava em seu ouvido.
— Luna não faz isso, é exatamente o que ela quer. Te desestabilizar para você ataca-la e ela ter um motivo para tentar te matar. Não esqueça de quem ela é, Ma Lune. — Sebastian sussurrou ao pé de seu ouvido.
Ao sentir as carícias dele e ouvir as palavras carinhosas, principalmente o apelido, ela respirou fundo e assentiu. Agradecia por Sebastian estar em suas costas e ele não poderia ver seus olhos em seu tom dourado. Ela fechou os olhos e respirou fundo, começou a fazer um exercício de respiração e calma.
Quando finalmente abriu os olhos percebeu que Mark e Bruce haviam se colocada entre ela e Beatrice, eles estavam virados para a garota com seriedade. Estavam de uma forma tão fofa e protetora que fez Luna abrir um pequeno sorriso, eles sabiam do poder dela. Mas mesmo assim estavam sempre tentando protegê-la, mesmo quando ela não precisava.
— Vocês duas se acalmem e parem com isso. — Ordenou Nikollay. — Os soldados estão se aproximando do portão principal devem estar aqui em menos de 15 minutos.
Aquilo definitivamente não era bom, se eles se metessem em uma luta agora o plano que fora minuciosamente planejado poderia estar perdido. Ela encarou o seu pai e assentiu entendendo que estava na hora de ir.
— Vá garoto, nós entraremos em contato para te dar instruções. Espero que tenha palavra e que você realmente nos ajude quando a hora chegar. — Foi tudo que seu pai disse.
Ele encarou Luna por alguns segundos e ela sorriu. Movimentou sua boca em um pequeno "Obrigado". Ela sabia que seu pai e provavelmente todos ali haviam percebido, precisaria dar algumas expilações depois. Mas se considerar que não teve mortes naquele dia, já dava para ser considerado uma vitória.
— Obrigado, nós iremos aguardar e estaremos preparados. — Disse Sebastian.
Nikollay assentiu e sumiu entre as árvores, não demorou para que os outros o seguissem, com exceção de Bruce. Ele encarou os dois ali com um sorriso em seus lábios, Luna ergueu a sobrancelha e o repreendeu com um olhar. O sorriso dele somente se alargou diante daquilo, ela queria soca-lo e depois abraça-lo. Como sentia falta de seu irmão.
— Sabe, o que vocês dois tem parece ser especial. Não deixe que nada e nem ninguém estrague isso. — Disse sorrindo e em seguida sumiu entre as árvores.
Luna soltou uma pequena risada e maneou a cabeça negativamente. Sentiu os braços de Sebastian a envolverem e suspirou aliviada, estavam todos vivos e isso era algo bom... Ela se virou e posou sua cabeça sobre o peitoral dele enquanto sentia o mesmo afagar suas costas. Provavelmente ele achava que ela estava assustada, mas ela só queria escutar o coração dele e ter certeza de que ele estava vivo.
— Vamos, antes que eles cheguem. — Sussurrou Sebastian entrelaçando seus dedos com os de Luna e começaram a voltar para a cidade.
— Por quê? Eu sei que ele foi um merda na sua vida, mas no fim ele é seu pai, sabe que ele vai morrer, não sabe? — Perguntou Luna conforme observava os portões se aproximarem.
Ela ja conseguia ver Luce a mesma estava com o rosto vermelho e os guardas ainda a seguravam. Eles estavam a uma boa distancia, mas sua visão era aguçada e permitia que ela via tudo perfeitamente.
— Eu vou te contar a verdade mais tarde quando nos estivermos sozinhos. Mas não pode contar para Luce, ela não faz ideia. — Disse Sebastian.
Luna parou e o encarou confusa, um vento gélido cortou o ar bagunçando os cabelos negros da jovem. Não demorou para Sebastian erguer sua mão até a face dela e acariciar a mesma enquanto afastava os cabelos negros para trás.
— Que verdade, Sebastian? — Perguntou ainda confusa.
— Travis não é meu pai e nem de Luce. — Disse Sebastian soltando um suspiro.
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