The Zephyr

24 Faça-me um favor


Faça-me um favor

Podia ter sido numa tarde melancólica,

Ou numa madrugada sem estrelas.

Ela tinha uma face chorosa,

E os olhos com remelas, de uma noite insone.

Fazia dias que estávamos estagnados daquele jeito...

Como dois estranhos que nada sabiam a respeito

Um do outro.

Lembro-me dela ter resmungado meu nome,

Ou algum apelido carinhoso que outrora fez sentido.

Lembro-me de divagar sobre o sereno,

Indeciso sobre resolver ou continuar com aquele conflito.

Parecia o início do apocalipse...

Ou talvez o fim do gênesis.

Houve um momento de frenesi,

Quando as palavras que a atirei acertaram-na onde queria,

E nos guiaram até aqui.

Me faça um favor, eu disse, e diga que me odeia...

Seria tão mais fácil terminar as coisas dessa maneira.

Me faça um favor, eu disse, e diga que tudo era mentira...

Que você se escondia atrás da Lua nas noites de brisas frias.

Eu despejava todo meu veneno armazenado para aquele momento...

E eu sei que a acidez tornou-os quase inimigos, naquele momento.

Todavia, eu fiz disso parte essencial para nosso confronto,

Eu desejava que você deixasse aquele teu ponto seguro.

Me faça um favor, ela disse, e pare de me fazer perguntas...

Como se eu tivesse a resposta para todas as suas dúvidas estúpidas.

Me faça um favor, ela disse, e me queira tua...

Da mesma forma quando explicitava os 50 motivos de querer minha pele nua.

Talvez a confiança tenha sido demais para impedir...

Um relacionamento de “Seria muito pedir?”.

No fim, ela caminhava para longe e eu assistia...

Ironicamente, a estrela que me guiava jazia caída, naquele dia.

Numa estrada perdida, onde nem mesmo os cacos de meu coração,

Encontravam-se, dada a crescente e cega escuridão.

Então, eu disse...

Me faça um favor e me diga se precisar de alguma coisa.

Me faça um favor e vá embora com suas desculpas tolas.

Me faça um favor e esconda-se em seu mar de problemas.

Me faça um favor e não peça por cometas em seus malditos poemas.

É uma pena que a madrugada tenha nos feito frios,

Ou a tarde que se pôs melancólica.

Lembro-me de olhar às horas,

E pedir por uma brisa quente lá fora.

~Gabriel.