The Heiress II ─ The Rising
24 Lutas Intensas
Notas iniciais
A tarde passou lentamente, mas antes que eu percebesse já era três e meia da tarde, e todo mundo então começou a se arrumar para a captura a bandeira. Seria memorável, eu tinha certeza. Ninguém jamais se esqueceria dessa captura a bandeira...
E eu estava no arsenal com Nico, procurando uma armadura para mim. Sorte que ele notou o colar de ônix em meu pescoço, se não, eu iria com uma armadura velha sem saber a preciosidade que eu tinha comigo.
─ Ah, então é pra você que ele fez o colar ─ disse Nico animado, olhando meu pescoço.
─ Ahn? Sim, ganhei de natal ─ respondi sorrindo.
─ É uma armadura sabia? Aperte bem forte a pedra ônix. ─ contou Nico e eu apertei. Imediatamente uma armadura negra me cobriu, ela era totalmente flexível e dava para ver que ela não seria destruída tão fácil.
─ UOU! ─ murmurei admirada.
Nico apertou uma pedra ônix que ele tinha em sua pulseira e uma armadura semelhante, porém masculina o cobriu. Estávamos prontos! A bandeira seria nossa, cuidado semideuses, filhos de Hades na área. Insira uma risada maligna aqui, se quiser.
─ Noooossa... ─ ouvi a voz de Matt, admirado. ─ Você está cada vez mais linda.
Droga! Lá vem ele quebrando toda a pose de durona com que eu estava. Mas eu fui forte e apenas olhei feio para ele, que sorriu para mim.
─ Babaca ─ murmurei passando por ele e Nico riu, atrás de mim. Matt, para meu profundo ódio, apenas deu uma risadinha.
─ O amor jovem ─ suspirou Nico falsamente, imitando Lizy, com uma cara de retardado.
─ Você vai ver o amor quando eu quebrar sua cara, Nicolino! ─ grunhi e ele gargalhou. Porque ninguém me leva a sério? Que droga!
Nesse momento meu celular Olympus 2.0 toca e eu vejo que é Harry me ligando.
─ Ela tem um Olympus 2.0? ─ perguntam Nico e Matt um para o outro, chocados.
─ Fala aí, maninho ─ atendo. ─ O que tá rolando? ─ pergunto e ouço a risada de mamãe e Sean. Pelo visto, Harry colocou no viva-voz. Bobão!
─ Lya ─ diz Harry animado ─ Você perdeu...
─ Ah, não! ─ reviro os olhos. ─ Por favor, não tentem me convencer a ir aí com vocês, sério. Eu to quase mudando de ideia. ─ digo séria. Mentira! Não estou não...
─ Eu sei que você não está mudando de ideia, Lya ─ diz Harry entediado. ─ O que eu quero dizer é que você tem quase um mês e meio para ficar aí. Tem certeza de que não quer viajar com a gente?
─ Certeza absoluta, caro irmãozinho. E pelo visto o Sean tá com vocês... Porque não vem pra cá, Sean?
─ Talvez eu passe ai umas semanas antes de você sair. Aí já aproveito e te levo comigo, vai que você não queira sair... ─ responde Sean, rindo e eu reviro os olhos.
─ Certo então. Ligo pra vocês depois, porque agora tem captura a bandeira e eu não quero perder ─ digo e me despeço deles, desligando.
─ Sean? Sean Skyford? Conhece nosso irmão mais velho? ─ pergunta Nico.
─ Claro, conheço ele desde sempre. ─ digo sorrindo. Conheci-o antes na minha mente como Salazar, no passado como Salazar de novo, depois como Sean... É quase desde sempre.
─ Legal, ele é o único filho dos três grandes que passou dos dezesseis, mas na verdade a aparência verdadeira dele é de quinze anos, sabia? Ele conseguiu fazer algo para aparentar ser mais velho, mas ele nunca envelheceu desde que fez quinze. ─ contou Nico e eu o olhei, chocada.
─ Sério? ─ questionei. ─ Não sabia disso... ─ falei. Será que Sean usava um feitiço de glamour? Era o mais provável.
─ Vamos lá, vamos com o nosso time. ─ diz Nico, ao ver o pessoal se agrupando.
Como sempre, havia o time azul, comandado pelo chalé de Athena, mais precisamente por Annabeth e o time vermelho, comandado pelo chalé de Ares, ou seja, Calissa mandava. Embora Matt com certeza pudesse fazer um trabalho muito melhor que ela, e não falo isso porque ele é meu namorado.
Mal me contive de atacá-la ali. Eu deveria esperar pela hora certa. Ela iria me matar se a ocasião aparecesse então eu deveria planejar tudo para nada falhar.
Enfim, eu e Nico seriamos separados, já que éramos irmão e dois filhos de Hades em um só time ficaria muito desequilibrado. Ele ficaria no time azul, que era formado pelos chalés de Athena, Poseidon, Deméter, Hermes, Íris, Dionísio, Hefesto e Hécate. Já eu ficaria no time vermelho para meu grande desagrado, que era formado pelos chalés de Ares, Zeus, Tique, Apolo, Afrodite, Hypnos, Nêmesis, Hebe e Hécate. Isso foi tudo decidido por Quiron, durante o almoço.
Não fiquei nada contente em saber que fiquei no time de Calissa, mas eu teria que arrumar uma forma de fazê-la lutar comigo e tentar me matar, só então eu poderia me defender e matá-la ‘acidentalmente’. Eu estava sendo cruel em planejar a morte de alguém, é claro, mas essa pessoa me matou e roubou de certa forma, a memória de todos os que eu amava. Ela iria pagar.
─ Vocês já sabem a estratégia ─ disse Calissa secamente ─ e se algum de vocês nos fizer perder, irão sofrer as consequências!
Claro que sabíamos as estratégias, apesar de que eu achava que tinha certas brechas aqui e ali que poderia fazer com que perdêssemos. Mas eu teria que usar isso a meu favor. Eu a seguiria, e quando surgisse uma brecha, eu faria com que ela mesma fizesse o time perder.
Adentramos a floresta e logo que pude, disfarçadamente, envolvi-me em sombras e permaneci caminhando invisível, seguindo Calissa. Eu iria ignorar a estratégia, pois no fim, quem iria perder seria ela mesma. Percebi com o canto de olho que havia um campista de Deméter e um de Apolo em cima da arvore e logo mexi em algumas folhas com as sombras, fazendo com que os passos de Calissa fizessem barulho. Os campistas desceram e enquanto o de Apolo atirava flechas, o de Deméter a distraia com um punhal. Mas ela era boa, muito boa e logo derrotou o campista de Deméter e jogou uma bola de fogo ao campista de Apolo, que ao desviar, tropeçou e caiu, batendo a cabeça em uma pedra, desmaiando em seguida.
Calissa começou a correr cautelosamente segurando a espada e eu fui a seguindo silenciosamente. Ela conseguiu achar a bandeira do outro time facilmente, mas ela estava sendo vigiado pelo meu irmão. Eles começaram a lutar e eu, tendo a chance de pegar a bandeira, não o fiz. Deixei a briga rolar, circundando meu irmão com as sombras, para dar mais energia a ele. Se ele percebeu que eu estava lá, ele não demonstrou. Afinal ele deve ter percebido que eu tinha algo planejado.
Porém todo o esforço de Calissa em conseguir vencer a batalha e pegar a bandeira acabou quando Percy surgiu para ajudar Nico, deixando ela contra dois filhos dos três grandes. Poderia ser três, se eu entrasse na luta, mas decidi esperar. Não era a hora ainda. A vitória acabou sendo do time azul, pois logo Annabeth chegou com a bandeira vermelha, o que deixou Calissa espumando de raiva.
─ Muito bem, irmã. O que você disse mesmo? Ah, lembrei. Você disse: “Nós vamos vencer, e não vai ser por sua causa Matt, vai ser graças a mim, que eu sou muito melhor que você!”. E então, cadê a vitória, ahn? ─ atiçou Matt, vindo até onde estávamos.
Deixei as sombras me revelarem, mas o único que percebeu que eu apareci foi Nico que apenas sorriu.
─ Aposto que se ele estivesse comandando nosso time nós ganharíamos ─ falei calmamente e ela virou-se para me olhar.
─ Como é? Eu ignoro o que esse inútil que se diz filho de Ares diz, mas você, uma novata... Acha mesmo que pode falar assim comigo? ─ ela questionou furiosa.
─ Posso falar como eu quiser, afinal, a única pessoa inútil aqui é você. Quer dizer, você teve a chance de pegar a bandeira e não pegou... ─ desdenhei e ela tentou me atacar, mas rapidamente me defendi com minha espada. ─ Olha só, a filhinha de Ares perdedora quer lutar com uma filha de Hades. Está com raivinha, é? ─ comentei divertida.
Toda a provocação só pareceu deixá-la mais irritada ainda, e quanto mais irritada ela ficava, mais ela perdia a capacidade de pensar, fazendo ataques óbvios para cima de mim. Isso era a fraqueza dos filhos de Ares, quando com raiva só pensavam com a força bruta. Mas ela ainda tinha uma vantagem, o fogo que ela controlava e que me matou uma vez. E quando ela começasse a usar, eu teria que procurar uma vantagem superior. Daquela vez foi sorte, mas dessa vez seria pura capacidade, afinal estávamos ambas com armas nas mãos.
─ Calissa, pare! ─ gritou Quiron surgindo quando as chamas começaram a nos circular. Era como antes, mas agora eu não morreria. Ela seria a única a morrer, eu tinha certeza. Eu iria vencer, eu tinha que vencer.
Ela não pareceu ouvir Quiron e nossos ataques começaram a ficar cada vez piores, até que consegui fazer um corte em seu braço direito, fazendo-a mudar a espada para o braço esquerdo. Mas isso não pareceu a atingir, ela continuou lutando com ferocidade.
─ É só isso que você pode fazer? Suas chamas não irão me atingir... ─ provoquei.
─ Eu não vou parar enquanto não matá-la sua inútil, vou matar você e meu irmão idiota. Era para eu ser a filha preferida, eu! E nem você nem os amiguinhos dele vão me impedir... Eu vou matar todos que tentarem! ─ berrou ela possessa. Eu percebia com o canto de olho que a maioria dos campistas estava ali assistindo. Os que não estavam iam chegando aos poucos. Mas eu não poderia me distrair.
─ Pare Calissa ─ gritou Matt desesperado ─ Quer lutar comigo? Então lute comigo! Deixe-a! Não deixe sua raiva te cegar, você quer a mim e não a ela.
─ Agora que você pediu é que não deixo mesmo, vou matá-la! ─ disse ela sadicamente, gargalhando. Ela era maluca! E eu era mais ainda...
─ Isso, vamos, tente me matar... Você é uma inútil... É só isso que consegue? ─ aticei divertida. Nesse momento já estávamos ambas machucadas, mas a floresta escura me fortalecia. Não que as chamas dela se abrandassem, na verdade, enquanto ela tinha o fogo eu tinha as sombras. Era uma luta intensa, a mais intensa da minha vida.
Em um momento de falha, ela enfiou a espada em minha coxa, quase me fazendo cair. Mas eu ignorei a dor, louca de raiva, deixando as sombras subir quase como uma nevoa. Ela me encarou horrorizado ao ver meus olhos brilharem, totalmente negros, sem nenhuma sobra de verde ou branco.
E então ela fez seu movimento final, revestiu sua espada de chamas, tentando me esfaquear no coração, mas minha espada encontrou o seu primeiro. Enquanto ela me atingia nas costelas, me esfaqueando na barriga, minha espada penetrava seu tórax e então ambas caímos, na doce escuridão da morte.
Eu havia falhado, mas ela morreu comigo. E tudo se apagou e foi como antes, morri olhando nos olhos desesperado, horrorizado, triste e apaixonado de Matt. Pelo menos ele iria viver. Tive a consciência de uma lagrima escorrendo pelo meu rosto e então eu não soube de nada mais. Só a escuridão... Doce escuridão...
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