The Heiress II ─ The Rising
25 Vida ou Morte?
Notas iniciais
─ Ela não pode morrer! Minha filha não pode morrer!
─ Não, a garota deve ser morta!
─ Não, eu voto pela vida dela. Pare de ser orgulhoso, irmão.
─ Você está do lado de Hades ou do meu lado, Poseidon?
─ Eu estou do lado que faz a coisa certa! Isso é estúpido! A garota...
─ Estúpido? Vindo de você, peixe podre...
─ Cale-se, Athena, não estou para brincadeira! Se fosse o filho ou filha de qualquer um de vocês que estivesse no lugar dela isso não estaria acontecendo, não é? Vocês reviveriam a criança na hora...
─ Parem todos com isso, ela não pode morrer. O amor dela e de Matt é um dos mais verdadeiros que eu já ajudei a nascer...
─ Não estamos falando de amor, Afrodite!
─ Isso nem deveria estar em votação, minha filha vai viver e ninguém vai me impedir de revivê-la!
─ Você entrará em guerra com o Olimpo se ela viver Hades! Marque minhas palavras...
─ Está me ameaçando, Zeus?
─ Chega! Bando de tolos! Enquanto vocês discutem como crianças o mundo está caindo aos pedaços. Furacões, terremotos, tsunamis, vulcões em erupção, vendavais terríveis, nevascas, alagamentos, chuvas acidas e doenças estão se alastrando a cada minuto que passa. Vocês não percebem, não é? Com a morte dela estarão adiantando a tão temível destruição! Ou já se esqueceram da Temível Profecia?
─ Hécate? O que faz aqui? A Temível Profecia não pode estar acontecendo...
─ Olá para você também, Zeus. Ah, não pode? Então olhem para tudo isso, todo esse caos e destruição. Está acontecendo e você, com todo esse orgulho, vai ajudar a destruição acabar mais rápido.
─ Mas a garota é uma ameaça...
─ Não, ela não é uma ameaça, ela é a única que vai salvar o mundo. Apolo, diga a ele A Temível Profecia!
─ Por três vezes a morte cairá
E três vezes ela deverá ressurgir
Caso à vida ela não retornar
O mundo junto a ela irá sucumbir.
─ Escutaram? Se ela não viver, todo esse mundo irá sucumbir a trevas e a destruição! E ninguém... Escutem bem todos vocês, ninguém poderá evitar e muito menos vocês!
─ Diga então, Zeus! Diga as palavras. Você sabe o que fazer! O mundo está acabando e só minha filha pode salvá-lo...
─ Está bem, eu a reviverei, mas se ela destruir o Olimpo...
─ Zeus, temos pouco tempo... Pare com seus preconceitos idiotas!
─ Ypárchei o thánatos, ypárchei zo̱í̱ [Há a morte, há a vida]
Ekeí péra apó káthe moira [Há além de tudo o destino]
Af̱tó thni̱simóti̱ta kérdise [Que a mortalidade seja vencida]
Sti̱ synécheia, vasilév̱ei i̱ theía tou aímatos [E reine então o sangue divino].
─ Pronto, o feitiço da imortalidade foi dito.
─ O que vai acontecer agora?
─ Não está vendo? Ela vai virar deusa...
─ Estranho, não está funcionando...
─ O que? Como não está funcionando, Zeus? O que você fez com minha filha?
─ Calem-se! Estão estourando meus tímpanos!
─ Lya! Você acordou... Deu certo!
Suspirei profundamente e tentei cobrir meus ouvidos com o braço, tentando escapar do turbilhão de vozes que me incomodava. Parecia que eu havia sido pisoteada por um bando de camelos durante horas e que depois fiquei abandonada num deserto de areia acida aguentando um sol escaldante um dia todo. E então as lembranças foram voltando e me lembrei de tudo o que havia acontecido. Era quase isso mesmo que havia acontecido, porém muito menos dramático. Eu havia lutado até a morte com Calissa e morri junto com ela, de novo. Mas, espera, se eu estava morta, como é que...
Abri meus olhos e quase os fechei, pois fui atingida por um brilho intenso. Quando consegui perceber o que estava acontecendo, percebi que estava deitada no chão, em um lugar enorme parecendo um templo grego, com gigantes extremamente belos me circundando.
─ O que... O que aconteceu? Estou morta? ─ perguntei rouca. Eu precisava de água, urgentemente.
─ Aqui ─ disse uma das gigantes ao me estender um copo de água. Ela era a menor de todos ali, com cara de doze anos e ruiva.
Bebi e imediatamente minha garganta parou de doer e toda a dor e cansaço que me rodeava meu corpo se evaporou. Aquilo era mesmo água?
─ Na verdade, é néctar e não água ─ disse uma das gigantes, que era loira, sorrindo para mim.
─ Ah, vocês leem mente... Porque não estou surpresa? ─ comentei, sentando.
─ Não somos gigantes garota, devia ter mais respeito com os deuses ─ disse um homem, ríspido.
Ele disse deuses? Oh, não! Eu estava no Olimpo!
─ Bingo! ─ comemorou um loiro sorridente.
─ Loiro sorridente? Devia dizer, quer dizer, pensar, loiro sorridente extremamente gostoso e delicioso e... ─ o mesmo começou, indignado.
─ Apolo! ─ repreendeu a ruiva, irritada.
─ O que eu fiz? Eu deveria estar no submundo, de novo... Quantas vezes mais eu vou ter de morrer? Não me digam que eu tenho sete vidas... Caramba! ─ murmurei suspirando e então repassei mentalmente toda a conversa que eu tinha ouvido.
─ Ah, não! Ela ouviu tudo... ─ falou o homem de antes, irritado, a qual imediatamente eu o reconheci como sendo o próprio Zeus.
─ Tem uma profecia sobre mim? Que se eu morrer o mundo vai junto comigo? ─ perguntei chocada. ─ E vocês me transformaram em deusa? ─ terminei apavorada.
Isso não poderia estar acontecendo comigo, não mesmo.
─ Nós tentamos, mas apenas te curou. Você não é uma deusa, eu não entendo o que pode ter dado errado ─ disse a loira, Athena.
─ E agora? ─ questionei sem saber o que fazer.
Nem deu tempo de me darem uma resposta, pois ouve um clarão na sala e apareceram três pessoas, uma garotinha, uma mulher e uma velhinha.
─ Deuses, por pouco impediram o mundo de ser destruído, mas a menina não pode se tornar uma deusa! ─ disseram as três em uníssono.
─ E como impediremos a morte dela se ela não pode se transformar em deusa? ─ perguntou meu pai, frustrado. Meu pai! Nem tinha reparado. Se eu não estivesse quebrada eu o abraçaria.
─ Não dissemos que ela não poderia se tornar imortal, apenas que não poderia ser deusa. Tem muitos caminhos para a imortalidade! ─ responderam e me olharam.
Franzi a testa. Quais caminhos existiam para a imortalidade? Bem, a divindade, que não deu certo. A pedra filosofal, que não era algo muito garantido. O vampirismo, que não combinaria comigo... E só! A não ser que elas quisessem que eu fizesse horcruxes, isso seria até demais.
─ Preferíamos que o mundo fosse destruído em vez de você destruir sua alma ─ elas disseram enojadas.
─ Concordo plenamente, acredite ─ falei ─ Mas que outro meio há de se tornar imortal?
Acho que elas não queriam que ninguém mais além de mim soubesse o que diriam, pois tudo paralisou. O tempo, as pessoas e os deuses. Só eu e elas continuamos nos movimentando, fora dos limites do tempo.
─ Não existem só os deuses no mundo, minha jovem ─ disse a velhinha. Uau, elas não falaram juntas!
─ Só falamos juntas para intimidar, aí a reputação pegou e só falamos separadas quando estamos a sós ou com alguém que consideramos importante ─ disse a garotinha.
─ Todo mundo nasce, cresce e morre, mas alguns permanecem para sempre. Deuses, monstros, titãs... ─ começou a mulher pensativa.
─ E o que exatamente eu devo me tornar? Monstro? Titã? ─ questionei querendo pular de cabeça no tártaro e me espatifar toda para nunca mais voltar. ─ Fala sério! E quais são seus nomes? ─ perguntei de ultima hora.
─ Nós somos o destino, mas chame-me de Lady Fate, sou eu quem decido sua sorte ou sua fatalidade ─ diz a mulher.
─ E eu de Destiny, decidi sua sina desde que nasceu ─ falou a garotinha.
─ Eu sou Lady Doom, ninguém pode me evitar, sou a destruição, a ruína, o fim... Mas você irá passar por mim, criança ─ disse a velhinha.
─ Certo, muito prazer. Mas como perguntei antes...
─ Em que irá se tornar? ─ interrompeu Destiny.
─ Isso mesmo. No que irei me tornar? ─ eu questionei curiosa e apreensiva.
─ Não sabemos ainda ─ Lady Fate deu de ombros.
─ Tivemos tempo para decidir, mas... Resolvemos deixar com que você decidisse por si mesma, quando tudo acabar. Você ainda é mortal, portanto evite a morte o quanto puder ─ disse Lady Doom parecendo divertida.
─ Irônico, pedir para uma filha de Hades evitar a morte... ─ comentei sem humor.
─ Mas seu pai é apenas o deus dos mortos e não a morte em si ─ lembrou-me, Destiny delicadamente.
─ E quem é a morte? ─ perguntei.
─ Quando você estiver prestes a deixar esse mundo, prestes a morrer de uma forma que você nunca esteve próxima, você saberá. O destino de todos está em suas mãos agora, e no tempo certo você irá entender o que nós tentamos te dizer. ─ discursou Lady Fate e eu assenti mais confusa do que nunca. Eu morri, mas não morri de verdade e só quando eu morresse de verdade é que eu iria saber quem era a morte? Mas o que é morrer de verdade? Tem coisa mais confusa a se dizer do que tudo isso que me disseram?
Não tive tempo para pensar nisso, já que tudo voltou ao normal e elas desapareceram como se nunca estivesse ali, deixando os deuses olhando em volta, confusos.
─ Onde é que... Ah, esquece! ─ começou Athena, mas parou de falar, frustrada.
─ O que elas disseram? ─ perguntou meu pai, vindo até mim e me abraçando. Era como um adulto abraçando um bebê recém-nascido, já que ele estava no tamanho divino.
─ As coisas mais confusas do mundo ─ eu contei e fechei os olhos. Eu já estava ficando cansada e apesar de estar viva, eu tinha certeza de que se eu estivesse morta nada estaria doendo. E eu estava toda dolorida, como se realmente tivesse sido pisoteada por um bando de camelos. Mereço! Tinha que acontecer isso comigo? Se bem que a culpa foi minha, já que fui eu mesma que planejei a briga com Calissa.
─ Apolo, cure-a ─ disse meu pai, tocando minha testa e então eu apaguei. De novo... Eu somente esperava que quando eu acordasse, eu tivesse as respostas para todas as minhas perguntas. Só ficou uma duvida: e Calissa? Havia morrido ou não? Eu realmente esperava que ela tivesse morrido...
Fale com o autor