Shiver

31 Capítulo 31


Notas iniciais
Hello, meus amores ♥ Em primeiro lugar, desculpem pela demora para atualizar, mas fim de semestre é duro demais HAHAHA i had ZERO time in my hands. Segundo lugar, esse capítulo é dedicado à minha Ana preferida, pois foi aniversário dela e ela merece o mundo. ILY ANA ♥ (você vai ganhar o próximo capítulo também, apenas porque ele vai ser muito melhor, eu espero).

Mesmo depois de semanas viajando com Morzan e sendo testemunha de que, independente da moralidade de seus atos, ele tinha o porte e a aparência dos nobres mais – bem, nobres – das histórias, Selena ainda esperara que Urû’baen contasse com altas muralhas negras, cabeças empaladas sobre os portões, e que a corte de Galbatorix fosse de uma riqueza decadente.

Nunca estivera tão errada. Ela mantivera os olhos fechados durante boa parte do vôo – já que, por mais bonita que fosse a vista, a altura ainda a deixava desconfortável – e se contentara em conversar com Morzan e eventualmente apenas em aproveitar de sua companhia, até que o momento em que ele chamou sua atenção com uma carícia muito leve sobre seu pulso. “Olhe,” ele disse, e Selena abriu os olhos para a capital do Império.

A cidade fora construída na base de uma colina e sob a sombra de uma imensa saliência de pedra, e, embora as muralhas fossem de fato altíssimas, grande parte dos edifícios eram de uma graça e elegância tal qual Selena nunca vira antes; principais entre eles, e espalhadas em um arco pelo que parecia ser a parte mais antiga da cidade, seis torres feitas de uma pedra de um tom forte de verde que pareciam realmente saídas de uma lenda.

“Bonitas, não são?” Morzan perguntou, mas havia algo em sua voz que não era inteiramente apreciativo. “Foram feitas por elfos, por isso a arquitetura tão esbelta. Mas nós estamos indo para lá.”

Ele ergueu uma mão para apontar para a cidadela protegida pela saliência de pedra – havia ainda outro muro sobre ela, cercando torres maciças de vigia – que se estendia também sobre parte da capital, mas não seria realmente necessário. Dotada de uma profusão de torres e ameias, e com vista de cima de toda a cidade, a fortaleza não poderia ser menos do que a morada de um rei. Selena se demorou nos portões grandes demais até para um dragão, e, engolindo em seco, perguntou em tom leve, “Suponho que tenha uma torre inteira só para você?”

Morzan riu baixinho. “Algo assim.”

Selena não se deu ao trabalho de pedir por mais informações – já entendera que Morzan não elaboraria sobre nada se não quisesse, e ele acabava por lhe contar mais cedo ou mais tarde – e estudou mais uma vez as muralhas da cidade e as torres de vigia sobre a protuberância de pedra. “Urû’baen parece ser impossível de tomar.”

“Nós a tomamos,” ele replicou, tão baixo que ela mal o ouviu; Selena se permitiu imaginar a cena, quatorze Cavaleiros atacando a cidade na calada da noite, as chamas dos dragões caindo sobre as casas como uma chuva de fogo. “Mas eram tempos diferentes, e melhoramos as defesas desde então.”

Se contendo para não perguntar sobre a Queda, Selena comentou, “Ela é linda.” Mordeu o lábio inferior, hesitante, e completou, “Não combina muito com seu nome, acho. Urû’baen parece algo mais... sombrio.”

“Mesmo?” E ela podia ouvir o sorriso na voz de Morzan. “O que acha de Ilirea?”

A palavra soou estrangeira, delicada e quase musical, e Selena entreabriu os lábios. “Melhor. O que é...?”

“Era o nome da cidade antes da Queda. Galbatorix o mudou.”

“Ah.” Ela franziu as sobrancelhas. “Por quê?”

Sentiu Morzan encolher os ombros atrás de si. “Despeito.”

Não havia muito o que responder àquilo. Selena entendia agora que – porque – Morzan estava muito além de sentir pena dos Cavaleiros e dragões que morreram durante a Queda, de sentir afeição pelo mundo que destruíra, ou de sentir até mesmo um pouco de culpa, e ele falava sobre Galbatorix apagar os resquícios de sua antiga ordem como se fosse apenas natural, talvez até mesmo certo, no mínimo inevitável.

Ela se ajeitou contra ele, esperando que o dragão logo começasse a descida para pousar no pátio diante dos portões da cidadela, mas ele manteve sua altura. E então Morzan subitamente apertou o braço ao redor de sua cintura, a outra mão se fechando firme sobre a sela, e disse, “Se segure.”

Mas Selena não teve tempo de se preparar antes do dragão vermelho se inclinar para a direita, dobrando uma asa para espiralar para fora do caminho e se desviar da fera ainda maior que passou por eles voando em uma velocidade prodigiosa. Morzan praguejou baixo ao que seu dragão se ajeitava no ar, e Selena fechou os olhos por um instante e respirou fundo, tentando em vão acalmar seu coração. “O que foi isso?” perguntou.

Morzan relaxou seu aperto em sua cintura apenas um pouco, ainda lhe oferecendo algum suporte, e acenou na direção do dragão de escamas marrons que pousara no pátio aonde Selena achara que eles mesmos iriam. “O dragão de Formora.” E ela se surpreendeu pelo desgosto em sua voz. “Animalzinho horrível que ela é.”

Selena olhou mais uma vez para a fera lá embaixo, considerando a possibilidade de ela ser uma fêmea. Não havia sela sobre suas costas. “É maior que o seu,” comentou, sua respiração ainda rápida.

“Ela é mais velha,” ele respondeu, desdenhoso, e então afagou a mão de Selena. “Você está bem?”

Selena assentiu, mas se sentiu muito grata pelo ritmo lento com que o dragão de Morzan fez seu caminho até uma das torres mais altas da cidadela. Ele voou por uma grande abertura na parede do último andar e pousou no que era claramente um aposento feito para um dragão; as paredes de pedra não exibiam adorno algum, e uma grande e rasa bacia coberta por panos macios e aveludados era a única mobília à vista.

Os dois homens que conversavam junto à porta se voltaram para eles, e ela não pôde evitar sorrir. Morzan se abaixara para soltar as fivelas que prendiam as pernas de Selena à sela – uma precaução que ele tomara pela primeira vez ao deixarem sua propriedade e que já se provara necessária – para que ela pudesse escorregar pela barriga do dragão, e Jaime estava sua frente em um instante, uma mão estendida para ajudá-la a descer.

Ele não prolongou o toque por nem mesmo um segundo a mais que o necessário, e inclinou a cabeça num cumprimento respeitoso que Selena não estava acostumada em ver dirigido a si mesma. “Minha senhora.”

“Jaime.” Selena se encontrou o estudando com mais atenção, examinando seus cabelos castanhos e os poucos fios brancos em seu meio, seu rosto, e finalmente seus olhos verdes claros, que, apesar de muito bem disfarçados, a encaravam de volta quase apreensivos. Ele sabe que eu sei, ela percebeu, e engoliu em seco antes de dizer, sincera, “É bom revê-lo.”

Ele sorriu. “Com certeza,” e olhou rapidamente para onde Morzan os observava, ainda sobre seu dragão, antes de gesticular para o homem a seu lado. “Já conhece Allan, sim?”

O administrador das posses de Morzan tinha cabelos grisalhos e talvez cinquenta anos, e Selena corou ao pensar na noite em que se conheceram enquanto ele conferia com Morzan por magia. “Sim,” admitiu, “Mas eu não estava particularmente apresentável na ocasião.”

Jaime ergueu as sobrancelhas escuras quase imperceptivelmente, mas Allan apenas sorriu. “Não reparei em nada, minha senhora. É um prazer conhecê-la pessoalmente.”

“Sim,” ela lhe ofereceu um sorriso fraco. “É sim.”

Morzan riu baixinho ao escorregar das costas de seu dragão, e dispensou os cumprimentos de Allan e Jaime com um aceno da mão. Tocou a base da coluna de Selena, e perguntou, “Está se sentindo melhor com um chão firme sob os pés?”

Ela assentiu. “Bem melhor. Não faço a menor questão de voltar a voar.”

Ele sacudiu a cabeça, quase como se exasperado, e informou seus servos, “Cruzamos com o dragão de Formora no ar.”

Foi Jaime quem respondeu. “Um presente de boas vindas, tenho certeza, meu senhor.”

Desta vez, Morzan riu alto. “Sem dúvida. Allan, encontre Owen e espere por mim em meu gabinete. Jaime, você ajudou a escolher a aia de Selena, sim?”

Jaime deu um passo para o lado para dar passagem a Allan e permitir que o homem mais velho desaparecesse pela porta. “Sim, meu senhor. Ela está esperando por nós lá embaixo.” Ele voltou os olhos verdes para Selena. “Ela é um pouco mais nova que você, minha senhora, mas com sorte se provará uma companheira agradável.”

Ela não estivera esperando por tanto. “Eu aprecio a preocupação.”

Ele apenas assentiu em resposta, e abriu a porta de madeira escura para que ela e Morzan passassem. “Recebemos um convite para o banquete em sua honra, meu senhor, mas imagino que já esteja ciente?”

“Sim.” Morzan guiou Selena por uma escada de pedra circular, iluminada por estranhas lanternas sem chamas. “Algo mais?”

“Desde que cheguei aqui, recebemos também um presente de Lorde Enduriel – um livro e um tipo de quebra-cabeças, acredito – e uma carta de Lorde Fäelan.”

Morzan ergueu uma sobrancelha negra. “De Fäelan?” Selena se lembrava da figura do elfo de cabelos loiros tão claros que eram quase brancos do livro que Eron lhe dera, mas Morzan dissera que ele não visitava a corte há anos. “Isto é... curioso.”

Ele não elaborou o comentário, no entanto, e Selena logo se distraiu com o quarto ao pé da escada. Grande o bastante para ocupar quase um andar inteiro da torre, com o teto alto e tapeçarias sobre as paredes, ele era ainda mais luxuoso que os aposentos de Morzan em seu próprio castelo. A cama de dossel era de uma madeira escura e contava com pesadas cortinas de veludo vermelho, e estava bem feita com travesseiros suaves e cobertores de pele. Um baú estava recostado ao pé da cama, e o guarda-roupa junto à parede claramente tinha espaço para mais roupas do que Selena possuíra em toda sua vida. Havia uma escrivaninha, também, estocada com tinteiros e pergaminhos, e fogo já ardia na lareira.

“Precisarei lidar com isso,” Morzan disse em voz baixa, e entrelaçou os dedos nos de Selena, a guiando para fora do quarto. “Vamos conhecer sua nova criada, sim?”

Dois guardas estavam parados do outro lado da porta, mas ele não lhes deu atenção ao passar rapidamente por pequeno hall e puxar Selena por ainda outra escada circular. E no próximo andar, duas pessoas esperavam por eles. Uma era Neil – e ela sorriu ao reconhecer o guarda ruivo – parado com a postura perfeita ao lado da porta na parede oposta. Ele não olhava fixamente para frente, no entanto, como seria esperado, e em vez disso sorria para a garota ao seu lado.

Com talvez dezessete, talvez dezoito anos, ela tinha pele tom de oliva e cabelos castanhos cacheados que caíam comportados sobre seus ombros. Se voltou para Selena, parecendo quase tímida, e curvou os joelhos em uma mesura delicada. "Minha senhora." Levou os olhos âmbar a Morzan, também. “Meu senhor. Sou Emma.”

Morzan a examinou com atenção, se não com interesse, e assentiu uma vez. “Vou permitir que você e Emma comecem a se conhecer enquanto ela te ajuda a se arrumar para o banquete,” e ele beijou sua testa muito suavemente, “e vou lidar com algumas das coisas que precisam de minha atenção. Nos vemos a noite, sim?”

Selena concordou com a cabeça, e o observou continuar a descer as escadas, Jaime logo atrás, antes de se voltar para Emma com um sorriso. O banquete certamente seria uma das noites mais importantes de sua vida, e ela se sentia nervosa só de pensar nele, mas não faria mal algum se distrair por algumas horas conversando com a garota que viria a se tornar sua constante companheira.

Notas finais