Safe In New York City

1 Too much or just not enough


Notas iniciais
Olá. *aparece devagar* UGUGUYAGAUSYD
Então, espero que as meninas apareçam aqui. A fic é linda, e vocês vão se irritar um pouquinho com a Lyn-z. -sss
Bem, vou postar. :D

Ultimamente você tem uns ataques de ansiedade.

Não tem sentido, nem aviso, nem nada.

Simplesmente seu peito encolhe e o ar não chega aos pulmões corretamente.

Às vezes começa a suar tanto que os dedos começam a tremer, e não consegue parar.

Outras, como agora, você desperta no meio de um sonho.

Não se lembra do sonho concretamente nem a sensação que havia ido embora, a única coisa que sabe é que você acorda com o coração na boca e o peito doendo por cada canto possível.

Você sufoca.

Deus, você está se afogando, tem que ser isso.

Abre os olhos e a boca, tudo de uma vez, tentando respirar e agarrar-se a algo na cama, quando se dá conta de que está só. Ela não está.

Respira algumas vezes tentando que o ar se mantenha no sistema, o oxigênio devolvendo-lhe todas as faculdades mentais aos seus lugares.

Quando está um pouco mais tranqüilo, você tira o cabelo do rosto e olha o lado da cama onde Lynz deveria estar dormindo.

Você o toca com a mão e está frio.

Sabe sem descer da cama que ela está no estúdio, lavando a alma, a pele e a insônia na pintura.

A desgraçada pintura.

A maldita e odiosa pintura.

Suspira e volta a se deitar, ouvindo o som de seu coração e imaginando o pincel sobre a tela.

Nunca pensou que diria isso aos quadros, mas os odeia.

Odeia o que faz para ganhar a vida, e odeia ainda mais porque desde uns meses atrás era incapaz de fazer isso.

Não sabe quando a inspiração se foi mas desde que você vem tendo esses ataques de ansiedade não é capaz de traçar uma linha reta.

As vezes suas mãos tremem quando segura o pincel, só pelo medo de você ter perdido a capacidade para representar o que há em sua mente.

Ainda deitado estira as mãos e volta a fechá-las em punho, como se sentisse cócegas ao se lembrar da sensação do pincel entre os dedos e a impotência de não poder desenhar o que quer.

Antes, quando você e Lyn-z estavam recém casados ela era usada como sua musa.

De verdade, desde que a conheceu ela havia sido sua inspiração.

Ela foi para a mesma escola de artes em NYC e desde então haviam sido inseparáveis. Ela, com seu cabelo grande, suas tatuagens e sua beleza tosca e selvagem, é tudo o que você conhece.

Haviam se passado dez anos desde então e as coisas estavam indo melhor do que você pensava que iriam. Vocês se casaram pouco depois de terminar o curso e compraram uma pequena galeria em um cantinho da cidade.

Não era muito, um projeto pequeno, um local entre uma livraria de literatura exótica especializada e um McDonald qualquer.

Agora, anos depois, a galeria continuava sendo a mesma mas os arredores haviam mudado. As lojas haviam sido convertidas em seções especializadas para artistas, suplementos de arte, telas e pinceis.

A rua irradiava esse toque fresco e novo de cheiro de pintura e essas coisas.

E dez anos depois Lynz e você são os artistas mais cotados de NYC.

As exposições acontecem a cada poucos meses, as vendas aumentam como o consumo de cocaína, e os escândalos correm de boca em boca.

E sem comer ou beber está atracado entre a alta elite da sociedade.

Bebendo champagne para desjejum, comendo com algum escritor ou jornalista que queira fazer algum artigo sobre você e pintando como um possuído pelas noites (isso quando conseguia pintar).

As vezes, antes, Lynz tirava a tinta no banho. Primeiro com a esponja, depois com a língua.

As vezes, ultimamente, na maioria, você as tira sozinho, na pia, com álcool.

Está mais relaxado agora enquanto pensa no que sua vida havia se transformado nos últimos meses.

Em como haviam mudado as coisas em sua relação.

Em quanto havia avançado em direções diferentes e nunca mais havia voltado a encontrar o caminho.

Sim, pode ser que vivam juntos, trabalhem no mesmo estúdio, e que de vez em quando durma dentro dela, mas sabe que é uma mentira.

Faz algum tempo que as coisas não funcionam, e que você não se sente cômodo em sua própria pele.

Esta é a vida que Lynz quer, a que sempre havia desejado. As festas, os vestidos, as conversas fáceis e o champagne caro. Quadros e quadros do mesmo estilo, que acontecem como as musicas de verão, sem deixar mais rastros do que algumas criticas.

Mas não é como você havia sonhado viver.

Você sempre gostou da vida tranqüila, mais pratica. Um apartamento barato em um lugar escuro, as telas preenchendo a sala e não te deixando lugar nem para ver a televisão, o cheiro de tinta, inclusive no quarto em que dormes.

Isso era o que você queria.

Pintar as coisas que passassem por sua cabeça quando tinha um sonho ruim, em um estilo que VOCÊ tinha, não o que estava na moda. Sim se preocupar uma merda para as vendas, as criticas, quem queria que quadro em sua sala, ou as amizades que ia fazer se conseguisse que o filho do duque de não-sei-de-que país comprasse um quadro.

Queria pintar sobre sangue, e sexo, e obscuridade. Paixão e decadência, e dor.

Mas não podia.

A censura se estendia por sua pele em forma de mulher.

Lynz te olhava com desaprovação e ESSES quadros, o que de verdade você gostava, os que deveria ver colocado nos salões de vocês, que morresem de raiva em um quarto do sótão caríssimo em que ela havia se empenhado em gastar o dinheiro que ganha com seus quadro.

Não é que você se importe, é o dinheiro dela.

É de vocês, mas não se importa de fazê-la feliz.

Afinal de contas ela também esta trabalhando duro pelo que tem. Não é que seja nenhuma aproveitadora, nem que não tenha talento, é que simplesmente se sente cômoda com as coisas que você detesta.

Em um mundo em que você não quer estar.

Em uma bolha em que está se asfixiando desde que, também, era incapaz de pintar nem um só quadro, seja comercial ou não.

Grunhes e se queixa porque o peito está começando a disparar outra vez, mas você assume que é a cafeína, as más horas de sono que está tendo e o bloqueio com a arte.

Você se vira, e de lado, encolhe sobre si mesmo, parece que dói menos.

Aperta os olhos e volta a dormir.

Sem voltar a pensar em nada mais.


*****

O pesadelo se repete outra vez.

Brando, branco, branco.

As paredes se fechando sobre você, o pincel em sua mão.

Só tem que desenhar uma porta para sair. Uma maldita porta.

Mas não consegue, a mão treme, o pincel cai no chão e a tinta faz um circulo no chão, um circulo perfeito que se transforma em uma espécie de redemoinho.

Te suga, preto por todos os lados, você nada mas quando é consciente de seu próprio corpo está com a boca aberta e a mandíbula dói.

E uma vez mais está só na cama.

Desta vez não há ataque, pela primeira vez você recupera o ar corretamente e se tranqüiliza. Pra você é difícil ter um pesadelo normal e se sentir como tudo mundo se sente depois de um.

Um pouco perdido, com vontade de que alguém te pergunte o que havia sonhado e te diga que não aconteceu nada, que era só um sonho ruim.

Então você se levanta da cama com o cabelo muito revoltado, a camiseta enrugada e as boxers mais em cima em uma perna do que a outra, mas, bah.

Desce as escadas com cuidado de não cair e segue a luz que sai do quarto onde Lynz está trabalhando.

Atravessa quase as cegas a cozinha e a sala e vai direto até o estúdio.

Quando abre a luz te cega momentaneamente, mas é só um segundo, e depois suas vistas ficam fixas em sua mulher.

Está pintando com a roupa de baixo, e o cabelo meio solto, meio amarrado, um pouco pintado de vermelho. Está tão concentrada que não te ouve entrar, e não é até que a abraça por detrás e afunda o rosto em sua nuca que ela se dá conta de sua presença.

"hmmm, olá" diz, e respira e você se sente um pouco melhor, mais em casa, menos caindo nesse buraco sem fundo em que você havia despertado.

"Gerard, querido, estava pintando" envolve os braços sobre os seus e te dá um aperto rápido antes de tentar os tirar "agora não"

Você se queixa pelo jogo e lhe dá um beijo no ombro, mordendo ligeiramente, esperando uma mudança dela.

Não a encontra e o que recebe não é o que esperava.

"Sério Gerard, tenho que terminar isso para amanha. O que quer que tenha te dado pode esperar"

E sem mais, agora sim ela consegue se separar te ti, e de deixa no meio do lugar sem prestar a atenção em você, só olhando a tela com olhos calculadores. Quase pode ver como vê o dinheiro subir em sua conta bancaria.

Quando isso havia acontecido? Quando ela havia se transformado em alguém mais interessada pelo dinheiro, a perfeição e a sociedade do que em você? Porque você não havia se dado conta até agora?

Você dá meia volta e se vai, sem mais opção que se enfiar em baixo do chuveiro, agora que está muito acordado, e acabar com o que tem entre as pernas você sozinho.

Você se toca por tocar, porque com isso não consegue dormir, mas quando você se desfaz é mais um empurrão que um orgasmo, é algo mecânico, que tem de acontecer, mas você não desfruta.

Como nada ultimamente.

******

A noite de sexta-feira é a noite da exposição.

Nos últimos três anos ou algo assim, havia se tornado um ritual, algo sistemático que Lynz e você fazem.

Convida toda a alta sociedade de NY, se coloca em seus trajes e expõem novas obras, junto com quadros de novos artistas que esperam que tragam benefícios.

Esta noite sem duvida a exposição é única e exclusivamente de Lynz.

As telas se estendem por todas as paredes, corpos que se contorcem, imagens em preto e branco, antigas, tristes e belas.

A exposição está sendo um sucesso e o quadro central é o que ela estava terminando na outra noite.

Uma garota leva a mão até a boca, cobrindo os lábios guardado um segredo e olha descaradamente o observador.

Se parece com Lynz e por um segundo você se pergunta o que está tentando demonstrar com esse quadro. Quer lhe dizer alguma coisa? Ou é só mais um da coleção?

A roupa continua te sufocando, então você afrouxa o botão do pescoço ainda que isso te dê um ar mais informal. Não aconteceu nada, afinal de contas você é um artista, é permitido um pouco de excentricidade de vez em quando.

Senão já teria que ter cortado o cabelo.

Está bebendo uma taça de champagne para acalmar os nervos, a chateação e, sobretudo, a angustia quando Gabe Saporta, um dos maiores compradores do ultimo ano, se aproxima de você.

Coloca seu melhor sorriso, o de vendedor, e você se dedica a falar do trabalho de sua mulher e vender quadros.

Afinal de contas isso era tudo o que fazia ultimamente.

"Excelente trabalho, Gerard. Extraordinário"

Disse o garoto, que apesar de beirar os vinte anos e ser mais jovem que você, é bastante rico.

"É tudo obra de Lynz, Gabe. Ultimamente ela trabalha como uma possuída" sorri e termina o champagne que segura na mão. "Você se interessou por algo em particular?" vai direto ao ganho, porque o conhece.

Ele já havia comprado vários quadros e tinha algo como uma amizade de negócios, então você não tem medo de espantá-lo, nem de ficar chateado. Você tem confiança nele.

Naturalmente Gabe ri.

"O grande, esse do fundo" o sinaliza com a cabeça discretamente para que os demais não se dêem conta do que falam.

Gabe não gosta de competição e um monte de compradores como aves de rapinas ao redor de seu quadro é a ultima coisa que quer.

"O da garota nua? Porque não me surpreende?"

"O que posso dizer? Não tenho remédio"

Você ri um pouco porque É verdade, Gabe não tem remédio.

"Está bem. Prepararei a papelada. Pode vir amanha pega-lo" Gabe assente e você se afasta até o caixa para demonstrar a venda e anotar o trabalho para amanha.

Ele fica ali e você não sabe o porque até que a fixa cai que ele está olhando para alguém. Por um segundo segue o olhar de Gabe e vê que ele está olhando para Lynz.

Ela conversa com uma mulher, mas Gabe a olha fixamente com um sorriso nos lábios e seu peito encolhe de repente.

É uma tontura, não é nada, e não é até que Lynz olha de volta, um segundo, nem sequer um sorriso, só um olhar, quando cai a ficha de algo, mas não sabe muito bem o que é.

Você não tem tempo de processar, mas parece que seu corpo o faz antes de você, porque de repente o mesmo ataque de pânico de sempre te deixa sem respiração.

O ar não chega á seus pulmões.

Por um momento você se questiona se havia desmaiado na rua do lado antes de chegar a galeria e você está se afogando.

Talvez essa taça que você havia tomado para se tranqüilizar não havia sido só uma, e havia tropeçado.

Abre os olhos e abre a boca em busca de ar, quando consegue se concentrar nos barulhos, as pessoas, as luzes das lâmpadas. Você não está se afogando.

Ao menos não em água.

As pessoas estão rindo ao seu redor, vestidos elegantemente, a maioria de preto. Você tenta ver uma cara conhecida mas ainda não está centrado o bastante então simplesmente se concentra em um ponto no fundo da parede, e respira, esperando que todo o ar ao seu redor volte.

Deixa a taça de champagne que segura na mão no balcão da galeria antes que ela caia no chão e levanta a cabeça sentindo-se um pouco melhor. Mas só um pouco.

Nesse momento você sente um aperto suave de mãos de mulher.

"Ei, está bem?" a voz é tão suave como o barulho de uma cobra. Ou você se sente como um.

Sorri um pouco porque não está totalmente seguro de que a voz lhe saia com força.

Assente e Lynz passa a te olhar de preocupação a vergonha.

"Pois então se comporte um pouco, vamos. Qualquer um diria que vocês está na galeria de sua mulher, desfrutando da grande noite" fala lentamente e baixo, mas as palavras se repetem em sua cabeça.

O pouco ar que havia voltado a entrar em seus sistemas volta a desaparecer e se faz um nó em sua garganta.

As vezes é assim.

Outras, pode ser muito pior.

Assente sem mais porque não se sente com força para dizer "desculpe", para pedir perdão por não ser a melhor pessoa e não se dar conta de que está noite não tem que chamar atenção. Esta noite é SUA, e um ônibus pode tropelá-lo que não é desculpa o suficiente para não se comportar como deve.

Ainda que acredite que sua mulher tem um amante. Ainda que sinta que a pele lateje de vontade de matar alguém, de abraçá-la e de fazer coisas melhores desde o começo.

Ela se afasta com seu cabelo loiro perfeito (que havia feito exclusivamente para esta noite) penteado informalmente mas dando-lhe um toque casual, mesclado com o vestido preto e os saltos. Está perfeita, apesar das tatuagens e dos traços fortes. Parece mais uma da alta elite da sociedade de New York.

Claro que não há nada de ruim em ser artista, ter sucesso e se sentir cômodo com isso.

Ao menos isso é o que Lynz repete cada vez que vocês discutem.

Não há absolutamente nada de ruim em se mesclar com a alta sociedade e em comportar-se como um membro dela.

E, com certeza, não há nada de mal em ter um amante.

As nauseas se somam com a falta de ar quando você se dá conta de que tem que sair ou vai desmaiar.

******

Sai sem prestar atenção ao olhar reprovador de Lynz, mas sabendo que quando chegar em casa haverá discussão na certa.

Na verdade não é que tenha muita pressa para voltar para casa de qualquer jeito.

Não há nada te esperando que não possa esperar.

Não é até que estava a algumas ruas andadas que sente que o ritmo de sua respiração volta a trabalhar corretamente e os lábios latejam com a vontade de fumar um cigarro.

Você para no meio de uma rua, as pessoas passando, rindo, que voltam de seus jantares de sextas-feiras ou vão a alguma boate da moda. Algumas mulheres te olham de canto e riem, mas você não se interessa.

Sabe o aspecto que tem, com o cabelo preto grudado em seu rosto e os olhos verdes olhando para lugar nenhum.

Você para e se apóia contra um edifício qualquer, para acender um cigarro.

A primeira tragada você sente como uma libertação, como se as portas do céu se abriram e um punhado de anjos caíram para incorporar em seus pulmões.

É a primeira vez que você sente um pouco de você mesmo em toda a noite, e desfaz o botão seguinte do pescoço.

Agora está totalmente aberto, e o ar toca-lhe a clavícula. É um pouco mais relaxante apesar de que continua sentindo-se preso a uma roupa que não lhe pertence, em uma pessoa que não quer ser.

Fecha os olhos e dá uma tragada mais forte no cigarro quando ouve.

"Oh, bastardo. Um dólar não havia te matado, sabe?" ouve mais algumas maldições e depois um "mão de vaca"

E sem duvida não é nada disso que te chama atenção na voz. É o sotaque de Jersey que tinha ANOS sem ouvir.

Abre os olhos e olha dissimuladamente para sua direita, a esquina entre a rua que está e a seguinte.

Há um garoto tocando guitarra, com a tampa aberta no chão para que deixem dinheiro.

Usava uns jeans grudados e uma camisa quadriculada vermelho, enrolada e aberta. Usava outra por baixo mas não consegue ver muito bem o que usava. Está despenteado, o que sabe é que é um moicano para baixo.

E suas mãos se movem sobre a guitarra que tinha entre as mãos.

Não reconhece a melodia porque está longe demais, então você decide se aproximar e para entre o resto do publico que está escutando.

Quando está uns poucos metros cai a ficha do que está tocando e cantando, que é "Where did you sleep last night" de Nirvana.

Não tem a mesma voz nem parece, mas não é uma voz feia e não é ruim com a guitarra.

De fato você gosta como soa.

E sem dar-se conta fica ali escutando até que as pessoas vão sumindo e só fica você. O Rapaz — rapaz, porque tem ao menos cinco ou seis anos a menos que você — te olha de canto enquanto segue o seu solo com a guitarra e sorri de lado.

Agora que está próximo vê tatuagens nas mãos, os antebraços e o pescoço. Pode ser que haja mais, mas ainda estão ocultos por baixo da roupa.

O que resta do cigarro se consome entre seus dedos enquanto o escuta abobalhado e para quando termina a musica, o garoto te olha abertamente esperando que diga algo, ou o que seja.

Oh. Ah, claro.

O dinheiro.

Que idiota.

Coloca a mão na calça social e tira um par de notas de 10. É demais, mas a verdade é que você não está passando fome e ele merece mais do que qualquer outro que você possa dar.

Ao menos ele te dá o direito de se sentir bem por um momento.

Deixa os bilhetes caírem na caixa notando que ele não tira os olhos de você então você dá meia volta.

Está a meio caminho entre nenhuma parte e não pensa em voltar para casa quando ouve o que o garoto diz.

"Ei, ei, espera"

Você vira quando vê que ele se aproxima de ti correndo.

Te oferece as notas outra vez.

"Cara, você se confundiu"

Você sorri. O garoto se preocupava porque pensava que você havia se confundido com a quantidade. Interessante.

"Não. É seu, você ganhou"

Ele franze o cenho.

"Não sou tão bom"

"Então você não vê o que eu vejo" o diz sereno, e sério, afinal de contas está falando com um estranho, sem mais você volta a se virar pronto para se perder entre a imensa quantidade de pedestres das ruas.

"Cara"

Você volta a se virar.

Revira os olhos e volta outra vez até ele com um "Que problema há com você?" nos lábios.

Só que nunca chega a dizer-lo.

"Ao menos me deixe te convidar para uma cerveja com isso!" está gritando porque estão a uns metros de distância e há pessoas passando entre vocês, e isto é NYC, ok? Se alguém te reconhecer e prestar atenção á conversa você estará fodido.

Você tem vontade de gritar com ele. Quer dizer, garoto cale-se senão vai me colocar em problemas e está noite não estou para ninguém.

Mas ele está te olhando do outro lado da rua com olhinhos de cachorro abandonado.

E você está tendo uma droga de dia, uma discussão que pode esperar e um bloqueio que não desaparece.

Você merece uma noite livre.

Se aproxima andando até o garoto das tatuagens enquanto pensa "porque não?".

Quando chega até ele, ele te olha e sorri. Você é mais alto que ele um bom palmo de altura mas ainda sim parece preencher o espaço com sua presença.

"Então, sou o Frank" e o sorriso se faz quilométrico. Com covinhas e tudo.

Você sorri apesar de tudo.

"Encantado, Frank. Eu sou Gerard"


Notas finais
Então! Oláaa! UYGGYUADSGYU
Acho que vou postar de dois em dois capitulos. HMMM