Safe In New York City

2 I've lost my phone but I've found you


Notas iniciais
OMG! VOCêS VIERAM! *agarra todas*
Awn, que lindas. *-*
Bem para a Caa Iero que achou a Stragers curta... Sim, é basicamente do mesmo tamanho *brocha a leitora* q
Enfim, vou responder ao review de vocês depois. oê. Eu fui bem louca agora e comecei a postar sem terminar de traduzir. E, sim, eu pretendo postar dois capitulos de vez, não sei, sou bem curiosa e não aguento esperar tanto tempo para ler, então acho que vocês tambem ficam ansiosas. Apesar de que a fic só tem 6 capitulos...

Você tem os pés gelados e não sabe muito bem por que, mas isso faz com que você acorde.

Está amanhecendo e o ar úmido da noite faz com que você se esqueça que quase é verão, pareça meados de março em vez de maio.

A cabeça dói e não sabe como havia chegado ali mas sabe que não é sua cama porque não cheira a você nem a Lynz. Cheira a amaciante, surpreendentemente limpo, a casa de homem.

Cheira que há mais alguém na cama, e não só cheira, você sente.

O sente porque o braço está grudado ao seu, e sua respiração é lenta e suave e está molhando seu pescoço.

Merda, pensa.

Merda, merda, merda.

Você não lembra de praticamente nada da noite anterior e faz muito tempo que deixou para trás os dias loucos da universidade. Muito, tempo demais. Fazem ANOS que você não acordava ao lado de alguém sem se lembrar de nada, e a maioria das vezes havia sido Lynz ou Ray.

Agora é um completo desconhecido. O olha com cuidado, levantando-se da cama pouco a pouco enquanto o observa e tenta buscar uma imagem em sua cabeça que te diga que o conheceu. Que te diga que não havia feito nenhuma loucura.

Que te diga que...

Você olha pra si mesmo e vê que não está usando a jaqueta, mas a camisa e as calças continuam no lugar, amassados e bagunçados, mas ainda sim vestidos.

Bem, ao menos continuo sendo um homem fiel.

Como se ela se importasse.

Você olha para o garoto, que havia enterrado o rosto no lado do travesseiro que você estava ocupando, e a principio não o reconhece. Está de barriga para baixo, a camiseta está levantada e deixa ao ar os quadris e as calças haviam caído demais mostrando quase todo o desenho da roupa intima.

Não tem nada de especial, não é ninguém que você reconhece de cara, decide quando, entre a luz tênue do amanhecer, revisa o lugar; não é nenhum cliente da galeria.

É um apartamento pequeno e velho, cheira um pouco a fumaça e muito a lar. Se ouve um pouco os carros passarem e os moveis estão desgastados. Pode apostar que ao sair terá muitas escadas até chegar a rua e que demoraria algum tempo até chegar a um ponto de taxi mais próximo.

E sem duvida, apesar das inúmeras negativas, você gosta do lugar.

Não é o melhor do mundo, mas é seu (seja quem seja o garoto) e parece que vive como quer.

Você lança outro olhar antes de ir, mas insiste em buscar a solução para o enigma. Você se conhece o suficiente para saber que, quando se embebeda e não se lembra de nada, as vezes as imagens demoram um pouco a voltar.

Você sai do apartamento sem fazer ruído e, graças a Deus, a cama e a sala estão no mesmo lugar e não tem que abrir portas porque se não teria o acordado. Encontra os sapatos e a jaqueta em cima de um pequeno sofá junto á televisão e quando se abaixar para colocá-los vê a caixa de uma guitarra no chão.

A caixa é preta e tem alguns adesivos de bandas (oh, vamos, olha, Misfits) e outra onde tem FRANK em letras grandes e pontiagudas, gravadas.

Frank.

O garoto da guitarra.

Na rua, ontem à noite, tocando Nirvana.

As tatuagens, o sorriso de criança, e as cervejas.

As incontáveis e inumeráveis cervejas que você tomou com ele.

As imagens voltam um pouco borradas, os risos, a falta de comodidade no começo, sentir-se em casa depois. Não é como se você houvesse tido que falar muito, ele falava pelos cotovelos, levando quase todo o peso da conversa.

Era jovem e agressivo, e gostava de pessoas. Era novo por aqui, e se notava.

Sorri de lado ao se lembrar de como chegou aqui — ele estava te arrastando, porra como você pesa, bastardo, se eu soubesse tinha te deixado na rua - e você sai sem olhar mais nada, com suas coisas nas mãos e os pés tocando o chão descalços.

Você colocará os sapatos nas escadas.

*****

Quando você chega em casa Lynz está dormindo, deve ser a primeira vez em toda a semana que a encontra descansando.

Você não estava e ela dorme tranquilamente.

Quem sabe havia aproveitado para estar com ele.

Zas.

A revelação tem um impacto sobre você como um trovão em uma noite de verão, e te deixa estático no lugar. Você busca o ar e olha até onde sua mulher dorme tranqüila e por mais que você não havia dormido bem e que esteja cansado e pode ser que ainda um pouco bêbado, não vai conseguir dormir mais.

Sai do quarto e pensa em pintar por uns instantes.

Você pensa seriamente enquanto se despe no banheiro e deixa que a água leve o suor e a tequila, as doses de Absinto e o que supõe que seja Whisky, mas você não tem certeza.

Deixa que leve tudo isso porque há outras coisas que a água não apaga.

E a pressão no peito e na boca do estomago é uma delas.

Pensando melhor, você não está bem para pintar.

Só está bem para uma coisa.

Nada.

******

Está cozinhando algo que deveria ser lasanha mas parece uma mistura de carne, bechamel** e queijo, se desse muita sorte. Sem ela seria um convite para o frango chinês e molho agridoce.

Coloca a bandeja no forno com um cuidado extremo, você não quer se queimar, não é divertido, e quando o fecha sente uns braços te rodeando por trás.

Quer pular um momento e se afastar, até que se pressiona mais contra você, seus peitos em suas costas e você se tranqüiliza. É Lynz. Só é Lynz.

Quem mais iria ser, não?

Parece estar de bom humor, e nem sequer diz nada sobre seu desaparecimento na noite anterior. É estranho isso acontecer com ela, ser tão compreensiva e deixar as coisas correr, mas você não diz nada.

"Vendemos 6 quadros ontem a noite, e mais 3 estão em negociação" murmura conta seu pescoço e você pode sentir o sorriso.

As vendas subirem sempre haviam a deixado excitada.

"Fico muito feliz" disse e seu tom é mais tranqüilo do que pensava.

"hmmm mmm" murmura e sente como morde um pouco mais abaixo de onde nasce os cabelos, e suas mãos descem do seu peito até sua braguilha, tentando desfazer o cinto.

E de repente enquanto a sente contra você como tantas outras vezes, e ouve o zíper abaixar e sabe o que vem depois, porque é quase o único que conhece nesta vida, não pode suportar.

A idéia de que talvez ontem a noite ela estivesse fazendo o mesmo com alguma pessoa mais.

Porra, inclusive pode estar fazendo ali, no balcão, no chuveiro.

Nosso quarto de VOCÊS.

A idéia te dá nojo e você vai começar a se acostumar com a sensação de que tanto sente ultimamente.

Segura a mão dela com as suas e se separa.

"Agora não, querida, estou cansado"

E não era mentira, não havia dormido quase nada, mas tampouco estava TÃO cansado.

Se afasta um passo e ela te olha com o cenho franzido e dor nos olhos, como se afastá-la havia sido uma traição. Como se ela não o fizesse o tempo todo. Como se...

"Está cansado para mim, mas não para sair pela noite até as tantas, não?"

E ali está.

A reprovação não demora a aparecer e não sabe nem porque você se surpreende a essa altura.

E não sabe por que responde e se vira, e a deixa ali plantada, olhando-te com raiva e uma coragem que não te pertence.

"Eu não estava bem, Lynz. Não sai para festejar... Só... Precisava tomar um ar, ok? E você sabe como me sinto mal nessas festas"

"Estas festas, querido, são o que nos dão de comer, e só para que contes, sou eu que estou o mantendo ultimamente, caso você não havia notado. Poderia colaborar um pouco, sabe?"

Isso não foi um tapa, NÃO, isso foi um barril de gasolina ardendo sobre sua pele.

Está jogando em sua cara o pior que poderia.

Seu bloqueio.

Você deve estar mudando o rosto de uma cor para outra, porque Lynz muda a atitude, mas tranqüila agora se aproxima de você, com bons movimentos.

"Me desculpe, querido, não... Não queria soar assim. Não me referia aos quadros. Sei como é quando não pode pintar. Mas poderia colaborar na galeria, ajudar-me com as vendas, isso é tudo, ok?"

Voz suave e melódica e quase parece a Lynz que você conheceu em um show punk, em cima do palco com a saia quase nas orelhas, usando mais roupa intima do que a que estava por cima.

Assente, porque, se dissesse o que pensa e o que sente, de verdade a conversa acabaria em discussão e a discussão em divorcio.

Os vê como colegiais em sua cabeça, enquanto te dá um beijo na testa e vai para qualquer lugar, qualquer lugar da casa onde ela não esteja.

Mas então você se vira e diz:

"Então, parabéns por vender o quadro central"

Ela pisca um par de vezes.

"Não vendi esse"

Você sorri um pouco.

"Mas eu sim. Gabe o comprou"

E você deve ter trabalhado bem nessa venda, pensa, mas não diz.

Ela te olha com os olhos arregalados, mas não diz nada, e deixa que a pedra fique em seu telhado até um novo aviso.

*****

Seu celular havia desaparecido por entre esse tempo.

Está sem vê-lo desde sexta, e é segunda-feira pela manha, você está na galeria e você se cansou se procurá-lo.

No sábado você assumiu que havia deixado ali por conta da carreira que saiu, mas agora não está mais tão certo.

Não importa, não é como se não pudesse viver alguns dias sem telefone.

Está sentado na cadeira em frente ao computador, fingindo que faz alguma coisa, quando entra uma garota morena e baixinha, vestida de secretaria e com jeito de ser mais agressiva do que um galo de briga.

Você se coloca reto na cadeira e espera que ela chegue perto do balcão.

"Posso ajudar em algo?" todo modos e sorrisos. Quase parece bom nisso.

A garota sorri de volta, um pouco, e os traços se suavizam e ela parece mais bonita.

"Vim buscar um pedido." Olha as folhas que estavam nas mãos e fala enquanto continua a ler "Gabe Saporta comprou um quadro no dia..."

"Sim, sim" a corta antes que continue. O quadro. Gabe havia mandado uma decoradora pessoal para buscar seu quadro.

O maldito quadro.

"Sei qual é, eu mesmo fechei a compra"

"Maravilhoso" e ela esta encantada de que você havia entendido sem ter feito muito esforço. "Está tudo pronto ou precisa que eu volte outro dia?"

Você se levanta e tira uns papeis de uma pasta. Os havia preparado assim que chegou, antes de tudo. Você sempre seguia o conselho de fazer primeiro o que menos tinha vontade de fazer.

"Você tem que assinar aqui, e aqui" assinala dois pontos no papel oferecendo-lhe uma caneta.

Assina rápido, sem nem olhar o papel, mostrando experiência.

Então dois homens com macacão azul, que haviam estado esperando na porta, e que não os havia visto entrar, estão te olhando com o cenho franzido esperando as ordens.

Eles iriam carregar o quadro, claro.

"Por aqui" faz um gesto com a mão esperando que te sigam.

Enquanto anda e os conduz para dentro, um quarto escuro onde se embalam e guardam os quadros para que não se deteriorem, sente seus olhares contrariados em suas costas.

Você sabe a aparência que tem hoje com a calça e a camisa preta, uma bagunça. O cabelo para mais lugares do que o conveniente, mas você não se importa. Parece mais uma estrela de rock acabada que um rico esnobe.

Isso sem contar a forma com que se move.

Quando abre e mostra o grande, embalado em branco para que não haja dano, sente a urgência de tirar os plásticos de segurança e rasgá-lo. De destroçá-lo de todas as maneiras possíveis, de dar a Gabe quebrado e usado, justamente como o havia dado sua mulher.

De bandeja.

Mas você morde a bochecha e observa como o levam para fora, pelo mesmo caminho por qual ele havia entrado, e depois ao caminhão.

A morena, a qual você nem sequer havia perguntado o nome, te sorrir e estira sua mão.

"Encantada Gerard" ao que parece ela sabe quem você é.

E pelo sorriso e a caricia em sua mão ela sabia MUITO bem.

Por um segundo você sente o que ela está pensando, porque o vê em seu rosto, e pensa em lhe arrancar a saia justa e jogá-la no vidro do mostruário.

Pensa na cara da gente quando passasse por sua porta e, mais ainda, pensa na de Lynz.

Doeria nela que você estivesse com outra?

Ou se sentiria aliviada de ver que você havia se retirado voluntariamente?

"Prazer em fazer negócios contigo" disse mudando, porque não quer ser igual a quem te faz mal.

Lhe devolve o aperto suave e a deixa passar.

Justamente como todo os demais.

*****

Você sai para almoçar com um jornalista qualquer de um jornal local qualquer que quer fazer uma pequena resenha da exposição do fim de semana. Ao que parece havia sido a melhor da galeria em alguns meses, e mesmo que o garoto estivesse lá e tenha material para escrever o artigo precisava dar-lhe mais personalidade com algumas palavras suas.

Enfim.

Você o faz sem muito entusiasmo, mas o jovem (porque não tem mais que 25 anos) é simpático e você se esquece por um momento do mundo em que vive do que estava acontecendo.

Passam as horas e não pensa muito, o qual sempre é bom.

*****

As quatro da tarde, quando chega a galeria para ficar um pouco mais e fecha-lá, vê que Lynz também está.

A vê do lado de fora, apoiada no mostruário enquanto dá ordens a Vicky para que tire um dos quadros e o coloque em outro lugar.

Pode ser que seja infiel, e que te trate como um merda, mas você tem que reconhecer, a mulher sabe de composições.

Ela te vê através do vidro e te sorri.

Você a devolve o gesto sem muita força e a cumprimenta, ao que entra, com a mão.

O cheiro de novo e de tinta mesclado com o de dinheiro te acerta bem na cara quando entra e não pode evitar perguntar-se quando isso havia se tornado algo ruim.

"Aqui está seu celular" disse, quase sem esperar para que chege mais perto, enquanto estica o Iphone para você.

"Onde você o pegou? Estou a dias o procurando" disse estranhando enquanto o pega e examina. Pode ser que não seja o seu. Quem sabe.

Mas é.

Você liga a tela e o fundo vermelho te cumprimenta como se dissesse "Hey, havia sentido minha falta?". Revisa quase automaticamente as chamadas, mas havia estado desligado pelo que parece, porque não tem nada de novo.

"Um garoto o trouxe" e a palavra soava como uma nota aguda de diversão.

O que?

"Um garoto?" levanta os olhos da tela e olha para Lynz. Ela está te observando com a sobrancelha arqueada e um sorriso confidente na boca, dizendo mais do que sabe, como se te estivesse perdoando por todos os pecados do mundo e isso te irrita.

"Sim, moreno, baixinho, tatuagens, roupas rasgadas, bonito de rosto... Soa familiar?"

Frank.

E como deveria soar?

F-R-A-N-K.

E o nome você nunca ia esquecer.

"Não" responde sem duvida. "devia ter caído na outra noite, por ai."

É uma invasiva de toda a regra, e o fato é que você está escondendo um pouco por detrás do cabelo grande.

Ainda sim Lynz não diz nada, mas faz isso que muitas mulheres fazem e que você sempre se pergunta se vai no par de cromossomos X, contrariar dissimuladamente.

"Pois ele é um bom samaritano, te devolveu um celular de primeira. Quem diria que há gente assim em New York"

Está escondendo qualquer que seja a idéia que está em sua mente e isso te irrita.

Te irrita porque ela é a primeira puta do pais, não só da cidade, e não tem porque estar julgando alguém sem conhecer.

Te irrita porque a pesar de que te chateia pensar esses termos de sua mulher, é a verdade.

E te chateia ainda mais porque Frank havia vindo em ótimo momento e ela sem saber o está insultando.

E...

E simplesmente está muito no limite e qualquer coisa te tira do sério.

"Pois pode ver que sim" a responde e o diz com mau humor, apertando o Iphone em seu punho e tentando sair dali, mental e fisicamente, para não atira-lo contra a parede e explodir.

Não é nada, é tudo.

Não é algo em concreto, são coisas demais.

E sente que não pode mais.

*****

Não é ate horas depois, comendo o jantar pré-aquecido na sala de casa, que você se dá conta de algo.

Lynz havia saído com Alicia e Mikey para beber, mas você simplesmente ficou ali.

Não é que você não quisesse contar o que acontecia para seu irmão e cunhada. Você pode. Claro que pode. E até pode ser que te entendam mas não irão acreditar a respeito de Lyn-z.

E no caso de que acreditassem pensariam que você estava louco por não ser feliz.

Pelo amor de Deus, só tem que olhar ao seu redor para dar-se conta de que tem tudo o que pode desejar no mundo.

Ah, sim, claro.

Pensa enquanto remexe essa merda que está comendo, mas você sabe que era algo que estava no pacote.

É como todos os demais, cumpre os requisitos de aparência, cheiro e sabor, mas no fundo não é mais do que uma fraude. Um substituto ridículo do que deveria ser e não é.

Deixa o garfo sobre o prato e pega o celular em uma vaga tentativa de pensar em outra coisa.

Você não é um viciado em redes sociais, nem se interessa por ler a imprensa, ou ver como vão suas ações, então simples revisa a caixa de mensagens por pura falta do que fazer.

Não é algo que faz normalmente, mas você está entediado e você se encontra relendo a ultima mensagem de Ray, e as chamadas perdidas de Lynz.

Não é até que sai da caixa de entrada quando vê que há algo guardado nos rascunhos.

Não se lembra da ultima vez que escreveu uma mensagem e muito menos sabia que havia algo ali.

Entra e só há um número de telefone, um endereço e uma carinha sorridente.

Que estranho, pensas.

Isso estava ali na ultima vez?

Você tem mais curiosidade do que gostaria de admitir, o que significava que você estava muito entediado, então você liga.

Dois toques e atendem ao telefone.

"Você demorou para ligar, homem" a voz do outro lado é de um garoto e esse é todo o olá quevocê tem como saudação.

"Ehhh, olá?"

Risada. Ele ri do outro lado da linha e você sente cócegas na coluna vertebral inconscientemente.

"Você não se lembra nem da metade, verdade?" não esperava resposta quando continua falando "eu fui quando pude devolver o celular, colega. Garota fina a que tem ali. Quase me morde e o arranca de minha mão. Um pouco arisca ela, e também que tatuagens. Ela é boa, e tenho certeza de que é uma diaba na ca..."

Sem duvida é Frank, ninguém fala tanto em tão pouco tempo.

"Oh, sim... Frank?"

"Não, Elvis, você acredita amigo?"

"Como sabia que era eu?" Quando o lhe dei meu numero?

"Liguei para meu telefone antes de devolver o celular, e depois apaguei"

Não era mais fácil deixar a chamada perdida no telefone em vez de deixar uma nota? Total, Gerard iria ligar do mesmo jeito se pensasse que não conhecia o numero e era importante.

Enfim.

"Um pouco estranho, não é?"

E ele está rindo outra vez.

"Quem havia dito que sou normal?"

E a conversa morre.

Não sabe o que dizer agora que já sabe quem é. Escuta passos e barulho, e a respiração de Frank ao outro lado da linha e supõe que ele está na rua, caminhando, mas não fala.

Deveria perguntar alguma coisa?

Lhe agradecer?

Ah, sim, isso.

"Eh, então cara, muito obrigado por devolver o celular, você salvou meu traseiro" Era mentira, mas seria melhor dizer "eh, estava tão entediado que havia ligado para um numero desconhecido só para falar com alguém".

Ao menos parecia menos patético.

"De nada, homem" e não ri, mas uma imagem da outra noite te vem a cabeça e você o pode imaginar assim. O sorriso nos lábios como um estado permanente, ainda que nada tenha sentido.

"Então... O que está fazendo?"

A pergunta é baixa e não deveria soar bem de alguém que não conhece, mas soa como caramelo com morangos.

"Nada na realidade, jantava enquanto via a televisão" você vai responder "e você?", como um adolescente que fala com sua paixonite, quando Frank se adianta.

"As coisas continuam igual, não?"

Ein?

Um "tic" na mandíbula e o celular quase cai no chão.

QUE?!

"Perdão?"

"Você não se lembra, não?"

"Deveria?"

"Homem, dado que quase me conta seu numero secreto do cartão de credito, deveria. Você fala muito quando bebe"

Você dá com a mão na cara por ser idiota.

"Quanto te contei?" e está fazendo um grunhido, ainda que saiba que ele não te vê.

"Mais ou menos quase tudo."

"Merda"

Silencio de novo.

"Não vai dizer nada?"

"Estou envergonhado"

"Não fique. A culpa não é sua por não poder pintar."

Pintar? Havia falado sobre a pintura? Não sobre que sua mulher estava se encontrando com outro?

"Estávamos falando dos meu quadros?"

"Sim cara, você não parava de... Ui, perdão, desculpa..." um murmuro do outro lado da linha e sabe que Frank havia se chocado com alguém "o case da guitarra deveria ter seguro. Belo tapa. Enfim, isso... Onde estava?... Ah sim, seus quadros. Não parava de me falar de um bloqueio, e pesadelos. E depois tentou dizer algo sobre sua mulher, mas desmaiou. Você não sabe beber, garoto"

Uffffffff, menos mal.

Não chegou a dizer nada.

E então se dá conta de que ele havia lhe chamado de GAROTO.

HAHAHAHA

"Eu garoto? Mas se você tiver 20 anos eu assumo"

"23" te diz Frank do outro lado, orgulhoso.

"Ah, isso só me faz 10 anos mais velho que você, garoto"

Ele ri e desta vez você sabe que sim. Uma agitação na boca do estomago. Sentiu-se bem pela primeira vez em tempos.

"Pois bem, eu sou. Dez anos mais velho que eu e ainda não havia aprendido a beber... Não te ensinaram nada em NY? Em nenhum lugar se aprende melhor que em Jersey, colega"

E nisso Frank tem razão. Qualquer coisa que quiser aprender, qualquer coisa, se ensinava melhor em Jersey. E o que aprendia não se esquecia, ainda que fosse beber.

"Sabe" disse Frank logo "creio que tenho a solução para seu bloqueio"

Isto sim que é bom.

Você se joga para trás no sofá, o celular grudado a orelha e com a outra mão está acariciando a ponte do nariz. Sua cabeça dói.

"Sim?"

"Sip. É muito fácil. Você precisa relaxar homem. Olha, agora tenho uma audição e tenho que desligar, mas que tal se nos vermos em uma hora, ou algo assim?"

Uma audição? As onze da noite?

Ao que parece o havia dito em voz alta porque Frank responde.

"É para um grupo de rock, cara, não para ser secretario"

E faz sentido.

"Então, o que me diz?"

Silencio na linha, e esta vez não é incomodo, é impaciente.

"Onde te pego?"

Quase escuta o suspiro de alivio que Frank dá.

"Eu te deixei o endereço em seu celular" e com isso, e um riso, desliga.

O bastardo SABIA que você iria por ele.

Notas finais
E, como a Cherry Bomb havia dito, sim o Nyah! ferrou com minha formatação no primeiro capitulo ):
Desculpem por isso, e por demorar já que eu havia dito que ia postar o outro hoje, tava terminando de traduzir. IUGHASGADSYUDAGS ♥