Safe In New York City
3 Take a breath and let the rest come easy
Notas iniciais
Ai, gente nem vou dar desculpas, ok? x_x
Então, queria dizer que... Se eu tô traduzindo essa fic é totalmente por causa da Clara Moço. Só dizendo. *-*
Enfim... Só um lembrete da Ani, que eu esqueci de dar. Pensem neles assim: Frank na MTV de 2005 e o Gerard em 2007. Proximo capitulo eu mostro as fotos, ok? Pra vocês visualizarem a cena. q
Enfim... Cristo! Obrigado por todas que aparecerem! Irei responder os reviews, e, ok, parei de falar. q
Chegar é mais complicado do que parecia no começo.
Está escuro, há neblina, e é mais provável que em algumas horas comece a chover.
Mas não é isso.
É que faz alguns anos, tempos (nunca), que não passa por estes bairros da cidade.
As casas de jogos e garagens se sucedem pelas ruas sem iluminação o suficiente enquanto vê roupas e penteados que estava a ANOS sem ver.
Gente de preto, vermelho no máximo, tatuagens substituindo a pele, botas com pontas metálicas que brilharam no ar ao caminhar.
Perigo gravado em cada esquina de cada beco.
Você passa por mais um par de ruas e quando chega a um pub que tem mais gente fora do que dentro você sabe que chegou.
Estaciona como pode, tentando não deixar o carro fora de alcance, porque é um Mustang novinho e você não gostaria de encontrá-lo queimado, ou não encontrá-lo de jeito nenhum.
Você tem carinho por ele.
Você revista a si mesmo antes de descer. Calças e camisa pretas. Não é o mais "punk" do mundo, mas ao menos é preto e não rosa. Passará despercebido.
Só por acaso, e só por acaso, se olha no espelho retrovisor e bagunça o cabelo um pouco com as mãos. As pontas estão apontando para todas as direções e é um pouco estranho, mas você gosta. Faz anos que sonhava o deixar assim. E vermelho. E verde. E...
E tantas coisas que haviam ficado pelo caminho.
Desce e coloca uma cara de sério. Não quer chamar a atenção em nenhum sentido e o melhor é não parecer contente demais entre gente que acredita que o mundo está quebrado por mais lugares, e que não poderá ser consertado nunca.
Sua surpresa vem quando você se aproxima e vê as pessoas da porta, ainda apesar das roupas ameaçadoras, e os penteados que podiam lhe arrancar um olho, estão rindo ruidosamente ente cigarros e cigarros e cervejas e cervejas.
Talvez seja o álcool, ou melhor seja, que são feliz.
Quem sabe.
Você entra tentando não esbarrar em nada, e o segurança te olha levantando uma sobrancelha, mas você espera que aos seus trinta e três anos não te peça identidade ou estariam curtindo uma com sua cara.
Não tem que pagar a entrada e o agradece, porque, um carimbo na mão é a ultima coisa que precisa.
Quando está dentro suas pupilas tem que se acostumar com a mudança. Senão não veria muito, ali dentro ha fumaça (claramente as leis não eram importantes nesse lugar) e a pouca iluminação, parecia que havia entrado na casa de terror de qualquer feira.
Há pessoas no balcão, nas mesas dos lados, lugares tão escuros que se não fosse os vultos que se adivinhavam neles você não saberia que estavam ali.
Fumo, álcool e rock.
No pequeno palco do fundo os instrumentos descansavam solitários, residindo no cenário, mas ninguém estava tocando e por um momento você pensa que havia chegado tarde demais.
Frank havia acabado sua audição e havia te largado.
Amanha você receberá uma mensagem onde teria "ha ha seu idiota, deixe de me seguir e vá procurar uma vida".
Como se fosse a primeira vez que alguém te prega uma peça pesada desse jeito. Fazem anos, desde que você estava no colégio, que não acontecia isso contigo, mas não quer dizer que você havia se esquecido de como se sente.
Suspira e se esquiva de duas góticas que estavam dançando no meio ao ritmo de "Childrem Of The Grave" enquanto você vai até o balcão.
Já que havia feito o caminho até aqui ao menos tomaria umas cervejas. Talvez conseguiria um pouco de erva. Se embebedar o suficiente para contar seus problemas a um estranho.
Oh, espere, isso você o fez outro dia.
É segunda-feira e você não sabe o que fazer aqui, mas está, então você se senta e quando vê que os cotovelos poderiam ficar grudados no balcão sabe que está no lugar certo.
A garçonete te olha interrogativamente e sorri debilmente. Morena e bonita, e suas tatuagens te lembram de Lyn-z.
Você vai abrir a boca pra dizer "whisky" mas você se lembra de onde está e pensa melhor.
"Cerveja. Me dê uma cerveja, morena" com mais descaração do que você acreditava que te restava no sangue a esta altura do tempo.
"Claro, moreno" responde e você não esperava, mas tem a voz suave e isso não tem nada haver com Lyn-z, e você se encontra mais animado sem se dar conta.
E sem ter tomado alguma coisa que contenha álcool.
Yupi.
****
Meia hora depois a cerveja havia se evaporado da caneca, mas não de seu sangue.
Está aquecendo seu estomago, mas você se sente bem.
A musica agora é menos agressiva e mais rítmica. Menos violência, mas mais sexo, e a morena do balcão não tira o olho de você.
Quando havia passado um tempo de olhares esquivados (e havia deixado de escutar a conversa do casal do lado porque, sério, a palavra dicotomia** não era algo que você gostaria de escutar a segunda-feira, a essa hora nem como a porra) você vai dizer algo.
Vai convidá-la para ir ao carro e colocar a prova os amortecedores.
Ou dar uma volta e alugar qualquer quarto em qualquer lugar fora de seu pesadelo.
É a primeira vez que você pensa na possibilidade de colocar chifres em sua mulher, mas quando volta a pensar sente algo que havia ficado no meio de você e ela, e que agora não pode recusar.
Não importa o que faças ou não, o dano já está feito.
Então você gostaria de uma morena na segunda a uma da madrugada, acredita que pode se dar esse capricho. Ainda que na manhã seguinte não pudesse nem se olhar na cara.
Que diferença faria?
Você vai dizer algo, de verdade, pega-la pelo braço suave, colocar a boca em sua orelha e sussurrar algo, o que fosse, as palavras mágicas de Brian Kinney se faria falta, mas você não tem tempo.
Vê que a garçonete havia ido até o outro lado do balcão e começa a falar com alguém.
Você pensa "merda" até que vê que ela sorri e escuta um riso que você não se esqueceria nem que fosse um vampiro e vivesse eternamente.
Frank.
Seu corpo o reconhece muito antes de você, e o calafrio que você sente o demonstra, mas não é até que a morena se afasta um pouco para servir outro cliente que você o vê.
E parece que havia sentido seu olhar sobre ele, porque Frank te olha de volta, seu dedo fazendo círculos sobre o copo que tem na mão, os olhos baixos, mais pantera que homem, e sim, o coração te acelera na hora, você o deixa passar.
Te vê e sorri, como se estivesse esperando te encontrar ali.
E não sabe se é o álcool, a merda de dia ou se é só ele, mas você sente o sorriso se estendendo por sua cara sem que dê permissão, e não está acostumado a tanta alegria.
Te faz o sinal internacional de 'vem' com os dedos, sem piscar nem nada, olhos pardos cravados em ti como estacas na pele.
E sacode a cabaça, 'não' diz sem dizer. Não quer admitir, mas os joelhos haviam ficado fracos agora e você já está velhinho para esses jogos.
Ou talvez não.
O diz 'ven, vem você' com a mão também.
Olha se você não está bom com a linguagem corporal!
Você quer fazer uma frase suja com esse ultimo pensamento e ri de si mesmo, mas passa. Passa porque Frank havia acreditado seriamente o de vir e, em um segundo, ele está no balcão, no seguinte havia posto uma mão sobre seu ombro e pesa mais do que deveria.
"Pensei que não apareceria" e te olha serio, completamente.
"Estou a um tempo te esperando" responde com sarcasmo, porque ele esta reclamando? Era ele que estava a trinta e cinco minutos desaparecido e não é que você esteja contando. De jeito nenhum.
"É sério?" franze o cenho e logo faz um movimento com a mão, enfiando os dedos no cabelo, despenteando um pouco o moicano, "Ah, sim, havia sido seqüestrado por um tempo depois da prova. Eles haviam gostado" sorriso que explodiria as bombas se nesse lugar houvesse alguma "mas queriam que eu fosse o misero base, quando eu havia feito a audição para ser o solo. Então, amavelmente, os mandei a merda"
Fala pelos cotovelos e com bastante pressa mas, apesar de disso, você percebe que ele está tentando mudar o assunto.
"Você sabia que eu estava te esperando" pode ser que você não fale tanto, mas é mais velho e sua experiência com conversas que queriam ser esquivadas era de master.
"Sim" assente e leva o copo até os lábios.
"Então?"
Havia dito que acreditava que não vinha, mas SABIA que você estava aqui. Com o que ele estava jogando?
Te olha levantando um pouquinho a cabeça (você é bastante mais alto que ele) e as sobrancelhas arqueadas te deixam tonto. De verdade.
"Só queria te ouvir dizer"
E a resposta é como um ronronado na boca do estomago, e faz muito tempo que alguém não tentava fazer essas coisas contigo, e você quase se esqueceu de como era se sentir assim.
O deixa passar com um ligeiro sorriso e não diz nada sobre o tema.
Em mudança você pergunta:
"Então, você recusou o posto?"
"Porra, sim." deixa o copo no balcão, você é mais interessante do que qualquer coisa que ele estava bebendo, e coloca em sua altura, muito próximo, mas a musica ruge ao fundo "Não estou tão desesperado por tocar em um grupo. E também, eu sou muito melhor"
"E muito mais humilde, huh?"
Ele encolhe os ombros.
"Não é exagero. É verdade. Quando quiser, te demonstro"
E havia soado melhor do que deveria, mas você não dá importância.
"Então... O que era isso que ia me ajudar com meu bloqueio?" diz tocando as pontas da camisa que usava por fora, em um gesto incomodo.
Frank te olha.
Serio num segundo, e no segundo ri, mostrando todos os dentes, como um bebezinho, sorriso de palhaço, e abre os braços se afastando do bar.
"cha, chan!"
Você rir apesar disso.
"Isto é tudo o que tem para me oferecer? Um lugar no meio do nada, com Black Sabbath a toda altura e mais fumaça que uma chaminé?"
"... E eu?..." atesta, com voz de menino pequeno.
E, sério, não era o que você esperava.
Você esperava mais, outra coisa.
Não sabe o que esperava, para ser sincero.
Mas ainda sim você ri.
Não um riso, nem uma gargalhada seca, nem um sorriso.
Você ri com vontade e o cabelo cai um pouco sobre seu rosto e o estomago dói de tanto rir, mas isso não importa. O garotinho é gracioso, e você não pode evitar.
"Vê? Já está."
O olha cético.
"Riso terapia, colega. Nunca havia ouvido falar sobre isso? Porra, eu pensava que você era um riquinho de merda, e estava metido nessas merdas. Você sabe, yoga, fitness, salada grega para comer."
"Duvido que isso funcione com meu bloqueio. E, não, nem yoga, nem fitness, nem salada. Foder é o único exercício que eu pratico."
"Então você tem uma vida saudável" ele termina por você.
Você quer dizer "sim, bem, não tanto como eu gostaria" mas não é o lugar, nem o momento.
Na realidade, nada é saudável visto dessa forma, mas como você nem sabe o sobrenome dele não acredita que ele precise saber dessa informação sobre você.
"O que está pensando? Você ficou mudo" volta a pegar o copo e o liquido escuro desaparece entre seus lábios, até o fundo da garganta, até o estomago, até...
Você se encontra pensando até mais baixo. Até o sul, como tudo ia para o sul.
Você sacode a cabeça e sabia que se tivesse mais luz ele veria seu olhar um pouco vidrado e perdido.
"Em que eu nem sei qual seu sobrenome, e já dormi contigo"
"Então você é do tipo controlador, eh?"
Perdão?
"Que?"
"Sim, você sabe, dos que tem que conhecer alguém para levantar-se ao seu lado"
Agora sim você tem que rir.
É sério, quem é esse cara e porque não havia o conhecido antes?
"De que tipo você é então?"
"Dos que não se importam quem esteja ao seu lado um dia, mesmo que mereça pena, porque não vai voltar a se repetir. Nem que para isso eu tenha que carregar um desconhecido bêbado até minha cama..."
Ele lhe dá um toque amistoso no ombro porque isso vale totalmente para você.
"Ei, não ria de mim"
"Não estou rindo. Mereço totalmente a pena"
Quatro palavras.
Sem batimentos do coração por segundo.
Uma nova perspectiva do mundo.
Você não fica vermelho porque já tem alguma idade e pode fazer com que não se note muito.
E porque está escuro.
Você tosse um pouco.
"Mas você só está evitando minha pergunta. Não sei nada sobre você"
Te olha de canto, mal, fazendo coisas ilegais para seus joelhos, e a seu estomago que parece que está em uma montanha russa. Te olha dizendo com essa sobrancelha curvada "Sei que você havia se perdido no meu flerte, lindo". Te olha assim, e com um sorriso torcido, mas não diz nada e continua com o jogo.
Você é dez anos mais velho e está totalmente perdido nesse jogo.
Ele ganha de você por goleada, e o sabe.
Mas se faz de inocente e isso vai te deixar louco.
"O que quer saber?"
"Como é seu sobrenome não é algo ruim. Você sabe, saber se a policia está atrás de você ou não, me deixaria tranqüilo"
Em algum momento entre a pergunta e a resposta, a musica fica mais barulhenta e Frank tem que se aproximar de você para que o escute falar.
Não sabe se é a hora ou a musica que atrai mais gente, mas todo mundo que estava fora fazendo rodinhas, ou o que fosse, havia entrado e o bar está tão apertado que se ainda não haviam te dado um empurrão era um milagre.
Seus cotovelos se tocam apoiados no balcão, dois homens bebendo e conversando, e se alguém parasse para observar os olhares de soslaio e as mãos pinicando de vontade que tem de tocar, não saberia explicar.
Mas não estão, e você escapa.
Escapa porque tem que colocar as mãos nos bolsos antes de comprovar se ele tem o cabelo tão suave como parece, ou se o relevo das tatuagens do braço se notariam nas pontas de seus dedos.
"Poderia te dar um sobrenome falso, e você continuaria sem saber"
"Você quer que eu comece, não é?"
Ele morde o lábio, quase que imperceptível, não está te olhando e parece que não está fazendo para você.
"Sim, pode dizer que eu nunca gostei de hipócritas"
Mas antes que te dê tempo para mudar a cara, porque ele havia levado o tema para o lado sexual e você esta o imaginando em mais posições do que você acreditava que existia em sua imaginação, volta a falar e te corta.
"Porque não vamos embora daqui? A musica está alta demais e não podemos conversar"
Assente rápido, com um movimento de cabeça, um "claro" murmurado antes de segui-lo como uma sombra.
Há um momento difícil do meio da multidão de pessoas entre a porta e o centro do bar e você sente de repente a mão de Frank em sua barriga, apalpando a cegas rapidamente até que se engancha em seu cinto e te puxa. Te leva carregando e te guia.
Você sorri de lado ao sentir, depois de muito tempo, que alguém está dependente de você.
Não te disse "te espero lá fora" e saiu sem mais, ele te segurou e o levou com ele.
Quando vocês saem, o que era nublado ao chegar agora havia se transformado em chuva, e isso explica o porque de todo mundo estar dentro do bar.
Frank demora mais meio segundo para soltar seu cinto e você sorri, um sorriso mais educado do que outra coisa, porque você não sabe como reagir.
Os homens e você não é um assunto muito explorado.
"Merda" diz Frank encolhendo-se dentro da jaqueta preta. Pisca um pouco os olhos porque a água está caindo em seu rosto, e olha pra cima como se assim pudesse parar a chuva.
Abre a boca e deixa que lhe molhe a língua e, de repente, você se dá conta de que está ali parado, olhando-o se comportar como uma criancinha de dez anos, e vocês estão se molhando.
"Tem como voltar pra casa?"
"pff, depende de como você olha"
Te olha de canto, ainda com a cabeça jogada para trás, garganta exposta e quase que a língua também.
Você rir porque isso é um NÃO idiota, não sou rico, já que você viu seu apartamento e o havia visto tocar na rua, deveria saber que isso era uma resposta estúpida.
"Venha, te levo para casa. Meu carro não está longe"
Te olha enfim, colocando as mãos nos bolsos.
"Esperava que falasse isso, colega"
"Oh, então eu só sou seu taxi, não?"
Começa a andar na direção do carro e ele te segue sem perguntar.
"Isso é uma suposição sem fundamento"
"Claro, claro, e o inferno é uma sauna"
Vocês caem em silêncio e vão andando até o carro. Frank dá um chute em uma lata de alguma coisa que há jogada no chão e sorri grande quando se choca contra uma lata de lixo. O som de metal ressoando na noite.
Infantil, pensa seu cérebro.
Sexy, pensa seu pênis.
O ganhador está quase sendo decidido.
Quando está só a um passo pega as chaves e abre, e o "pi pi" das luzes e o carro abrindo deixa Frank te olhando com a boca aberta.
"Fiiiiiiiiiiiiiu" assobia "Esse é seu?"
Você ri. Vezes demais nessa noite. Mais que em todo o ultimo mês.
Acabaram te cobrando a fatura, você pensa só por um segundo mas depois sacode o pensamento como se sacode um polvo. Não Frank. Não quer pensar assim dele.
Ele não e ponto.
Não é racional nem sensato, não é uma merda, mas você não se importa.
"Quer dirigir ele?"é a única coisa que te ocorre para perguntar e depois quase quer se bater por ter sido idiota.
"De verdade?"
Ele sorriu de uma forma que precisaria de um óculos de sol para não ficar cego.
Claro, porque não? Te conheço desde sempre.
AH, CALE-SE!
Você joga para ele as chaves e vê pelo rabo de olho como ele passa a mão pelo teto do carro, levando a água com o dedo, desenhando uma linha reta que você morre para que ele desenhe em suas costas.
Então, de repente, ele para.
"Tem certeza?"
E a pergunta faz com que as duvidas se evaporem como a água que está caindo sobre você.
"Pode tirar sem medo que não morde"
*****
"Bufff, isso foi uma experiência orgasmatica"
Se recosta no banco, as mãos acariciando o volante.
"Acredito que você revolucionou com ele mais do que eu, desde quando o tenho"
"Esse sou eu, sempre revolucionando tudo"
Te olha e sorri, e, sério, tem a cara de antes.
"Quero um cigarro", diz.
E você tem que rir, não podendo agüentar mais.
"O que? O que eu disse?"
Você nega com a cabeça e, enquanto arruma um cigarro entre seus lábios, dá outro para ele.
"Nada que eu não havia dito"
Te olha estranho mas não diz nada.
****
Você não sabe para onde ele estava dirigindo e acredita que não haviam terrenos baldios no centro da cidade porque, ei, um lugar sem construir no meio de NY? Você teria rido se te contassem.
Mas vocês estão perto do rio Hudson e o lugar não é muito bom. As prostitutas e os cafetões próximos as baladas da moda e as lojas das empresas.
Está escuro, havia começado a chover com mais força e Frank havia apagado os faróis porque não ver nada alem de seu nariz o faz bem.
Está com ele no carro, silencio entre vocês, e Frank percebe que não havia conectado a radio.
Quando o faz a radio clássica é o primeiro que soa, e te olha com cara de assombro.
"Você tem um Mustang e escuta essa merda?"
"Não é merda, me relaxa"
"Sim, claro, e aos mortos também"
Vai mudar a radio, mas você para a mão dele.
Não é preciso dizer que é um tapa brincalhão.
"Fique quieto. Eu conduzo, eu coloco a musica"
"Mas é meu carro."
“Ñañañañaña”
E procura uma emissora até que encontra uma de rock clássico que não é tão ruim.
Está tocando Hot Blooded de Foreigner, e a musica não pode vir em hora mais certa, porque não sabe se é o aquecimento (refresca MUITO quando chove, apesar de ser primavera) ou você, mas o calor é a única palavra que você conhece agora.
"Porra cara, pois você não está tão mal para se permitir ter esse carrão, não?"
E as palavras caem como um balde de água fria que, pensando bem, nunca havia vindo tão bem.
Você se esquece que Frank sabia tanto de você, mesmo que você não saiba muito dele.
"Não posso me queixar. Ainda que não é o que eu gostaria de fazer"
Ele te olha.
"Acredito que pode fazer o que quiser, Gerard"
O disse sério e sem rodeios, e é a primeira vez que ele te fala assim, e faz muito tempo que ninguém é tão direto contigo.
"É muito fácil falar Frank. Mas não é tão simples fazer"
"Uma merda que não é" está te olhando nos olhos "pode falar tudo o que quiser, e choramingar mais, mas não vai solucionar nada; Olha, não conhece merda nenhuma sobre mim, e eu não sou o melhor nem mais apropriado para te dizer isso, mas acredito que você tem tudo muito fácil e não faz nada mais que se queixar".
E isso é uma surpresa muito grande.
Você morde o lábio e não sabe o que dizer, nem como se sentir. Você se ofende ou se irrita?
Opta pelo primeiro.
"E o que você fazia, heim? Deixaria tudo o que havia conquistado só porque você gosta de ter uma casa de merda em um canto qualquer e te deixassem em paz?"
"Sim" a resposta é clara e concisa e você olha para o outro lado porque de repente se sente um covarde. E isso porque não havia falado do falido casamento.
E pensando nisso, ele havia visto seu anel? O que ele pensará de você?
"Olha, sei que tenho vinte e poucos, e que ainda me falta muito caminho, mas é muito fácil Gerard. Eu peguei a mochila, a guitarra e um trem. Assim, simples"
E isso é o que você mais gosta nele.
Simples.
Tudo é tão simples.
"E você gosta de como vive?" a pergunta é apenas um murmuro, a musica de fundo, muito ao fundo, só seus olhos pardos e o coração na boca esperando a resposta da vida que deseja e não terá.
"Porra, sim" sorri um pouco "a vida não será fácil e não me sobra dinheiro, mas ao menos faço o que quero. Sem ninguém para me olhar com raiva ao chegar em casa porque estava com perfume de homem e não de mulher"
E você percebe um "q" de amargura, mas não quer perguntar. Não sabe se o dizia por seus pais ou por outro alguém, mas deixa passar, ainda que não se esqueça.
"Isto é o que quero. Não é o que os demais querem e pode ser que não seja o mais correto, mas quando olharei para trás quero ver que havia valido a pena" sorri agora mais grande "e também, para ser um babaca normal com um trabalho de escritório até as sete sempre tenho tempo, não?"
"Pois também é verdade" disse e sorri um pouco mais relaxado.
"Não pretendia ser mau educado. A una coisa que queria dizer é que você tem a unica coisa que fecha as portas para os outros: o dinheiro"
"Pensei que você ia dizer minha beleza" sorri de lado e é a primeira vez que VOCÊ flerta com ele, e o deixa bestificado"
"Isso também" diz sinceramente "Mas está mudando de assunto e sabe que tenho razão"
Você olha para o outro lado e não sabe ele reconhecer que você é bonito o tá pontos, ou que seja tão direto os tire.
As duas coisas o dão ponto, e você sabe.
Eu sei.
"Ei" sua mão em sua bochecha "só me diga que ao menos você vai tentar, ok? Me irritaria ver alguém como você se deixar perder por uma merda"
A curiosidade te pica e você tem que perguntar. O roçar em sua bochecha também pica, mas não é no mesmo lugar.
"Como eu?"
"Sim, você sabe, como você"
"E como eu sou?"
Te olha de canto, um sorriso tímido pela primeira vez desde sempre e você gosta como ele fica vermelho nas bochechas.
"Isso eu te digo no segundo encontro, homem. Não vai querer saber tudo hoje"
Você ri quando ele faz beicinho e pisca os olhos.
E sem saber que o havia dito para aliviar a tensão de sua perguntar não o da importância.
******
Por volta das três você o leva para seu apartamento.
Havia parado de chover e o ar cheira a molhado e a terra, e você gosta.
Quando ele vai descer o do carro você se lembra que no começo da noite, quando havia te ligado, ele tinha uma guitarra.
"Hey, Frank, e sua guitarra?"
"A deixei no armazém do bar" disse "amanha irei outra vez para outra audição, então não a tenho que levar"
Ammmmm, ok.
"ammm, ok"
"Obrigado por me trazer"
"Nada"
Se vira e antes que dê tempo de fechar a porta diz:
"Obrigado pelo discurso de antes" te olha e você sente corrente elétricas passando até por lugares em que não acreditava que tinha, o que te fez encolher "você tem razão e agradeço que alguém me diga de vez em quando"
"Me sinto bem, moreno, então não vou te deixar ser o babaca"
Uh.
Obrigado?
Mas não diz nada, porque o moreno havia soado ronronado e seu pênis havia latejado.
"Então."
"Huh?"
"É Iero" e fecha a porta.
O que? Iero?
Abaixa o vidro e antes que ele abra a porta do edifício lhe grita:
"O que é Iero?"
"Meu sobrenome, idiota"
Te mostra o dedo do meio e pisca um olho, a combinação lhe dá um toque punk incrível.
Merda, se comporte.
O pênis lateja ao ritmo que o pensa, como se dissesse 'Agora que você se deu conta, bastardo?'
****
Quando chega em casa nessa madrugada Lynz já está dormindo e você não quer irritá-la.
Entra fazendo o mínimo ruído e deixa os sapatos, mas não troca de roupa.
Não toma banho.
Não dessa vez.
É a primeira vez que chega rindo desde meses, e desde que se levantou na casa de Frank outro dia, não havia voltado a acordar no meio da angustia habitual.
Pode não significar uma merda, e amanha só por pensar você acordará entre sussurros afogados.
Mas você tem a esperança de que signifique algo.
Que as coisas estão mudando e que desta vez seja para melhor.
Desce as escadas e entra no estúdio, os nervos a flor da pele, a conversa com Frank e o que vai fazer amansando o que tem na boca do seu estomago e te fazendo sentir náuseas.
Náuseas das boas.
Pega uma tela do chão, onde os tem empilhado, e coloca sobre o cavalete.
Está descalço e você não se importa com as calças, mas você tira a camisa, porque ela é cara e você tem carinho por ela, e a deixa sobre um sofá solitário e há no escritório.
Vai desenhar diretamente sobre o tecido, mas quando pega a paleta e o pincel tremem um pouco em sua mão e você tem medo de danificar o espaço em branco.
Então você pega uma folha de caderno e um carbono.
Deixa que o cabelo caia sobre seu rosto e que o pulso se mova só e nem sequer está pensando em nada só sorri como um louco enquanto o faz, e o suor molha seu rosto.
Suja o dorso da mão de preto e você não se importa nem mesmo um pouco se suja as bordas da folha, por que quando levanta a vista e olha, os olhos de Frank estão de olhando com sarcasmo, como se te desafiasse a algo.
Encarando-te.
Te dando animo.
Sorri grande e deixa o desenho ao lado da tela para fazê-lo grande, agora que está certo de que vai ficar bom.
A primeira vez em meses que pode fazer algo que não seja manchas, e são seus olhos.
Você se sentiria culpado, mas a única coisa que tem vontade é ver esse quadro pregado em sua parede e que te dê força para tudo o mais.
Pega o pincel, agora mais seguro com você mesmo, criando um deus em um torço de carne pálido e você se esquece do tempo.
****
"amanha tenho que te mostrar algo"
O escreve sem pensar e deixa o telefone sobre sua barriga, já tomou banho e está na cama, virado para baixo, para que a luz não acorde Lynz.
Não espera que alguém responda, pelas horas, mas responde.
"bstardo, vc m acrdou. o q é?"
Você sorri.
"Um quadro"
Um zumbido mais e o sorriso idiota não sai de seu rosto.
"Sou eu plado, vdd?"
"Você o adivinhou"
"Qro ver"
"Quando estiver terminado"
"Ok"
E seu celular não volta a vibrar então você acaba dormindo com a sensação de que a vida é muito melhor passando por sua pele e quando vibra novamente você já havia dormido completamente.
"Estou orgulhoso de você"
Notas finais
Enfim... Desculpem pelos erros, e talz. Eu realmente tô com sono em sem muita paciencia pra re-ler x_x
Amanha eu posto o outro -ss
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