Safe In New York City

4 Things they change, my friend


Notas iniciais
OLÁ! OLÁ! OLÁ! q UYGASDUYDASGUAYDS
Primeiramente queria agradecer MUITO á Sydhartta e á sweetrevenge. Elas foram LINDAS demais ao recomendarem a "Strangers" esse capitulo é dedicado a vocês meus amores. ♥
E, claro, dedico tambem a Clarinha, que comentou u_u (e que é ciumenta) n
UYAGSDUAYDSGASDUYGADS
Então, aqui está o Gee: http://s3.subirimagenes.com:81/privadas/previo/thump_1639199gerard.jpg. O Frank ta no meio da fic. HMMM
Boa leitura!

Você ainda está adormecido e o som distante de uma televisão se mistura com o ruído de panelas, e cheira a algo realmente bom, mas você não sabe o que é.

E enquanto você se aconchega com as mãos debaixo de sua bochecha, você sabe que está dormindo porque não se lembra a ultima vez que sua casa cheirava como um lar de verdade, com alguém cozinhando no meio da manhã, as sirenes soando de fundo na rua, a paz e o cheiro de pão recém feito.

Você relaxa e se nega a sair desse lugar em que está, dormindo ou não, e mais uma vez, como sempre na ultima semana, Frank bem a sua cabeça.

Primeiro é a boca, e depois o nariz com o aro metálico, e depois ele todo. Rosto, pescoço, mãos, braços, tatuagens e, dessa vez ao menos, roupa.

Conta o tempo que havia passado pelo quadro.

A primeira semana, e o primeiro esboço da tela, havia passado voando. Mais horas dentro do estúdio do que fora, quase sem tomar banho, deixando Lynz tomando conta da galeria e de outras coisas que você não quer pensar enquanto pinta.

Há falhas e você tem que começar do zero porque, voltar a fazer o que você quer, depois de um tempo reprimindo sua própria técnica, não é fácil. Custa um pouco para você voltar a se acostumar com seu próprio estilo e que não pareça macabro, até para você.

Mas você se adapta e, o fato de que Frank insistia cada vez mais para vê-lo, não faz outra coisa que não fazer você ter vontade de continuar e fazê-lo melhor aumentar.

Para piorar a situação, ele liga para você à noite.

Sabe que a essa hora você provavelmente está envolvido em uma briga com o pincel e te liga. A primeira vez você fica surpreso, sua voz quando atende é mais um "Mas que porra...?" do que um "Alô", mas está tudo bem.

Está muito melhor do que bem, e você se adapta mais rápido do que deveria. Agora não havia nem chegado a hora e você já estava olhando o celular desesperado, brincando com ele, se esquecendo do quadro que te olha com expectativa e comendo até os nós dos dedos, porque você não tem mais unhas.

A segunda semana está ali antes de que você se dê conta, e o quadro havia passado de ser uns olhos no centro para ser um rosto e umas mãos que se agarram as bordas. Ainda não está terminado, mas dá para ver a intenção.

Quer pular para fora do quadro. Tem a boca aberta, como se fosse gritar ou dizer algo que não deveria, e quer ir embora dali.

Frank foi descartado um par de vezes em casa, sempre trazendo aquela aura de felicidade que chama você para ele, mesmo se as coisas vão pior do que ruim.

Ainda que em sua ultima audição não houvesse o escolhido e ele tinha gostado muito da banda.

Ainda que Gerard estivesse se pendurando nele e não pudesse dar nem um passo, porque não pode.

Comem em casa e as vezes Frank te acompanha até o trabalho e fica ali, te fazendo rir com suas histórias loucas de adolescentes e ajudando-o com a distribuição dos quadros nas paredes.

As vezes Frank te conta coisas de quando era criança.

As vezes você quer contar outras a ele, mas não se atreve.

E sem dar-se conta está cheio na terceira semana e o quadro está quase pronto e Frank e você são inseparáveis.

Vocês encontraram um ritmo agradável e vocês se combinam como se fossem conhecidos a vida toda, e houvessem nascidos para isso.

Vocês ajustaram seus horários de modo que comem juntos quase todos os dias. É a melhor maneira de que o vinculo de vocês não diminuíssem com seu trabalho, sua mulher e a merda, e de que Frank possa fazer o que tenha que fazer durante as manhas.

Porque, apesar de ter essa aparência de menino dos subúrbios de Jersey, e de ser, Frank ADORAVA as manhãs e você é mais um animal noturno. Ele se levanta cedo, sai para rua, as vezes toca a guitarra, outras vezes só faz compras, ou passeia com os fones enganchados na orelha.

É um garoto vivo, sempre cheio de riso e com tanta alegria como uma droga de bomba atômica.

Você está pensando que, se a vida fosse justa, se a vida fosse justa de VERDADE, Frank seria mais que seu amigo e você nunca teria se casado com Lynz.

O teria conhecido na universidade e vocês teriam se comido até a alma e então, e para esse momento, você saberia o corpo de Frank de A a Z, parando em seu pênis.

Nunca é tarde demais para aprender, pensa sua consciência quando, então, você ouve uma voz que te chama.

Ao principio é só um "Gee" distante.

Para, depois, pouco a pouco, a medida que a consciência volta para você e sai do estado catatônico em que estava, ouve um "Gerar, cara, vamos" e a voz é definitivamente masculina.

Quando abre os olhos enfim, a boca um pouco pastosa por ter estado de bruços, e foca bem a visão, nunca acreditava que ia estar mais agradecido por poder FOCAR sem as lentes.

Frank está a apenas um palmo de seu rosto, olhando-te com esses olhos grandes, pardos, olhos de oráculos que vêem seu passado e futuro, sua sentença final.

"aldskf uh?" é tudo o que você é capaz de articular nesse momento.

"Acorda Bela adormecia, a comida está pronta"

Bagunça seus cabelos com a mão e depois passa em seu rosto, em uma vaga tentativa de te acordar de uma vez, e responder direito.

"O que você disser, Cinderela"

Ouve a risada de Frank de fundo, como bolhas em seu estomago, e se centra até estar sentado no sofá do apartamento de Frank.

A televisão está ligada em um canal qualquer e você não presta a mínima atenção porque tem Frank te esperando no balcão da cozinha, garfo em mãos e começando sem você.

Como sempre.

"Poderia me esperar, sabe? Não te faria mal"

"Você é lento demais" leva outro pedaço de (ei, vamos, olha) lasanha até a boca e depois, com a boca cheia, diz "Quem disse que não me faria mal? Você não quer me ver morto de fome. Eu poderia te morder, sabe?"

Ele não havia dito dessa forma mas, enquanto você se aproxima para se sentar ao lado dele em um dos bancos, o ar fica quinhentas vezes mais tenso e você vê como Frank engole com dificuldade e você opta por comer, para ter a boca cheia e não falar.

"É caseira?" pergunta de repente. Porque? A lasanha está de morrer.

"Não, eu a comprei enquanto você dormia" o disse tão sério que você acredita por meio segundo, mas depois ele ri "Não, idiota, eu a fiz. Minha mãe é a melhor cozinheira de lasanhas da história"

"Pois ela te ensinou bem"

"São os genes italianos, homem. Cozinhando qualquer outra coisa sou um desastre"

Você vai responder 'qualquer coisa?', porque é assim que as coisas são entre vocês nas ultimas semanas. Indiretas esquivadas, mas ainda sim lanças no ar como lanças envenenadas.

Ou quentes.

Que seja.

Vai responder, e ver a reação que ele vai ter, esperando que as bochechas fiquem coradas, porque Frank não fica corado nem com a porra e quando o faz está bonito, mas então seu telefone soa e tem que murmurar uma desculpa e atender.

Você grunhe e revira os olhos.

Lynz.

"Sim?"

Não espera um alô, nem o recebe. São o casal perfeito.

"Onde você está? Temos que comer com o representante de Lisa"

"Quem?" pergunta enquanto arranha a ponte do nariz, a dor de cabeça aparecendo só por sua vida no geral, e não pela voz de sua mulher em particular.

"Lisa, Gerard. Você sabe, é Lisa, a que eu venho falando contigo nas duas ultimas semanas. Iremos expor seus quadros esta sexta, se lembra? Precisamos fechar o tema da exposição e preparar os convites"

Huh? Sério que ela havia te falado isso?

"Eu... Desculpe, estou comendo na casa de Frank" ouve um sopro do outro lado da linha enquanto murmura umas desculpas que não sente "mas, posso te ajudar em alguma coisa?" afinal de contas era quarta-feira e na sexta era a exposição.

Haviam coisas para preparar.

Quadros que desembalar, convites, decoração, luzes e bebidas para preparar.

"Po... Posso ir para a galeria e ir preparando tudo o que ainda falta por ali, aceita? Me dê vinte minutos e estarei ai"

Ela respira do outro lado da linha, mais tranqüila, como se estivesse tentando pensar e se organizar.

"Está bem, eu aceito querido" disse "Você se encarrega de que o caminhão chegue a esta tarde? Chame a empresa se for necessário. Quero que esses quadros durmam na galeria esta noite"

"Com certeza"

E você imaginar o sorriso no rosto dela, porque sabe que ela gosta que as coisas saiam como ela quer.

"Cumprimente Frank por mim" disse e isso é tudo antes de desligar.

Você não percebe o tom nem más intenções em Lynz, mas ainda sim não diz nada a Frank quando desliga. Quanto menos Frank saiba sobre ela, melhor.

"Sua mulher?"

Você grunhe em resposta.

"Sim, trabalho"

"Então você tem que ir..." disse, encolhendo os ombros, mas você vê uma careta triste em seu rosto, como a de um cachorrinho abandonado, e se sente o pior criminoso do mundo.

"Agora. Primeiro vou comer a lasanha, tenho a sensação de que não voltarei a comer uma assim em muuuito, muuuito tempo"

Frank sorri e atira uma ervilha em seu rosto, ainda que não tenha dito nada, vê que ele se sente orgulhoso porque está comendo o que ele preparou.

E de que você tenha ficado um pouco mais.


*****


A tarde na galeria não tem muito trabalho.

Você tem que chamar algumas pessoas mais para te ajudarem. Normalmente só tem Vicky, porque não há que mover coisas pesadas demais, mas, para ocasiões como essa, em que há que mover e descer quadros dos caminhões e depois colocá-los nas paredes, precisa de mais pessoal.

Ainda assim não é nada do que você não tenha feito trocentas vezes desde que tem a galeria.

Ajuda os garotos a colocar um grande, em uma altura considerável, tendo cuidado de que a escada se mantenha no lugar e, depois, observando qual lugar e luz são corretos.

"Vicky, baixe um pouco da potência dos focos deste lado, certo? Está demais"

"Claro, chefe"

Você ri porque ela só te chama assim para te chatear de vez em quando.

Quando todos os quadros estão na galeria, alguns nas paredes, outros, que davam mais trabalho arrumar, no deposito, você chama a organizadora de eventos sociais (Lynz a contratou a alguns meses, te tira trabalho e também, ela quer te foder, isso o que você acha).

Depois de uma conversa entretida, a pede que avise a todo mundo, e quando diz todo mundo você se refere até os astronautas que estão agora mesmo em missão na lua

Quando são as oito Vicky está indo, com um pouco de tinta na cabeça, porque as obras são expressionistas, um pouco diferente do que você estão acostumados a expor, mas ainda sim, bastante elegantes, e ela havia se dedicado a pintar um mural, onde ia ficar uma das pinturas, com a brocha grande.

Pinceladas assimétricas de cores, e tudo vai ficar bem, afinal de contas, você a contratou por algo.

Você murmura um "até amanha" e ela te devolve com um "Cuide-se, chefe" com um sorriso cansado.

Suspira e sopra olhando o lugar vazio e estéril, apesar de toda a arte que tem.

Você pensa por um segundo que, talvez, agora que você havia voltado a pintar poderia encher o lugar com seus quadros. Uma noite sua, só sua arte.

Sim, claro, e o inferno se congelaria num dia desses.

Se sente muito pequeno agora, incapaz de voltar a fazer nada que satisfaça os demais e não a você mesmo, e é algo que você não sabe quando foi a ultima vez que pensou.

Pode ser que para os outros demais seja algo normal mas, para você, não é, e seu coração acelera e tem as mãos ao redor do celular antes de sequer pensar.

Busca Frank nas chamadas perdidas e está no telefone com ele antes de que seu coração volte a se instabilizar.

"Hey"

"Alô"

"Como vai o trabalho?"

"Bem..." você murmura.

Frank ri do outro lado da linha porque, você não havia soado nada, nada convincente, inclusive para você.

"Bem chato, pelo que parece..."

"Nem me diga. Na sexta vamos ter exposição"

E Gerard ODIAVA as exposições, e os sorrisos falsos, vender, vender e vender, o dólar desenhado nos olhos de Lynz, e as conversas institucionais de todo mundo.

"Sabe que eu posso te acompanhar, não?"

Sorri perante a idéia de Frank entre todos esses velhos poeirentos e as taças de champagne.

"Frank... Você precisaria usar traje"

"Ei, ei, ei, eu posso ser elegante se quiser" não o está vendo, mas imagina seu biquinho.

"Certo" mas eu não quero te ver assim, mesmo que isso você não diga.

"Gerard... Você quer que eu vá?"

Você duvida apenas por um segundo e depois, com a respiração engasgada na garganta, pergunta:

"Faria isso por mim?"

"Acabei de dizer, imbecil"

"Pensei que só fazia para ser educado"

"Eu não faço NUNCA nada para ser educado. Eu digo sério, Gerard, te faço companhia sexta"

"Obrigado"

"Não me agradeça, pode ser que você quebre alguma coisa" você ri por isso. Não seria tão mal.

Falam um pouco sobre sua tarde e te conta que está olhando uma pet shop. Ele quer comprar um cachorrinho, mas são caros demais, e ,também, não acha justo gastar todo esse dinheiro em um animal quando há milhares nos canis.

Frank quer ir ao canil pegar um e Gerard escuta a si mesmo prometendo a ele que no sábado pela manha o levaria.

Se escuta distantemente porque tem sangue no meio das pernas ao pensar que Frank iria estar ali, rodeado de gente que não lhe agrada, provavelmente parecendo incomodo, e entediado, só por você.

E nem sequer teve que pedir.

"Frank?"

"O que?"

"Não use o traje"

"Como?"

"Na sexta, não use os trajes. Eu não gosto"

Você acredita que ele vai discutir alguma coisa contigo do outro lado da linha, mas, como se houvesse gostado do que você disse, só te responde:

"Só se você também não usar"

Silêncio.

"Gerard? Me prometa. Prometa que irá com a calça preta mais apertada que você tenha, e eu não irei de traje"

Você suspira.

"Só é uma desculpa para ver meu traseiro, verdade?" você ri um pouco histérico.

"Não duvide"

Merda, isso significa problemas.

E maus olhares.

E provavelmente (pra que provavelmente, com certeza) uma queda nas vendas, porque assim eram as coisas por aqui. Uma má imagem era ser excluído.

"Está bem" você diz "de acordo, trato feito"

"É perfeito" te responde com um sorriso e isso te tira um pouco os nervos. "Nos vemos ai na sexta, moreno. Se comporte bem"

"Adeus" murmura, mas a linha do outro lado já está morta.

Onde eu havia me metido, pensa, mas não pode deixar de sentir o sangue correr à mais de mil por hora, e você não se lembra de qual foi a ultima vez que se sentiu tão vivo.


*****

Não havia terminado de abrir o botão quando sente o olhar de Lynz em sua nuca, e quase que pode imaginar seus gestos.

"Gerard, não acredito que isso seja o mais apropriado pra essa noite"

Ela está colocando os brincos e terminando o rabo de cavalo. O vestido vermelho lhe cai como uma segunda pele, e as tatuagens só a fazem parecer mais agressiva e intensa. Uma fantasia pronta para fazer realidade de todos os seus sonhos.

E pela primeira vez diz o que pensa, se esquecendo dos demais (horas demais com Frank, tudo se pega).

"A merda, Lynz. É minha galeria, quem não gostar que não olhe"

Termina de desamarrar a bota preta e pega o colete para sair, combinando com a camisa escura.

"Mas eles que mantém sua galeria"

Você se aproxima dela por trás e seus olhares se encontram no espelho. O seu seguro, o dela cético.

"Querida, são falsos demais para me dizer a verdade na cara. Então, se eles não gostam da minha roupa, não dirão. Você não tem que se preocupar, as vendas serão boas. Esse vestido conseguirá"

Ela sorri para você porque entende como um elogio, te dá um beijo na bochecha antes de ir pegar seu próprio colete e as chaves.

"Vamos?"

Você se dirige até onde ela está, sem protestar, menos seguro agora que o momento de ser esquadrinhando por um monte de olhos enojados se aproxima.


*****

As 11 da noite você está uma pilha de nervos.

Os olhares caem sobre você como cubos de gelo, e te dão vontade de subir no balcão da entrada e gritar "O QUE? Só é um "pacote", um traseiro e umas coxas, estúpidos", mas você não faz isso e deixa que as garotas te olhem e sorriam, enquanto que as mais velhas levam uma mão até os olhos e murmuram coisas sobre você.

Você tem certeza.

Mas você não liga. Quase que esta costumado aos murmúrios e aos olhares estranhos essa noite.

Mas não é isso.

É que são onze, a exposição começou as nove e Frank ainda não havia aparecido.

Vicky se aproxima de você por um segundo, reluzindo com um vestido de cetim dourado, que tiram quarto ou cinco anos dela e comenta algo contigo sobre um dos quadros.

Lhe responde em um murmúrio suave, é de muita mau educação fazer negócios em um evento social, de maneira tão obvia, e ela assente graciosamente enquanto termina sua taça de champagne.

A deixa vazia em sua mão com um sorriso e vai fechar a venda, e quando você vai deixar a taça na bandeira, você vê pelo rabo de olho que alguém entra e se o cristal não caiu no chão é porque já havia o deixado em seu lugar.

Frank entra em seu lugar, com um terno preto, todo de preto, incluindo a gravata, e se não fosse pelo broche em uma das golas da camisa, e os olhos pintados de vermelho, você diria que ele só mais um.


(assim http://s3.subirimagenes.com:81/privadas/previo/thump_1639194tumblrlsteutwra01qbj.png)


Mas não é.

Porque as tatuagens se amontoam em suas mãos e pescoço, e porque os piercings e os alargadores estão ali. E porque, simples e somente, é Frank.

Você se aproxima dele rápido, acabando com a distancia quase que em dois passos ( as calças te deixam ágil, que diria).

"Você é um bastardo" é a primeira coisa que você diz, e ele sorri de lado.

"Não estou bonito?" abre o paletó e mostra um pouco de si mesmo e você não pode evitar dar-se conta de que ente um dos botões da camisa dá para se ver um pouco de pele, e um outro pouco de tinta.

"Sim... Mas isso não é... O que havíamos combinado"

Um brilho passa por seus olhos e você lambe os lábios em um gesto inconsciente. Ele está olhando para você, suas calças, VOCÊ.

"Me desculpe, não pude resistir... Mas vejo que você foi bonzinho"

Revira os olhos.

"Te odeio"

"Valeu a pena, acredite em mim" e a voz lhe sai um pouco mais rouca, mas não te dá tempo de comentar nada mais porque Lynz se aproxima com um olhar sério e parece um rolo compressor, pronto para arrasar com tudo que esteja em seu caminho.

"Ei, querido, não vai me apresentar, ou eu tenho que me apresentar?"

"Você já o conhece, L. Este é Frank, Frank está é minha esposa"

"Prazer" Lynz lhe oferece a mão e olha de forma inquisitiva suas unhas pintadas de preto mas, por uma santa bendita vez, não disse nada, só o olha divertido, e espera que algum dos dois fale.

"Frank queria passar por aqui e ver nosso trabalho..."

"Sim" interrompeu ele "Gerard sempre está falando desse lugar, e queria conhecer. E também me disse que a artista dessa noite era boa"

Ela sorri e tem um olhar calculador.

"Vocês já terminam as frases um do outro, huh? Isso é bom" o deixa passar com um movimento de mão "De qualquer forma, está bem. Gerard tem razão, Lisa é uma das promissoras. Espero que venda muitas obras esta noite"

Lynz se despede com a mão, ondulando os dedos, e sorri abertamente.

Não sabe o que havia pensado mas, por um momento, você pensou que ela acredita que você esteja dormindo com Frank. Pensa que tem um amante e está feliz por isso. Não se importa, nem um pouco.

Prefere te dividir, e não se sentir a vilã do filme, do que confessar a verdade.

O nó em sua garganta parece dois quilos mais pesados do que já era, mas então você sente a mão fresquinha de Frank em seu antebraço.

"Então, podemos beber um pouco, ou o chapagne é só para os riquinhos?"

"Vamos" você diz "eu também preciso de uma taça"

Mas não consegue descer a bola em sua garganta, por mais que beba.

Por sua sorte, essa noite Frank faz com que você pense outras coisas, como em beijos e piercings.

Metal contra pele, e talvez, uma textura diferente.


*****


(Duas semanas depois, um mês e meio desde que você e Frank são amigos)

O sonho te envolve como uma manta quentinha, e você não sabe nem se está acordado ou não, só sabe que sente.

Sente umas mãos e um corpo quente grudado ao seu e, de repente, sua boxer parece três tamanhos pequenos, e você não pode evitar.

Na neblina do sonho não há 'porquês' nem 'como'. Não há censura, nem ódio, só há pele e o calor, mãos e uma linha que te acaricia como se estivesse sentindo sua falta.

Não há corpos, nem forma, nem pessoas, e você se descobre acreditando que suas mãos desenham um peito plano e uns quadris estreitos, quase nem nota.

Você dá uma volta entre o sonho, um corpo pregado debaixo do seu. Umidade junto de sua boca, e a abre quase que por inércia, porque os costumes são difíceis de apagar da memória, recebendo a outra, deixando que te acaricie.

As pernas que rodeiam sua cintura, e as mãos que baixam sua boxer são mais suaves do que deveria, mas não mãos, e está te tocando, e você se sente bem.

Geme um pouco e a urgência de chegar em casa, seja qual seja, é maior do que qualquer outro pensamento, então quando se sente livre do tecido, avança com os quadris e não para até que o calor e a umidade é substituirá por estreito, DEUS, estreito.

O corpo que tem de baixo do seu arqueia e geme, e isso te anima a avançar com os quadris, um pouco mais para dentro, um pouco mais forte, como um garotinho que quer saber o que aconteceria se arrancassem as asas de uma mosca.

O calor estreito se gruda mais em você, e sua alma vai sair pelo pênis em menos temo do que seria conveniente, mas não pode evitar. Você se sente melhor do que havia se sentido em muito tempo, e o pensamento de que quem está debaixo o está aproveitando deixa tudo um pouco melhor.

Você quer estar acordado, consciente totalmente, ver como o cabelo se gruda no rosto e as bochechas ficam vermelhas como ontem a noite e morde o lábio. Quer ouvir como geme seu nome com voz rouca, e gritar 'Frank' tão alto que sua boca irá doer depois.

Você acelera sem querer, só por pensar nele, e um gemido de mulher te tira da fantasia.

De mulher, e não de homem.

Abre os olhos e olha pela primeira vez sua esposa, com as bochechas fervendo e os olhar perdido, vidrado.

Lynz, não Frank.

Isso, e o fato de que havia ficado com ele duas vezes e terem ficado desse jeito, te golpeia como um chute nas bolas.

"Querido..." toca em seu rosto e você se centra um pouco "O que aconteceu? Porque parou?"

Te pressiona com os tornozelos na parte baixa de suas costas e você dá uma investida ás cegas, sem parar muito para pensar sobre o que está fazendo até que ela geme outra vez porque está muito perto, e seus músculos internos te pressionam forte, e cai sua fixa.

Camisinha.

Não está usando camisinha.

Merda.

A ultima coisa que você precisa agora é mais uma complicação. Uma gravidez é algo que, nessa situação, você não quer pensar.

Pisca perante a idéia, e sai dela com rapidez sem dar tempo de segura-lo, quase saltando para fora da cama e tropeçando nos lençóis.

"O que? Gerard?"

"Não... Não posso, Lynz. Merda"

Não sabe porque dá explicações para ela e se sente traído, decepcionado ou frustrado contigo mesmo.

"Gerard? Porque você saiu?"

Você não sabe.

Não sabe de nada, só sabe que não pode confiar nela, muito menos para um tema como esse.

Sai do quarto e entra no chuveiro rezando para todos os deuses que conhece para que NADA de você tenha ficado dentro dela.

Merda, Gerard, merda.


*****

É metade da semana e você está cansado porque o que havia acontecido, essa manha, com Lynz não te sai da cabeça.

Sem sequer conseguiu se distrair quando havia ido acompanhar Frank ao supermercado, ou comprar coisas para Mama, a nova cadelinha de Frank.

Conversaram e ele falava muito, e você até riu um pouco, mas estava distraído. Estava preocupado.

Até havia passado por sua cabeça a idéia de que Lynz queria ficar grávida sem seu consentimento, não poder dizer a alguém está queimando suas tripas.

Agora, horas depois, volta para casa e quando abre a porta o cheiro denso e amargo te golpeiam, mas não é até que você está dentro e ouve os ruídos que cai a fixa do que é.

Você não quer ir, não quer ver. Quer que a terra se abra, quer que te engula, desaparecer, morrer, qualquer coisa, menos isso; mas você não consegue parar.

Você se aproxima até a cozinha e vê a cena tão claramente que suas retinas queimam.

Gabe está fodendo sua mulher por trás, cético, sobre a mesa que comiam, e você tem ânsia. São sabe se é por nojo, pelas vezes que o haviam feito sem você desconfiar ou pela maneira que ela suplica por mais.

E ela é safada no sexo, sempre havia sido. Pede mais, e se arqueia como uma puta, deixando-se tão exposta quanto pode, e agarrado-lhe a cintura com uma mão e fazendo-o ir mais para dentro.

Você deve ter feito um ruído ou um suspiro sufocado porque então eles te olham e você fica estático sem saber o que fazer, o que dizer, ou onde se enfiar.

"Merda, merda" murmura Lynz enquanto se conserta e obriga Gabe a se retirar.

"Que merda é essa, Lynz?"

"Merda, Gerard... Eu" ela passa as mãos pelo rosto e tenta se aproximar de você. Nua. Te tocar com as mãos que tinha acabado de tocar nele.

"Não sei porque está surpreso, cara. Só estava terminando o que você não acabou essa manhã" Gabe sorri encorajado, mas você não é capaz de olhá-lo, nem de vê-lo, está totalmente fora de seu plano.

Deveria ir e lhe dar um soco por ser um filho da puta, mas você sente que ele não tem culpa, é de Lynz, e também você não tem tantas bolas para ir e agarrá-lo.

Frank o faria, você pensa por um segundo desejando que ele estivesse aqui.

Mas não te dá tempo de dizer qualquer coisa, Lynz olha para Gabe e diz "Cale-se, e não se meta nisso Gabriel. Vá embora, por favor"

Gabe desaparece de suas vistas antes que tenha tempo de olhá-lo se escorar nu como se acredita-se que era algo importante.

"Gee, por favor, me deixe explicar... Eu..."

"Não."

É a única palavra que você parece saber dizer.

Sacode a cabeça e dá um passo para trás.

"Por favor, não vá Gee. Me desculpe, me desculpe"

"Não posso ficar Lynz, Eu... Não posso estar em um lugar onde você esteja. Agora não"

E você não é capaz de devolver o olhar, o rímel escorrido e o cabelo revoltado, marcas vermelhas em sua pele, e o brilho de suor e saliva.

Você quer vomitar, e chorar, tomar banho com alvejante durante um mês, por pensar nas vezes em que ela havia te tocado, depois de tocar nele.

Sente tudo o que sabia que estava quebrado cair sobre você de vez, milhares de cristais estilhaçados a chover, cravar em sua pele e fazer você se sentir pequeno, nada, diminutivo. Vazio.

Você vai sem bater a porta, porque não é necessário, e estúpido, e quando sai para a rua começa a chover.

Ótimo, ao menos isso esconderia suas lagrimas.


*****

Você vai para aquela casa, porque não tem outro lugar para ir.

É mentira, você tem sim. Pode ir para casa de seu irmão, ou de Ray, ou até pegar o carro e ir até sua mãe, mas não é o que você QUER.

O que você quer tem cabelos castanhos, e é pequeno, e cheira como pão fresco com mel.

É Frank, e agora ele não está em casa.

Você está sentado no portal, calado até os ossos, e não para de chover, mas você não se importa. Não havia pegado as chaves do carro ao sair e não ia chamar um taxi só para ir alguma parte, então você espera ali, porque, sinceramente, pegar uma pneumonia, ou não, é o de menos.

Tampouco tem o celular e você se pergunta quando havia sido tão burro.

Você está na rua, no portal de Frank, as pessoas te olham estranho porque pode ser que você esteja pálido e tremendo um pouco, e chorando ao mesmo tempo, e parece um vagabundo, mas você também não se importa.

Você não sabe o tempo que passa, mas quando Frank chega, seco e a salvo debaixo de um guarda chuva de Jack de Pesadelo, primeiro ele te sorri inconsciente e depois você vê que ele vai dizer algo como 'você é tão idiota para ficar se molhando ai, huh?' mas quando se aproxima mais e vê seu rosto ele para.

Não disse nada, só te inspeciona de cima a baixo, como se assegurando que estava bem fisicamente. Deixa o guarda chuva de lado, aberto, se importando uma merda, e pega suas bochechas.

"Deus, me diga que você está bem"

"Eu... Eu..." seus dentes tremem e seu nariz está bloqueado "Não sei, Frank"

"Hospital?"

"Não... Só sua cama... E roupa seca"

Ele assente sem dizer mais nada e deixa um beijo em sua testa molhada.

"Vamos" murmura e te ajuda a se levantar, e a subir até o apartamento.

O frio havia te calado até os ossos, a roupa molhada pesa demais, e o coração você leva no bolso, feito em pedaços.


*****


"Shhhhh, respira Gerard, não te entendo" Frank havia tirado sua roupa e havia as deixado no banheiro, molhando o ladrilho branco.

Tem algo quentinho em suas mãos e Mama em cima dos pés, fazendo uma manta elétrica, mas não está servindo de muito, você está com os nervos atacados.

"Eu, Lynz estava... E eu então fui... E essa manha aconteceu... E eu, merda Frank. Merda, porra"

"Ok, você só produziu os insultos"

Você vai abrir a boca outra vez mas a verdade é que você está muito nervoso e está envergonhado, e não quer falar disso agora.

Havia vindo até a casa dele para buscar consolo mas, agora que está ali, não sabe o que dizer nem como agir.

"Olha, você está com os nervos atacados essa tarde. Que tal irmos dormir e amanha você me conta, ok?"

você assente com o olhar e abaixa e a xícara de chá quente que ele te deu, sem poder olhá-lo.

"Vamos Mama" disse Frank "hora de dormir, pequena" a tira de seus pés e a leva até a cama que havia comprado essa mesma tarde. A havia colocado próxima de sua cama e isso te faz sorrir um pouco apesar de tudo.

A cachorra lambe os dedos de Frank quando a deixa em seu lugar e enrosca a cabeça entre as patas, tranqüila.

Deixa a xícara na mesa de centro e levanta, deixando a manta que tem em cima de você, sentindo-se estranho entre as calças do pijama de Frank e com uma de suas camisetas.

Cheiram a seu detergente, é uma bobagem se sentir mais tranqüilo por isso, mas o faz.

Avança até ele e murmura, grudado as suas costas, mas sem chegar a tocá-lo "Estava com outro, Frank. Nem sequer havia o segurado e gritado. Só sai correndo. Sou um maricas de merda"

Frank suspira antes suas palavras e se vira, olhando-te de frente.

Espera que pergunte mais, que diga algo sobre sua mulher, sua relação, o cara que estava se dando bem, qualquer coisa, mas ele não o faz.

Te segura pelas bochechas com as mãos e diz:

"Não, não é" e sem mais, como se essa afirmação o dissesse tudo sobre a ordem cósmica, se coloca na ponta dos pés e te beija.

Não é um beijo sujo, nem buscava outra coisa. Tampouco é casto, te lambe a boca com vontade e te obriga a abrir para ele, mas não é exigente. É um beijo de consolo, melhor que um abraço, e mais quente que a melhor das mantas.

Suspira contra ele, e ainda que você deixe ele fazer e o de volta, não acrescenta velocidade nem sequer insiste, só te beija segurando sua bochecha para que não se mova do único lugar em que você quer estar.

E depois se separa de ti e te abraça.

E é mais do que você pode suportar.

Começa a chorar como um neném que você é, porque se sente seguro pela primeira vez em tempos e deixa que Frank te abrace e te toque no cabelo, um pouco úmido ainda, te sussurre coisas, o que seja, você não está ouvindo mas soa bem em sua voz.

Você não sabe quanto tempo passa mas, quando se separa dele, te olha com os olhos inchados, como se houvesse chorado sem que houvesse se dado conta.

"Quero que você fique"

"Não quero ir"

Você sorri bobamente, enquanto vai até a cama e se despe. Não está te pressionando, deixando espaço para você fazer o que tenha que fazer e vê que tira a roupa rápido, deitando-se na cama só com as boxers brancas que usa.

Quando vê que não vai, porque você está parado no meio do caminho olhando-o, vira a cabeça e te olha, levantando os lençóis e batendo ao seu lado.

"Vem" e o diz com a boca, com a mão e com o corpo.

E essa noite você não pode dizer não, porque quando você se coloca lá dentro, ele te abraça forte, se gruda a ele e seu coração palpita por debaixo de sua orelha, deixando-te saber que está vivo, que ele está e que não vai acontecer nada.

"Descanse um pouco, ok?"

E está farto de que não estejam dependente de você, então pela primeira vez, deixa que cuidem de você.

Assente com a cabeça porque sabe que Frank pode te sentir contra a pele dele, e se entrelaça contra ele, pernas, braços, seu rosto contra seu peito nu, respira uma vez, duas, e o cheiro de homem e mel te fazem dormir como um bebê.

E se amanha o sol não saísse, você não ligava;

E se não parasse de chover nunca, melhor.


Notas finais
Até o proximo =^^=