Safe In New York City
5 Here by my side
Notas iniciais
"Here by mi side an angel, here by mi side the devil… never turn you back on me, never turn your back on me again. Here by mi side it’s heaven. Here by my side you are destruction, here by my side a new colour to paint the world"
(Matthew Good – Weapon)
Quando você entra no apartamento Mama não vem te receber e é estranho porque Mama te adora e nunc a, nunca, se você chamar de ir te ver chegar.
E isso te deixa alerta.
Isso e os sons abafados que vem do banheiro.
A casa de Frank não tem paredes, exceto as que separam o banheiro do resto da casa, e isso faz com que os sons cheguem a cada lugar nela com a mesma intensidade.
E isso claramente são gemidos.
Longos, baixos e abafados.
Gemidos de homens, grunhidos suados, nomes como preces mal ditas.
Você se aproxima com o coração na boca e não sabe se havia fechado a porta da rua ou não mas, sinceramente, você não se importa.
Quando chega e abre a porta a cena te golpeia como uma bala a queima roupa.
Você quase pode sentir o cheiro da pólvora e do sangue.
Gabe está fodendo Frank contra os azulejos brancos. Sinais de mordidas sobre as tatuagens e Frank só pede mais.
Ambos estão de costas para você, mas Gabe te ouve e vira a cabeça, te olhando e sorrindo como o filho da puto que ele é.
"Você pensou que aqui estaria salvo, Gerard? Você... Você acreditava?" fala e investe, Frak não te vê não te olha, só suplica por mais, Deus, assim Gabe, porra. "Não há nada que seja seu que não possamos corromper. NADA" e ri.
Riso de palhaço e de filmes de terror.
Riso de pesadelo.
E é justamente isso que te acorda, suando como um porco, o coração quase na ponta da língua, pronto para saltar quando chegar a oportunidade.
Você dá um pulo na cama agarrando-se a primeira coisa que encontra, os lençóis, o colchão, um corpo quente.
"Não, não, não, não. Você não. Por favor, por favor"
Você não é mais do que uma confusão de cabelos, lagrimas, suor e não, não, não, por favor, você também não, Frank.
Não sabe onde está, quase não se lembra, mas então alguém acende a luz e esse alguém é Frank e você quer morrer sem motivo.
Você vai ter.
Vai ter um ataque de pânico aqui e agora.
Pode senti-lo até na ponta dos dedos.
"Shhh, shhhh, tranquilo. Ei, o que houve?"
Frank, cabelos bagunçados, olhos baixos, boxers brancas, e tatuagens de coisas proibidas, te envolve com um braço, sentado na cama, e te deixa a santa benção de seu corpo, para respirar.
Afunda a cabeça em seu ombro e respira, você tenta, de verdade de que sim, mas o sonho, e Gabe sobre sua pele, a pressão no peito não desaparece.
"O que houve? O que era? Conte-me, vamos."
"Eu... Você estava... E ele e... Merda, não, você não Frank, você não... Não posso... Respirar"
E era verdade, apesar de que o ouvia bem, e estava quentinho e sua mão subia e descia por suas costas, como um balsamo tranquilizador, você não consegue respirar.
"Ei, ei, ei me olhe"
Frank se separa um pouco, e te obriga a olha-lo, mas você não está vendo. Sua respiração está a ir para o caralho, Illinois, Iowa, ou saber onde mais, mas o ar não passa em torno dos seus pulmões por muito que você tente, e se está fazendo, você não nota.
Respira, Gerard, respira.
Você está tentando, mas não funciona.
Sua vista está ficando turva um pouco, seu peito sobe e baixa como se estivesse fazendo um esforço incrível, e se Frank está entrando em pânico também você não nota.
"Ei, Gerard, me olha" o faria, mas não o está escutando. Te sacode um pouco e isso capta sua atenção "me escuta, está me escutando bastardo?" você assente com a cabeça, respirando mal, vendo pior ainda, sentindo que suas pernas estão dormindo "quero que você respire e pense em alguma recordação boa, ok? Pense em algum lugar que te faça feliz. Algo tranquilo, uma praia ou uma paisagem bonita, ou alguma dessas merdas..."
E ele continua falando mas, enquanto o faz, seu olhar havia decido por seu corpo e vê seus pombos em sua barriga, e isso é sexy como o demônio. Escuta vagamente, de longe, "algo que te faça feliz" e seus olhos continuam mesclados em suas pombas, pensando se pode coloridas com chupões roxos, e de repente, assim, por esse pensamento estúpido, a respiração regula.
Você consegue centrar sua atenção em algo e nota que a resistência do ar desiste e que pouco a pouco seu peito relaxa e você está mais próximo de ter uma ereção do que desmaiar.
Alguma coisa é alguma coisa.
"Isso. Muito bem, ai está, ai está"
Bagunça seu cabelo, como quem está consolando um cachorrinho.
Quando é capaz de levantar as vistas de sua barriga (baixo, baixo do estomago) você está envergonhado, por muitas razões, mas do que quer admitir.
"Como sabia esse truque?" pergunta com a voz rouca e você parece soar como alguém que acabou de ser violado.
"Minha mãe costumava ter ataques assim as vezes" te sorri, sorriso de consolo "quer me contar?"
Oh Deus, sério que você ia fazer isso? Falar? Pelo amor de Deus, eram homens. Os homens não falam de seus sentimentos, eles tomam cerveja. Dão algumas palmadinhas e se dizem "nah, esqueça" um gole, cigarro "o que preciso é de uma foda"
E sem duvida, quando vai falar, você se encontra dizendo.
"Só era um pesadelo. Você sabe, Lynz e... Ele. Em minha cabeça. A mesma cena uma e outra vez"
Não Lynz, você, VOCÊ, em minha mente, e ele te tocando. TE TOCANDO. Não quero que alguém te toque, ok? Ninguém, meu. ABSOLUTAMENTE MEU.
Você está ficando louco.
Ele só assente e arruma seu cabelo, afastando-o de seu rosto, uma mecha atrás da orelha, se houvesse sido outro esse gesto teria sido muito feminino mas, com ele? Nele dizia sexo com fosflourecente, luzes de neon e até musiquinha.
E quando te dá um beijo no rosto, com a intenção de voltar a apagar a luz, porque deve ser de madrugada e ele quer continuar a dormir, então passa por sua cabeça que você precisa de algo que não entende mas que, claramente, Frank pode te dar.
Você sabe que pode porque havia visto a cara das garotas quando ele as devolve o olhar. Virgens vermelhas, como se houvesse lido seus pecados e houvesse dito "eu posso, eu posso te dar querida, o que acontece é que eu não quero".
Você sabe que ele pode, e esta noite você QUER.
Que vá a merda seus olhares esquivados e seus joguinhos. Que vá a merda os demais, os 'não posso' e os 'tenho medo'. Que vá a merda tudo.
Então antes que ele termine de se afastar de você o segura pelo rosto e o beija. Corta a pouca distancia e o beija, o obrigando a abrir a boca quase com os dentes.
Ele suspira contra você, molhado e escorregadio, o céu. E no começo não se afasta. Deixa que você o explore, língua contra a sua, lento e tocante, e isso quase, quase, te acendendo mais do que se estivessem fodendo. Cada vez que te roça um pouquinho com a língua algo se move em sua barriga, e algo mais em baixo cresce.
É como você suspeitava e enquanto o está beijando pensa 'WOW' e 'MERDA'. Wow porque, sério, esse beijo não tem nada haver com o outro. Este beijo está matando o outro. Mas, merda, porque estaria melhor se ele estivesse continuando o ritmo.
Você está certo de que se fosse Frank que estivesse te beijando, e não ao contrario, você já estaria suplicando em latim, lagrimas de sêmen e espasmos na ponte do pé.
Você sabe, e a certeza de que é assim te faz grunhir contra sua boca e beijar mais agressivo e, vamos Frank, não vou me quebrar porra, vamos, e agora, agora sim, ele não corresponde.
Agora ele se afasta de vez de você e te olha com os olhos nublados "Ei, calma tigre" te diz seriamente, enquanto lambe os lábios, levando com ele sua saliva como se não quisesse que nada de você escapasse. Isso te faz acreditar mais do que deve "não assim Gerard. Está fazendo uma merda"
"Ma..."
"Não, eu digo que NÃO, digo que não agora. Descanse primeiro e depois você me fode o quanto quiser, certo?"
Você assente sem vida porque, valeu, sim, olá? E o que eu faço com ISSO? Mas Frank vira de costas e se deita na cama, movendo-se incomodado porque OBVIAMENTE a boxer havia ficado pequena.
Você suspira audível.
"Maravilhoso"
Ele ri.
"Olhe pelo lado bom, eu te salvei de um desmaio"
Você o olha na escuridão, mas sabe que não adianta muita coisa, ele não VÊ seu olhar assassino e de sexo frustrado.
"Mas eu fiquei com dor no pênis. Que sorte, não?"
"Você vai viver"
"Pois é."
Mas apesar disso Frank é firme em sua negativa e te deixa na cama, sem poder dormir e com vontade de se tocar ao seu lado e gemer seu nome só para que ele se irrite e não aguente de vontade de te comer vivo.
Você vai fazer.
Mas logo cai a fixa do que ele havia dito, agora pensando com o cérebro e não com o pênis, ele se preocupa com você. Se preocupa MUITO contigo.
Você sorri como um débil, manda seu pênis ficar quieto e dorme. Se você tem sonhos ruins essa noite não se lembra.
****
Na manhã seguinte Frank tenta fazer menos ruído possível. Você NOTA pela forma com que ele caminha quase na ponta dos pés e como sussurra para Mama "Sh, já vou, espere neném"
Te faz sorrir contra o travesseiro e você se fundi com a cama, vendo Frank correr de um lado para o outro tentando colocar a coleira em uma Mama mais do que nervosa, que pulava como uma criança de férias.
"Bom dia"
"Ei, está acordado", disse e sorri, e não havia aberto a janela mas a luz faz tudo ao redor reluzir.
"Onde vai?" você pergunta perante ao evidente feito de que cheira a café (Deus, sim, CAFÉ), Frank está vestido, e vai levar Mama com ele.
"Tenho que comprar e pegar algumas coisas, e leva-lá para passear"
"Vou contigo"
E você vai colocar um pé para fora da cama quando se aproxima, deixando o cachorro solto com a coleira movendo e tentando mordê-la.
"Pois não sei com que roupa. Porque não toma banho, vai para casa e pega algumas de suas coisas, heim? Não pode viver sem suas coisas"
Você se esconde em baixo dos lençóis como um garotinho de cinco anos.
"Mentira" o edredom abafa o som "claro que posso"
"Geraaaaaard"
"Tenho dinheiro, vou comprar tudo novo"
É uma desculpa esfarrapada e você não sabe porque não havia pensado nisso antes"
Mas, claro, estamos falando de Frank. Ele sempre, SEMPRE, contra ataca.
"E os quadros?"
...
"Merda"
Ele ri um pouco e você sente quando ele coloca uma mão em seu joelho, por cima da manta.
"Você sabe que tem de ir" e nota como se afasta e o cachorro dá um gritinho de alegria quando o pega nos braços para descer as escadas. O mesmo que você faria, é a reação mais normal seja animal ou humano. Não negue.
"Não quero!"
Você grita mas o barulho da porta quando a fecha antes de sair é a única resposta e MERDA, MERDA, PORRA.
Café. Agora.
****
Você demorou um pouco.
Não é que não quisesse sair do apartamento, é que... Teria que pegar sua roupa de ontem e coloca-lá na secadora e depois voltar a vesti-la.
E para piorar as coisas não havia encontrado sua cueca, então você teve que abrir a gaveta de Frank e pegar uma dele. Branca, pequena, apertada.
Porra, esse garoto se empenha em te dar dor nas bolas.
É isso. Definitivamente é tudo isso, e você também não encontrava o açúcar para o café, o cabelo não ficava onde você queria, o que te obrigou a ir tããão devagar e não é a pouca vontade que você tem de voltar a por um pé em casa.
A possibilidade de cruzar com ela nem sequer te passa pela cabeça, porque dói. Fisicamente dói.
Quando você chega e sobe sente que suas preces foram escutadas porque não há ninguém e você está livre para se mover amplamente. Pega quatro coisas: roupa, mochila, escova de dentes, o celular, as chaves do carro.
Entra no estúdio e pega um par de telas em brancas, o cavalete, os óleos, pinceis. Todo seu material. O que custa um par de viagens até o carro que está estacionado onde você deixou ontem, mas isso não importa.
Você pega tudo e não acredita que a curto prazo você vai sentir falta de algo mais.
Volta o olhar para trás por um segundo, olha para a janela do lugar, o que antes era seu lar, e pensa em todas as coisas que são e nas que poderia ter sido.
E por um segundo não se arrepende de que tudo vá mal, porque, sinceramente, você está bem.
Depois de muito, muito tempo, você está começando a ficar bem.
****
(Três dias depois)
Você está completamente, totalmente, desmedidamente instalado na casa de Frank.
Cozinha em sua cozinha, faz as refeições em seu sofá, toma banho em seu banheiro. Suas coisas estão em suas gavetas, seus armários e sua lavadora.
Na sala o cavalete está ao lado da tv, em branco e com expectativa, sorrindo por seu novo lugar.
E você, você está na cama, de lado, e vendo as vantagens de dormir com um homem em vez de uma mulher.
Nelas você tem que abraçar. Pode imaginar, sentir o cheiro e quase saborear mas, até quando a te toca você não sente. Eles não.
Frank muito menos.
O tem cravado em suas costas, dormindo como um tronco, e com a ereção contra você, quase te agredindo. Você sabe que é normal, nada evitável.
Mas nesse momento todas as duvidas de quando tinha quinze anos, todos os "eu gostaria? Sim ou não?" do mundo se tornam tangíveis.
Não é que você não saiba que gosta de homens (oh, que gracioso), é que você não havia tido tempo para explorar com alguém antes de se apaixonar e se casar e então estava tudo descartado completamente.
Não pode entrar no terreno dos Homens, Manual para Principiantes, primeira parte.
Frank se agarra a você por trás, em sonhos, e murmura algo inteligível contra seu cabelo e você não sabe o que é, mas não se importa, porque avança com o quadril buscando fricção e você quer acorda-lo e convencê-lo de que está bem, não aconteceu nada, te quero porque sim, não como segundo prato.
Você quer, mas prefere esperar.
Não quer que nada estrague isso.
****
Você estão passeando pela rua e a vê.
Não está fazendo nada, só passeia e leva Mama nos braços (ela vai ficar gorda, porque não a deixa caminhar, mas não importa) e Frank faz alguma gracinha sobre isso.
Você ri e então vê que Lynz está ali também.
Um pouco longe, um ou dois quarteirões para lá, mas apesar da gente parece que ela tem um radar e te olha como se perdoasse sua vida.
Olha pra você e logo para Frank, e fica pálida.
Você diz "Merda, vamos"
E Frank a vê.
"Não pode a evitar para sempre"
"Uma merda, claro que posso"
Você havia ficado oprimido DE VERDADE porque ele te segura pela mão, forte, dá a volta e te faz caminhar no sentido contrario de onde ela está.
E não solta sua mão.
Não me solte nunca, pensa, mas não diz porque não quer ser comum.
****
"O que você vai fazer com a galeria?"
A pergunta te pega de surpresa enquanto tenta encontrar o botão para mudar de canal.
Frank te olha com uma sobrancelha levantada (você acha) e espera sua resposta.
"Nada"
"Como nada? Não está em seu nome?"
"Sim, mas não há nada meu ali"
Frank senta ao seu lado e pega o controle debaixo de uma almofada e te dá enquanto ri. Usa essa blusa vermelha com listras pretas, com alguns buracos nas mangas e na gola que está te deixando louco.
Você quer meter a língua neles, e chegar até a pele, e ver se é tão gostosa quanto como cheira.
"Você deveria ir falar com ela"
Solta quando estão á um momento em silêncio, olhando a pele feia de Meg Ryan. Quer se fazer de interessado mas é que o filme é uma MERDA e não tem desculpa.
"Frank, não vou a..."
"Não estou dizendo que a perdoe" te corta "digo que deveria ir vê-la, escuta-la, e ver o que ela tem para dizer"
"Isso não vai solucionar nada"
Você está se comportando como um moleque e sabe disso. Você tem trinta e três, mas é como se tivesse dez.
"O que quiser" diz e agora o bastardo soa emburrado.
O estrupício está chateado CONTIGO porque não faz o que ele quer com SUA vida, sua mulher, e seu casamento. Você tinha que se irritar.
Mas depois o idiota ataca onde dói.
"E o que você vai fazer com os quadros que tem ali, heim? Vai os deixar ali? Porque são seus."
E não pode acreditar que ele está tentando te convencer outra vez com o mesmo argumento.
E você pode acredita muito menos que funcione.
Maldito babaca de merda que te tem comendo na palma da mão.
****
Ceder sempre havia sido normal pra você, e desta vez você cede com razão.
Sabe que Frank está certo, que precisava falar com Lynz, ainda que só seja para passar suas desculpas pela sola do sapato. Sabe que ela merece se explicar, ainda que não sirva de nada, e você não quer fazer as coisas erradas.
Volta para casa e se convencendo a vê-la, preparando-se mentalmente para ser forte e não se quebrar, aguentar o tiro.
Você é a vitima, ela é a vilã, se repete para que não se esqueça, porque as vezes as linhas ficavam borradas e desta vez quer que tudo fique claro.
Mas, por muito que se prepare, quando entra não está preparado para o que vê.
Não há ninguém em casa e pensa "Grande porra, pego minhas merdas e me vou" mas quando vai até o quarto onde seus quadros morrem de tédio, cheios de pó, vê o desastre.
E você acha graça como podem te chutar, te quebrar em mil pedacinhos, não se importa em se recompor, você se colaria com super cola e estaria bem, mas seu quadros, esses não podem tocar,
Se os quebram, se os queimam, se desaparecem uma parte de você se esvai, essa que te diz quem você é, o que faz, para que vive.
E isso você está sentindo agora mesmo quando o quadro de Frank te olha do chão, despedaçado e quebrado, destroçado e convertido em nada.
Sua respiração se torna escassa ao ver que os demais, ao menos vinte, estão iguais.
A FILHA DA PUTA, porque ela já não tem mais nomes, você os tirou. Os havia deixado ali, seu trabalho reduzido a pedaços e estão te olhando desesperado como se perguntasse "Porque você permitiu, Gerard? PORQUE?"
PORQUE VOCÊ É UM IDIOTA. POR ISSO.
Ela te viu.
Te viu com ele e se irritou, se aliviou com suas coisas.
Os nervos em suas garganta se apertando e você está á ponto de se romper outra vez em menos de uma semana.
Você treme, porque não pode fazer outra coisa.
Você não tem a confiança suficiente para pintar outras vez, e também, apagaram a pequena chama que estava se acendendo no final de um caminhos tortuoso, grande e muito escuro.
Te fizeram um merda com isso, e não pode reparar.
Você corre, o carro vai reto na estrada só porque havia entrado na versão automática de você. Treme tanto que os dentes quase se partem e se a água molha suas bochechas você não nota.
É um desastre, você é frágil demais para seu próprio bem e nunca aprende, mas agora mesmo só pode você para casa.
A "casa" que havia se transformado em pouco, pouquíssimo, tempo.
Quando chama Frank fiz "Que tal irm..." mas ele te vê, e quase que deixa cair o que estava entre as mãos para ir te segurar.
Ele se aproxima e fica te olhando com os olhos muito, MUITO, abertos, o verde se diluindo em lagrimas, te agarra pelo braço, porque é o único que tem.
E quase o único que você quer agora.
"Que merda aconteceu?" em sua voz você ouve "me diz, ou arranco seus pulmões" mortalmente sério, menino de Jersey.
"Meus quadros Frank, quebrou todos meus quadros, todos. Não me restou nada"
Você molha o moletom vermelho com as lagrimas e pode ser que esteja choramingando um pouco, mas não se queixa, te segura e abraça tão forte que é difícil respirar.
"Não foi nada Gerard, você pintará mais"
"Não, sim que aconteceu alguma coisa. Sempre..." suspira, respira "ela sempre está fodendo tudo o que quero, sabe? Como se tivesse direito. Eu... Acho que a odeio, porra"
"Shhh" murmura contra seu cabelo e levanta a cabeça, sua boca aberta sobre seu pescoço, quente e úmido com sua respiração. E li está. Volta a aparecer.
Essas vontades estranhas que você tem de se grudar a ele, que não te deixa pensar e acumule tanto sangue da cintura para baixo que seu cérebro se desconecte por falta de abastecimento. Erro no sistema.
Te separa da curva de seu pescoço, e o olha, olhos vidrados, bochechas molhadas, e acredita que vai dizer alguma besteira das suas, quando sobe a boca te planta um beijo.
Lambe as lagrimas do canto dos lábios e te beija, fazendo-as serem engolidas.
"Vem aqui" diz "vem"
E que você vai fazer?
Você vai porque não pode pensar, não quer nem parar para pensar que toda sua carreira como pintor está no chão daquele quarto, destroçado.
Como você.
Deixa que te beije, e te lamba, como um menininho com medo, e sorri contra sua boca porque tem razão. Quando ele beija é melhor. É murmúrios contra seus lábios e "tudo vai ficar bem" e "não aconteceu nada", te lambe como se estivesse arrasando como um vírus, te faz sentir febre por todos os lugares.
Coloca as mãos em baixo de sua camiseta, pedindo permissão, e você se encolhe um pouco porque ele tem as mãos geladas.
Ele interpreta como outra coisa.
"Frias" você diz "suas mãos".
Ele te olha até em baixo. Te olha e coloca AQUELA cara. As sobrancelhas arqueiam e, se fosse um demônio, já teria as pupilas vermelhas.
"Me diga para parar Gerard" ele é menor e sua presença é a maior "me diga agora, porque senão, não irei me controlar."
"Não... Não quero que se controle"
Te gruda na porta, está fria em suas costas, e Frank está tão quente, sua boca aberta em seu pescoço e sua mão te arranhando o peito. Forte e suave as vezes, choques em seu pênis.
"Merda Gerard... Você é tão... Deus" está tão em cima de você que o sente como se o tivesse sobre a pele. Quente, suave e latejando. Cravado em seu quadril, e suas mãos parecem raciocinar pela primeira vez em tempos.
O segura pela cintura e o mantém no lugar.
"Eu quero isso, Frank. Vamos"
"Prometo ser suave, prometo, prometo" uma reza aos seus olhos, uma suplica "não me obrigue a parar, irei morrer, não me pare" não diz, mas você entendeu.
"Não seja suave, não vou partir"
E isso não é muito uma boa ideia, considerando que, afinal de contas, pode ser que você seja MUITO virgem.
"Não sabe o que disse"
E, não, não sabia.
****
Lambidas como estocadas, e você está se partindo no meio.
Os lençóis estão molhados e você não sabe se é de sua saliva ou de seu suor, provavelmente de ambos.
"Ah, Deus, Frank... é... O que?"
O que? O que Frank está fazendo?
Está descendo com a língua, da linha da coluna vertebral até as nadegas, mais para baixo, fechando a boca úmida sobre você. Primeiro um beijo com a boca aberta, molhado e quente, como o corpo de uma mulher, depois uma passada com a ponta da língua e você choraminga contra o travesseiro.
Ele ri contra você e te segura com as mãos, para que não se mova. Te abre um pouco mais as pernas com um joelho e pode sentir que ele está espalmado. O sente contra a coxa, e que senti-lo em mais lugares, mas não se queixa, porque não pode.
Como vai poder se não se lembra nem de como se chama?
"Está bem?" voz rouca, quebrada, obrigado a perguntar.
Você gunhe em resposta e move os quadris. "Não se atreva a mover a boca dali" o diz com o corpo, mas não o diz.
Ele te dá uma mordida em uma nadega como resposta e repete, justamente quando a picada de dor da mordida atravessa sua pele, sente que pressiona um dedo contra você. Respira o deixando entre, centrando-se na sensação de sua boca ao redor dele e não na invasão, isso te deixa bem.
"Vamos, Gee, vamos" quase choraminga impaciente. TÃO ANSIOSO.
Infantil, pensa, sou eu que você está abrindo a entrada.
E quase ouve sua resposta na cabeça.
E sou eu que morre para te foder.
Você não se mostra resistente a isso, nem por um segundo, e quando faz movimento de tesoura contra você, geme tão alto que a cachorra choraminga e vai correndo para a cozinha, se esconder detrás d a mesa.
Você até iria rir mas então Frank toca dentro de você, e se não fosse porque não sente umidade em seu estomago diria que já havia gozado.
Olhos brancos, prazer no baixo ventre e estrelas por detrás das pálpebras. E tem que se mover contra seus dedos porque, de repente, que te fodam o traseiro é o melhor, do melhor, da história. Que Frank o faça transforma tudo estratosférico.
"Porra" é a única coisa que Frank articula, apoiando a cabeça na parte baixa de suas costas e grudando-se mais em você por detrás, buscando fricção, senão iria morrer. "Deus, você está ardendo Gerard. Me aperta e está ardendo, sabia?"
"Cale-se"
Ele ri contra sua pele e quase que faz a sensação dos dedos pior.
Ou melhor.
"Não gosta que eu diga? É verdade. Você está estreito e quente, e estou morrendo para entrar, Gerard. Me diga que posso, porra, me diga que..."
"Vamos" você morde o bíceps porque ele retorce os dedos dentro de você, não os tira nem os move, os DROBRA. "Não vai me fazer mal, vamos"
"Ok, sim, ok" é mais para ele mesmo que para você, para se centrar, e então o ouve se remexer. Gaveta, mesinha. Camisinha, lubrificante.
E apesar das coisas que ele havia dito antes, o "não sabe o que disse, não posso parar" Frank não era nada disso.
Se cobre com o plástico e depois com o liquido frio, com cuidado, e volta a te tatear com os dedos antes de se atrever a se aproximar de você. Se preocupa em não te machucar, e assim com está, é mais do que você pode pedir. Alguém que quer cuidar de você é demais para a merda que você é agora.
Você treme e ele pensa que é porque o lubrificante está frio e não porque algo acaba de encaixar dentro de você como a peça de um puzzle.
"Preparado?"
"vamos, idiota"
Suaviza a tensão e funciona, afinal de contas é seu amigo.
Ri e diz:
"Vamos ver se me insulta agora, imbecil"
Se empurra de uma só vez e não é suave. Não está doendo, mas não para no meio do caminho porque Frank não faz as coisas pela metade, e, até que não esteja enterrado no fundo de seu corpo, não deixa escapar um suspiro e parar.
Pisca um pouco porque você se sente cheio até os olhos, cheio até para respirar, mas Frank não se move, se gruda a você, a barriga e o peito contra suas costas e a boca na nuca.
Ele vai te buscando, sem se mover, só com a boca. O ombro, o pescoço, e com uma mão te obriga a virar a cabeça e olha-lo.
"Ei"
"ei"
"Quer saber de algo?"
Agora? Sério?
"O que?"
Ele rir, e você está olhando o sorriso de um babaca que está te fodendo, e te esquece de resistir. Seu corpo se esquece do intruso e o aceita sem mais.
"Você está quente e está me apertando JUSTAMENTE como havia te falo que faria"
"Bastardo"
"hm hmmm" ele morde o lábios e assente com a cabeça, porque ele também havia sentido que podia se mover e, Deus, coloca a cara de que quer morrer. Ou gozar. Que seja.
Te beija antes de mover os quadris, se retirar lentamente e voltar a entrar com toda a segurança do mundo.
"Deus, sim, isso"
Fala contra sua boca, e o único que sabe é que não quer que ele pare de falar, não quer que pare de colocar essas caras de tortura que ele está fazendo.
Abaixa uma mão e abre mais as pernas, acomodando-se melhor, colocando-se na postura e se colocando justamente onde se pode ver o Cristo e até a Virgem de Macarena.
"aaahh"
"Vamos, Gee, vamos, quero..."
E ele sente que você vai descer a mão para se tocar, mas ele te empurra com um tapa, porque não vai fazer falta, que Deus te ajude, mas não vai fazer falta.
"Não, eu, Deus, não pare"
Apoia o rosto em seu ombro, investe contra você como pistão sobre a maquina, seu rosto suado sobre você e quando o ouve grunhir e choramingar seu nome e, Deus, ou, porra, não importava, está pronto.
Você goza com a sensação de Frank por todas as partes, sua respiração em sua nuca, e seu nome em sua boca como uma suplica.
Você goza como uma descarga, te deixando seco, morto, sem energia, sentindo os músculos de seu corpo se encolher, e pela maneira com que Frank geme e suas investidas perdem o ritmo ele também está sentindo.
Volta a se contrair, esta vez de caso pensado, e Frank murmura "Bastardo, bastardo, bastaar... ahh" mas está escorrendo por isso, se esvaziando em espasmos.
Se deixa cair morto sobre você.
"Hmmm, está pesando."
"Resmungão"
"Anão"
"Antes não se queixava"
"Bebê, antes estava me fodendo" o olha por baixo do cabelo que está grudado em seu rosto e quase te tapa a visão "volta a me foder e pararei de me queixar"
Ele te olha, sobrancelhas arqueadas, olhar liquido, bochechas ardendo pelo esforço.
"Me dê 10 minutos e você vai se arrepender de ter dito isso."
"Dez? Sim, claro"
"Gee, aqui nem todos somos velhotes"
Você abre muito os olhos e pensa, porra, amanha não vou poder andar.
Mas na realidade é que não se importa.
****
Se levanta da cama só porque alguém está chamando insistentemente na porta.
Está nu, GLORIOSAMENTE nu, como sua mãe te trouxe ao mundo, só que com o traseiro aberto, e mais lamentação do que pele.
Tropeça um pouco e vai abrir, quando o faz fica estancado.
"Lynz" diz, voz amarga, e não é porque acabou de levantar.
Ela te olha de cima a baixo de pois para a cama onde Frank dorme tranquilamente, nu, enrolado no lençol e no travesseiro.
Você quer dizer é meu, puta, e não tem o direito de olhar, mas se cala.
"O que quer?"
Não a deixa passar. Ela não pergunta e você não oferece.
"Quero que você volte"
"Isso não vai acontecer"
Dá um passo adiante e você um mais, evitando a todo custo que o toque, Lynz acaba dentro e Frank havia acordado.
"Querido... Eu... Preciso falar contigo, isso não pode continuar assim. Gerard, preciso que volte, preciso de você comigo. Só... Preciso que me perdoe"
E ela está chorando.
Sua voz soa sincera, seu rosto parece sincero, desarrumada, e parece que não havia dormido por muito tempo.
"Por favor... Eu só quero que me escute"
Olha para trás e Frank está te olhando com o cenho franzido e você não sabe o que fazer. Não quer voltar a passar a mesma coisas, mas não quer jogar para o alto algo com mais de 10 anos.
"Voltaria para casa?"
Você está entre duas coisas.
As duas coisas que você mais quer, e as duas que estão te partindo ao meio.
Porra, decidir é uma droga.
Notas finais
https://www.fanfiction.com.br/historia/207317/30_Reglas_Para_Conquistar_Al_Conquistado
Até u_u
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