Produção Independente

25 25. Na bad - Por Cuca


Escutei um estrondo que se assemelhava a louças se espatifando no chão. Despertei ainda grogue de um sonho bom e sabia que dia era: o aniversário de casamento da Lia.

― Ivan, que barulho foi esse? ― escutei a voz de Lia ressoando em algum lugar da casa.

Ninguém respondeu nada.

― Papai tentou levar café da manhã na cama pra mamãe. ― Nathália avisou passando por perto do berço onde Samira dormia feito anjo. Todas as manhãs antes da aula ela vinha visitar a mim e a priminha, trocando a água do meu jarro de cravos. ― Ele tinha pedido pra gente guardar segredo.

― Pelo menos ele não se esqueceu, como no ano passado. — acrescentei.

― O papai é um pouco desastrado, né? — perguntou Nathália pedindo um espaço para se deitar comigo, do jeito que ela gostava de fazer todas as manhãs antes de nos separarmos.

― Um pouco? Desastrado é o nome do meio dele.

Nathália riu.

De pé, era hora de dar bom dia para Samira e sentindo o quanto a fralda estava pesada, não havia dúvidas de que precisava ser trocada. Minha menina facilitava o trabalho sendo muito calma e batendo as perninhas gordinhas na bancada onde os produtos de bebê ficavam à nossa disposição.

― Ninguém pode dizer que você não come bem, Samira... — Nada me dava mais prazer do que beijar os dedos minúsculos de seus pés macios e perfeitos. ― Diga que a “mamã” não te deixa sem comer.

Espiei da sacada do anexo a Lia recolhendo os cacos de louças cuidadosamente com a ajuda de uma pá e colocando dentro de uma caixa de leite vazia na qual vedaria com fita isolante para que os ajudantes de lixeiro não se ferissem.

Ivan teve boas intenções, mas todo mundo que o conhece não nega a natureza desastrada do meu cunhado que pisa em falso, no pé de alguém, bate com o dedo mindinho na quina de algum móvel, quando é o seu dia de secar a louça, a esposa fica com o coração na mão porque no último Natal, ele sem querer querendo quebrou um bule centenário que pertencia a D. Dalva, mãe dele, sogra de Lia, vó dos três porquinhos e também da Samira, pois sempre tratou a minha filha como se fosse sua netinha, assim como a D. Jandira, mãe do Fábio, estava fazendo comigo.

Nathália e eu descemos as escadas para acompanharmos a discussão do casal na cozinha.

Ivan se desculpava a todo instante e Lia seguia calada, observando-o:

― Ivan, meu bem, você se lembrou? ― Lia estava agachada no corredor contabilizando os danos da surpresa amorosa feita por Ivan.

― Sim, Lia. Hoje não é o dia do nosso aniversário de casamento? ― Ele indagou, temendo, talvez, ter errado a data, o que resultaria em consequências desastrosas.

― Sim, é. ― Lia confirmou.

― E, portanto, queria que você não se incomodasse hoje, mas...

― Não tem importância. Eu estou feliz porque você não se esqueceu de que dia é hoje. ― Lia beijava o rosto de Ivan, agradecida. ― Deixe-me limpar essa inhaca antes que as crianças se machuquem.

Ela saiu cantarolando até a área de serviço.

Vinte anos atrás, quando Lia e eu não passávamos de meras adolescentes despreocupadas zapeando os poucos canais de televisão a nossa disposição, nunca imaginei que ela amadureceria tanto a ponto de assumir o posto de irmã mais velha com a firmeza que às vezes me falta.

Eu, Cuca, estou incluída entre as “crianças” e se apertar mais um pouco, Ivan também.

Sentei-me com as crianças para juntos fazermos o desjejum e tão logo souberam que Fábio viria nos visitar que começou a bagunça:

― Por isso a titia anda tão contente... Sabia que era coisa de amor... ― alfinetou Nathália que devia ter ouvido conversas minhas e de Lia sobre o “Dr. Bonitão”.

― A Tia Cuca vai casar e abandonar a gente. ― esperneou Jacques.

― Ela vai levar a Samira embora. ― acrescentou Benício para “apavorar” o irmão caçula.

― Quem disse? ― entrei na conversa assim que engoli o primeiro gole de café.

― Você não está namorando? ― inquiriu Nathália. ― Quem está namorando vai casar.

― Talvez, mas não tão cedo.

― Mas você já é adulta. ― refletiu Benício.

― Sim, eu sou, mas a gente namora pra ver se o casamento vai dar certo. A gente namora quando gosta de alguém, pra ver se tem coisinhas em comum. A gente não precisa ter pressa, o amor é pra sempre.

― Bom dia para os dorminhocos. ― Lia bateu palmas e voltou-se para Nathália. — Quero a senhorita no banho em dois minutos.

― Eu não tenho aula hoje. ― Nathália mentiu.

― O quê? ― Lia franziu o cenho.

― Eu não gosto de matemática, mãe. Por que preciso aprendê-la?

― Porque se você quiser sair da escola, precisa aprender ― Lia a encarou com seriedade. ― Para o banho , senhorita Nathália.

Nathália resmungou, pisou fundo, Lia não cedeu às birras e a menina, rendida, organizou suas roupas e foi para o banheiro.

― E não adianta reclamar, Nathália. Não exijo que seja a primeira da classe, mas desleixo eu não vou tolerar. ― Lia gritou para que Nathália escutasse. Nem parece que vinte anos antes ela era aquela menina moça que teimava com o saudoso Emir por não querer estudar matemática e chegou, inclusive, a ficar muito perto de reprovar a 7ª série.

Lia, como não poderia deixar de ser, foi paparicar a sobrinha e fez um relatório perguntando se dormimos bem, se a filha mais velha fez o dever de casa e se por acaso precisávamos de alguma coisa.

― Ivan e eu vamos jantar fora hoje, Cuca. ― Lia mal podia conter a euforia. ― Você se importaria em tomar conta das crianças hoje, só hoje?

― Com o maior prazer, por que não? ― respondi embalando Samira e sentindo o calor de seu corpinho contra o meu. ― Não é todo dia que vocês completam 11 anos de casados.

― É que me sinto mal por você, irmã.

― Mas por quê? Eu estou completamente bem!

― Sei que não é 100% verdade. ― Lia recusou minhas explicações demagógicas para encobrir minha leve, porém não de todo descartada, depressão pós-parto. ― Sei que você se sente inútil por precisar repousar e não poder lecionar nem passear e me sinto mal por não saber de que modo te ajudar.

― Não precisa se preocupar comigo, Lia. Eu juro que é verdade, que estou bem e vou continuar assim.

― Quando você vem com esse discurso pronto, não sabe o quanto me deixa chateada, Cuca. Mas será possível que você não pense um pouquinho em você? Sei que nunca foi da sua natureza ser egoísta, mas me preocupo demais com o seu silêncio, essa sua mania de se colocar em último plano, sendo psicóloga dos outros e omissa consigo mesma.

― Quando não tenho nada a dizer, o silêncio é um aliado.

― Sei que Samira ainda é muito dependente de você, mas por que não tira uns dias para descansar, amiga? Até a Letícia percebeu que você não está bem. Creio que sua amiga querida não vai gostar de te ver enfraquecida.

Cuidar das crianças era uma delícia. Deixava a televisão ligada na TV Rá Tim Bum ou no Discovery Kids, preparava o jantar de acordo com as orientações de Lia ― nada de “porcarias” durante a semana nem que eles implorassem ―, preparava a mesa, guardava a louça no lugar, colocava a criançada no banho e depois para dormir, tentava deixa-los à vontade sem em nenhum momento perder a autoridade de tia. Feito isso, eu podia relaxar um pouco.

Naquela mesma noite, Nathália havia decidido trazer seu saco de dormir para ficar comigo no anexo e após eu contar algumas historinhas, a mesma já dormia e eu lia sob a luz baixa do abajur, quando Lia me deixou uma mensagem via whatsapp me intimando a arrumar uma pilha de roupas para passar alguns dias fora de casa. A princípio aquele convite era uma loucura total, mas não adiantou argumentar com a caçula, ela estava determinada.

Fábio não havia respondido minha última mensagem de áudio e então descobri a nobre razão disso: Ana Paula Tramontina, sua ex, havia o adicionado e curtido suas postagens mais recentes. Formada em Arquitetura e Urbanismo, o perfil fisionômico de participante de reality show.

Nunca fui de explodir de ciúmes, onde estava com a cabeça?

Sempre fui mais eu ou pelo menos queria acreditar que sim. A fase de patinho feio acabou antes dos dezesseis. Se Fábio fosse um desses devoradores de carcaças, estaria casado com ela, no entanto eles não deram certo. O fato de Ana Paula tê-lo adicionado implicava necessariamente em uma retomada de contato ou tratava-se apenas de uma (infeliz) coincidência?

Não costumo julgar outras mulheres por serem diferentes de mim, nunca quis que ninguém ficasse por perto se não tivesse vontade e se fosse o caso, ainda que com o coração partido, deixaria Fábio ir para onde e com quem quisesse. Não era, de fato, o meu desejo da alma.

Angustiada, temi de verdade que Fábio Duarte Aragão preferisse retomar relações com sua antiga noiva e meus olhos cheios de lágrimas não souberam disfarçar o medo. Eu tinha uma filha de outro homem, ele era livre.

Aborrecida, ignorei quando a mensagem dele chegou. Depois de alguns minutos respondi-o a contragosto e ele, nada bobo, me telefonou e eu saí até o quintal atendê-lo.

― Cuca, você se chateou com alguma coisa que eu fiz? ― insistiu ele externando na voz a exaustão de uma impiedosa jornada de trabalho.

― Só quero que você seja feliz. ― declarei impulsivamente.

― Contigo eu tenho me sentido muito feliz, meu amor. ― Fábio completou parecendo verdadeiramente preocupado com o meu (repentino) surto.

― A Ana Paula pode te fazer feliz também.

― Do que você está falando?

― É isso mesmo, Fábio. ― respirei fundo para acabar com aquela situação de uma vez por todas. ― Eu já sei que você e a Ana Paula viveram um bom tempo juntos, que existia algo mal resolvido entre vocês... Tudo bem, eu compreendo. Ela te adicionou, vocês estão livres para se entender e eu aqui não quero me intrometer no final feliz de vocês. Adeus!

Desliguei o telefone e considerei repensar o convite de Lia. Samira já está com quatro meses e meio, suportaria uma viagem, aliás, a primeira de toda a sua vida, não menos importante, nossa primeira viagem juntas.

― Cuca, eu não acredito que você terminou tudo com o Dr. Bonitão por causa de ciúmes! ― Lia dirigia atenta às placas de sinalização sem deixar de me dar bronca pelo vidro retrovisor.

― Eu não quero atrapalhar o final feliz de ninguém. ― respondi observando Samira dormir tranquilamente em seu bebê conforto.

― Está colocando em risco o seu próprio final feliz. ― Lia resmungou feito uma mãe obstinada a corrigir sua filha adolescente e impulsiva.

― Ele adicionou a ex-noiva, Lia. ― retruquei esperando que ela me revelasse que Fábio Duarte Aragão era o maior canalha que já havia colocado os pés na terra dos viventes.

― E daí?

― E daí que ele deve ter algo mal resolvido com ela. Ou seja, ele só estava se divertindo comigo e agora vai poder ser feliz com a Panicat Arquiteta.

― Não me diga que está com ciúmes da Ana Paula? ― Minha irmã caçula fazia graça da situação.

― Eu? ― dei de ombros. ― Bem capaz!

― Então por que terminou tudo com ele? ― Lia fez a pergunta de meio milhão de dólares.

― Para deixar o caminho dele livre para que fique com ela. ― respondi com aspereza.

― O Herbert te fez de gato e sapato a vida inteira e você perdoou tudo. Não posso acreditar que vai jogar fora um futuro ao lado do Fábio por causa de ciúme ridículo. É sério, Cuca, eu não estou te entendendo! O Fábio é um bom homem. Eu naturalmente discordaria do seu cupido, mas dessa vez eu faço minhas saudações, pois você escolheu bem.

― Lia, eu sou o tipo de pessoa que nasceu para ficar sozinha e não quero lutar contra isso.

― Essa crença estúpida foi algo que você colocou na sua cabeça para aceitar as imbecilidades que o Herbert fez, mas não é a verdade.

― Não se trata de uma crença estúpida.

― Cuca, eu compreendo e concordo que nossa vida não gira em torno de um relacionamento, porque se nosso relacionamento conosco não for dos melhores, nunca poderemos ser o suficiente para alguém, mas você se pune por algo que não tem culpa.

― Eu nunca dei certo com ninguém.

― Você não deu certo com o Rogério porque ele era um troglodita imbecil, o Victor Hugo morreu e mesmo se tivesse vivido, quem garante que vocês teriam sido felizes se ele ao mesmo tempo em que gostava de você também desejava outras pessoas? Nem falo o que acho do Herbert porque você não sabe o quanto eu rezei para que você se esquecesse dele. Juro que não estou fazendo pressão porque sei que essa decisão cabe a você tomar. Buscar o que te faz feliz.

― E ser feliz não é poupar problemas?

― Você foge de si mesma, Cuca. Como pode acreditar que é feliz?

― Sou feliz do meu jeito, já que não se pode ter tudo nessa vida.

― Mais importante que ter e sabe você muito bem que é ser. Você sofre porque vive entre esse dilema, não permite que o Fábio se aproxime e te mostre que existem homens dispostos a nos amar. Ivan me mostrou para mim e agora é a vez de o Fábio te mostrar que, sim, ele te ama, e quem ama não desiste no primeiro obstáculo. ― Ela suspirou alto, inspirando e expirando com profundidade. ― Eu não deixaria aquele destrambelhado do Ivan tomando conta das crianças se não fosse de extrema importância, minha irmã. Já faz anos que estou querendo ter essa conversa com você e não encontro as palavras mais adequadas.

Lia parou o carro no estacionamento de um restaurante.

― Como pode um homem amar uma mulher que é mãe de um filho que não é seu?

― Não acredito que está regredindo, Cuca. O que há?

― O que há é que não estou suportando suas investidas.

― Eu só estou tentando te mostrar à verdade. Se você se chateia comigo é porque apesar do orgulho sabe que estou com a razão.

― Você quer falar por mim e eu odeio isso. ― tirei o cinto de segurança, destranquei a porta, bati-a com força e me retirei. Lia tentou me seguir, mas me perdeu de vista.

Pelo acostamento da estrada caminhei trotando, detestando ter uma irmã tão atrevida quanto a Lia poderia ser quando queria.

O perímetro urbano daquela cidade começava por ali e pude ver que as folhas secas caídas por todos os cantos entonavam uma melancolia singular, brevemente ligada às estações mais frias. Crianças pequenas saíam da escola de mãos dadas com os pais, vans estacionadas recolhiam os pequenos cujos responsáveis não podiam comparecer do jeito que certamente gostariam. Um festival de cores e vozes ressoando contentes. Um aperto no peito me tocou tanto. Eu sentia tanta falta da minha (antiga) rotina, de preparar as aulas e manter-me antenada nos assuntos atuais para contextualizar em classe. Não negava o milagre que o nascimento de Samira representava, entretanto, a dor de estar afastada era maior até mesmo que o meu direito de descansar.

Pisando no cascalho que compunha o parquinho ali por perto me lembrei de quando comecei a estagiar, ainda na década de 1990, da minha alegria ao supervisionar os pequeninos dando asas aos seus sonhos. Um balanço para três lugares o qual sempre vivia lotado ― eles brigavam para disputar a vez; escorregador, gangorra, disco voador, trepa-trepa, aqueles mesmos brinquedos que eu também amava me divertir quando era do tamanho deles.

Estando o local vazio, alisei com carinho as correntes do balanço, pensando no quanto eu me sentia pelos ares quando papai me empurrava e eu sem medo do perigo levantava um dos braços gritando para que ele me levasse aos céus. Sentei-me no assento amadeirado e deslizei para frente e para trás, distinguindo se no fim das contas eu tinha saudade de mim mesma, da Cuca que já não era mais, se perdi algo que me fez falta e o mais importante: se poderia recuperar. Se for nosso nunca se perde. Se não for, chama-se livramento. Numa dessas, indo de uma parte a outra, sobrepondo qualquer um, não olhei para mim e me perguntei se era feliz ou se aprendi a mentir tanto a ponto de não saber o que é real.

A minha primeira crise depressiva deu-se quando perdi meu pai e passei vários meses em estado de profundo pesar, sendo inspirada a me reerguer graças a Lia, ao Victor Hugo e aos meus outros companheiros de faculdade. A segunda foi culminada pela perda do meu melhor amigo e dessa vez eu precisei de tratamento médico para vencer a própria dor e dar continuidade aos meus sonhos, mas não foi nada fácil, até porque ele tinha razão em me apelidar de Senhorita Filofobia. Para quem não sabe, filofobia, em uma explicação mais superficial seria o medo de se apaixonar.

Espere aí, tem gente que sofre disso?

Ah! Como tem. E eu me reconheço entre esses sofredores anônimos. A psicologia por enquanto não tem muitos pareceres a respeito desse tema e ainda sinto um pouco de vergonha de admitir que desenvolvi essa síndrome depois de terminar aquele relacionamento doentio com o Rogério Braga.

O portador da filofobia apresenta os mesmos sintomas de pânico quando um “predador” em potencial se aproxima. Medo irracional de simplesmente olhar nos olhos, uma coisa simples, por exemplo. Perder o controle das próprias emoções, em consequência temer a rejeição, tratando o envolvimento com alguém a uma ameaça de vida ou morte. Devo ter aprendido a sofrer em silêncio com vergonha da minha angústia para escondê-la e deixar as coisas chegarem ao estágio que alcançaram, a ponto de encontrar o motivo mais fútil do mundo para convencer Fábio a desencanar e me convencer também a odiá-lo, o que doeria em dobro por amá-lo mais do que tudo no mundo, tanto quanto eu poderia me amar. Se por um lado o retorno de Ana Paula facilitava a separação, por outro doía porque eu queria tanto estar errada.

Se eu me amo de verdade, por que estou me machucando?

Essa pergunta dependia somente de mim para ser devidamente aprofundada e esclarecida, ainda que pela metade.

Era tão difícil assim aceitar que Fábio me amava do jeito que eu era?

Dizer eu te amo a ele não me faz menos feminista nem menos mulher nem uma criatura odiável, inferior ao extremo, digna de piedade. O amor que Fábio me dava era, sem dúvida, tudo o que eu menos esperava e tão bem me fazia, apesar de eu demonstrar estritamente o contrário. Aliviava as minhas certezas.

Meu medo agressivo significava um ato de defesa contra coisa alguma?

Calmamente analisando, comportei-me com mais infantilidade que minha sobrinha Nathália e reconhecer essa ideia não me alegrou nem um pouco.