Produção Independente
26 26. Debutante - Por Letícia
Após o Show de Talentos, nossa escola por pressão do sindicato aderiu à greve que já se estendia havia quase dois meses e, portanto, nós alunos ficamos sem aulas.
Após o lastimável 29 de abril, muitos outros sindicatos de professores ao redor do país passaram a declarar apoio total ao movimento dos docentes acampados na Assembleia Legislativa e ainda que a grande mídia tentasse demonizar a causa e tratar os manifestantes como vagabundos e baderneiros, lá estavam eles, firmes e fortes como nunca, muito mais fortes que robôs de teleprompter e falsos moralistas fingindo que governavam para o povo.
Para não perder o ritmo de estudo, Cuca me sugeriu que investisse nas vídeo-aulas disponíveis em plataformas na internet. Disse-me ela que quem estuda a distância aprende a ter a mesma disciplina exigida no mundo acadêmico que não nos avalia apenas por números, mas pela autonomia de “correr atrás” do conteúdo, ser curioso, ávido por aprender. Confesso que não gostava muito de acompanhar química e física, porém não tinha escolha, ainda não estava na faculdade para estudar apenas as disciplinas necessárias para progredir na minha (futura) área de atuação.
Meus pais chegaram a cogitar a transferência para alguma escola privada cuja mensalidade não desfalcasse o orçamento mensal, no entanto nenhuma me aceitou por não ter nota bimestral. Eles seguiam preocupados com o impasse entre governo e sindicato, ainda que a pressão popular a favor dos professores estivesse bastante grande depois da barbárie do sangrento “29 de abril”.
Naquele entremeio completei quinze outonos e embora antigamente até tenha cogitado a festa de debutante, à medida que cresci um pouquinho mais e analisei a realidade, dispensei gastos desnecessários, concordando em jantar com os meus pais e avós em casa e tratar aquele dia como se fosse qualquer outro. Um bolo, doces, salgados e alguns pacotes de presentes.
Marcela me convidou para dar uma volta no shopping na parte da tarde, um “programa entre amigas”. Fazia muito tempo que eu não saía com ela e apesar das minhas expectativas de me divertir um pouco, fazer hora no dia do meu aniversário foi desconcertante, parecia que eu estava dialogando com uma estranha, com alguém que nunca tinha feito parte da minha vida, que nem queria fazer. Eu me sentia como se estivesse falando sozinha. Era estranho que falasse tão mal das gêmeas e ainda fosse uma das maiores bajuladoras delas, dizendo que “ninguém tinha nada contra mim” e até sentiam a minha falta.
Voltamos para casa lá pelas seis e meia da tarde e quem abriu a porta de casa para mim foi a Cuca que me deu um abraço bem apertado de feliz aniversário. Estavam lá: Lia, Ivan, a pequena Samira, os três sobrinhos da minha professora, Sarah e os amigos, meus avós, meus pais e a Marcela que ficou de olho no Bruninho, surpresa tão maior que ganhar uma festa-surpresa.
Dez minutos depois de ser cumprimentada por todos, foi à vez de conhecer pessoalmente aquele homem que fazia o coração da Cuca bater mais forte, o Dr. Fábio Aragão ou Dr. Bonitão (para os mais chegados).
― É você a pequena Letícia? ― inquiriu ele, animadíssimo.
― Pequena só de tamanho. ― respondi exultante. Ele era realmente muito bonito.
Dava para perceber nos olhos dele e de Cuca a ligação celestial que havia entre eles.
Além do mais, mamãe e ela encontraram muitas afinidades por terem sido mães aos trinta e poucos anos e gostarem de The Smiths, U2, Annie Lennox, Pretenders, dentre outros clássicos.
Marcela estava sentada no sofá sem desgrudar do smartphone, como se lhe fosse uma obrigação ter comparecido ao meu aniversário, com Sarah a mesma coisa. Os meninos ainda conversavam entre si, descontraídos. Eu por minha vez convidei os sobrinhos da Cuca para brincarem comigo no quintal e quando vi o Bruninho se aproximando continuei brincando de bola com os pequenos sem me abalar.
― Oi! ― acenou ele perguntando se poderia brincar conosco.
Os outros adolescentes vieram depois somente porque algum adulto deve tê-los advertido de não interagirem com os demais.
A Sarah era legalzinha, só que muitas postagens dela na internet me magoavam. Pessoalmente ela era uma coisa, virtualmente, outra.
Uma foto de chocolate ou de uma fatia de pizza no Instagram tinha que obrigatoriamente conter a tag gordice como se o ato de se alimentar fosse algo digno de punição e repulsa, idolatrando qualquer moça que tivesse barriga seca. Ela queria bancar à politicamente correta desmerecendo todos os livros que eu lia asseverando veementemente que literatura só prestava de 1950 pra baixo ― ainda que sua estante no quarto e o próprio perfil do Wattpad e Skoob desmentissem essa afirmação, fazendo com que eu me sentisse péssima pelo meu gosto, por ser do jeito que era, por não ser o que supostamente seria o “certo”, porque se de um lado meus antigos amigos admitissem não gostar de ler, as garotas que liam se tornavam arrogantes por criticarem excessivamente tudo levando as resenhas para o lado pessoal e as comentaristas dos blogs em sua maioria sem senso crítico para contestarem pareciam vacas de presépio concordando com tudo sem o mínimo de talento para refutarem as ideias de um escritor que não as agradou porque não teria um casal para elas “shipparem”.
Eu não me encaixava nem no meu próprio mundo, o das leituras.
O primeiro livro que li inteirinho foi Fala sério mãe, da Thalita Rebouças, lá pelos nove anos de idade. Dei tantas gargalhadas com a Malu e a mãe dela, a inigualável Ângela Cristina, tanto é que meus pais no Dia das Crianças me ajudaram a completar a coleção, aí parti para a série do Diário de um Banana a qual eu reli de tanto que gostei, porém a obra que me fez pensar de verdade que poderia escrever foi A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga. Identifiquei-me bastante com a Raquel e não encontrei uma única resenha digna nos blogs “literários”.
― Você gosta de jogar vôlei? ― indaguei Bruninho.
― Claro. ― respondeu ele pegando a bola jogada por Jacques na direção dele.
― Tem uma pergunta que eu quero te fazer... Você se importa?
― Deviam ter te avisado que essa festa não seria nenhuma balada com Red Bull e muita pegação, até porque já dá para perceber que eu não sou popular.
― Não, Lelê, isso não importa pra mim...
― Será?
― Eu não julgo as pessoas por popularidade.
― Mas você é popular. Você tem um montão de amigos, todo mundo gosta de você.
— Você sabe que não é verdade.
— Quem não quereria estar na sua festa de aniversário?
— Não sou aqueles metidos que você conhece, não. Posso ter um monte de conhecidos, sim, mas amigos verdadeiros são bem poucos.
― Não precisa fazer social se não quiser. Não vou ficar nem um pouco magoada.
― Você tem amigos legais, Letícia. Eu nem sabia que você era amiga do meu tio.
― O Dr. Fábio Aragão é seu tio?
― Sim. ― assentiu ele.
― Como esse mundo é pequeno! ― brinquei.
— E a propósito nós somos amigos, não somos?
Marcela e Sarah estavam fotografando aquele momento com as crianças só para postarem textão nas redes sociais falando da importância de brincar com os pequenos e blábláblá, puro moralismo barato e sem fundamento, mesmo que na vida real não tivessem paciência com os meios-irmãos e nem com os cachorros fofinhos a quem abraçavam nas selfies.
Aquilo me dava um nojo tão grande. Todo mundo querendo fazer parecer que é legal, vendendo uma farsa com embelezador de selfies. Que patético!
Bruninho e eu nos sentamos no gramado. Não comentamos nada sobre a nossa ficada naquela festa das férias, até parecia fazer parte de um tempo longínquo no calendário, como ele também não falou de estar namorando ninguém. Surpreendi-me que tenhamos passado todo aquele tempo juntos sem que ambos olhássemos para nossos smartphones.
Voltamos para dentro a fim de cantarmos os parabéns muito mais porque meus pais insistiram. Eu me encabulava por ser o centro das atenções, mas me sentia pessoalmente feliz por ver que meus pais haviam feito amizade com Lia, Cuca, Ivan e Fábio Aragão, que após a comilança os homens montariam um time para jogar truco, foi só por isso que Bruninho me deixou de lado porque Frederico e Teodoro também quiseram participar.
Pensei que teria o triunfo de fazer Marcela experimentar a dor de ser excluída, porém ela estava conversando com a Sarah como se fossem velhas companheiras e eu simplesmente não existisse. A amiga da praia não tardaria a ser tornar mais outra a me tratar como se eu fosse uma aberração.
Marcela era o tipo que acendia uma vela para Deus e outra para o diabo.
― D. Márcia, o que é que você usa para fazer esse recheio divino? ― perguntou Cuca, deliciando-se com o bolo xadrez com uma camada de beijinho e outra de brigadeiro, segredo culinário de mamãe.
Lia também se interessou pela receita e falou sobre a D. Dalva, a sogra dela.
Quem puxou conversa comigo como se eu fosse sua melhor amiga foi o Fábio Aragão, uma vez que papai e Ivan estavam discutindo sobre futebol.
― Não sabia que você era amiga do Bruninho.
― E nem eu que ele tinha um tio tão legal.
― Eu sou um tio legal? ― exultou Fábio, modesto.
― Pelo menos é o que ele diz por aí!
Fábio Aragão comentou comigo que Cuca me estimava como se eu fosse sua própria filha, que acreditava muito no meu potencial e ele disse que na escola também não era a figura mais carismática, mas sobreviveu ao Ensino Médio porque as melhores coisas da vida geralmente acontecem depois que saímos da adolescência.
Nos vinte minutos em que dialogamos antes de Vô Pepe anunciar a partida de truco, o namorado da Cuca não falou um único minuto sobre seus feitos, não se enalteceu, ouviu com muito carinho tudo o que eu dizia, logo ele que sendo médico poderia exigir toda a atenção só para si e me desprezar impetuosamente, como fazia a Sarah mesmo não sendo melhor do que eu em absolutamente nada.
Cuca Magalhães realmente tirou a sorte grande. O príncipe dela demorou, mas a encontrou.
As meninas tinham que fotografar tudo, enchendo os pratos de brigadeiros e falando tanto “que gorda”, “gordice” que me deu vontade de falar uns bons palavrões, mas me contive, afinal, usei o pretexto de ajudar as mulheres mais velhas na cozinha só para me livrar daqueles insultos idiotas, ainda que as adultas pensassem que eu estaria bem melhor em companhia de gente da minha idade.
― O vovô queria te dar um cachorrinho, mas a cachorrinha do meu amigo ainda não deu cria. ― Vovô estava comigo em seu colo depois que todos os convidados foram embora.
― Não temos espaço para um cão nessa casa. ― contrapôs mamãe.
― Letícia merece. ― Vó Rita acrescentou: ― Está indo bem na escola, é uma menina ajuizada e responsável. Um cão será uma ótima companhia. E assim que a cachorrinha der cria um filhote já é seu.
Mamãe fazia gestos para que eu recusasse a oferta.
― Aprenda a aceitar presentes. ― Vovô lançou uma indireta para mamãe, cujas expressões indicavam que não teríamos cachorros em nossa casa.
― Letícia precisa conversar com meninas da idade dela. ― Mamãe voltou a argumentar.
― Muitas dessas menininhas não têm nada na cabeça. ― Papai contrariou mamãe. ― Eu prefiro que ela seja amiga dessa professora que tem caráter do que esteja por aí em má companhia fazendo o que não presta.
― Cuca é uma pessoa maravilhosa, não tenho dúvida disso, mas não substitui o contato com as meninas da idade.
― Antes amiga de uma professora que pelo menos faz a menina ter bons objetivos a estar numa panelinha que leva para o mau caminho. ― Ricardo era sempre muito sensato.
❣
Governo e sindicato entraram em acordo alguns dias depois do meu aniversário. Pressionado, o governador retirou o pacote de maldades das pautas de votação da Câmara dos Deputados dando a desculpa de que “discutiria” com a população, mas começava aí uma época de reposições que nos obrigaria a ter aulas aos sábados e feriados, o que não poderia ser pior para mim.
Antes de a greve interromper as aulas, a minha turma estava aturável, eu tinha com quem andar nos intervalos e apesar das aulas chatas da Marinete estava bem, mas meu dito inferno astral voltou porque as gêmeas Flora e Flávia (mal de nota) transferiram-se para o turno matutino e adivinhem só: caíram na minha sala.
Tudo mudou da água para o vinho.
As pessoas com quem eu conversava me olhavam com certo desdém e tratavam as gêmeas como se elas fossem celebridades que vinham para a escola a fim de serem plenamente admiradas. Meu inferno recomeçou, para a minha profunda tristeza.
Não poderia esperar que os meninos ignorassem a presença de Flora e Flávia, pois de repente todos estavam apaixonadinhos por elas e me tratando como se eu fosse uma filha bastarda do Frankenstein. Antes fosse só o mau gosto por garotas. Eu me tornei (de novo) o alvo preferido deles, voltando a ser chamada de Vandinha Addams, queridinha da professora, encalhada, etc.
Dessa vez eu não tinha mais a Cuca para me aconselhar, me proteger. No intervalo eu me escondia na biblioteca quase espremida entre as estantes de livros e nem assim não estava segura, eles sempre me encontravam e se propunham a me humilhar em público dizendo que devia mesmo ler muito porque seria solteirona e fracassada.
Marcela inventou calúnias horríveis sobre o meu aniversário para a turma, dizendo que meus pais saíram distribuindo dinheiro para estranhos a fim de que todos se passassem por meus conhecidos, falou com nojo de uma sopa de repolho que ninguém serviu, nem parecia aquela que comeu um monte de brigadeiros e foi levada até a porta de casa por papai.
― Nossa, que fracassada! ― debochou Flora, atrás de mim. ― Fazer festa pra não ter quem convidar. Não se toca. Imagino a tortura que deve ter sido, mas já que os pais dela pagaram para o povão ir, pelo menos tinha nenhum gatinho?
― Só tinha velho na festa, Flora. Só velho falando de doença, assunto de velho, mó chatice... ― resmungou Marcela fazendo de propósito na aula da Marinete que via aquilo tudo e nunca se manifestava ironizando que “na turma tinha gente que não sabia levar as coisas na brincadeira”, mas e quando essa suposta brincadeira ofende e humilha? Suponho que não seja motivo para rir, certo?
― Eu não ia nem que me pagassem. ― concordou Flávia.
― A Cuca foi à festa por dó. Todo mundo sabe disso. ― riu Flora.
― Não acredito que o único gatinho da festa comeu sopa de repolho. Ele é um santo! ― gemeu Marcela que estava recalcada porque apesar de ter se insinuado para Bruninho, não foi correspondida. Quando não estava jogando truco com os outros homens, vinha conversar comigo como se eu fosse sua amiga de infância.
― Esse gatinho é solteiro? ― inquiriu Flávia. ― Será que eu faria o tipo dele?
― Se não fizer seu tipo, deve gostar de homem. ― bajulou Marcela ao lado de outras meninas que concordavam porque aquelas alturas as gêmeas já haviam se popularizado e tudo o que elas falavam e faziam virava opinião séria numa rapidez assustadora.
As gêmeas acharam o perfil do facebook de Bruninho e o adicionaram.
Depois, ninguém entendia por que eu preferia andar com crianças e idosos, com a minha professora de trinta e sete anos.
Por assim dizer, Benício, Jacques e Natália me ensinaram muito sobre eles mesmos, a respeitar a individualidade de cada um e me divertir com todos sem excluir nenhum. Estávamos quites e poderíamos brincar sem recriminações. Jogávamos cartas e eu às vezes deixava o pequeno Jacques ganhar, convencia Nathália a não perder a paciência com ele, ia me lembrando de aos poucos de quando eu também era pequenininha que nem eles, embora quando estava com a idade da mais velha já estivesse deixando de lado as bonecas para me aventurar com os aparelhos eletrônicos.
Nathália estudava em uma instituição privada, mas não queria voltar das férias de julho e começava a chorar quando Cuca comentava a respeito:
― A escola é uma droga e eu odeio ir. ― protestou ela.
― Tudo isso por causa da matemática? ― brincou Cuca, sabendo que o motivo era muito mais sério do que os números no caderno de folhas quadriculadas.
― Tudo isso porque eu não aguento ser chamada de baleia loira todo dia.
― As crianças te chamam de baleia? ― perguntei.
― Ninguém gosta de brincar comigo e pra piorar tudo, além de baleia, sou burra também. ―Nathália limpava o nariz na barra da blusa do pijama.
― Você não é burra, Nathália. ― Cuca se sentou ao lado de mim e da sobrinha, chamando-nos para um abraço: ―Você é alguém que não acredita em si mesma.
― Ninguém me leva a sério. ― chorou Nathália.
― Você tem que se levar a sério, Nathy.
Cuca e eu nos entreolhamos.
Eu não era nada diferente da Nathália quando tinha a idade dela.
No primário por mais que eu tivesse uma lancheira bonita da moda, um estojo cheio de lápis de cor e canetinhas, trouxesse lanche gostoso e tentasse gostar do que as outras meninas gostavam, ainda assim elas não me aceitavam, parecia que faltava algo e eu nunca soube o que era.
Todos os grupos estavam fechados demais para abrirem uma exceção, talvez porque havia um limite de pessoas que devessem entrar nele ou simplesmente porque eu não era bem-vinda.
No mundo muita gente se sente assim e só conta depois que consegue abstrair essa ferida de rejeição que é aberta tão cedo, logo quando dizem os mais velhos que a vida ainda nos é tão boa, não exatamente para todos. Não existe época para começar a sofrer, existe sofrimento que não escolhe gente nem idade, surge e pronto, tem de ser encarado.
― Como é que você aguenta tudo isso? ― perguntou a garotinha.
― Eu acredito que tudo vai melhorar um dia. ― dei de ombros também falando isso a mim mesma. ― A gente tem que pelo menos manter acesa a chama da esperança, acreditar que coisas boas tão por vir ou então que graça teria viver?
Pus uma das mãos nos ombros de Nathália e nós passamos o resto da noite lendo juntas. Dali em diante tornamo-nos primas, pelo menos assim ela me considerava, já que nós não tínhamos primas das respectivas faixas etárias.
O pior ainda estava por vir.
As gêmeas que nunca escreveram um único poema na vida descobriram um aplicativo em que os usuários podiam publicar seus escritos no mesmo formato de um livro e decidiram se tornar “escritoras”. Todo mundo da turma aderiu à modinha delas que se já se sentiam celebridades por ser “bonitas”, estavam metidas o dobro por pensarem que implorar estrelinhas dos outros postando frases ridículas fazia delas talentos da literatura.
Comecei a sofrer bullying no site também, uma vez que as gêmeas criaram um grupo no whatsapp para divulgarem o “trabalho” delas e o endereço dos meus escritos para que os usuários me xingassem sem trégua. De feiosa, gorda, fracassada, burra, mal amada, dentre outros adjetivos nada meigos.
Davi nunca venceria Golias.
O próprio mundo da escrita me expulsava dele. Não contava mais o talento e a dedicação como na época dos grandes autores, mas o número de seguidores, de estrelinhas, o conteúdo apelativo, os malditos “ks” que envaidecem os simples mortais e os fazem pensar que são superiores aos demais.
O bullying era uma organização muito bem estruturada, eu era por mim, a minoria massacrada sem chance de defesa.
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