Predestined Love
3 Os outros
Notas iniciais
Corri para fora de casa e olhei para um lado, para o outro... Nada. Olhei para minha casa, nenhum movimento estranho. Mas que grito foi esse? Olhei para Kathe, que me olhava com olhos preocupados.
– Por favor, digam que também escutaram! -pedi. Eles fizeram que não com a cabeça.
– Os gritos começaram. -afirmou Conan.
– Como assim? Só eu escutei? Isso é normal?
– Não. Nada é normal em relação a você. -dessa vez Kathe que falou. — Os gritos são como um despertar pra você, assim como outras coisas que virão a acontecer, não se assuste se tiver um flash do nada, ou ouvir vozes cochichando no seu ouvido, apenas concentre-se e tente expandir isso para fora de você, para irem embora.
– E como eu faço isso? -perguntei.
– É ai que começa o treinamento e por enquanto só nós dois vamos treinar você. Aos poucos os outros irão chegar e ficará mais complicado, mas também mais simples.
– Quem são esses outros que você tanto fala?
– Pense Nila! São outros como nós, e todos nós temos a missão de treinar você, deixar você forte o bastante para resistir... -falou Conan.
– Chega por hoje! -Kathe o interrompeu.
– Não, agora eu quero saber! À que tenho que resistir?
– Não podemos lhe contar agora. Terá a hora certa de falar. Se acalme Ny, vá pra casa e descanse. Não irá ter pesadelos esta noite, Conan cuidou disso pra você. -ela sorriu carinhosa e me abraçou. Abracei Conan e fui para casa sem protestar.
(...)
– Podemos participar da sua conversa com a senhorita Benlock, senhorita Bloom?
– Pode continuar a aula professora, a gente já está acabando a conversa. — as pessoas riram. Conan, que estava do meu lado, me enviou um papelzinho.
– Por acaso quer ir para a secretaria, senhorita Bloom?
– Acalme os nervos professora, continua a aula ai que elas já acabaram a conversa. — nesse momento a professora ficou sem expressão e virou para o quadro continuando a escrever a matéria.
– Maluco! -falei e Kathe e ele riram.
Senti que alguém me olhava. Olhei para o lado de canto de olho, e vi um garoto me encarando, acho que seu nome é Braden, cabelo louro escuro, olhos verdes, sua pele tão branca quanto a minha, logo deduzi que era um de nós, ou não.
Logo ouvimos o sinal, fomos para o refeitório. Sentamos os três numa mesa e começamos a conversar. Até que eu e Kathe percebemos que Conan estava atônito olhando para uma direção, seguindo seu olhar, vimos uma menina morena de cabelos escuros e cacheados de costas, então tive um flash...
"Eu andava sobre gigantescas pedras de mármore indo em direção a um castelo, percebi que estava em outra época, eu estava de vestido longo e cabelos presos com alguns fios soltos, parecia uma princesa, mas descalça. Então vejo uma mulher aparecer em meio a estilhaços, me assustando e fazendo-me dar um passo pra trás. Logo depois da tal mulher vi uma menina com mais ou menos minha idade, pele morena, olhos verdes tão claros que pareciam quase transparentes, cabelos negros e cacheados. Então começa a andar em minha direção..."
Dei um suspiro alto e longo, fazendo todos olharem para mim, odeio quando tenho flash’s principalmente no final, pois acontece isso! Senti uma mão ao meu ombro, olhei ao lado e vi o garoto que me encarava na sala, Braden.
– Todos na minha casa depois da aula, isso inclui você... Benedit. — a garota olhou para trás.
É... Os outros estão chegando mais rápido do que pensei.
(...)
Os dias se passam rápido demais, não apareceu mais ninguém. Kathe, Conan, Braden, Benedit e eu sempre nos encontrávamos depois das aulas na casa dos irmãos. Eu já estava conseguindo controlar melhor meus dons, mamãe e Dy estavam felizes que meus flash's, sustos, desmaios havia "parado". Mas na verdade é que nesses quase dois meses de treino eu já evolui muito como Benny disse. Em falar em Benedit, eu fiquei muito surpresa e encantada com seu dom. Ela pode se camuflar onde quer e tem poder de cura, para qualquer coisa que seja menos a morte. Mas também disse que nunca havia curado algo tão grave a esse ponto, então não podia dizer que não seria capaz de tal ato. Braden é como um comunicador, ele nos transmite e absorve imagens não importa o quão grande for à distância, basta ele se concentrar. Ele também pode moldar e materializar coisas.
– É tão simples! Tudo e todos que estão a nossa volta são milhares de pequeninas e minúsculas e invisíveis partículas de partículas de partículas. Então eu junto essas partículas e mais partículas até formar algo concreto, e com o tempo isso vai se tornando mais rápido.
Ele explicava as coisas detalhadamente. Foi incrível uma vez que pedi para ele materializar uma pizza enorme. E ele o fez! Comemos, e estava deliciosa! Benedit e eu nos tornamos bem amigas, ela disse que no passado meus antepassados e os dela eram muito amigos, e que isso já era de se esperar. Kathe ficou com um pouco de raiva no início, pois disse que eu a estava trocando, mas não estava só que Kathe e Benedit são muito diferentes, e eu me dou melhor com Benedit, eu e Kathe sempre discutimos sobre alguma coisa e eu acabo perdendo a paciência com ela. Mas por outro lado Kathe me entende em relação a controlar meus dons, foi difícil pra ela no início tanto quanto está sendo pra mim.
Eu estava cada vez mais maravilhada com o poder de Conan, era tão esplendido e tão calmante pra mim, eu me sentia bem quando estava com ele, sem nenhuma 'turbulência' na minha mente...
Agora eu estava no meu quarto de bobeira com um tédio enorme, esperando as meninas vir aqui para conversarmos, eu tinha pedido para elas trazerem besteiras para comermos. Não sei bem o que elas queriam conversar, só que Benedit queria falar comigo sobre alguma coisa importante de nossos antepassados e Kathe iria mostrar uma nova maneira de pintar o cabelo, era engraçado como ela falava disso.
A porta do quarto abre e eu desvio a cabeça do celular para olhar.
– Maninha estou saindo, vai querer vim com suas amigas?
– Pareceu até a mamãe falando agora! -ele riu. — Terei uma tarde de garotas com as meninas, deixa pra próxima.
– Ta bom, manda um beijo para as meninas, diz que fui ao shopping.
– Ok. — concordei olhando-o fechar a porta e fiz uma cara de desconfiada.
Dilan nunca foi de ir ao shopping por nada. Estava aprontando alguma, ri do meu pensamento e escutei vozes lá embaixo.
Quando desci vi as meninas sentadas na sala, mas não eram só elas, os meninos também estavam lá, e mais um garoto.
– Pensei que seria uma tarde de garotas! -falei sentando junto com elas, já que estavam todas as meninas num sofá e os meninos em outro.
– Queríamos que fosse, mas olha só quem encontramos! -Benny falou fazendo uma careta.
– Mas um para o grupo... -cantarolou Kathe.
– Ok! Se apresente então.
– Sua mãe está onde? -Conan perguntou.
– Foi ao mercado e Dilan ao shopping.
– Fazer o que? -Benny questionou.
– Não sei...
Até agora o menino estava calado e quieto. Então falei para ele falar logo e ignorar os outros, que protestaram, mas logo se calaram. Conan disse que estávamos parecendo um grupo de autoajuda, isso me fez rir descontroladamente, mas logo passou e o menino começou a falar.
Seu nome é Phellipe, tem 17 anos. Ele pode controlar mentes, entrar na cabeça e nos sonhos das pessoas, pode mudar o humor das pessoas, como, por exemplo, quando a pessoa está triste e ela fica feliz instantaneamente, pode fazer as pessoas sentirem dor emocional e fisicamente. Seu poder é como um mecanismo de defesa. Apesar de tudo Lipe é uma boa pessoa, um bom amigo. Senti isso nele.
Sim, eu senti. Há pouco tempo descobri mais coisas sobre minha história e meu poder. É complicado e confuso para mim, porque é como se eu não soubesse mais quem sou depois disso tudo. Mas aos poucos fui me encaixando 'em mim'. Eu posso sentir a emoção das pessoas, sentir o que elas sentem. Ouvir o que elas pensam. Sentir alguma ameaça, ou quando algo está por vim, e estava começando a distinguir o bom do mau.
(...)
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