Predestined Love
4 Surpresas
Notas iniciais
"NOLAN BENLOCK ESTÁ VIVO?"
"Ny, não grita! Filha eu posso explicar! dizia minha mãe tentando me acalmar."
Uma carta ridícula dele com poucas e desnecessárias palavras!
Minha filha, finalmente vamos nos conhecer! Estou chegando, me espere!
Com amor, Nolan Benlock, seu pai.
E agora mesmo eu estava segurando uma maldita carta de um filho da puta de um ser humano que, para mim até então não existia! E agora Lory tentou inventar qualquer desculpa idiota para dizer que Nolan está vivo! Mas que merda! Dizia na carta, era ele! E, sinceramente, se esse sujeito que diz ser meu pai aparecesse na minha frente agora, eu estourava os miolos dele. Quem ele pensa que é pra deixar minha mãe grávida e desaparecer, e depois de 16 anos querer conhecer a filha! Eu estava uma muito irada, coitado de quem mexer comigo hoje!
"Lory, não inventa mais desculpas, por favor! Estou farta de mentiras. Vou dar uma volta, não sei que horas volto."
Joguei a carta no sofá e sai batendo a porta.
(...)
Já era fim de tarde, ainda não tinha voltado pra casa, era tanta coisa passando na minha cabeça, e ainda tinha essa coisa que os outros não me contavam.
A umas quatro quadras da minha casa tem uma praça enorme com um lago, eu amava aqui antigamente, por certos motivos, mas eu não quero falar desses motivos, ainda me machucam muito... Eu estava encostada numa árvore de frente pra esse lago, era ali. Afastei aquelas lindas e tristes lembranças que invadiam minha mente e comecei a pensar em outras coisas. Como era fim de tarde, o sol estava se pondo e eu só queria ficar ali, sozinha pensando em mil e uma coisas, tentando associar tudo. As famílias e os demais casais e pessoas naquele lugar estavam indo embora, e eu continuaria ali. Não estou com pressa de nada... Só queria um tempo pra mim.
Sentei e tirei os fones e o capuz, conferi se tinha alguma coisa no meu celular e vi que tinham umas dez chamadas perdidas e mais de vinte mensagens. Desliguei, não queria falar com ninguém. Tirei o casaco que eu estava, ficando só com uma blusa de capuz e deitei, fazendo o casaco de travesseiro e escutando só o barulho do vento batendo contra a água do lago.
Então me surge uma ideia pra testar meus dons. Levantei e fui mais pra perto do lago, olhei pra trás pra ver se ainda tinha alguém ali. Não, já era quase noite e amanhã sexta-feira, dia de trampo. Voltei minha atenção ao lago e fechei os olhos. Imaginei uma grande bolha se formando e depois se separando em milhares de gotículas caindo em seguida em seu lugar de origem. Abri os olhos e foi o que aconteceu, sendo que quando tudo acabou eu cai sentada e ofegante, mas sorrindo.
Então esperei me recuperar e levantei. Fiquei em pé na frente do lago novamente e quando ia fechar os olhos ouço passos.
"Cuidado, água e fogo não se dão muito bem..."
Virei pra trás pra ver de onde vinha aquela voz masculina, então quando olhei não pude deixar de lembrar, parecia muito com ele... Era tão igual a ele, tão parecido, os traços, a feição, a voz... A cor dos olhos e o cabelo...
"Quem é você?" Perguntei, culpando-me na mesma hora por ter soado meio agressiva.
"Sou Daniel, e você é..." O nome dele. Mas é impossível, não é?
"Nila." Ele chegou mais perto e ficou ao meu lado. Eu estava trêmula.
"Então Nila, o que mais pode fazer?" Ele abaixou a cabeça, levantou e olhou pra mim em seguida. Eu acompanhava cada movimento seu, o analisava e tentava não só absorver sua imagem detalhadamente, mas ver se realmente era real.
"O que sabe sobre isso?" Minha voz era serena e rouca.
"Meu irmão é como você. Não falo muito com ele, mas sei que ele é assim. E quando aconteceu um pequeno incidente comigo, procurei saber tudo sobre isso." Um irmão!
"Então... Como é o nome do seu irmão?" Desconfiei. Ele riu fraco.
"Vamos conversar mais um pouco, depois falamos sobre mim e minha família."
"Por que não consigo ler você?" O fitei, ainda tentando saber o que pensava. Sentir o que sentia. Eu estava séria e, de certa forma, esperançosa. Não podia ser ele!
"Porque sou um tipo de barreira, nenhum de vocês podem fazer alguma coisa comigo se eu não permitir. E eu saberia que você tentaria me ler, então me preveni." Ele sorriu e olhou pra mim.
"Quem é seu irmão, Daniel?" Perguntei, com a voz rouca e autoritária.
"Calma senhorita! Logo saberá."
"Por que sinto que já te conheço?"
"Porque já nos conhecemos." Dessa vez ele que falou com a voz rouca. Ele abaixou a cabeça e quando a levantou olhou para o lago.
"De onde?"
"Não fico tão surpreso por não se lembrar." Ele riu e chutou o vento.
"Agora é sério! Meu Deus! Quando nos vimos?"
"Hum..." Ele pareceu pensar um momento e olhou pra mim. "Nyny?"
Eu gelei. Nyny? Só meu Danny me chamava assim! Danny... Daniel! Ai meu Deus! Minha boca formou um perfeito 'O' e as lágrimas que ardiam em meus olhos agora teimavam em descer pela minha face. Então eu o abracei, fazendo ambos cairmos no chão e eu deitada sobre ele, chorando em seu ombro. Logo senti seus braços quentes na minha cintura, me apertando contra si, me aconchegando em seu abraço. Então eu senti, e um flash que eu tanto lutei pra esquecer me veio com tudo.
"Eu estava em casa esperando Danny me ligar para irmos nos encontrar, como eu sentia falta do meu anjo. Precisava tanto vê-lo, afinal já estávamos quase dois meses sem nos ver. Ele tinha viajado para Londres com a família nas férias de verão e agora que voltariam as aulas iríamos nos ver todos os dias. Eu estava animada, estava feliz. Até porque tudo era perfeito com ele!
Eu estava saindo do banho quando meu celular tocou.
"Alô?" Falei.
"Adivinha quem fala!" Eu sorri.
"O moreninho de olhos verde mais lindo desse mundo!" Falei fazendo-o gargalhar do outro lado da linha, e eu sabia que ele tinha levantado a cabeça para rir, era uma mania que tínhamos em comum.
"Mas que menina esperta!" Rimos. "Estou te esperando no nosso lago! Venha logo estou com saudades."
"Ta bom, amor. Acabei de sair do banho, vou me arrumar e já estou indo."
Desliguei e fui colocar uma roupinha simples. Deixei o cabelo solto, e pus um brilho.
Avisei mamãe que estava saindo e fui ao encontro de Dan.
(...)
"BÚ!"
"AAAH!"
Eu estava de frente para o lago esperando Danny aparecer, fiquei pensativa já que ele tinha dito que já estava aqui, então tomo um susto enorme quando o retardado aparece por trás de mim e gritando BÚ. Quem grita isso hoje em dia, pelo amor! E logo depois do susto começamos a rir e ele me beijou. Foi um beijo calmo, uma sincronia de saudade e desejo. Selamos os lábios parando o beijo pela falta de ar.
"Estava com saudade." Ele disse beijando meu nariz e fazendo carinho na minha bochecha com os dedos.
"Eu estava com mais." Me selou. Levantei a cabeça, olhando em seus olhos. Naquele momento senti algo tão forte, tão agoniante. Como se algo de ruim fosse acontecer. "Te amo tanto Danny, tenho tanto medo de te perder..."
"Meu amor, olha pra mim!" Ele segurou meu rosto com as duas mãos e encostou nossas testas olhando em meus olhos. "Você nunca vai me perder!" Disse dando ênfase no nunca. "Sempre serei seu, até depois do fim! Amo muito você minha Nyny, você é e sempre será minha, e eu seu!"
Eu sorri e nos beijamos. Depois de ficarmos um tempo namorando ali, insisti para irmos a um restaurante que ficava do outro lado da rua. Mas ele disse que estava sem dinheiro e que iria a casa dele pegar, já que eu estava com ele, fui junto. Chegando lá tudo estava muito quieto, como sempre fica quando chego lá, até parecendo que ele mora sozinho, quando na verdade ele mora com os pais e o irmão, Sam. Fazia um tempo que não o via. Enfim, ele subiu para pegar o dinheiro e quando desceu perguntou se eu não queria comer ali na casa dele mesmo. Mas eu disse que queria um jantar romântico com ele, ele concordou e fomos.
Nós fomos andando mesmo já que não era tão longe.
"Depois do jantar quer ir tomar sorvete?"
"Claro! Ainda pergunta!"
"Pois é, esqueci que você é uma maluca viciada em sorvete!" Dei-lhe um tapa de leve e ele riu. "Tenho uma proposta!"
"O que? Fala! Fala!" Falei dando pulinhos e ele gargalhou jogando a cabeça pra trás, amava quando ele fazia isso.
"Que tal quebrarmos as regras e comprarmos o sorvete primeiro e depois almoçamos?" Ele deu um sorriso sedutor de lado sem mostrar os dentes. E eu corei instantaneamente. Ainda não entendia esse tamanho efeito que ele tinha sobre mim, era tudo tão lindo com ele, tão perfeito!
"Aceito!" Sorri e demos as mãos. "Por que não vai lá fazer as reservas no restaurante enquanto eu compro o sorvete?"
"Boa ideia! Vou lá então, compre o de sempre, te encontro em frente à sorveteria do outro lado da rua."
Sorrimos e demos um beijo rápido. Ele foi ao restaurante que era naquela calçada mesmo e eu atravessei. Seu sabor favorito era morango assim como o meu, mas nós comprávamos um de morango com calda de menta e um de menta com calda de morango, sempre assim! Porque quando vamos comer, pegamos um pouco de cada sabor e comíamos. Menta e morango era a mistura perfeita para nós dois. Comprei os sorvetes e sentei num banquinho para espera-lo. Como era tudo pertinho ali, o vi saindo do restaurante e levantei sorrindo e levantei os sorvetes na mão para mostrar a ele. Ele fez uma carinha de felicidade e deu um sorrido lindo, o mais lindo do mundo. Sorri com isso. Então ele atravessa a rua.
Então do melhor este se tornou o pior dia da minha vida. O dia que eu me culparia eternamente. No momento que ele pisou na rua para atravessar eu olhei para o lado contra minha vontade e um carro vinha em sua direção. Eu não pensei. Não respirei. Não falei. Não gritei nada além de seu nome... DANIEL!. De repente tudo ficou em câmera lenta, e ele era luz, somente luz, e depois fogo e em seguida... Nada. Os sorvetes caíram. Meu mundo desabou. Minha vida mudou a partir daquele momento, uma parte de mim havia morrido, ali, na minha frente. E o que mais me doía era saber que... Eu havia matado quem eu mais amava!"
Fale com o autor