Notas iniciais
E aí, gente! Vamos dar seguimento à esta fanfic. Tá quase acabando, hein! Espero que estejam gostando. Beijos e obrigada a todos que estão lendo ♥

Os dois chegaram a ir naquele bar por mais duas vezes, desta vez por menos tempo e com pouca conversa trocada, mas nada que fizesse o supervisor mudasse radicalmente. Os dias foram passando e Russell oscilava para o bem e para o mal. Tinha seus momentos de melhora e às vezes se metia em discussões desnecessárias com membros de sua própria equipe. Nada disso passava despercebido por Julie, que prestou atenção em todos os detalhes e esperou o momento certo para falar com ele novamente.

— DB.

— Jules? Ainda não foi pra casa?

— Do mesmo jeito que você ainda não foi.

Ele, que já se preparava para ir embora após uma “mini hora extra”, sorriu com o comentário irônico dela. Até tentou seguir adiante, porém, ela ficou na sua frente.

— Eu notei o que tem acontecido com você e a equipe. Uma hora isso vai ser cobrado, DB.

— Finn. Eu estou tentando, realmente estou tentando.

— O que você realmente quer, hein?

— O quê?

— Você ainda está com essa aliança na mão. O que você quer? Quer reatar o casamento ou terminar de vez?

Ele a encarou nos olhos. Por trás daquelas lentes havia um homem confuso e irritado por tudo que estava passando e porque poderia resolver seus problemas com decisões simples.

— Eu não consigo entender — completou-se, erguendo os braços.

— Isso é entre mim... e ela. É complicado.

Finn não sabia nem metade do que estava acontecendo entre ele e Barbara.

— Pelo visto é somente entre você, Russell. — Ela ergueu os braços. — Uma hora você vai ter que decidir ou vai acabar que nem eu. Presa em algo que não existe mais.

Ela mesma se considerava um mal exemplo de como (não) terminar um casamento. Julie escolheu o divórcio, mas em seu último casamento teve seus momentos de encontros sexuais com seu ex, mas nada que os fizessem ser um casal ou ter algum laço. A busca por um pouco de prazer apenas tapou provisoriamente aquele buraco deixado.

— Eu só preciso... de um momento.

Ela o encarou nos olhos e notou que o supervisor insistia em não focar nos dela, como se em todo o momento quisesse ficar longe da amiga, melhor amiga.

—|-

Umas duas semanas se passaram. Relutando um pouco, Russell aceitou ir com ela naquele bar que já estava se tornando ponto de encontro oficial. Ninguém do laboratório sabia do lugar — ao menos eles tinham certeza disso — e das saídas, apenas eles dois. Estava sendo o único refúgio do supervisor e talvez Finn não tivesse ideia.

Ele não quis conversar muito no começo. Pediu por cerveja e se limitou a trocar poucas palavras com ela, na maior parte das vezes acerca do trabalho. Percebendo isso, Julie chegou a brincar dizendo que era a nova psicóloga dele, porém achou estranho o pouco contado visual. Naqueles momentos Russell dava mais atenção ao copo que à amiga.

— As coisas não têm ido muito bem lá em casa — comentou ele enquanto deslizava o indicador sobre o vidro. — Ultimamente, Barbara tem falado em voltar a Seattle... quem sabe as coisas não fossem melhorar.

— Entendo.

Se mudar para um outro estado e continuar a vida de onde parou não era tarefa simples, ainda mais num ambiente agitado como Vegas. Mudança de rotina, de hábito, ficar longe de amigos... tudo aquilo pesava.

— Você quer voltar — perguntou Finn. No fundo esperava por uma resposta negativa, mas não podia escolher por ele.

Russell engoliu em seco, vindo a tomar um gole da bebida para molhar a garganta. Fitou-a brevemente, como se sentisse pressionado a responder.

— Não.

— Por quê? Não seria melhor para-

— Eu me apeguei ao lugar.

— Hum. — Com um sorriso torto ela disfarçou e olhou para o lado. Poderia ser egoísta, o que fosse, mas ela não queria que Russell fosse embora... novamente.

— Eu quero ficar bêbado. — Ele brincou e depois tomou todo o copo de uísque restante.

Arqueando as sobrancelhas, ela visou sua expressão tensa assim como seus ombros. Por mais que a resposta tivesse o seu humor, Finn não gostou do que ouviu. Russell estava diferente, mais que nos dias anteriores. Parecia ansioso, angustiado.

— Você não é assim. Por que mudou de repente?

Pressionando o copo com as duas mãos, ele franziu as sobrancelhas como se estivesse tentando quebrar o objeto.

— Eu quero algo que não posso ter — respondeu rápido, pegando-a de surpresa.

Finn não podia controlar o próprio peito. O coração disparou como um projétil e ela nem sabia o porquê. Procurou disfarçar o choque olhando para os lados, mas não conseguia. Queria ouvir mais dele, alguma explicação, motivo, o que quer que fosse.

— O que disse?

— Desculpe. — Russell baixou a voz, retraindo-se em sua cadeira e agora portando um olhar acuado.

O supervisor tomou uma atitude inesperada. Tirou algumas notas da carteira e as deixou na mesa. Então se levantou, evitando ao máximo olhar para ela.

— Me desculpe.

Com o rosto mais triste do mundo, Russell se retirou e deixou a mulher atônita e sem saber o que fazer. O que poderia se tornar uma boa hora terminou do pior jeito, com muitas perguntas e nenhuma resposta. A vontade dela em continuar ali terminou e uma pontada de tristeza a pegou.

A verdade. A verdade era que Russell não poderia mais continuar ali depois do que falou. Abriu-se demais numa hora desnecessária. O estresse dentro de casa e no trabalho mexeu com ele de uma forma que às vezes não conseguia se segurar e acabava soltando palavras que deveria manter para si.

Ele queria algo que não podia ter. E esse “algo” era, na verdade, alguém. E esse alguém há pouco tempo estava bem à sua frente.

Ficar mais tempo com ela seria se deixar levar por um desejo impulsivo. Ele queria estar com ela, não podia esconder isso de si próprio. Mas havia um “porém”: ainda era casado e seu relacionamento estava em conflito. Russell tentava negar a si mesmo que sentia uma paixão por alguém além de sua esposa, desejando desesperadamente encontrar aquele sentimento que o fez se apaixonar por Barbara. Mas ao mesmo tempo, queria largar tudo de uma vez e correr até sua amiga, beijá-la e se consumir naquela vontade.

Talvez depois de alguns dias ele finalmente se resolveria com a esposa e toda aquela história de sofrer por um amor errado sumiria. Ou ao menos seria enterrada, assim como foi em Seattle. Todavia, assim como foi enterrada lá, a história foi desenterrada em Vegas e parece que veio com força total. Era algo que estava fugindo de seu controle.

Russell sempre foi o protetor de Finn, desde que se entendia por seu parceiro de trabalho. Mal sabia ele que esta preocupação exacerbada estava se transformando em algo mais, num desejo de querer ela bem, de cuidar de sua colega de trabalho por qualquer coisa, tê-la por perto mais tempo do que costumava passar com qualquer amigo ou amiga; até mesmo sua esposa. Ele nunca imaginou que tudo isso viraria uma bola de neve e que agora descia em sua direção.

Chegar em casa estava sendo tão desgastante quanto trabalhar num caso. Pisar naquele chão era correr o risco de enfrentar a frieza de Barbara como resposta por ele agir tão estranho nos últimos dias, ou até mesmo começar uma discussão acerca do relacionamento dos dois. Barbara tinha suas dúvidas, não era uma pessoa ingênua. Ela conhecia Finn bem e sabia da amizade de tempos entre ela e seu marido, tanto que também era amiga de Finn. Além disso, sabia do exagero de Russell em proteger a colega de confusões e de ser o seu refúgio em alguns momentos delicados. Alguma coisa estava errada e ela desconfiava disso, porém nunca se expressou abertamente.

Nas últimas semanas o supervisor começou a ficar distante dela; não tão fisicamente, mas emocionalmente. Dizia que o trabalho o consumia demais, evitava conversas longas sobre questões familiares que envolviam os dois, optando por dar lugar aos filhos ou ao trabalho. Até Maya e Charlie desconfiavam que havia algo errado com o pai, mas nunca conseguiam resposta dele.

— Já voltou? — Barbara, que estava na sala assistindo à TV logo o viu entrar.

— Já — respondeu sem muito ânimo. Nem ao menos beijou sua esposa por causa do peso que sentia.

Barbara notou a atmosfera densa que o rodeava e por isso nem quis argumentar.

— Maya ligou há um tempinho.

— Ah é? — Ele, que começou a subir as escadas foi diminuindo o ritmo.

— Perguntou como a gente estava e quando iríamos a Seattle para uma visita.

Russell parou de subir assim que ouviu sua resposta. O homem pressionou a mão sobre o corrimão e lamentou silenciosamente.

— O que respondeu — questionou com um pouco de remorso em sua voz.

— Talvez em breve. — Barbara respondeu olhando para a TV.

O supervisor suspirou baixo, fechando os olhos por um instante.

— Eu não contei a ela, não se preocupe. — A última frase saiu mais como uma provocação. — Nem a ela e nem ao Charlie.

— Quem vai querer saber que os pais estão passando por um momento difícil? — Ele fez a pergunta não esperando que ela respondesse.

O silêncio em seguida deixou o clima um pouco mais tenso, ainda que ninguém dissesse algo. Por isso ambos tentavam evitar ao máximo falar sobre o destino do casamento até que a poeira baixasse. Porém, quanto mais deixavam o tempo passar, a relação parecia se apagar aos poucos.

— Eu vou dormir. Me desculpe.

Ao se deitar na cama o supervisor respirou fundo ao não conseguir pregar os olhos com o tempo. Um aperto dentro de si já não era mais novidade, isto o consumia quase todos os dias. Olhou para a sua mão e sentiu vergonha e tristeza ao mesmo tempo. Pensava as piores coisas de si mesmo como se fosse o pior dos homens.

Ele apertou o dedo anelar com força, ameaçando tirar a aliança. Então foi fechando a mão e quando deu por si viu que havia quase havia tirado o objeto por completo.

Talvez a história precisasse mesmo de um fim.

Notas finais
Obrigada a todos que leram! Beijos e até o próximo ♥