Notas iniciais
E aí, pessoal! Chegamos ao penúltimo capítulo desta fanfic! Espero que estejam gostando. É muito bom saber que tem gente que ama esse ship tanto quanto eu. Espero escrever mais fanfics deles e do fandom no futuro. Obs: precisei aumentar a classificação da fanfic. Não é nada pesado, mas após ler sobre classificações de histórias eu achei necessário fazê-lo. Tudo para não causar problemas ou constrangimentos para todos nós. Obrigada pela compreensão. Boa leitura!

O último caso que a equipe trabalhou foi pesado e desgastante. Três pessoas de uma mesma família assassinadas, sendo duas mulheres (primas) e um jovem, caçula da casa. Era o tipo de caso em que todos se focavam quase que desesperadamente para resolver o quanto antes, e assim, trazer um pouco de justiça à família e um pouco de paz à equipe. Os dias pareceram mais cinzas e melancólicos, mesmo na tumultuada Vegas de luzes e sons. Toda vez era assim, em todos casos delicados como aquele. Ainda que tentassem evitar, sempre havia uma discussão, gente que não conseguia dormir ou que passava horas a mais no laboratório para adiantar o trabalho.

Foi a vez de Russell mostrar porque era o supervisor, dando tudo de si para manter o pessoal na linha o máximo possível ou agindo como um psicólogo para alguns deles. De uma coisa tinha certeza: nunca esteve tão cansado quanto ultimamente. Somou o estresse do caso com o que estava passando em casa.

— DB.

O dia amanheceu nublado, parecia que a própria natureza sentia o trabalho como as pessoas e respondia em respeito. O pessoal demorou a ir embora depois de toda aquela pressão imposta a eles por causa daquele crime tão brutal.

Talvez não fosse a melhor ideia aparecer em sua sala depois de tudo aquilo, mas Finn viu o quanto Russell ficou sobrecarregado, mais do que qualquer um da equipe. Já era uma reação natural da CSI vir ao seu encontro para saber o que estava acontecendo.

— Finn... — Ele disse entre um suspiro.

Sentado em seu sofá, inclinando-se para frente enquanto se apoiava nas pernas, Russell tinha o retrato de um homem fatigado. As luzes de sua sala estavam apagadas, deixando o trabalho para a luminária em sua mesa ceder um pouco de claridade sala ainda com as persianas baixas. Quem passasse por perto, despercebido, não saberia que havia alguém na sala.

Ele mal conseguiu olhar para ela num primeiro momento. No meio do turbilhão do caso Russell chegou a falar duro com ela, a última pessoa que queria fazer isso. As palavras fortes a deixaram um pouco mal no começo, mas devido às circunstâncias que estavam passando este sentimento se foi. O que veio depois foi pena e uma preocupação demasiada.

— Eu não queria falar daquele jeito com você — disse ele ao passar a mão sobre a testa.

— Esqueça. — Finn se sentou ao lado dele e ficou observando sofrer angustiado e em silêncio. Ela tocou gentilmente em seu ombro e pressionou sua mão sobre ele, fazendo-o erguer um pouco cabeça. O supervisor virou o rosto de lado para fitá-la e a encontrou com um sorriso confortante. — A gente pegou o desgraçado.

— Pois é. — O homem assentiu e respirou fundo. No meio de tanto caos Finn sempre estava por perto para bagunçar ainda mais sua vida e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a passar por isso.

— Agora nós temos que seguir em frente. Este não vai ser o último caso.

— Infelizmente as coisas são assim.

— Você sempre me diz isso.

— Eu sei...

Ainda mantendo sua mão sobre ele, Finn esperou por um minuto até que finalmente se dirigiu a ele novamente:

— Quer sair para tomar um ar fresco?

Ele se ergueu, deixando de se apoiar sobre as pernas e olhou fixo para sua amiga.

— Não. Mas aceito tomar alguma coisa.

—|-

O friozinho da noite era propício a um bar aconchegante. Bem, nem tão aconchegante quanto aquele em que Russell e Finn frequentavam, mas o suficiente para aquecer o peito e a garganta.

A escolha fez bem a ele. Russell sentia uma carga pesada demais para encarar sozinho, isolado numa sala. Toda aquela culpa de estar com a amiga ali daquela vez, de repente, se apagou. Tudo o que mais queria era aproveitar o momento com ela e descarregar as energias negativas que tem se acumulado nele.

Ele não fez cerimônias. Pediu por vodca junto dela e não economizou as doses. Quanto mais ele bebia, mais rápido as angústias em sua mente iriam embora. Era o que ele pensava; mas no final estava sendo feito o caminho contrário. Tentando mascarar o que realmente havia lá dentro, Russell apenas se decepcionava. Estar perto dela parecia fazer as feridas doerem mais.

O Russell que ela encontrou na sala semiescura retornou.

— Não estou me sentindo muito bem, Jules — admitiu logo depois de tomar o último gole. Desta vez seria o último da noite para ele.

— Devia ir para casa, DB. Você trabalhou demais. — Ela tocou em sua mão direita, mais próxima dela.

— Eu não quero ir pra casa. Se eu voltar agora nós vamos discutir.

Os dois trocaram olhares cabisbaixos e breves. Ela não queria que a noite terminasse ali, não depois de vê-lo naquele estado e também porque sentia parte de seu sofrimento. Alguns segundos se passaram.

— Venha comigo.

—|-

Eram quase dez da noite. Assim como foram de táxi até o bar, os dois voltaram de táxi, mas desta vez não para caminhos separados.

Ele estava em um lugar que não devia estar. Não era incomum estar naquele apartamento, porém naquelas circunstâncias, a casa dela era o primeiro lugar do qual ele não deveria por os pés.

— Parece até que você nunca pisou aqui. Vai, pode se sentar — disse ela após tirar as sandálias e ver que o supervisor ficou parado um pouco próximo à porta.

— Oh. — Distraído pelos seus pensamentos, Russell não notou que estava parado. Ainda sem jeito ele tomou seu lugar no pequeno sofá.

— Quer outra rodada ou prefere café? — Ela perguntou indo em direção à cozinha.

— Ah... eu não sei. O que você me recomenda?

— Por mim eu tomaria mais um pouco, mas acho que você quer ficar sóbrio.

Ele sorriu de lado.

— Talvez mais um copinho.

— Ah é? Boa escolha.

Qualquer coisa era melhor para ele. Ainda não estava bêbado, então um copo a mais não lhe faria mal. Já sem a jaqueta jeans que usava, Finn voltou com dois copos de vidro e uma meia garrafa de conhaque. Quando ele se virou para vê-la, a CSI abriu um sorriso largo e ergueu a garrafa para o alto. Ela se serviu e depois a ele, prestando bastante atenção em seu rosto para saber como estava reagindo.

Os primeiros goles, mínimos, foram acompanhados por silêncio. Ninguém se arriscava a começar o primeiro assunto. Num ambiente privado, sem os olhares de estranhos, deveria ser mais fácil para a dupla começar a falar. Só que justamente por todos esses fatores começar uma conversa foi mais difícil.

— Quero te agradecer pelo que você tem feito por mim, Jules. — Ele começou, ligeiramente tímido, mas começou.

— Só tenho te chamado para beber. — A mulher brincou, virando-se de lado para observá-lo melhor. Ela apoiou o braço sob o encosto do sofá e tomou outro gole.

Se ela soubesse o quão bem aquilo estava sendo para o supervisor ela talvez nem teria respondido com aquelas palavras.

Russell tomou o restante do conhaque em seu copo de uma vez e o deixou no chão.

— Minha família é importante para mim. Eu me importo demais com eles.

— Isso é bom.

Ele assentiu enquanto olhava para baixo. Ficou por um tempo em silêncio, imaginando o que diria a seguir. Então se virou um pouco de lado e umedeceu os lábios antes de falar novamente:

— Mas você também é importante para mim.

Se pudesse dizer, Finn acreditaria que seu coração parou de bater um brevíssimo instante e em seguida acelerou feito um disparo. Ela não devia estar desse jeito, afinal era a melhor amiga do supervisor, e como tal, tinha o seu carinho. Mas o jeito que ele falou foi diferente.

Ele fez um gesto negativo com a cabeça.

— Eu sou um péssimo marido. — Aquelas palavras estavam presas em sua garganta; dizê-las foi como libertar-se de parte do tormento.

— Você é um homem incrível para ela, DB. Olha só aonde vocês chegaram.

— Eu não sou — afirmou com clareza. — Não dou valor a ela.

Ele se apoiou sobre as pernas e baixou um pouco a cabeça.

— Nós somos casados há anos, temos filhos maravilhosos, mas... eu não consigo me encaixar mais nesse relacionamento.

— Russell. — Ela chamou por ele, porém ele continuou negando com a cabeça.

— Realmente tentei. Pensei em todas as alternativas, todas as... opções para esquecer tudo isso, mas... — Ele hesitou. — Eu... não consigo mais.

Julie acabou baixando a cabeça também. Num primeiro momento não acreditou, porém se viu no meio daquela história. Ela se esforçou para ficar distante ou pensar que estava, só que não podia ficar enganando a si mesma por muito tempo.

— Eu tenho a ver com isso tudo, não é?

Russell acabou deixando uma risada fora de hora escapar. Foi breve, mas suficiente para que não precisasse de resposta.

— “Eu quero algo que não posso ter” — repetiu a fala do supervisor com perfeição. Aquilo causou um calafrio nele, que disfarçou e não deixou à mostra.

Desta vez ele apenas sorriu, mas foi um gesto triste. O homem mal sabia como continuar dali já que foi completamente exposto.

— Você sabia, não é? — Ele perguntou sem olhá-la.

— Você foi me contando.

— Hum.

— Desde quando?

— O quê?

— Desde quando sente isso?

Virando o rosto para encará-la nos olhos, o rosto meio pálido de Russell já dava uma resposta por si só.

— Desde Seattle — respondeu quase envergonhado. Nutrir algo por alguém que não era sua esposa por um bom tempo foi algo para se envergonhar. Russell conseguiu manter este segredo por um bom tempo, porém, ultimamente isso o estava corroendo.

— Ah! — A resposta não a pegou tão de surpresa, mas sim o fato de ter sua dúvida sanada por ele. Algo que já durava um bom tempo. — Foi por isso que me chamou pra cá, então? — A mulher perguntou sem poder acreditar no que ouviu.

— Eu te chamei porque você é uma excelente profissional. A melhor na área. Foi por isso. — Russell gesticulou. — Não envolvi nenhum sentimento nessa escolha.

— Claro que você envolveu, só não quer admitir. — Ela deu de ombros. — Não pode ter sido mera coincidência. Pegue dois experts, eu e outra pessoa, quem você escolhe?

— Eu escolheria você, sentindo algo ou não.

A resposta não o eximiu de sua escolha. Havia, sim, a escolha profissional na hora de chamá-la, mas também havia aquele sentimento por trás, que não foi o maior fator, só que estava lá de qualquer forma.

— Você pediu para que eu não falasse com ela.

— Barbara poderia não entender e isso acabaria piorando as coisas. Eu fiquei com medo — lamentou, fazendo um gesto negativo. — Estou me odiando por tudo isso. — Ele tirou os óculos para tocar em sua testa.

Finn não podia esconder que sentiu raiva por saber da verdade; não a verdade completa, mas parte dela. Anos negando a si mesma que talvez sentia algo pelo supervisor, ainda após ter sido demitida por ele em Seattle e só agora saber que ele também escondia algo pela CSI.

Sem que ele percebesse de cara, Finn se aproximou dele, e tocando em seus ombros, começou a tirar sua jaqueta. Ele reagiu sobressaltado, encarando-a um pouco acuado, mas aos poucos deixou que ela terminasse.

— Não está frio aqui. — Ela falou, deixando a jaqueta no encosto. Fez aquilo por impulso porque estava se deixando levar por algo a mais do que simplesmente tocá-lo. Em seguida se virou para ficar de frente a ele e cruzou as pernas em cima do sofá.

Os dois não conseguiram falar mais. O silêncio tomou o trono e reinou por um bom tempo, uns três minutos. Ele estava no limite do limite. Se avançasse ali seria um caminho sem volta e se abandonasse o lugar também seria um caminho; talvez não sem volta, mas difícil de retornar. Nenhuma mulher mexeu tanto com o supervisor quanto a que estava ao seu lado. Parecia mágica e ele estava preso nela.

Russell olhou para ela e encontrou uma mulher esperando por sua decisão. Ele já não sabia mais o que fazer ou como reagir. Se pudesse, ficaria naquela posição por vários e vários minutos até achar que tomou uma decisão, finalmente. No entanto, ele não esperava por seu movimento. Finn tocou em seu rosto, alcançando-o com as mãos.

Ele estava se rendendo.

— Eu quero isso — sussurrou a mulher, deslizando os polegares em sua face como se já fizesse isso há anos.

Julie não conseguia resistir e tampouco ele, só que o supervisor não conseguia admitir com palavras já que se encontrava estático. Então fez o que lhe restava, seguiu em frente e seus lábios se tocaram.

Era o que ele mais queria, desesperadamente. Russell, que já sentiu seu toque por várias vezes, queria saber como era a sensação de beijar aqueles lábios rosados que tanto desejou. Ele sabia que fazer isso nestas circunstâncias era errado e depois se arrependeria terrivelmente, até Finn sabia disso; mas o momento era de se entregarem a algo que o queimava e os estavam consumindo.

O beijo era bom demais para ser verdade, por isso ele tocou no rosto dela para provar a si mesmo que era real, que naquele momento ele amava aquela mulher. Talvez fosse apenas por uma noite, apenas uma, mas ele estava disposto a seguir em frente. Logo estaria divorciado e, quem sabe, sem a sua colega de trabalho também. Então não deixaria escapar.

A distância pareceu longa demais para Julie que mesmo não querendo, quebrou o beijo. Ela se ajoelhou no sofá para ir de encontro a ele e continuar a beijá-lo. Sua atitude o deixou surpreso e Russell logo reagiu, reclinando-se para trás. Os dois acabaram rindo sem motivo, e logo o sorriso foi se apagando de seus rostos.

— Eu não sabia que precisava tanto de você. — Ele passou a mão por seus cabelos, ajeitando uma mecha de cabelo para trás da orelha.

A resposta de Finn foi voltar a beijá-lo e desta vez com mais paixão. A cada segundo os toques ficavam mais ansiosos, ávidos para conhecer o corpo um do outro. Era algo novo, mas parecia coisa antiga para os dois que já se conheciam muito bem. O errado, ao menos naquela hora, não era importante. Como Russell pensavam, quando tudo aquilo acabasse ficaria o remorso e a promessa de que não iria mais acontecer.

E eles foram avançando até o momento em que Finn começou a desabotoar sua camisa, sem que ele se incomodasse com o que estavam prestes a fazer. Entretanto, logo após retirar o primeiro botão, Russell fez um movimento para interromper. O supervisor retirou o anel de sua mão e o deixou na mesinha ao lado, assim como os óculos. Nenhum dos dois precisou dizer alguma coisa sobre. Com isso ele a puxou para beijá-la novamente, desejando que ela continuasse aonde parou.

Só o trabalho os tiraria dali. Sem isso, ninguém seria capaz de separar os dois amantes que não se limitaram a ficar na sala. Aos poucos ela foi se levantando e trazendo ele junto até seu quarto. Sem retorno, ele estava pronto para ir até o fim. Deixaria que o remorso o atormentasse depois.

Em pouco tempo suas roupas iam sendo tiradas até que os dois se encontraram na cama onde os beijos se intensificaram, assim como os toques, ávidos, buscando conhecer cada canto de seus corpos. Para quem pensava que nunca iria acontecer, Russell e Finn aparentavam estar num sonho impossível. E ainda que fosse um sonho seria dos melhores.

Ele estava sendo gentil, tomando todo o cuidado para que não viesse machucá-la, porém Finn era seu oposto. Não poupava esforços para tomá-lo para si como desejou há tempos. Nem que fosse por uma noite Russell era dela e não poderia pensar em nenhuma outra coisa.

Os minutos seguintes foram tomados por uma paixão que não se podia medir. Quando deram por si estavam quase imóveis na cama, ofegantes, sem saber realmente o que aconteceu. Seus corpos, despidos, foram cobertos por apenas um cobertor. Sem forças para saírem dali o momento era para descansar. Ainda atônito, Russell passou um bom tempo a olhar para cima. De sangue quente, o supervisor passou o dorso sob a testa para secar o suor do rosto.

— Não sei o que dizer. — Ele suspirou de cansaço.

— Não diga.

Finn se virou de lado para fitá-lo. Ela passou a mão por seu rosto e viu os olhos dele se fecharem pelo toque macio de sua mão. Poderia ficar vendo ele por horas, sem ainda acreditar no que fez há pouco. Não passou muito tempo e o supervisor pegou-a e beijou carinhosamente. Então ela foi ao seu encontro e beijou seus lábios repetidas vezes, até que parou e continuou próxima a ele.

— Como vai ser agora?

Russell arqueou uma sobrancelha. Ele que antes estava olhando parar o alto voltou a dar atenção a ela.

— Eu posso beijar você lá no trabalho?

— O quê? Não!

A resposta espantada dele a fez rir. Claro que ela não pretendia fazer isso, talvez discretamente, na verdade só queria saber sua reação

— Jules! Você quer me matar?

— Queria ver a sua reação. — Ela brincou, roubando outro beijo dele. — Mas acho que podemos dar um jeito sobre isso...

— Jules. — Russell a alertou para que tomasse cuidado com o que queria fazer.

— Nós estamos juntos agora e você continua me chamando assim? — Fazendo uma cara incrédula, Finn se ergueu um pouco para encará-lo melhor.

— Eu me apeguei a esse apelido. O que eu posso fazer? — Ele riu.

— A gente vai trabalhar isso também. — Finn assentiu antes de se apoiar acima dele e voltar com os beijos.

A vontade de ficar com ele era tão grande que não conseguia parar de beijá-lo. Talvez fosse uma tentativa de confirmar para si mesma que no momento dividia a cama com aquele homem. Enquanto isso ela acariciava seus cabelos. Quando finalmente se deu por satisfeita, ela se deitou ao lado dele, mais próxima que antes.

— Isso foi tão bom — comentou ele logo após suspirar. Não passou muito tempo e sua expressão mudou, aparentando preocupação.

— Que foi?

O supervisor virou o rosto para o lado na tentativa de caçar alguma coisa. Então encontrou o relógio despertador na mesa de cabeceira. Faltava menos de vinte minutos para as dez da noite, logo às 11 os dois precisariam estar no laboratório.

— Droga, quase na hora — disse ele, já se movimentando para levantar.

— Espere. — Na mesma hora Julie se manifestou, erguendo a mão em sua direção.

— O que?

— Fique aqui — sussurrou, desmontando-o por completo. — Invente uma desculpa depois.

Russell já havia retirado parte do cobertor quando ela disse aquilo. Parte de si, aquela responsável e meticuloso, que o “obrigava” a chegar no trabalho em ponto falava alto; porém a outra parte, a movida por paixões e reais vontades também falava, mais alto ainda.

Sem dizer alguma coisa o supervisor voltou a se deitar ao lado dela, chamando-a para perto. O sorriso satisfeito curvado no rosto dela não precisou de explicações. A CSI se aconchegou em seu peito, sentindo a segurança de seu abraço que a envolvia. Finn já sentiu o toque dele centenas de vezes, mas nunca pôde desfrutar de um toque tão íntimo, tão particular. Parecia que estavam juntos há anos.

— DB.

— Sim?

— Barbara é minha amiga — disse, erguendo o olhar para ele. — Se a gente continuar com isso agora vai ser a última vez.

— Eu sei. — Assentiu. — Eu sei. Ela não pode saber o que houve aqui.

Era o mínimo que os dois poderiam fazer, livrar Barbara de saber de uma verdade dolorosa. Após dizer isso parece que uma atmosfera densa tomou conta do quarto.

— Me prometa que vai resolver isso logo. — Ela pediu, antes de voltar a acariciar seu rosto.

— Eu vou — respondeu quase sussurrando.

Eles deixaram os minutos se seguirem em silêncio e tudo o que se podia ouvir era o som de suas respirações, antes exaustas, voltarem ao normal. Russell queria dizer muita coisa, porém nada saía de si. Falar sobre a vida, o trabalho, os dois, porém o medo de estragar aquilo tudo era alto, então optou por se manter calado. Limitou-se a passar a mão por seu dorso lentamente, como se as horas seguissem o seu ritmo sem se preocupar.

— Eu também sentia algo por você. Desde Seattle.

Ao ouvir aquilo, Russell esboçou um sorriso contente. De alguma forma, de algum jeito, o supervisor sabia. Sempre soube.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Beijos e até o próximo capítulo!