Paralelas

9 Capítulo 8 - Vácuo


Riley

O chão sob os meus pés desapareceu, conforme o mundo girava em uma dança fúnebre. Se não fosse pelo apoio de Nicholas, teria desabado no meio daquele beco escuro e vazio.

Em uma respiração lenta e gradual, fui preenchida com escuridão e o silêncio de um corpo exausto. Retomei memórias esquecidas e me afoguei em um mar de lamento.

Pedi tanto que isso passasse e se tornasse uma sombra do meu passado, mas não fazia a menor ideia de que quando essa parte de mim fosse embora levaria consigo toda vitalidade e a alegria de existir.

Contemplar o vazio.

Exaltar a insignificância da existência.

Sair do piloto automático que aquele monte de remédio me deixava era como flutuar em um abismo sem fim. Fazia tanto tempo desde a última vez que me senti assim que não imaginava o que encontraria quando acordasse de novo.

Era o mesmo ciclo se repetindo e não havia nada que eu pudesse fazer para me jogar para fora dessa roda. Não tinha mais forças ou esperança de um dia melhor.

Parte de mim queria se perder no vácuo e se entregar para o desconhecido, mas a outra parte suplicava para aguentar firme mais um dia.

Eu não aguentava mais acordar.

Queria ficar presa na minha melhor lembrança, um lugar onde eu pudesse viver eternamente, sem dor, sem medo, sem perdas. Onde o mundo fosse exatamente como eu sempre sonhei, quente, acolhedor e simples.

Um suspirar, olhos fechados e o som de passos pesados foram as últimas lembranças que tive antes de ceder e descansar no breu do meu apagão.