Paralelas
4 Capítulo 3 - Ciclo
Riley
Retornei para o Arcade, logo após Max. À primeira vista, parecia que tinha entrado em um lugar completamente diferente do que havia deixado. Talvez estivesse exagerando um pouco, mas o lugar explodira em uma catarse. Muitas pessoas ainda seguiam nos fliperamas, em partidas acirradamente bem disputadas, mas a grande maioria estava entregue à euforia que a música proporcionava.
— Divirta—se. – Max disse próximo ao meu ouvido, suas mãos envolveram minha cintura suavemente e ela me guiou para dentro do salão com o seu corpo. – Aproveite sua noite longe de Crystal Falls – Sua respiração tocou meu pescoço na mesma gentileza que seu toque.
Minha respiração falhou e meu corpo vibrou em resposta. Assenti com a cabeça e a garota me soltou, desaparecendo no aglomerado de pessoas a minha frente, sem antes deixar uma piscadela e um sorriso maléfico.
Ela sempre foi assim tão... solta e descontraída ou não passava de uma fachada para esconder o que ela poderia estar tramando? Odiava o fato desses pensamentos negativos surgirem em oposição às risadas que ela tirava de mim. Nada é bom demais para mim. Mas afinal, essa paranoia toda era minha intuição gritando para me afastar dela, era influência direta dos boatos ou certo medo por Nick reagir mal?
Queria ter tido mais tempo com ela na escola, antes disso tudo. Talvez tivesse mais certeza dos meus sentimentos e para onde eles me guiavam, mas uma pessoa como ela não poderia ser capaz de tamanha atrocidade, seria?
Fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes, concentrada na música. Tinha que afastar aqueles pensamentos antes que tomassem conta da noite e afastassem de mim meu verdadeiro propósito.
— Agora não é hora. – Reforcei em voz alta.
Voltei para o lugar que estava com os garotos e os encontrei em uma máquina de Street Fighter, poucos metros depois da mesa. Galaxy enfrentava um menino que não estava no grupo com uma maestria descomunal, não perdia nenhum golpe e sabia a hora exata de se esquivar. Sua vitória veio em poucos minutos e seu prêmio, pela aposta que fizera contra o garoto, foi uma bebida colorida.
Ela ergueu o copo e ofereceu para nós. Não relutei em aceitar, o degrade de tons naquele copo parecia tão atrativo quanto o que estava dentro – algo muito diferente daquela coisa misturada que ela nos serviu mais cedo.
O gosto era suave, apesar de sentir perfeitamente o toque ácido do álcool queimar na minha garganta. Senti o olhar preocupado e relutante de Nick, mas também percebi que ele estava tentando deixar de lado suas paranoias naquela noite. – Aproveite sua noite longe de Crystal Falls – disse a ele exatamente o que Max havia falado.
— Estou preocupado com os remédios que você toma... – Confessou.
— É só uma vez. – Tentei tranquilizá-lo, sem muito sucesso.
Se alguém me dissesse que aquela noite teria ganho essa proporção eu duvidaria, com toda certeza. Nunca fizemos o tipo muito sociável, fato, e Max estava certa em sua observação, mas isso tudo era surreal. Em nenhuma realidade tangível isso estaria acontecendo, por inúmeros fatores, mas tanta coisa tinha mudado desde aquele acidente que era como estar presa em um paradoxo interminável.
Mas, se era para deixar toda aquela merda para trás, tinha certeza de que sóbria não seria. Aceitei todos os copos de magia que Galaxy preparou e provava tudo que ela ganhava em suas apostas até minha garganta se anestesiar e o gosto da vodca parar de queimar. Era ótimo uma única vez na vida conseguir silenciar meus demônios.
Acho que foi depois da sua quinta vitória consecutiva que minhas sensações e raciocínio se perderam em um emaranhado de memórias distorcidas e obscuras.
— Você é incrível! — Gritei para Galaxy, segurando um drink de morango. Aquela tinha sido sua primeira partida realmente desafiadora da noite e ficou nítido ao ver a forma como ela apertava os botões com força e velocidade, por muito pouco ela não perdeu.
— E o que você acha que eu mereço? – Recostou o corpo na lateral da máquina. Estendi o braço e ofereci um pouco do drink. – Eu tenho uma ideia melhor— Ela afastou meu braço apenas o suficiente para ter acesso à minha cintura e me puxou para um rápido beijo.
O ar escapou de meus pulmões e fiquei torpe no mesmo instante em que seus lábios tocaram o meu com tanta urgência e desejo. Estava em combustão, anestesiada com seu toque e o sabor de morango de sua boca me fazia desejá-la ainda mais.
O tempo congelou e meus sentidos voltaram—se totalmente para ela, para suas mãos deslizando sem pudor pelo meu corpo e sua língua voraz invadindo minha boca. Foi como conhecer um pouco do paraíso e eu ficaria presa naquilo por horas sem fim. Porém, quando ela se afastou de mim e pegou o drink da minha mão, foi como se não tivesse durado uma fração de segundo.
Estava ofegante, extasiada e frustrada.
Esse foi o único momento em que consegui provar um pouco de Galaxy e não me importei por ter me sentido um pouco seu troféu de vitória. Eu a queria. Entretanto, perceber que ela acumulava “troféus” e repetia sua mesma tática com qualquer pessoa era bem baixo.
Eu não iria sentir ciúmes de alguém que mal conhecia e por quem não tinha sentimentos, nem me importava quantas pessoas ela beijasse na minha frente, até poderia me atrair por algumas delas e quem sabe rolasse algo a mais, mas essa em específico me irritava. Não sei se era sua voz aguda e estridente ou sua personalidade forçada, porém não aguentava mais ficar perto dela.
Infelizmente, para o meu grande azar, a amiga dela estava bem interessada em Nick e ele estava retribuindo – algo que raramente fazia, porque ninguém parecia interessá-lo o suficiente – e não seria eu quem iria atrapalhar o desfecho. Ele sempre foi muito atencioso e gentil comigo, especialmente essa noite, não poderia cobrar mais isso dele.
Saímos do Arcade por volta das duas ou três horas da manhã, não lembrava com precisão. Nick caminhava ao meu lado, apesar de estar totalmente entretido em conversar com a garota chamada Hazel, Galaxy andava do meu outro lado, preparando um cigarro e focada em um assunto qualquer com a Miss Insuportável e os garotos.
Abri um meio sorriso torto e melancólico. Por mais que tivesse ótimos momentos em que me encaixasse totalmente naquela realidade, estava completamente avulsa ao mundo, como se não existisse nenhum lugar em que me sentisse completa e em casa.
As ruas encontravam-se vazias, mas não desertas como costumava ser durante a semana. Iluminadas e esboçando um frenesi contagiante em todos os rostos que passavam ali, não conseguiam disfarçar as lacunas e rachaduras em suas paredes. Não importava quantas pessoas caminhassem ali naquele instante, nada preenchia o vazio naquela penumbra.
Era uma metáfora que ilustrava bem como eu me sentia na maior parte do tempo.
Meu coração apertava toda vez que me dava conta dessas situações. Perguntava—me se isso era alguma descarga cármica do universo em retaliação as vezes em que provoquei Sophie, perturbei Carl e enchi Raphael de comentários maldosos. Mesmo que desejasse a felicidade e o bem-estar deles, não conseguia controlar o prazer que me possuía todas as vezes em que via a raiva e irritação em seus olhares.
Talvez fosse por isso que nunca me sentia completa ou pertencente a algo de maneira tão genuína, porque sempre estava procurando uma forma de sabotar ou quebrar o equilíbrio daquilo. O porquê disso? Eis a pergunta de ouro que não sabia responder.
O caos era minha verdadeira casa, meu estado constante de espírito e meus “bons momentos” eram apenas válvulas de escape, temporárias e frágeis.
Fiquei tanto tempo presa em meus pensamentos, que só me dei conta do quanto havíamos andado quando paramos em alguns bancos próximo a costa.
Olhei para o horizonte coberto com o breu daquela noite e não contive um arrepio que tomou conta da minha espinha. Entrei em um estado de alerta repentino e meu estomago fechou em resposta a ansiedade que comecei a sentir. Minhas mãos suavam frio e meus dentes rangiam num misto de frio e nervosismo.
A realidade era tão cruel, imersa em uma nostalgia e desejos ocultos que raramente se revelavam. Qual era o sentido dessas emoções e esse desprendimento da realidade? Queria tanto me colocar no lugar de outra pessoa, por um instante que fosse, e ver como o mundo funcionava sob a perspectiva de alguém saudável.
Um dos meus maiores questionamentos era saber até que ponto a realidade era verídica e até onde nossas emoções podiam moldar o mundo ao nosso redor. Minha mente sempre foi muito fértil para criar histórias e meu corpo reagia na mesma sintonia ao dar vida para alguns pensamentos. Isso era algo normal ou eu era algum distúrbio psicológico que eu carregava? No melhor dos cenários, imaginava que algumas pessoas possuíam essa sensibilidade enquanto outras eram mais apáticas e frias.
Você já parou para se perguntar o verdadeiro sentido da sua existência? Porque respiramos, o funcionamento natural e biológico de todos os seres vivos, até as pequenas bactérias e fungos que estão presentes em outros planetas ou porque só nós estamos vivos em nosso sistema solar?
Esses questionamentos me desprendiam com uma facilidade imensa da realidade, mais do que me perder em algumas lembranças muito vívidas, porque isso me assustava, de certa forma. A imensidão infinita é muito mais esmagadora quando vista por esse ângulo universal e não apenas no plano terrestre.
Um oceano inteiro cheio de vida com lugares inexplorados e um universo vasto e infinito a anos luz daqui guardam tantos segredos que jamais conheceremos. Estamos apenas no ponto inicial de onde a história começou a ser escrita, mas pensar assim também soa um pouco arrogante da minha parte.
13,787 ± 0,020 bilhões de anos se passaram desde o Big Ben, quantas histórias já existiram e quantas vidas se perderam no vácuo desde então? A história que estamos contando e escrevendo agora pode ser apenas uma virgula em um grande emaranhado de páginas. O que me leva diretamente ao grande questionamento de: o que e quem somos, afinal?
O jeito que minha mente flutuava em ideias todas as vezes que só queria desaparecer para qualquer lugar longe daqui era interessante. Minha válvula de escape era bem criativa, mas também não via problema o suficiente para me julgar insana. Religiões espalhadas pelo globo ao redor dos nossos anos de existência foi a matriz de fé e aceitação de muitas pessoas. No meu caso, as leis da física e metafísica regiam essa fé e serviam de conforto.
Em algum lugar, longe daqui, talvez em uma outra vida, eu tivesse uma oportunidade única de visitar todos os lugares que já sonhei, em qualquer período do tempo e isso preenchia meu coração com uma pequena chama de esperança, ainda que uma lágrima retraída se formasse no canto de meus olhos, carregada com um pesar indescritível. A dor de um sonho vivido através de histórias e dos olhos de outras pessoas.
Era tão ávida com essas ideias que devorava histórias em quadrinhos e amava a quantidade absurda de entretenimento que tínhamos, fosse através de filmes, séries ou jogos, sempre tinha uma nova forma de explorar uma realidade além da minha.
Acho que era daí que saia tantas teorias e ideias que eu tinha no meio da noite, conversas que adoraria jogar fora com alguém que me entendesse, mas que guardava para não soar mais louca ainda. Nenhum dos meus amigos demonstrava interesse e por mais que Nick me apoiasse sempre e fosse alguém com quem pudesse contar qualquer coisa ele ficava preocupado.
Minha cabeça precisava estar no lugar e eu não podia me dar tanta liberdade criativa, pois sabia que desencadearia nas minhas crises que despertavam quando essas emoções vinham em peso. Lembrava—me muito bem da primeira vez que tive um surto e fui parar na ala psiquiátrica. No começo, parecia uma brincadeira inocente de criança que falava com seu amigo imaginário, até desencadear em gritos e alucinações horripilantes.
Estremeci com o vento gélido daquela noite batendo contra meu rosto e uma nova onda de arrepios se apoderou de mim. Enxergava as ruas com um pouco mais de cor, apesar de uma fina camada de névoa que se formara, quando notei a existência de algumas lojas e baladas abertas, repletas com luzes neons e placas gigantes com seus nomes.
O contraste perfeito de uma noite típica dos anos 80 estava se formando. Hazel mantinha seu corpo encostado em Nick e enrolava a ponta de sua camisa nos dedos, Galaxy dobrou as mangas de sua camiseta branca, sua jaqueta jeans azul amarrada em sua cintura. Liam e Jake discutiam fervorosamente sobre um jogo de RPG, enquanto os outros garotos, que vieram junto de Hazel e a Miss Insuportável, estavam próximos à orla, revezando quem bebia o cantil de prata.
Ao fundo, era possível ouvir o som de música vindo de uma balada toda vez que abriam a porta. Era o complemento que faltava para transformar aquela aura na imaginação perfeita.
A ansiedade ainda estava presente em cada célula de mim e minhas mãos estavam levemente trêmulas, apesar de estarem mais contidas. Aquela iluminação me distraia e me atraia assim como um vagalume era seduzido pelas lâmpadas.
Notei um pequeno grupo de pessoas caminhando para aquela rua, carregando algumas garrafas de bebida escondidas em sacos de papel. Eles pareciam um pouco com as pessoas que eu estava hoje e não pude conter o misto de alegria e tristeza que irrompeu meu peito.
Era tão bom uma vez na vida me sentir uma pessoa normal, mas sabia que quando voltasse para Crystal Falls eu seria apenas aquela pessoa solitária e isolada, exceto pelo seu único amigo.
A música tocava mais alto e o topo iluminado de uma placa dançava em tons de azul e violeta na mesma sintonia. Estava deslumbrada com a imagem e a ambientação ao meu redor, era a primeira vez que via a cidade nessa perspectiva.
— Quero ver isso mais de perto. – Murmurei e girei para alertar Nick, que estava disperso demais com a boca colada em Hazel. – Quem sou eu para atrapalhar? – Sussurrei inaudível e sorri aliviada por ver que ele também estava se divertindo.
Pensei em chamar Galaxy, mas além de estar ocupada em um rodízio com seu cigarro de palha e outro de maconha, também tinha as chances da garota insuportável vir de brinde, colada em seu pescoço.
Dei de ombros e segui sozinha o grupo de pessoas que acabara de passar por nós. Conforme adentrava a rua, sentia meu corpo ser engolido pelos prédios – não tão altos, mas com certeza maiores do que os que estava acostumada a ver em Crystal Falls – e pela percussão da mistura das músicas que tocavam.
Atravessei uma balada e dois bares antes de parar de frente para a balada com a placa colorida que havia visto de longe. Deparei—me com uma fila de pessoas caracterizadas com roupas típicas dos anos 80 e maquiagens carregadas em cores e extravagância.
Quando a porta se abriu e dois garotos vestindo jeans claros e topetes bem definidos entraram, vislumbrei uma bola de disco refletindo as luzes pelo ambiente e ouvi com clareza o refrão de Don’t You (Forget About Me). Eles estavam no auge de um frenesi, muito similar ao que presenciei no Arcade mais cedo.
Queria tanto entrar, mas diferente de onde fui, era certo que menores de idade não podiam entrar e, para o meu azar, não tinha feito a identidade falsa que tanto queria.
Era certo que Nick nunca concordaria com isso, mas ele não precisava ficar sabendo.
Mais uma porção de pessoas vestindo desde paetês brilhantes a blazers dois tamanhos maiores, calças de alfaiataria e com seus cabelos volumosos, passaram pela porta e entraram no lugar tão cobiçado.
— Ou você entra na fila ou sai daqui. – O segurança apontou para o fim da fila que dobrava a esquina. Sai dos meus devaneios e me peguei debruçada na longa fita de metal vermelho que separava a calçada das pessoas que esperavam para entrar.
— Deve estar perdida – O outro segurança que estava na porta apontou para as minhas roupas. Olhei para minha camisa surrada do Green Day e meu jeans escuro perguntando-me o que ele queria dizer.
— Por aqui. – Senti um cutucar em meu ombro e um vulto passar rapidamente por trás de mim.
Olhei para o lado e observei Max de costas, seguindo para o fim da fila e dobrando a esquina em passos rápidos. A segui na mesma velocidade, evitando perdê-la do meu campo de visão.
Um nó se formou na minha garganta ao entrar em um beco e me deparar com Max parada próximo a uma porta preta com uma pequena luz de emergência em seu topo.
— Você está me seguindo? – Empurrei-a contra a parede com força. Suas costas bateram contra a parede cinza em um som abafado.
Minhas mãos estavam trêmulas e eu não conseguia ponderar meu nervosismo. Meu coração batia desregular e com um pesar de tirar o folego.
— E se eu estiver? – Indagou em tom de ameaça. Ela segurou meus braços com firmeza e me afastaram de seu corpo. – Você está com medo? – Abriu um meio sorriso sádico.
— Sim. – Por fim, admiti a insegurança que sentia toda vez que ela estava por perto, sem pensar muito.
— Finalmente. – Ela soltou meus braços e deu alguns passos para longe de mim.
— Mas você está em todo lugar que eu estou! – Inquiri com a voz falha.
— Ou você está em todo lugar que eu estou – Rebateu. – Por que eu deveria confiar em você, Riley? – Sua voz era baixa e firme e não disfarçava seu tom ameaçador e sombrio.
— Por que eu que fui arremessada para o outro lado daquela porra de campina? – Indaguei três oitavas acima do normal. – Enquanto você... – Cerrei os dentes com força, não queria continuar.
— Enquanto eu...? – Franziu o cenho. Sua expressão estava carregada de raiva e desprezo.
Trinquei o maxilar, se desse a resposta mais óbvia estaria concordando com o que a escola inteira cochichava sobre ela ser responsável pelos assassinatos e me não seria nada diferente daquelas pessoas cruéis. Se me esquivasse só tornaria a situação pior do que já estava, além de mentir para mim mesma e para ela.
Não queria admitir que tinha receio dela, mas também não podia dizer que estava confortável, meus conflitos existiam e apesar de Max não ter sido incriminada, não queria baixar a guarda para alguém que também não havia sido inocentada.
— Seu silêncio já diz tudo. – Sua fala decepcionada era mais ríspida e dolorosa do que ser esfaqueada por uma lâmina bem afiada. – Poderíamos entrar por aqui, eu acho. – Ela apontou para a porta preta que dava para os fundos da balada temática. – Mas acho que você não gostaria de ficar sozinha comigo.
— Max... – Inspirei fundo, queria tentar ser o mais honesta possível. E já que havia falado mais do que deveria, seria bom termos essa conversa, brevemente. Não tinha julgamento o suficiente para me aprofundar em algo que não tinha certeza, ainda.
— Riley? — Ouvi Nick gritar o meu nome do outro lado da rua. —O que você está fazendo aqui? — Indagou, ofegante.
— Só vim olhar esse lugar e Max... — Virei de volta para garota e não a encontrei.
A porta para qual ela havia apontado como uma possibilidade de entrar de penetra estava balançando. Pude ouvir vagamente as frases finais da música.
Quando você for embora... Esse trecho ficou preso na minha cabeça, quando o mundo começou a girar sob os meus pés.
— Não tem nada aqui! – Disse exasperado.
Ele me envolveu em seus braços em um abraço forte e repousou seu queixo no topo de minha cabeça. — Você saiu andando sozinha pelas ruas vazias, foi um inferno te encontrar.
— Mas... – Estremeci em seus braços. Envolvi meus braços ao redor de sua cintura com toda força que tinha, meu peito queimava em uma súplica silenciosa. – Isso não é verdade. – Respirei fundo e tentei retomar o controle de meu corpo, que não queria soltá-lo.
Lutei contra cada músculo e os forcei a se moverem, contra sua vontade, para longe do abraço de Nick. Mantive uma das mãos grudadas em seu braço e o arrastei junto de mim para a rua iluminada, onde estava a fila organizada para entrarem na balada.
Estava tão ofegante quanto Nick quando chegamos na esquina e não me encontrei com nada, absolutamente nada além de uma rua deserta e escura.
O prédio estava fechado há algum tempo, a julgar pelas paredes gastas e janelas sujas, e a placa neon estava desligada, com uma parte pendurada e enferrujada.
— Aconteceu, Riley. – Disse quase num sussurrar. – Aconteceu de novo.
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