Há muitas coisas que eu já não me recordo...


Esqueci-me da forma que versava,

Quando versos não eram tudo o que escrevia.

Sempre que penso no passado,

Parece uma viagem rumo a uma terra desconhecida.


Onde o que sobra são memórias,

E peças perdidas que remontam histórias.

Acontecimentos antigos, voando e olvidando;

Porém, que ficam guardados, em algum lugar do meu hipocampo.


Viajei com Muninn, sentado sobre suas asas...

Enxergando através de seus olhos vermelhos, como os rubis de Odin.

Vislumbrei casas e vilarejos que caminhei assim,

Quando sequer cogitava o que o futuro faria de mim.


Há lembranças que sequer parecem minhas,

São confusas, litigiosas, quebradiças e malignas.

Quase descritivas de uma vida que não conheço.


Talvez esse possa ser o preço,

Do tempo que desvanece como as penas desse corvo.

Não quero fazer disso alvoroço, só contemplar...


Minha volta a esta terra, que também já foi meu lar...

Tudo o que um dia eu fui, soube e pensei, aqui está.

Por mais que nem sempre eu consiga lembrar.


Se tudo passa,

Que será do amanhã ao meu levantar?


Com Muninn, permitir-me-ei mais um pouco voar...

Sobre as nostálgicas desventuras do viver.

É interessante descobrir quem eu já fui,

Para poder saber exatamente quem um dia poderei ser.


Nesse meu infinito particular,

No ínfimo de um sonho peculiar,

Creio ser um lugar ao qual posso sempre voltar,

Sempre que precisar me encontrar.

~Gabriel.