Por que não te acordar...

Com sussurros ao pé do ouvido?

Ressurja melancolicamente ao levantar,

Dos sonhos que teve comigo.

Bata à porta da entrada...

Sei que precisas que eu te deixe

Entrar.

Talvez, possa me explicar a magia que esconde

Teus olhos enevoados de luar.

Que brilham incandescente,

Saboreando o vital da minha pele quente,

Que pulsa em fervor.

A lâmina em teus dentes,

Bebem do meu sangue como licor.

A máscara de maquiagem viva...

Melancólica vampira.

Tua inata é despreocupada e depressiva,

Em uma agonia quase aflitiva,

E irônica sobre minha mortalidade.

Enquanto sorri da minha carnalidade,

Sinta-se à vontade...

Pois eu sei o que resta agora,

Aproxime seus lábios dos meus e os toque.

Prove de mim o sabor da morte,

E sugue até a última gota que sobrar.

Pois eu sei que nada mais importa.

À luz fraca de velas,

Minha visão parcialmente bruma com suas curvas como

Veneno.

Meu lábio escorre sereno,

Sinto-me quase como se estivesse morrendo.

O espírito vacila intente,

Enquanto o teu permanece

Perene.

Bebericando filetes d’minha alma vazia,

Preenchido por teus caprichos,

De mulher felina.

Sou uma marionete viva...

De uma melancólica vampira.

Seus cabelos negros em caracóis indecentes,

Sedutores e ausentes,

Aquecem o que restou da minha paixão.

Posso não significar mais nada, porém me beije,

Com toda a vontade que te sobrou então.

Meu corpo meio morto, estirado à cama;

Nu e absorto, eu vejo,

Seus lábios saboreando o pouco de mim que restou:

Do meu pequeno sacrifício,

Faço-te um suplício:

Torne-me teu único e último amante.

Que tal me deitar,

Com sussurros ao pé do ouvido?

Talvez me permita sonhar,

Só mais essa vez contigo.

~Gabriel.