O Acervo do Alquimista
8 Vampira
Por que não te acordar...
Com sussurros ao pé do ouvido?
Ressurja melancolicamente ao levantar,
Dos sonhos que teve comigo.
Bata à porta da entrada...
Sei que precisas que eu te deixe
Entrar.
Talvez, possa me explicar a magia que esconde
Teus olhos enevoados de luar.
Que brilham incandescente,
Saboreando o vital da minha pele quente,
Que pulsa em fervor.
A lâmina em teus dentes,
Bebem do meu sangue como licor.
A máscara de maquiagem viva...
Melancólica vampira.
Tua inata é despreocupada e depressiva,
Em uma agonia quase aflitiva,
E irônica sobre minha mortalidade.
Enquanto sorri da minha carnalidade,
Sinta-se à vontade...
Pois eu sei o que resta agora,
Aproxime seus lábios dos meus e os toque.
Prove de mim o sabor da morte,
E sugue até a última gota que sobrar.
Pois eu sei que nada mais importa.
À luz fraca de velas,
Minha visão parcialmente bruma com suas curvas como
Veneno.
Meu lábio escorre sereno,
Sinto-me quase como se estivesse morrendo.
O espírito vacila intente,
Enquanto o teu permanece
Perene.
Bebericando filetes d’minha alma vazia,
Preenchido por teus caprichos,
De mulher felina.
Sou uma marionete viva...
De uma melancólica vampira.
Seus cabelos negros em caracóis indecentes,
Sedutores e ausentes,
Aquecem o que restou da minha paixão.
Posso não significar mais nada, porém me beije,
Com toda a vontade que te sobrou então.
Meu corpo meio morto, estirado à cama;
Nu e absorto, eu vejo,
Seus lábios saboreando o pouco de mim que restou:
Do meu pequeno sacrifício,
Faço-te um suplício:
Torne-me teu único e último amante.
Que tal me deitar,
Com sussurros ao pé do ouvido?
Talvez me permita sonhar,
Só mais essa vez contigo.
~Gabriel.
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