A noite se anuncia através da bruma…

Diga-me sobre as numerosas almas que presenciou,

E me conte sobre suas aventuras, da carne ao pó.

Explique-me sobre tudo o que neles restou,

E me fale sobre todas que se sentiram só.

No inevitável fim, tudo é escuro;

Alguns temem as coisas que se escondem no absurdo.

Mesmo que o silêncio os perturbe,

Uma voz fria sussurrará o arrepio que a espinha assume.

Uma escultura de uma gárgula escura observa…

Com seus olhos de pedra, no topo da Torre,

Aguardando os fantasmas caminharem pela terra.

A magia de um necromante inicia a névoa…

Que ruge com a aurora de um novo dia.

Os servos que se levantam servem a sua pedra.

E a noite se esconde sob o véu da lua…

A vida, eles dizem, é eterna…

Etérea, enquanto o necromante os controla.

São marionetes sem alma, guiados por uma corda.

Nada é livre, tudo é permitido,

quando atravessam a névoa.

O que sobra para eles quando surgir a aurora?

A morte é apenas uma passagem, ou o destino final?

Seus apanhados de memórias não significam tanto agora,

Enquanto a mão do necromante os controla:

Diga-me, para eles, que é que sobra?

Oh, Caronte, tua jornada é tão insólita…

Transportando não pessoas, e sim memórias.

Elas são fruto da mente que habita o tato,

Ou a alma é o verdadeiro receptáculo?

Pouco existe significado no fim…

Da ruptura entre o conteúdo e a casca.

O que foi que nos fez assim?

O necromante, a morte ou a jornada?

Somos mais que corpo, mente e alma?

O alquimista, com a pena cansada, questiona o necromante…

Que responde que, no fim, não somos nada.

Só seres vazios rumando uma desconhecida estrada.

Mas a noite continua soturna…

~Gabriel.