O Acervo do Alquimista
9 Necromante
A noite se anuncia através da bruma…
Diga-me sobre as numerosas almas que presenciou,
E me conte sobre suas aventuras, da carne ao pó.
Explique-me sobre tudo o que neles restou,
E me fale sobre todas que se sentiram só.
No inevitável fim, tudo é escuro;
Alguns temem as coisas que se escondem no absurdo.
Mesmo que o silêncio os perturbe,
Uma voz fria sussurrará o arrepio que a espinha assume.
Uma escultura de uma gárgula escura observa…
Com seus olhos de pedra, no topo da Torre,
Aguardando os fantasmas caminharem pela terra.
A magia de um necromante inicia a névoa…
Que ruge com a aurora de um novo dia.
Os servos que se levantam servem a sua pedra.
E a noite se esconde sob o véu da lua…
A vida, eles dizem, é eterna…
Etérea, enquanto o necromante os controla.
São marionetes sem alma, guiados por uma corda.
Nada é livre, tudo é permitido,
quando atravessam a névoa.
O que sobra para eles quando surgir a aurora?
A morte é apenas uma passagem, ou o destino final?
Seus apanhados de memórias não significam tanto agora,
Enquanto a mão do necromante os controla:
Diga-me, para eles, que é que sobra?
Oh, Caronte, tua jornada é tão insólita…
Transportando não pessoas, e sim memórias.
Elas são fruto da mente que habita o tato,
Ou a alma é o verdadeiro receptáculo?
Pouco existe significado no fim…
Da ruptura entre o conteúdo e a casca.
O que foi que nos fez assim?
O necromante, a morte ou a jornada?
Somos mais que corpo, mente e alma?
O alquimista, com a pena cansada, questiona o necromante…
Que responde que, no fim, não somos nada.
Só seres vazios rumando uma desconhecida estrada.
Mas a noite continua soturna…
~Gabriel.
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