O Acervo do Alquimista
10 Bruxa
As marcas que ela deixou em minha pele…
São mais profundas que cicatrizes normais,
Vão além das minhas capacidades mentais.
Há quanto tempo faz que não me sentia tão fraco,
Ela preparara uma última poção em seu calabouço claustrofóbico,
Onde, quando se entra, estás perdido de fato.
Penso se devia tê-la deixado queimar na fogueira…
Para deleite dos pagãos ignorantes.
A julgariam meretriz, uma falsa amante
Dos deuses inexistentes cultuados na clareira.
Só então eu não teria sido entregue,
Como cobaia de seus insuportáveis testes.
A loucura é quase uma íntima amiga…
Relembrando os meus antigos blocos de Alquimia.
Dizem que bruxas encantam com a facilidade das sereias,
Todavia, mais inquietantes com suas madeixas vermelhas.
Pois seus cabelos dançavam como chamas…
Ardentes e vibrantes, encantados com a magia
De seres de uma vida distante e diletante.
As sardas em seu rosto eram como constelações da Astrologia.
Oh, deveria ser eterna…
Brilhante, bruxas seduzem homens para a beira,
E os deixa prostrados, maculados pela cegueira.
Ah, a pele lisa é mentirosa…
A idade dela não procede com sua história.
É quase um ser mitológico, em figura belamente odiosa.
E apaixonante…
Mero alquimista e protótipo de amante.
Não me deixei encantar totalmente…
Pois da sua toca escapei, relutante.
Contudo, às vezes, nas noites minguantes…
Pego-me entre meus escritos, pensante.
Se aquela maldita bruxa não me deixou fugir,
Para lhe escrever essas cartas apaixonadas de um mártir.
~Gabriel.
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