Memories

24 Memory Twenty Three


Notas iniciais
Olá! Dessa vez não demorei ~ Começo essas notas agradecendo a Nithara pela maravilhosa recomendação. Muuito obrigada mesmo! E, seja bem vinda, Tabata Orihara! Espero que goste de Memories e apareça mais vezes. . Sugestão musical: Safe & Sound - Taylor Swift (nem sou fã dela, mas é uma OST de Jogos Vorazes) http://www.youtube.com/watch?v=RzhAS_GnJIc . Boa leitura e uma pequena frase de Shakespeare pra vocês (pfvr, ele dá spoilers de Memories)

Memories

Memory Twenty Three

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O verdadeiro nome do amor é cativeiro — William Shakespeare

Seu nome era Orihara Izaya. Conhecido como uma das pessoas mais perigosas de Tóquio.

Um homem absurdamente inteligente, manipulador, cínico e cruel. Alguém que sempre consegue o que quer e usa as pessoas a seu bel-prazer, sem se importar com os estragos que faz.

Ele é completamente desprezível e também sempre faz questão de mostrar o quão superior é.

E todos acreditam e o teme.

Entretanto, em meio a tanto poder, há algo que Izaya se esforça com todas as suas forças para esconder. Uma verdade degradante e imutável que o corrói todos os dias:

Orihara Izaya ainda era um ser humano. E, como tal, possui pontos fracos. Que, no caso dele, eram quase fatais.

Medo de se apegar a alguém e ter seu coração acorrentado por um deplorável sentimento chamado amor.

E medo de ter sua existência esquecida.

Odiava-se por isso, mas era algo que não conseguia mudar. Então, sua segunda alternativa era escondê-los.

Como uma forma de se proteger, Izaya criou ao longo dos anos grandes e resistentes muros em volta de seu coração. Entretanto, não era uma solução completamente perfeita. Ao criar barreiras, ele se isolou. E era esse o seu objetivo, mas que tinha como consequência coisas como solidão, carência e vazio emocional.

Izaya vivia em um mundo frio e desolado.

No início foi difícil. Doía. Ele teve que abrir mão de uma série de cosias, mas se obrigou a se acostumar com isso e aceitar que essa seria sua forma de viver.

A dor continuou, mas havia aprendido a conviver com ela. Era um preço pequeno a se pagar para ter seu coração completamente protegido por barreiras que julgava serem impenetráveis. E, de fato, elas formam por um longo tempo. Até o dia em que ele a conheceu.

Seu nome era Mai. Pequena, gentil e inocente.

O maior erro de Izaya foi acreditar que ela era inofensiva.

No início, a jovem não passava de um peão em suas mãos. Mai era fácil de ser manipulada e isso o divertia. Tanto, que quando o momento de descartá-la chegou, ele não o fez.

Brincar com Mai e usá-la era o seu maior passatempo.

O problema era que, pouco a pouco e sem que percebesse, ela deixou de ser uma mera ferramenta e começou a exercer um papel diferente. Ele ainda a usava, mas já não era mais pelo prazer de vê-la sendo manipulada. Tê-la ao seu lado passou a ter outro significado.

A solidão e carência, sempre presentes e sua vida, começaram a desaparecer na medida em que ela ia se aproximando. Gentilmente, Mai começou a aquecer o seu mundo gélido. Carinho, afeto e aconchego partiam dela e lhe eram direcionados sem que precisasse, se quer, retribuir. Sem que, principalmente, precisasse abrir uma abertura em seus muros.

Era uma situação perfeita. Tinha tudo, sem precisar sair de sua zona de conforto.

Mesmo fingindo que não sentia, Izaya gostava de toda a atenção que recebia. Para alguém que sempre foi odiado e temido, a sensação de saber que era estimado tanto era maravilhosamente boa. Ter companhia, vê-la sorrindo toda vez que o via e ouvi-la chamar seu nome de forma tão apaixonada eram coisas que enchiam de vida seu mundo vazio.

Orihara Izaya, aquele homem desprezível e cruel, era amado incondicionalmente por alguém.

Entretanto, foi ai que os problemas começaram a surgir. Enquanto se deliciava com sua nova condição, ele não percebeu que seus muros começaram a ruir. Mai, com toda sua inocência infantil, havia conseguido abalá-los. Mas era de forma tão sutilmente delicada, que isso não o alarmou. Sabia que corria perigo, porém, ao invés de afastá-la, simplesmente mentiu para si mesmo com a ideia de que se não admitisse qualquer sentimento, estaria seguro.

Uma doce ilusão... Afinal, não é necessário admitir um sentimento para que ele exista. Na verdade, quanto mais se tenta contê-lo, mais forte ele tende a se manifestar.

Foi o que aconteceu. E era tarde demais para fazer algo contra, pois uma de suas barreiras já havia caído. Quando Izaya deu por si, já estava impregnado com algo que um dia jurou repudiar. Ele não só era amado, como também retribuía esse sentimento e vivia seus efeitos colaterais.

Ciúmes, vontade de sempre estar perto, medo de perder... Não conseguia deixar de sentir isso.

A verdade era que, no fundo, Izaya havia se apegado a Mai e compartilhava de seus sentimentos. Um de seus maiores medos havia se concretizado. Só que, naquela época, não havia doído. Tê-la ao seu lado e receber constantemente sua ternura anestesiou qualquer sofrimento que aquela abertura poderia trazer. No fundo, ele não se importava se havia se tornado vulnerável para alguém, desde que essa pessoa fosse Mai. Ele confiava nela. Tudo parecia tão certo.

Só que o mundo é sujo e cruel. Nele as coisas existem para um dia serem destruídas. E não foi diferente com os dois.

Um dia, percebeu que não a teria para sempre. Izaya perderia sua única e preciosa companhia para algo que não podia lutar contra. Era a sentença que havia pesado sobre ele ao se deixar tomar por tudo aquilo. Saber disso e de sua incapacidade o corroía por dentro e era ainda pior ver o sofrimento nos olhos de Mai.

Parecia uma agonia sem fim conviver com aquilo. Todavia, nada disso se comparou ao adeus que teve que dar a pessoa mais importante de sua vida. Lembrava-se bem do vazio que sentiu ao perceber que Mai não estava mais com ele. E os meses que passou sem ela, quase um ano, foram completamente desoladores.

Entretanto, secretamente, Izaya nutria a esperança de que a veria novamente. Por isso, ela manteve viva e memória dela e esperou.

E, de fato, ela a reencontrou. Mas não era a mesma pessoa que um dia foi sua. Depois de um ano, quando Izaya finalmente achou que tudo voltaria ao normal, descobriu que ela não se recordava dele e não o amava mais.

O segundo maior medo de Izaya, e o pior, era deixar de existir. E, na cabeça daquela garota, sua existência havia sido completamente apagada.

Foi naquele dia que sua última barreira caiu por terra, expondo suas fraquezas e inseguranças, que foram cruelmente atingidas em cheio, gerando a pior dor que já havia sentindo em toda sua vida.

Houve um momento em que ele a odiou profundamente por ter se esquecido dele e desejou nunca tê-la conhecido. E até considerou deixá-la naquele orfanato, mas não conseguiu. Simplesmente não podia. Então, Izaya lutou contra todos os contras e a trouxe de volta, apegando-se a ideia de que se conseguisse, poderia superar tudo aquilo e começar de novo.

Mas aquilo o fez lembrar-se porque abominava tanto o amor. Nada durava para sempre. Tudo um dia acabava, deixando para trás cicatrizes feias. Era assim que funcionava. O amor era cruel e sádico. Dava o melhor para aqueles que o aceitavam, mas depois tomava de volta sem dó nem piedade. Amar significava se tornar dependente e fraco. Entretanto, o ser humano, estúpido e burro, ainda sim corria atrás dele. Com Izaya não foi diferente.

E as coisas não foram nada fáceis. Enquanto, ao seu modo, tentava fazê-la se aproximar novamente e se apaixonar, as feridas em seu coração pareciam se abrir ainda mais.

Com o tempo, ela realmente voltou a amá-la, lhe correspondendo com o carinho e afeto que tanto sentia falta. Mas já era tarde demais. O apresso que Mai demonstrava só fazia seus machucados ficarem ainda piores. Porque no fundo, Izaya ainda se ressentia dela por tê-lo abandonado e então esquecido. Ele até tentou conter a raiva acumulada ao longo do tempo, mas não conseguiu. E quando viu o momento perfeito para dar vazão à dor que sentia, não hesitou.

Ele a fez sentir a mesma dor que o atormentou. Torturou e maltratou seu pobre coração e feriu seus sentimentos. Subjugou-a para que se sentisse no pode e depois a humilhou.

Tudo isso porque estava profundamente magoado.

Todavia, a raiva cedeu à culpa e Izaya se deu conta do que havia feito. Isso era demais até para ele. Afinal, mesmo sentindo tudo aquilo, em nenhum momento Mai deixou de ser importante para ele.

Vendo os resultados de sua crueldade, Izaya sentou-se obrigado a tomar a mais difícil decisão de sua vida: dizer adeus novamente e deixá-la livre. Mai nunca o abandonaria conscientemente e o amava tanto a ponto de se sacrificar por ele. Mas ficar ao lado de Izaya iria acabar com ela. Não suportaria ver isso.

Mas por que separar? Ele estava arrependido. Não seria menos doloroso se desculpar e começar do zero?

Talvez. Provavelmente sim.

Porém, Izaya não era capaz de fazer algo assim. Porque ele ainda estava com medo. Terrivelmente assustado. Temia que, ao recomeçar novamente e se deixar ser tomado por todos aqueles sentimentos e momentos de alegria, um dia, subitamente, perderia tudo de novo.

É essa a verdade por trás de Orihara Izaya e sua incapacidade de demonstrar com sinceridade qualquer sentimento por Mai: um profundo medo de perder novamente a pessoa que mais amava.

Só que... Desde aquela noite em que havia se despedido de Mai com a promessa de nunca mais perturbá-la, Izaya se arrependia amargamente de tudo isso.

A cada dia que passava, ansiava cada vez mais por ela. A desejava de volta, no entanto, não poderia tê-la. Porque, para isso, teria que superar seu maior medo e ele não conseguiria fazer isso. Não sozinho.

• • •

Um silêncio desagradável havia se apoderado do escritório desde a partida de Mai. O cômodo também parecia mais sombrio e frio. Aquilo o irritava.

Na verdade, tudo o irritava. Izaya vivia de mau humor, nada conseguia agradá-lo. Trabalhar ou manipular as pessoas já não lhe trazia mais prazer, conversar no chat era entediante e observar seus queridos humanos havia perdido a graça.

Em pé, de frente para um dos janelões do escritório, o informante observava o pôr do sol. Não era só o azedume de seu humor que o representava. Também havia raiva, talvez até ódio. De tudo e todos, principalmente de si mesmo. Desprezava a si próprio por estar em uma situação tão deplorável e não ter ideia do que fazer para mudá-la.

Não conseguia fazer nada, nem por ele ou por Mai. Era incapaz de esquecê-la e seguir em frente e muitos menos superar seus traumas e trazê-la de volta, ainda que fosse o que mais queria.

Praguejando, ele se afastou do vidro e subiu até o seu quarto. Logo quando entrou, seguiu direto para o banheiro e tirou sua roupa. Ao olhar-se no espelho, viu os inúmeros ferimentos espalhados pelo seu tronco e braços — cortes simples e profundos e marcas arroxeadas de batidas. Tudo isso também era uma consequência de seu atual estado.

Obviamente, precisava extravasar seus sentimentos sufocantes e a única solução que encontrou foi provocar Shizuo e correr por Ikebukuro. A adrenalina do perigo iminente o distraía e perturbar a vida do loiro ajudava um pouco a diminuir sua raiva. Mas era uma sensação muito pequena e rápida de alívio, que só o obrigava a continuar mais e mais com aquilo até surtir um efeito mais longo, mas também causando todas aquelas contusões. E nem fugir de Shizuo estava conseguindo direito, o que piorava ainda mais as coisas.

Não que se importasse com aquilo, o problema era tratá-los. Já havia ido demais aos hospitais das redondezas, fazendo com que os médicos começassem a questioná-lo demais sobre a natureza deles. Podia contratar alguém do submundo que não fizesse perguntas para tratá-los, mas não confiava em ninguém. Estava tentando cuidar deles por si mesmo, mas não estava fazendo um bom trabalho. Sua única alternativa parecia ser Shinra, mas era um tanto inviável.

Com um suspiro, Izaya entrou no Box e ligou o chuveiro. A água quente jorrou em seu corpo e ele respirou fundo algumas vezes, suportando a ardência.

Ele levou a mão até a parede fria de azulejos, deixando sua mente vagar. Entretanto, contra a sua vontade, ela caminhou até Mai e ele teve que refrear-se. Era particularmente desagradável como tudo a sua volta o fazia se lembrar dela. Até durante o banho... E aquilo era um tipo de memória que ele particularmente tentava evitar, principalmente porque era algo de que sentia falta.

Quando acabou, voltou para o quarto e colocou uma roupa casual. Não tinha nada em mente naquele momento, mas também não queria ficar à toa no escritório, optando então por dar uma volta pela cidade. Talvez uma caminhada banhada pelo frio de outono o ajudasse a esfriar a cabeça.

Do lado de fora, um vento cortante esvoaçava tudo que via pela frente. Izaya apertou mais o sobretudo contra o corpo e começou a andar em direção a Ikebukuro. Dessa vez, preferiu evitar qualquer encontro com Shizuo. Seus ferimentos doíam e estavam cicatrizando mal. Não queria admitir, mas sua forma de extravasar a raiva estava começando a prejudicá-lo. Por isso, seguiu com cautela, a passos lentos e pesados.

Desde a partida de Mai, Izaya nunca havia sido tomado por um clima tão lúgubre. A cidade a sua volta, brilhante e viva, cheia de pessoas de mais variados tipos não lhe interessava mais, tudo havia perdido a graça.

Parecia que uma parte de si havia sido arrancada e levada para longe, uma parte muito importante e que lhe fazia uma terrível falta.

O informante parou de frente para uma livraria, encarando seu reflexo no vidro frontal de loja.

Não me reconheço, pensou. Curioso, porque na minha situação atual, estou o mais próximo possível do que eu era de fato.

Novamente, estava sozinho, carente e vazio. Era essa a sua vida antes de conhecê-la. Por isso, deveria ser o momento perfeito para voltar ao que realmente era. Mas não conseguia.

Orihara Izaya não era a mesma pessoa. Havia se transformado em um homem pateticamente dependente de um sentimento que não passava de pura desordem mental.

Sempre tentava fingir o contrário, ignorar o fato e até fugir dela, mas no fundo o que mais queria era ter Mai de volta. Estava cansado de se sentir solitário.

Desanimado, deu as costas para a loja e voltou a andar. Os transeuntes passavam por Izaya, mas ele mal prestava atenção neles. Naquele mar de pessoas, seus olhos sempre estavam à procura dela. Às vezes, com uma pontada de decepção, ele não a via, mas em outras, seus olhos caíam em cheio sobre a figura de Mai.

Como naquela ocasião.

De outro lado a rua, saindo de uma cafeteria e acompanhada por suas irmãs, estava ela.

Izaya não parou sua caminhada, continuou no mesmo ritmo. No entanto, sua atenção não saía de Mai. Ele a viu sorrir para as gêmeas, trocar alguns comentários e depois rir. Todavia, sabia que tudo aquilo era forçado. Perceber isso o deixou satisfeito.

Ainda que em um estado de dar pena, continuava a ser uma pessoa desprezível e egoísta. Saber que ela sofria tanto quanto ele lhe dava certo prazer.

O informante a observou se afastar, até virar uma esquina e sumir de seu campo de visão. Ele também seguiu seu caminho, até sentir uma fisgada de dor mais forte em seu peito. Automaticamente, levou a mão até a região, sentindo algo molhar seus dedos. Ao tirá-los, percebeu que era sangue. Afastou um dos lados de seu casaco e viu o tecido negro de sua blusa manchado por um líquido viscoso e avermelhado.

De todos os seus ferimentos, aquele era o pior e o que mais doía. E, ao que parecia, seus precários curativos não haviam surtido efeito na ferida.

— Tsc... Não tenho escolha.

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Pelo canto dos olhos, ele espiava a expressão de puro assombro no rosto de Mai ao vê-lo acomodado na sala do apartamento de Shinra.

Ela estava em pé, no final do corredor, completamente pálida. As sacolas que carregava estavam agora caídas no chão e seus ombros tremiam.

— Bem... — tentou Shinra, completamente desconcertado. — Como posso explicar?

Mas não houve tempo para ele dizer algo. A jovem desajeitadamente catou o que derrubara e levou para cozinha, deixando as compras em cima da pia. Tensa e sem olhar para Izaya, Mai lhe deu as costas e saiu do apartamento, batendo a porta.

— Bom te ver também — Izaya falou com ironia, mas sentindo também um pouco de satisfação. — Ai!

— Isso foi crueldade, Orihara-kun — advertiu o médico, pressionando um algodão contra um de seus ferimentos.

— Na verdade, isso se chama falta de opção — deu de ombros. — Já lhe expliquei porque que tive que vir até aqui.

Estava sendo sincero, embora no fundo uma parte de si há muito estivesse implorando para ir lá e vê-la.

O de óculos apenas suspirou, consentindo a contragosto.

— Eu sei, mas ao menos poderia ter avisado, para não pegar ninguém de surpresa.

— Oh, claro, como fui deixar isso passar?! Quanta descortesia da minha parte, francamente... Prometo avisar da próxima vez com três dias de antecedência qualquer emergência — falou com sarcasmo. — Agora, termine isso logo.

Resignado, o de óculos continuou seu trabalho. E, enquanto o observava, Izaya teve que se segurar para não fazer nenhuma pergunta a respeito de Mai. Esperava que Shinra simplesmente lhe dissesse algo, mas sabia que ele precisaria de algum estímulo. Mas o informante não estava disposto a dar o braço a torcer.

Quando terminou, com o tronco repleto de ataduras, o informante voltou a vestir sua camisa e depois o casaco.

— Não exagere — advertiu o médico. — Na verdade, acho melhor você parar de sair por ai provocando o Shizuo-kun. Ao menos até as feridas cicatrizarem.

— Certo, certo — ele revirou os olhos com indiferença.

Caminhava até a porta, quando sentiu seu amigo segurá-lo pelo pulso. Com uma expressão séria e solene, Shinra se aproximou de seu ouvido.

— Quando soube que o Shizuo-kun o havia machucado, ela ficou bastante preocupada — confidenciou.

— É claro que ficou.

Com um aceno, Izaya saiu do apartamento e andou pelo corredor até chegar ao elevador. Ele apertou o botão para chamá-lo e esperou. Quando ele subiu e as portas se abriram, surpreendeu-se ao ver Mai lá dentro.

Ela, ao percebê-lo, pareceu ficar ainda mais assustada que antes. Completamente sem jeito, tentou sair de lá de dentro o mais rápido possível, mas quando passou pelo rapaz, tropeçou na junção do elevador com o piso.

Foi automático, Izaya não teve tempo para refrear-se. Quase que no mesmo instante, ele enlaçou sua cintura com o braço e a segurou, trincando os dentes devido à dor proveniente dos machucados que tinha ali. Entretanto, muito mais do que isso, ele sentiu o calor do corpo dela contra o seu. Lembrou-se também de como ela era leve e pequena.

O contato durou poucos segundos, mas pareceu longo demais.

Bruscamente e com o rosto corado, Mai se afastou. Estava trêmula e mal conseguia olhá-lo. Entretanto, Izaya conseguiu ver em seus olhos uma profunda tristeza. E, por um momento, quase cedeu a tentação de tocá-la novamente.

— Desculpe — sussurrou, antes de virar-se e correr de volta para o apartamento.

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Depois daquele encontro, deitado em sua cama, Izaya encarava o teto de seu quarto. Após um tempo, virou-se para ao lado que antes era ocupado por Mai. Seus dedos lentamente correram pelo colchão no lugar onde ela se deitava.

Ela nunca gostou de dormir sozinha, recordava-se. Quando dormiam juntos, sempre a sentia arrastando-se para perto dele debaixo das cobertas. No início, achava isso estranho e um pouco desconfortável. No entanto, depois de um tempo, havia se acostumado com isso. E, posteriormente, passou a apreciar aquele contato. Era agradável a sensação do corpo quente e macio de Mai contra o seu. De todas as formas.

Quero-a de volta.

Não aguentava mais. Mesmo não querendo, contava os dias de distância. Duas, quase três semanas longe dela. Esse afastamento o estava matando de forma lenta e dolorosa. Precisava tanto dela, de sentir seu amor. E de... Retribuí-lo. Estar longe até podia impedir um beijo ou um abraço, mas não faz com que o coração pare de clamar por eles.

Estava agindo de forma ridícula e humilhante, mas não conseguia evitar. Seu desespero havia chegado a um ponto em que Izaya já não se importava mais com nada, além dela.

Não vê-la, ouvir sua voz e senti seu toque o estava enlouquecendo. E ter que conter tudo isso o sufocava.

Simplesmente não consegui esquecer esses sentimentos, que tanto luto para abandonar.

Seu coração machucado clamava para ser curado, não aguentando mais a dor.

Mas você queria me curar, não é, Mai?, suspirou. O problema é que eu te arruinei antes que conseguisse.

Ah, como era difícil esquecer alguém que lhe deu muito que lembrar, principalmente quando essas memórias se tornam tão preciosas.

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A noite estava não só fria, como também nublada e úmida. Era óbvio que choveria naquele dia, ainda que fosse por pouco tempo. Entretanto, isso não estimulou Izaya para que pegasse um guarda-chuva antes de sair.

Mesmo que sem muita vontade, obrigou-se a deixar o escritório para revolver algumas pendências. Para sua sorte, o assunto envolvia Shiki, um de seus clientes mais assíduos e que presava uma relação de negócios rápida e eficiente. Por isso, não precisou se demorar demais naquilo, ficando rapidamente livre daquela chateação.

Agora, andava pelas ruas de Ikebukuro sem um rumo certo. A cidade era iluminada por postes e outdoors, mas as ruas não possuíam seu movimento característico. Alarmados pela promessa de chuva, seus transeuntes optavam por se abrigarem em lojas ou cafeterias.

Izaya caminhava distraidamente, imenso em pensamentos conturbados, quando sentiu a gola de sua camisa ser puxada com brusquidão e seu corpo sendo lançando com força contra a parede lateral de um beco.

O ar escapou de seus pulmões, impedindo que soltasse algum xingamento. Seus olhos vermelhos focaram-se nos castanhos e um sorriso cruel brincou em seus lábios.

— Ora, ora, novamente me surpreendendo, Shizu-chan — falou com desprezo. — Em comparação aos seus ataques espalhafatosos, essa emboscada sorrateira foi um grande avanço.

O loiro trincou os dentes, uma veia saltava em sua testa.

— É exatamente o que você merece por todos os problemas que vem me colocando. Tem ideia da bagunça que está a minha vida depois que resolveu virar um psicopata suicida? — rosnou.

— É claro que tenho — riu. — E por isso mesmo continuo a atormentá-lo.

— Maldito — vociferou. — Pois bem, então é melhor se preparar, pulga maldita. Hoje você vai receber o que merece por tudo que tem feito.

Abrindo um sorriso assassino, Shizuo ergueu o punho na altura de seu rosto e flexionou o braço para trás.

Izaya manteve a expressão divertida diante da ameaça do loiro, mas por dentro ria com amargura.

Perfeito, serei socado até a morte por um homem com cérebro de protozoário, pensou. Talvez eu até mereça isso por estar agindo de forma tão lamentável e indigna.

O segurança apertou o punho, pronto para jogá-lo na direção do informante.

— MORRA, IZAYA!

— Por favor, não o machuque!

A chuva havia começado a cair, mas nenhum dos rapazes deu atenção a isso. Ambos olhavam atônitos para a garota que se agarrava ao braço de Shizuo com todas as suas forças. Não que ela tivesse capacidade de segurá-lo, mas no susto, o loiro havia desarmado seu impulso.

— Por favor — Mai suplicou. —, não machuque o Izaya.

Memory Twenty Three Finalized.

Notas finais
Então, o que acharam? Bem, eu basicamente "dissequei" tudo o que vem acontecendo com o Izaya desde Miracle. Agora, finalmente, esclarecendo seus motivos de agir daquele jeito. Espero que tenha agradado a vocês, leitores. E que não tenha ficado OOC Acho que no final, ele acabou sofrendo mais do que a Mai com essa separação, pois ela sempre expressou seus sentimentos e nunca teve arrependimentos quanto a isso. Já ele, não. . Por favor, se você estiver lendo, não esqueça de comentar. Ou, se achar que mereço, deixar uma recomendação. Ficarei muito feliz! . Spolier: o próximo capítulo está cheio de feelings IzayaxMai. Aguradem! . Gente, comecei uma fanfic de fichas. Caso alguém queira participar: http://fanfiction.com.br/historia/463884/O_Legado_dos_Oito_Interativa/ . Bem, é só isso. Até o próximo capítulo e obrigada pelos reviews.