Meine Shuld

16 Capítulo 16 - Não me deixe


— Isso é sério princesa? — perguntou Mari para a mais nova, Asuka estava com ela há um pouco mais de uma hora, mas ela ainda estava repetindo a mesma pergunta desde que Asuka explicou como ela deixou Shinji sozinho.

Asuka suspirou, tentando retomar de onde parou.

— Eu não sei o que fazer com ele Mari, preciso de sua ajuda. — ela implorou para a mais velha novamente, Mari estava dormindo, até ser acordada por batidas nada suaves de Asuka na sua porta, a mesma apareceu no vidro, e Mari a deixou entrar.

Pelo que Mari havia entendido, a culpa e a resignação própria de Asuka estava em um ponto tão alto que ela se sentia tão imunda somente por estar perto dele depois de tudo o que havia feito, tendo pedido perdão ou não, e ela não sabia como deveria agir em torno dele, não sabia se devia se aproximar, ou se afastar dele. E isso estava a consumindo, e Asuka tinha medo que isso pudesse fazer algum mal pra ele. Não que Mari se importasse, mas isso estava estranho de qualquer forma.

— Eu já te disse uma vez, precisa encontrar força em si mesma, e se encontrar força em si mesma é viver com a vergonha, mas no entanto, ser útil e ser presente pra ele, então se encare vergonhosamente no espelho Asuka, todos os dias, e ajude o filhote. — comentou Mari novamente, pegando os novos óculos que havia pedido para Misato. — Eu não entendo, por que só agora você resolveu ser tão direta Asuka? Existem momentos que eu até sinto vergonha quando você fala de si mesma, é tão inesperado...

Silêncio, Asuka olhou para Mari por um momento antes de bufar em tédio pra explicar para ela.

— Em uma das minhas conversas com Shinji, eu fiquei muito tempo, conversando com ele, e em nenhum momento eu consegui filtrar minhas palavras, não consegui mascarar nada dele, então eu penso que isso se tornou um hábito inconsciente da minha parte, as palavras simplesmente veem e ai estão.

Mari a observou por um momento antes de voltar a falar, feliz com isso de certa forma, era bom Asuka ter mudado um pouco.

— Bom, você podia estar desesperada com ele, mas deixar a sua antiga colega cuidando dele? Não tem medo que ela não possa se '' aproveitar '' da oportunidade? — perguntou Mari, mais por curiosidade do que por maldade, mas admitiu que no fundo ela gostaria de ver um pouco da velha Asuka, explodindo em raiva e negando seu ciúmes mais do que óbvio, porém nada disso lhe aconteceu.

— Evaline não seria tão suja como eu fui. — ela respondeu simplesmente, não se importando em se denegrir, pareceu entrar em um entendimento que ela agiu como um monstro e que agora tinha que lidar com isso. — E se ela fosse, eu teria certeza de esconder seu corpo.

A última sentença não foi de uma adolescente a qual dava ameaças vazias, Mari sorriu com isso, uma bela rival ela diria. — Como que Shinji está quando você está perto dele? — a mais velha perguntou, Asuka tomou alguns momentos pra responder essa pergunta, era difícil entender a relação dos dois agora.

— Ele ainda tem medo, nos olhos dele, parece que é algo que vai acompanhá-lo agora, e eu não posso culpá-lo, mas toda vez que eu mostro minhas intenções quando me aproximo dele, isso parece fazê-lo se acalmar, quando ele não sabe o porquê eu estou perto dele, eu posso vê-lo tremer por de baixo dos cobertores, ele pensa que consegue esconder de mim.

— Eu não sei se eu teria a coragem de tentar resolver o que aconteceu, mesmo que eu tivesse praticamente obrigado você a fazer isso. — admitiu a mais velha. — Existem pessoas que não tem essa grandeza.

— A última coisa que eu mereço, são elogios Mari. — comentou Asuka sombriamente. — Não mereço nada disso, eu terei o que eu realmente mereço no dia em que eu morrer.

Mari não disse nada, pois ela sabia que cada um tinha um destino reservado, seja em vida, ou em morte. Ela observou Asuka se curvar levemente para ela, e sair pela porta do seu quarto, com o rosto pensativo, no que ela tinha que fazer, e como ela tinha que agir. Ela tentou dizer o que Asuka deveria fazer, e repetiu mais uma vez, ela esperava que tivesse entendido, de qualquer forma se algo estivesse errado, Asuka voltaria e ela saberia eventualmente. No momento a única coisa que passava em sua cabeça era como Shinji devia estar em sua própria casa agora, ela torcia para nada de mal acontecer com ele, e ela torcia para que Asuka não fizesse nada também.

Asuka estava saindo do hospital estante, com tudo o que havia decidido e organizado em sua cabeça, ela faria um esforço grande pra tentar não deixar as coisas tão estranhas entre os dois, ela agiria naturalmente com ele agora. E tentaria com todas as forças não o olhar com pena, e não o olharia com culpa também, ela faria isso em seu quarto, se fosse para chorar como uma criança arrependida, faria isso sozinha. Já havia deixado Shinji tempo por demais com a loura, queria voltar para casa agora e verificar que o seu mundo ainda estava deitado em sua cama como ela havia deixado.

Ela tencionou em passar em uma farmácia pra pegar algum outro remédio, mas nada estaria aberto agora, talvez amanhã ela fosse, e ela ainda tinha que falar com Akagi sobre seus exames em EVA. Ela não sabia o que queria fazer agora, voltar pro inferno onde sua vida teve um sentido por um tempo? Ou deixar a vida e o acaso lhe guiarem? Ela não tinha essa resposta.

Voltou pelo mesmo caminho, indo em direção a estação onde o metrô iria passar, já havia se passado uma hora desde que ela quis conversar com Mari, não que tenha lhe ajudado muito, mas ela precisava pelo menos de uma desculpa pra organizar os pensamentos. E também ela ainda teria que conversar com a garota de cabelos rosas sobre o que ela quis dizer com conhecer Shinji. Ela teria que falar com Harumi.

Ela tinha que fazer tantas coisas que era difícil decidir na realidade. Mas isso não importava agora, ela tinha feito coisas horríveis, e agora ela teria que encarar o que fez, todos os dias de sua vida, e ter a certeza que nunca mais fosse acontecer. Pensando nisso, ela se dirigiu para fora do quarto de Mari, em um tempo muito curto, ela estaria melhor, falaria com Misato, e ela daria um jeito de colocar ela perto deles também.

Seria bom se ela tivesse alguém de confiança com Shinji, para impedir Harumi e Evaline tentarem ser... Como ela foi. Suspirando pesadamente ela saiu, dando uma despedida em curvatura para a mais velha, e preparou seus passos para casa. Ela ainda teria que ir para a estação do metrô, sorte que ela não teria que lidar com os olhares sujos de velhos rabugentos sobre sua saia.

Tudo o que ela queria era chegar em casa... Mas agora era apenas o caminho até lá, e ela faria o melhor com Shinji, ela faria.

Ela prometeu que tudo iria acontecer conforme Shinji ditasse, se ele resolvesse ser seu amigo, ela ficaria grata, mas ela nunca mais cobraria nada dele.

Com essas promessas ela começou a ir aonde pertencia, com os leves pensamentos de o quê os dois poderiam estar fazendo... Ela só queria não ter errado ao confiar em Evaline

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

— E então você correu atrás de mim, e eu estava sendo perseguida por um cachorrinho, mas eu estava com tanto medo que nem ao menos notei que te deixei pra trás, só depois de minutos fugindo, eu vi que você não estava por perto, então eu tive que encarar o maior animal de todos, um cachorrinho pequeno. — Evaline contou alegremente uma de suas memorias, parecendo outra pessoa, pelo menos com Shinji ela podia agir mais naturalmente. — E quando eu te encontrei você estava com medo e olhando para os lados, e quando me percebeu você veio correndo pra mim e me abraçou, foi uma coisa divertida, e é claro que seus tios culparam você por eu ter sujado minhas roupas, imbecis.

Shinji se mantinha um pouco nervoso ainda ao redor dela, mas era divertido saber que ele tinha compartilhado momentos assim com uma pessoa, a impressão que ele tinha dela com certeza estava mudando.

— Não consigo imaginar você com medo de alguma coisa, de jeito nenhum. — ele comentou casualmente. Evaline sorriu de canto pra ele, como se entendesse o real significado das palavras, e de fato entendia, quando Shinji elogiava uma característica de alguém, era porquê ele queria tê-la também.

— Não tenha a ideia errada, eu tenho medo sim, mas não de tudo, as vezes temos que ser fortes em momentos assim, já pensou um mundo onde todo mundo tivesse medo de tudo? Não existiriam heróis.

Shinji ficou um pouco pensativo, mas ele concordou. Um mundo sem alguém para ajudar o próximo não merecia existir. Ele só queria ter percebido isso antes, ele poderia ter feito muito mais, talvez com a coragem ele poderia ter evitado o desastre que encerrou o mundo não muito tempo atrás, mas ele não teve nada além da covardia junta com ele.

— Não pense nisso, eu sei que você está sendo negativo por trás desse rostinho. — Evaline disse com seriamente, apesar da bondade nos olhos. — O que está feito está feito, não se pode alterar nada do que já aconteceu Shinji, só pode somente aprender com isso.

— É que... Falando assim me faz parecer algo que eu não sou. — ele disse para a mais velha, Evaline franziu o cenho, não entendo o ponto dessa vez.

Explique.

Shinji respirou um pouco mais e se sentou melhor na cama, com a devida ajuda dela. — Eu tive a chance de ser o herói de alguém, eu realmente tive, várias vezes, mas eu nunca tive a coragem para ser um, em todos os meus momentos mais nobres, eu sempre tive alguém para me encorajar, ou para me forçar a fazer alguma coisa, no final das contas, todas as coisas boas que eu fiz foi por vontade alheia, não minha, eu percebo isso agora.

Evaline o analisou por um momento, como ela poderia responder isso? Ela viu tudo o que havia acontecido, ela própria tinha as dezenas de fitas, e imagens de satélite do que havia acontecido, ela sabia tudo, e ela entendia o quê ele estava dizendo, ela sabia...

Como melhorar a imagem própria da pessoa que você mais ama? Como? Ela não teve essa habilidade, pelo menos ainda não.

— Olha... Eu entendo o que você quis dizer, eu realmente sei. — ela disse honestamente, fazendo com que ela olhasse nos olhos. — Eu sei que você é muito negativo em relação a você mesmo, mas eu sei de outra coisa sobre você também Shinji, você salvou o mundo, nos dando uma chance...

Foi como um soco em seu rosto, como uma verdade esfregada na cara, uma coisa que ele não podia ir contra, pois sua própria vontade fazer isso, ele poderia ter dado o dedo do meio pro mundo e deixado todos como geleia amarela naquele mar vermelho, mas não... Ele deu a todos o melhor dos sonhos, mas caso alguém tivesse a coragem de voltar, ele permitiria, e Lilith não o impediu com os termos. Ele deu ao mundo uma segunda chance...

Mas o mundo não precisaria de uma segunda chance se ele não tivesse mandando tudo pro inferno.

— Mesmo assim... Eu, eu condenei a todos, se eu não tivesse sido tão fraco eu não cederia ao meu pai.

Evaline suspirou, saiu do banco e se sentou na beirada da cama dele, ela pegou sua mão, coincidentemente era a mão que Asuka havia quebrado alguns de seus dedos. Evaline a segurou com delicadeza enquanto formulava uma resposta.

— Não estou tirando a sua culpa Shinji, todos naquele tempo foram culpados por alguma coisa, acontece que a sua é diferente da culpa de quem te forçou a fazer isso. — ela lhe explicou calmamente. — Eu jamais poderia lhe olhar com ódio, sabendo tudo o que aconteceu pra você fazer isso, eu nunca julgaria alguém que foi arrastado tão baixo apenas pelos desejos egoístas de pessoas no poder, honestamente Shinji, a única coisa boa que seus pais fizeram foi dar a luz a você.

Aquilo o comoveu, o fez se sentir bem em um jeito que ele não se sentia há tempos. E ele gostou disso...

Ele começou a lacrimejar lentamente. E perguntou com a voz incerta.

— Você... Não me odeia? — ele perguntou rouco.

Evaline piscou com a pergunta, então ela o pegou pelos ombros gentilmente, passou a mão pelo seu peito, sentindo seu coração e finalmente passou as mãos pelo seu queixo, erguendo os olhos vermelhos dele.

— Você é a pessoa mais importante que eu tenho no mundo, a única que me restou de tempos que não vão voltar mais, eu não teria a capacidade de odiar você, eu admiro você, pois por você dar a chance ao mundo de voltar, é que eu consigo interagir com você, e por isso Shinji, eu não tenho nada além de toda a minha gratidão. — Evaline lhe falou o encarando nos olhos, e fazendo uma breve mesura para ele.

Shinji começou a soluçar um pouco, ele nunca pensou que ouviria algo tão positivo de alguém tão diretamente, ele nunca recebeu isso, parando para pensar, tudo o que ele recebeu foi cicatrizes e promessas falsas, mesmo Misato por um tempo também o usou como apenas um piloto.

Como se ele não passasse do que as pessoas queriam que ele fosse, isso o destruiu, e agora Evaline lhe dava uma perspectiva totalmente diferente. Ele não conseguia aguentar isso.

Ele começou a soluçar muito, de primeira vista Evaline começou a se preocupar com as contrações extensas do diafragma dele, preocupada até a morte ela o segurou com força, achando que ele estava com alguma crise, ela não devia ter dito isso... Já estava se arrependendo, quando ela se levantou para chamar Himura e pegar o carro para levá-lo até Akagi, a mão de Shinji a segurou, e ele pediu com toda a humildade do mundo.

— Por favor... Não... Não me deixe sozinho. — a expressão facial dele a fez temer de pena, como se esse pedido tivesse mais do que um significado, se ela soubesse o que lhe havia acontecido, ela nunca permitira que ele ficasse a um raio de um quilômetro perto da ruiva. — Eu não quero me sentir sozinho, eu não quero que me deixem como lixo... Não quero mais isso... Eu não quero que me olhem com ódio...

Evaline o ouvia atentamente, tentando entender o que mais havia nessas palavras, o que as pessoas estavam escondendo dela? O que ninguém de dentro do Japão queria que as pessoas soubessem? Eram tantas perguntas que ela só pôde aceitar o pedido dele, como em infernos ela o deixaria depois disso?

— Eu fico com você Shinji, apenas me deixe avisar meu guardião, certo? — ela lhe disse com a voz tranquila e segura, isso fez com que Shinji concordasse com ela e soltasse sua mão. — Bom menino, um minuto e já sou sua.

Ela lhe deu um sorriso de canto e saiu do seu quarto, saindo do apartamento dele e indo em direção ao seu, ela não ficou surpresa ao encontrar uma garota de cabelos rosas com um pirulito na boca, sentada nas barras de ferro.

— Olá, quem poderia imaginar um encontro sobre a luz da lua? — Harumi lhe saudou com seu típico bom humor. Evaline lhe estreitou os olhos, essa garota tinha algo que lhe enviava sinais de perigo.

— Somos vizinhas, é normal que nós nos encontremos assim. — Evaline foi um pouco seca, estava com pressa. — Se me der licença...

Harumi apenas sorriu compreensiva. — Um dia eu vou quere falar com ele também. — tom de Harumi indicou que ela já sabia de coisas que não era pra saber. — Mas é claro que primeiro eu quero ele o mais perfeito possível.

Ela observou a rosada lhe dar um último sorriso e voltar para seu apartamento. Ela sorriu antes de fechar a porta.

Ela resolveu ignorar isso por enquanto, e foi em direção ao seu próprio. A cena que ela viu não foi nada além do que ela já esperava.

Os outros dois homens que ela não odiava estavam provavelmente nus, escondidos por apenas um cobertor, e com certeza transaram no sofá, novamente... Ela sorriu com isso, pelo menos deixe-os saber onde está, provavelmente Himura acordaria de madrugada, e veria que ela não está, com todo o cuidado possível ela escreveu um bilhete e deixou na mesa de jantar, trancou a porta e voltou em direção ao apartamento de Shinji.

Ela sorriu ao vê-lo esperar ansioso na cama, e claro que no caminho de volta antes de sair, ela fez uma pequena mudança, interpretando que ele queria que ela passasse a noite com ele, ela se trocou do típico vestimenta militar para roupas mais leves, ela trocou o coturno por uma sandália e uma calça um pouco mais curta, uma camiseta comprida, militar de qualquer forma.

Shinji a observou por um momento. — Por favor, feche a porta, a claridade incomoda. — ele pediu humildemente. Evaline fez como pediu e ligou o pequeno abajur do criado mudo dele, era um pouco afastado da cama.

— Então... Você consegue se mover um pouco pro lado? Ou precisa de ajuda? — perguntou a mais velha. Shinji apenas com todo o cuidado, conseguiu ir para mais ao lado da cama, encostado na parede. — Bom menino.

— Você não é tão mais velha do que eu assim. — ele resmungou, embora sorrisse também.

Evaline deu de ombros, retirou as sandálias e fez seu caminho até ele. Ela não teve nenhum pudor em passar seus braços ao redor dele. E se caso ele não gostasse ela iria entender.

Mas ela gostou da agradável expressão dele.

— Você não se importa que eu toque em você? — Shinji perguntou temerosamente.

Nunca em toda a sua vida sem o devido conhecimento ela iria entender essa pergunta, nunca... Então ela respondeu normalmente.

— Se você quiser me abraçar também, sinta-se a vontade. — para mostrar seu ponto, ela se aproximou ainda mais dele, a diferença de altura deles era um pouco mais visível agora, ele a alcançava até o pescoço, ela era uns 5 centímetros maior que ele. — Eu espero que você durma bem menino.

Shinji sorriu com isso. — Obrigado por ceder aos meus desejos egoístas, Evaline. — ele disse honestamente.

Ela sorriu e o colocou na dobra de seu pescoço, o cheiro que Shinji sentiu, era como orvalho, era um cheiro de casa, era um cheiro muito bom, ele inalou isso, mesmo que doesse. E antes que ele pudesse perceber, ele apagou em um sonho, um sonho de campo de girassol e cheiro de orvalho.

Evaline notou que havia ido para um mundo dos sonhos, ela alisou seu rosto com a ponta dos dedos por uns minutos, a felicidade que ela sentia agora, era somente para ele. Novamente, ela o tinha, novamente ele estava perto dela, e ela se sentia realizada com isso.

Só depois de alguns minutos uma presença se fez notada ali. Palavras não precisavam ser ditas, Evaline sabia quem era ali, e pela expressão, não estava tão contente com sua presença tarde da noite. Mas o problema não era dela.

— Passou um pouco do horário, hm? — Asuka lhe espetou com um certo veneno na voz, se aproximando cuidadosamente da cama, os dois estavam deitados, praticamente colados, mesmo por de baixo do cobertor. — Eu espero que você tenha uma explicação pra isso.

— Vá para o inferno Asuka. — o tom gentil e suave reservado para Shinji, era realmente para ele. — Não ouse o acordar, ele está exausto, e eu serei condenada se deixar você acordá-lo por uma crise de ciúmes agora.

Ela resolveu aceitar isso, deixá-lo dormir era bom. Ela se sentou no banco dali. E ficou encarando as costas da mais velha.

— Ainda não respondeu a pergunta.

Evaline suspirou, olhando para a expressão serena dele. — Ele me pediu para ficar com ele, ele disse que não queria ficar sozinho. Então eu me aprontei e aqui estou.

Os nervos da ruiva estalaram. — Eu vou deixar uma coisa bem clara, se alguma coisa acontecer essa noite, eu não vou responder pelas minhas ações.

Asuka podia sentir o rosto de Evaline endurecendo mesmo não a vendo, sua voz mostrava isso.

— Tente a maldita sorte contra mim, você vai perder. — ela disse em um tom baixo e mortal. — Agora vá para o seu quarto, não o acorde e estaremos bem pela manhã.

— Eu vou ficar acordada por um tempo, o menor som estranho que vier desse quarto, eu estou tirando ele de perto de você, claro?

Cristalino... — a voz dela se atenuou. — Feche a porta quando sair, ele disse que não quer claridade.

Asuka mordeu os lábios e fez como pedido... Se escorou na porta por alguns segundos... Manter suas promessas será difícil. Mas ela iria mantê-las, pois ela jurou que só faria o melhor para ele.

Mas se o melhor não fosse mais ela, o que faria? Não sabia... Ela nunca pensou nisso.