Manchas no Natal
8 Capítulo 7

Eu morreria por ela.
Foi o primeiro pensamento que tive ao vê-la acordar pela manhã.
Zion estava na bancada tomando café enquanto eu preparava a comida dela. O tempo em que esperamos a donzela dorminhoca acordar foi menos intenso do que nosso encontro na madrugada anterior.
— Que cara é essa? — O timbre do Zion era diferente quando ela estava presente. Por vezes, parecia digno de ser amado.
— Tava com sono. Ainda tô. — Nay esfregou os olhos, manhosa, enquanto se aproximava dele.
— Pirralha, vem cá. — Me atentei àquela cena. Ele a puxou delicadamente pelo braço e segurou seu rosto com as duas mãos, estudando carinhosamente cada traço de seu perfil cansado. Os dedos limparam as remelas dos cantos dos olhos dela, repletos de cuidado e... amor? — Lava esse rosto primeiro.
— Chato. — O rosto da Nay estava vermelho, talvez de tanto esfregar ou de tanto amar aquele psicopata que chamava de Zion.
Quando ela cruzou o corredor, fiz o que meu coração martelou pra fazer.
— Gosta dela, Zion? — Deixei tudo na pia e me virei pra olhá-lo nos olhos. Aquele verde macabro continuava pouco receptível.
— Me preocupo com ela. — Respondeu, cauteloso. Gosto de pessoas cuidadosas. Vê-las falhar se torna mais prazeroso, como se todo o esforço fosse jogado no lixo.
— Não foi o que perguntei.
— Por que é sempre tão xereta? — Ele se levantou, apoiando as mãos na bancada e me confrontando diretamente. Meu coração bateu, doloso por sua presença.
— Porque gosto dela. — Respondi, irritado.
— Não vou te deixar encostar em um único fio de cabelo dela.
— Chegou tarde ontem. Nós dois aproveitamos bastante sem você aqui pra empacar a foda. — Mentir pra ele era prazeroso, principalmente diante do semblante de morte que demonstrava em resposta. Aquela maldita sensação de estar prestes a ser apunhalado por ele era um grande êxtase na minha vida chata. — Nós dois sozinhos no Natal com você bem longe...
— Filho da puta. — Ele murmurou, sua expressão se assemelhava a de um animal acorrentado.
— Roberto. — Nós dois a encaramos, curiosos com as próximas palavras. — Não seria legal se o Zion passasse o natal aqui também? Só nós dois pode ser chato.
Aquela pirralha só poderia estar de sacanagem comigo. Não precisávamos do Zion pra nos divertirmos!
— C-claro. — que não! Porra. Respondi, hesitante.
Quando olhei pro Zion e o sorriso vitorioso estava formado em seus lábios, percebi que uma parte de mim o queria por aqui também, entretanto se tratava de uma parte ilógica, que se ausentava de qualquer sentido por esse estranho desejo.
Ele se tornou uma irritante obsessão. Fui longe até descobrir quem ele era e o que fazia. E mesmo depois de descobrir meu interesse só cresceu.
Aquele cara irritante...
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