Notas iniciais
Aloha, galera de outro planeta, esta aí mais uma porrinha de capítulo. Deixem seus sensatos comentários, zoeira. Deixem seus aloucados comentários.

Esses últimos dias foram bem corridos e trabalhosos, até passou pela minha cabeça em ir visitá-la, estou me referindo a Gwen, ver se está tudo bem, mas não tive muito tempo pra isso. Então hoje eu estava mais light, tive um tempinho livre, comecei a eliminar tudo que estivesse na minha “lista” de prioridades.

Como dizem, os homens têm caixas temáticas na cabeça, uma para cada assunto, esta, no entanto está um pouco, bastante, desorganizada. Então hoje decidi arrumar um pouquinho de cada uma delas.

Antes preciso comer algo descente além de lanches e comidas industrializadas. Poderia ir a um dos meus restaurantes prediletos, mas lembrei de que era sábado e minha mãe certamente estaria em casa preparando aquele banquete de que tanto bom gosto sabe fazer, para receber familiares. Tudo que eu precisava estava lá, alguém que me olhasse amorosamente com um moderado mimo, o que no trabalho nunca teria. Sempre te olham torto, como um concorrente. Se fizessem seus serviços corretamente não teriam do que ter pavor de perderem seus lugares.

[...]

– Oi, filho! – abriu à porta me abraçando, seu sorriso era tão grande que quase não cabia em seu rosto amadurecido, da idade. Sinceramente, ela era linda; não estou dizendo isso só porque era minha mãe. Seus cabelos negros com uns fios de grisalho eram curtos, seus olhos eram verde bem clarinho como os meus, seu rosto era mediano com um queixo aparente. Meu pai teve muita sorte em encontra-la. Em pensar que o tempo passou e nem pude aproveitar pra ficar com quem tanto amo – Você chegou na hora certa!

– O cheiro está muito bom, mãe – ela me envolveu pela cintura bem forte, aquilo me deu um aperto no coração – Tirei uns dias de folga e resolvi passar aqui.

– Você sabe que pode vir quantas vezes quiser, ainda é meu filho. Agora entra, seu pai está lá na varanda – assim o fiz.

Mamãe foi logo pra cozinha apoderar-se do seu almoço. Tio Roy ocupava a poltrona do paizão, ele é do tipo daqueles velhos ranzinzas que já que estão perto da morte, nem medem as palavras, fala o necessário direto e reto, sem enrolações. Ser educado passa longe.

Ele é alto e magro, sempre usando seu boné desgasto que ganhou de brinde em um mercado qualquer, com sua costumeira loira gelada em mãos assistindo tv.

– Como vai tio Roy? – falei passando pela sala.

– Eaê! – disse seco e áspero erguendo a cabeça, parecia que era tão pesada, pelo seu movimento brusco.

Papai estava na varanda lendo jornal, provavelmente se tratava da coluna crítica da sociedade.

– Velhos hábitos nunca mudam não é mesmo? – vi a fumaça subir do seu cigarro, em seguida me olhou por cima do jornal, checando se era eu mesmo, seu único filho, primogênito.

– Inclusive de termos sua ilustre presença – dobrou e deixou de lado seu jornal, colocou seu cigarro no cinzeiro.

– Porque você sempre faz isso? Acho que vou voltar pra casa – coloquei uma das mãos no bolço da minha calça e dei meia volta.

– É brincadeira, filhão! – sua gargalhada era gostosa, eu sentia falta dela.

– Bem, trouxe esse vinho – mudei de assunto rapidamente, tirei a garrafa da caixa para mostra-lo – Seu favorito!

– Safra 45, é reconhecida a melhor safra do século. Um detalhe importante é... – o interrompi.

– Que a colheita foi feita, em sua maioria, por mulheres, pois grande parte dos homens estava nos campos de batalha. Certo? Lembro-me disso – lhe entreguei o vinho sorrindo.

– Meninos! O almoço está pronto! – minha mãe gritou da cozinha limpando suas mãos no guardanapo.

Por alguns instantes me lembrei de quando era adolescente e nos fins de semana meu pai me ensinava a dirigir, minha mãe ficava um pouco brava, porque eu perdia o apetite quando se tratava daquilo e ela sempre nos chamava da mesma maneira, como acabara de fazer.

– Vamos abrir essa belezinha – ele ergueu a garrafa para o alto para analisá-la com mais eficácia.

[...]

Assunto vai, assunto vem, colocamos todo nosso papo em dia. Mamãe não parava de me olhar. Acho que ela se sente culpada por ter trabalhado muito e não ter passado tanto tempo comigo ainda jovem, tomei suas dores.

– O almoço estava uma delícia, mãe. Como de costume! – juntei meus talheres em cima do prato.

– Espere até ver a sobremesa — me deu uma piscadela, e se retirou da mesa.

– Ela esperou por isso tanto tempo... – disse papai.

– Você é um paspalho! Sua mãe sente sua falta! — tio Roy falava mastigando sua própria boca, hábito de idoso.

– Eu estou aqui, não estou? – me defendi.

– Adivinha? – mamãe apareceu inclinada no batente da porta, se referindo à sobremesa misteriosa.

– Errmm... – não fazia ideia do que seria.

– Vamos lá! – ergueu as sobrancelhas esperançosa.

– Torta de framboesa – tio Roy sussurrou a resposta entre os dentes me cutucando de baixo da mesa.

– Torta de framboesa? – tentei sair o mais natural possível.

– Isso aí meu garotão! – e lá veio ela com a torta fumaciando.

– Paspalho – bufou titio.

Depois daquilo tive mesmo a certeza que devo passar mais tempo com ela, me senti mal por isso.

– Mãe, será que tem lugar pra mais um essa noite? – imitei aquela cara que sempre fazia quando queria jogar bola na rua com a molecada, sempre funcionava.

– Sério? – um sorriso bobo surgiu, assenti positivamente.

Eles tinham feito uma reforma aparente na nossa antiga casa. As paredes que antes eram de madeira velha, agora tinham sido trocadas por novas, contudo não mudaram sua estrutura primária.

Meu quarto? Nada havia mudado desde que saí de casa. Tudo em seu devido lugar. Deitei na cama, fitei o teto por um longo período, aquele era meu quarto, meu antigo quarto, minhas quatro bem conhecidas paredes nostálgicas. Lembro-me quando mamãe vinha contar histórias antes de dormir. Quando meu pai me deu minha primeira revista proibida... Bons tempos.

[...]

Antes de voltar para casa deixei meu carro em um lava-jato, não era só eu que precisava dar uma inovada. Meu apartamento ficava a algumas casas dali, fui a pé mesmo. Faz bem pra saúde fazer caminhadas de vez enquanto. Dia normal e leve, até eu descobrir algo.

– Bom dia! Tem alguma coisa pra mim? – perguntei ao recepcionista do hall.

– Bom dia! Sim Sr. McKenzie, essas cartas chegaram hoje cedo – eram no mínimo umas seis.

– Obrigado Tayler – sorri de satisfação, me pus a caminhar ao elevador apertei o botão para chamá-lo – Energia, aluguel, cartão de feliz aniversário atrasado, água... – falei sozinho – EPA! Intimação judicial!

...CONTINUA...

Notas finais
Vlw, vermes.