Porra, história daora e pá. Gostei da escrita. Sinopse muito atraente também. Mas, sabe. Antes de aventurar-me nisto daqui, estava refletindo sobre o sentido da vida. E me veio tanta merda na cabeça que agora eu quero compartilhar com alguém. Vou fazer esse desabafo aqui mesmo, um texto. Aproveitando que estou com insônia. Se quiser ignorar, ok. Foda-se.
Após uma meia hora refletindo cheguei a (possível) conclusão de que a consciência humana foi um trágico passo em falso na evolução. Nós nos tornamos autoconscientes demais. A natureza criou um aspecto distinto de si mesma. Somos criaturas que não deveriam existir segundo a lei natural. Somos coisas que operam sob a ilusão de possuírem uma identidade. Esse acréscimo de experiência sensorial e de sentimentos é programado com a total garantia de que somos alguém quando, na verdade, todo mundo é coisa nenhuma.
Já ouviu falar de Cioran e Wessel Zapffe, messier101? Esses dois pensadores afirmam que a nossa mente é muito desenvolvida, infelizmente, e isto, segundo eles, é um defeito de fabrica replicado a cada nascimento humano. A natureza desse defeito seria que seria que nossa consciência consegue sonhar com o eterno, com o impossível e com diversas formas de êxtase, mas o mundo orgânico só tem a nos oferecer a mortalidade, a insignificância e o desconforto (quando não a dor, muita dor). E uma das provas de que esse defeito de fábrica seria grave é o fato de que somos loucos o suficiente para criar armas nucleares e montar um arsenal capaz de destruir o planeta diversas vezes. Então, segundo Cioran e Zapffe, do ponto de vista de uma mente que procura sentido, que é capaz de conceber outras possibilidades e de sonhar até com o impossível, a vida nada mais é que um absurdo, uma espécie de condenação.
Para o restante dos organismos do planeta Terra, a existência é relativamente simples. Suas vidas giram em torno de três coisas: sobrevivência, reprodução e morte, e nada mais.
Mas nós, humanos, sabemos demais para nos contentar com sobreviver, reproduzir e morrer. Nós também sabemos que iremos sofrer durante nossas vidas mesmo antes de enfrentar o sofrimento (lento ou rápido) que provavelmente vamos vivenciar quando chegar o momento da morte.
Este é o conhecimento de que “desfrutamos” na posição de organismos mais inteligentes a brotar da boceta da mãe natureza. E, sendo dessa forma, nós nos sentimos trapaceados se não houver nada mais para nós do que sobreviver, reproduzir e morrer. Queremos que exista algo mais do que isso, ou gostamos de pensar que existe.
Essa é a tragédia: a consciência nos forçou a ficar na paradoxal posição de nos esforçar a permanecer inconscientes sobre quem somos: nacos de carne em decomposição envolvendo ossos que se desintegrarão.
E sabe o que é pior: A nossa civilização trabalha para mascarar esta realidade, criando em nós aquela velha e estúpida certeza enraizada em nossos genes de que as coisas serão diferentes conosco, de que você mudará para outra cidade, conhecerá pessoas que se tornarão seus amigos pelo resto da vida, de que se apaixonará e se sentirá completo. O pavor humano diante da mortalidade faz com que nossa cultura ocidental seja uma grande máquina dedicada a impedir que os indivíduos percebam a realidade sobre sua própria condição existencial.
Segundo essa concepção, uma enorme parte de nossa energia e de nossos recursos enquanto sistema social é destinado a mascarar a verdade.
Em outras palavras, a maior parte de nossas instituições, a maioria de nossos valores culturais, todas nossas ideologias ou doutrinas espirituais, e mesmo a maior parte do que nos é repassado como visão de mundo ideal na forma de publicidade e de mídia social não passaria de um conjunto de estruturas cuja funcionalidade principal é, essencialmente, distrair a todos nós sobre nossa verdadeira condição humana, desviando nossos olhos da percepção sobre quem, de fatos, somos: pedaços de merda que um dia irão desaparecer que nem poeira diante do universo.
E a conversão da civilização em uma máquina de distração que nos impede de percebermos nossa verdadeira natureza ocorre seja porque é a forma mais eficiente de nos manter operacionais e produtivos enquanto membros de uma sociedade, seja porque somos herdeiros das soluções equivocadas que nossos antepassados tiveram de improvisar quando esse problemão, o excesso de consciência, caiu em seus colos.
Sendo mais preciso sobre esse último ponto, o problema não é a verdade que não conseguimos ver, por estarmos distraídos graças a um sistema social produtor de ilusões coletivas. O embaraço está no fato de que nossos antepassados decidiram, equivocadamente (e precisamos respeitar o medo que motivou esse erro), lidar com essa verdade simplesmente por meio da sua negação, da cegueira, e assim construíram uma sociedade cujos valores e alicerces estão baseados na ilusão.
Como somos herdeiros dessas escolhas e vivemos em tal sociedade, desmontar a armadilha de negação e ilusões é, para nós (para nosso ego), uma experiência dolorosa e problemática, já que fomos educados e condicionados a acreditar e a sonhar com uma condição humana que não é verdadeira e que está tão afastada da realidade que ela, a realidade, nos parece amarga.
Perceba aqui o truque de ótica: a realidade que recusamos a ver não é essencialmente amarga (talvez fosse até doce), mas a sentimos assim porque somos vítimas da elementar regra de que quanto maior é o voo das ilusões, maior é a queda na realidade. Se todos nós tivéssemos nascido em uma sociedade cujos valores estivessem alicerçados não na ilusão, mas na realidade, tal como ela é, talvez nosso mundo produzisse menos sofrimento desnecessário e gastaríamos menos energia e recursos humanos alimentando engodos.
E o sofrimento desnecessário teria origem no fato de que pagamos um preço alto demais para nos manter agarrados a ilusões. Quantas vidas já foram sacrificadas em nome de religiões, de ideologias, doutrinas que, no fundo, servem apenas para neuroticamente nos manter absortos e distraídos em relação à real condição humana?
Enfim. Sei lá. Talvez Jung estava certo em dizer que o único propósito da existência humana é acender uma luz na terrível escuridão do universo. Gostei da sua fic, a propósito. Você escreve muito bem. Flws.
"Já ouviu falar de Cioran e Wessel Zapffe, messier101?" Já, você acabou de me falar.
“A brotar da boceta da mãe natureza” rindo muito com isso.
Sabe, o mal desse mundo somos nós. Somos tão inteligentes – ironizando - que estragamos nosso próprio lar, estragar nós mesmos, nossas próprias vidas. Somos tão egoístas. Outro ponto que toca bastante para nos levarmos às ruínas é o conhecimento.
Vivemos de um jeito diferente, pois sabemos a existência da morte. Ela muda tudo. Veja os animais, ele comem, dormem, fazem suas necessidades e são “felizes”. Todo ser humano no fundo sente medo dessa tal morte, uma coisa que nos deixa mais encucados ainda é não sabermos o que acontece depois dela, acho que seja bom, ninguém nunca voltou pra reclamar não é mesmo!? Kkkkk. Por isso o homem perde tanto tempo procurando a imortalidade. Mas me pergunto PRA QUE?, não tem mais o que ficar fazendo vivo.
Você abriu pontos bem amplos se for mais afundo vou passar dias escrevendo, temos minhas teorias também, mais pra ser sincera estou com preguiça de escrever. Seu comentário deu uma força gigantesca valeu mesmo.
Se quiser pode continuar desabafando, deixei os comentários abertamente para o que quiserem falar. Sabe, acho que foi obra do destino, você foi falar isso justo na minha história, conheço bastante coisa desse gênero. Meu pai estuda psicologia e conversamos muito sobre diversas coisas.
Porra, história daora e pá. Gostei da escrita. Sinopse muito atraente também. Mas, sabe. Antes de aventurar-me nisto daqui, estava refletindo sobre o sentido da vida. E me veio tanta merda na cabeça que agora eu quero compartilhar com alguém. Vou fazer esse desabafo aqui mesmo, um texto. Aproveitando que estou com insônia. Se quiser ignorar, ok. Foda-se.
Após uma meia hora refletindo cheguei a (possível) conclusão de que a consciência humana foi um trágico passo em falso na evolução. Nós nos tornamos autoconscientes demais. A natureza criou um aspecto distinto de si mesma. Somos criaturas que não deveriam existir segundo a lei natural. Somos coisas que operam sob a ilusão de possuírem uma identidade. Esse acréscimo de experiência sensorial e de sentimentos é programado com a total garantia de que somos alguém quando, na verdade, todo mundo é coisa nenhuma.
Já ouviu falar de Cioran e Wessel Zapffe, messier101? Esses dois pensadores afirmam que a nossa mente é muito desenvolvida, infelizmente, e isto, segundo eles, é um defeito de fabrica replicado a cada nascimento humano. A natureza desse defeito seria que seria que nossa consciência consegue sonhar com o eterno, com o impossível e com diversas formas de êxtase, mas o mundo orgânico só tem a nos oferecer a mortalidade, a insignificância e o desconforto (quando não a dor, muita dor). E uma das provas de que esse defeito de fábrica seria grave é o fato de que somos loucos o suficiente para criar armas nucleares e montar um arsenal capaz de destruir o planeta diversas vezes. Então, segundo Cioran e Zapffe, do ponto de vista de uma mente que procura sentido, que é capaz de conceber outras possibilidades e de sonhar até com o impossível, a vida nada mais é que um absurdo, uma espécie de condenação.
Para o restante dos organismos do planeta Terra, a existência é relativamente simples. Suas vidas giram em torno de três coisas: sobrevivência, reprodução e morte, e nada mais.
Mas nós, humanos, sabemos demais para nos contentar com sobreviver, reproduzir e morrer. Nós também sabemos que iremos sofrer durante nossas vidas mesmo antes de enfrentar o sofrimento (lento ou rápido) que provavelmente vamos vivenciar quando chegar o momento da morte.
Este é o conhecimento de que “desfrutamos” na posição de organismos mais inteligentes a brotar da boceta da mãe natureza. E, sendo dessa forma, nós nos sentimos trapaceados se não houver nada mais para nós do que sobreviver, reproduzir e morrer. Queremos que exista algo mais do que isso, ou gostamos de pensar que existe.
Essa é a tragédia: a consciência nos forçou a ficar na paradoxal posição de nos esforçar a permanecer inconscientes sobre quem somos: nacos de carne em decomposição envolvendo ossos que se desintegrarão.
E sabe o que é pior: A nossa civilização trabalha para mascarar esta realidade, criando em nós aquela velha e estúpida certeza enraizada em nossos genes de que as coisas serão diferentes conosco, de que você mudará para outra cidade, conhecerá pessoas que se tornarão seus amigos pelo resto da vida, de que se apaixonará e se sentirá completo. O pavor humano diante da mortalidade faz com que nossa cultura ocidental seja uma grande máquina dedicada a impedir que os indivíduos percebam a realidade sobre sua própria condição existencial.
Segundo essa concepção, uma enorme parte de nossa energia e de nossos recursos enquanto sistema social é destinado a mascarar a verdade.
Em outras palavras, a maior parte de nossas instituições, a maioria de nossos valores culturais, todas nossas ideologias ou doutrinas espirituais, e mesmo a maior parte do que nos é repassado como visão de mundo ideal na forma de publicidade e de mídia social não passaria de um conjunto de estruturas cuja funcionalidade principal é, essencialmente, distrair a todos nós sobre nossa verdadeira condição humana, desviando nossos olhos da percepção sobre quem, de fatos, somos: pedaços de merda que um dia irão desaparecer que nem poeira diante do universo.
E a conversão da civilização em uma máquina de distração que nos impede de percebermos nossa verdadeira natureza ocorre seja porque é a forma mais eficiente de nos manter operacionais e produtivos enquanto membros de uma sociedade, seja porque somos herdeiros das soluções equivocadas que nossos antepassados tiveram de improvisar quando esse problemão, o excesso de consciência, caiu em seus colos.
Sendo mais preciso sobre esse último ponto, o problema não é a verdade que não conseguimos ver, por estarmos distraídos graças a um sistema social produtor de ilusões coletivas. O embaraço está no fato de que nossos antepassados decidiram, equivocadamente (e precisamos respeitar o medo que motivou esse erro), lidar com essa verdade simplesmente por meio da sua negação, da cegueira, e assim construíram uma sociedade cujos valores e alicerces estão baseados na ilusão.
Como somos herdeiros dessas escolhas e vivemos em tal sociedade, desmontar a armadilha de negação e ilusões é, para nós (para nosso ego), uma experiência dolorosa e problemática, já que fomos educados e condicionados a acreditar e a sonhar com uma condição humana que não é verdadeira e que está tão afastada da realidade que ela, a realidade, nos parece amarga.
Perceba aqui o truque de ótica: a realidade que recusamos a ver não é essencialmente amarga (talvez fosse até doce), mas a sentimos assim porque somos vítimas da elementar regra de que quanto maior é o voo das ilusões, maior é a queda na realidade. Se todos nós tivéssemos nascido em uma sociedade cujos valores estivessem alicerçados não na ilusão, mas na realidade, tal como ela é, talvez nosso mundo produzisse menos sofrimento desnecessário e gastaríamos menos energia e recursos humanos alimentando engodos.
E o sofrimento desnecessário teria origem no fato de que pagamos um preço alto demais para nos manter agarrados a ilusões. Quantas vidas já foram sacrificadas em nome de religiões, de ideologias, doutrinas que, no fundo, servem apenas para neuroticamente nos manter absortos e distraídos em relação à real condição humana?
Enfim. Sei lá. Talvez Jung estava certo em dizer que o único propósito da existência humana é acender uma luz na terrível escuridão do universo. Gostei da sua fic, a propósito. Você escreve muito bem. Flws.
Poha mano você é inteligente pakas.
"Já ouviu falar de Cioran e Wessel Zapffe, messier101?" Já, você acabou de me falar.
“A brotar da boceta da mãe natureza” rindo muito com isso.
Sabe, o mal desse mundo somos nós. Somos tão inteligentes – ironizando - que estragamos nosso próprio lar, estragar nós mesmos, nossas próprias vidas. Somos tão egoístas. Outro ponto que toca bastante para nos levarmos às ruínas é o conhecimento.
Vivemos de um jeito diferente, pois sabemos a existência da morte. Ela muda tudo. Veja os animais, ele comem, dormem, fazem suas necessidades e são “felizes”. Todo ser humano no fundo sente medo dessa tal morte, uma coisa que nos deixa mais encucados ainda é não sabermos o que acontece depois dela, acho que seja bom, ninguém nunca voltou pra reclamar não é mesmo!? Kkkkk. Por isso o homem perde tanto tempo procurando a imortalidade. Mas me pergunto PRA QUE?, não tem mais o que ficar fazendo vivo.
Você abriu pontos bem amplos se for mais afundo vou passar dias escrevendo, temos minhas teorias também, mais pra ser sincera estou com preguiça de escrever. Seu comentário deu uma força gigantesca valeu mesmo.
Se quiser pode continuar desabafando, deixei os comentários abertamente para o que quiserem falar. Sabe, acho que foi obra do destino, você foi falar isso justo na minha história, conheço bastante coisa desse gênero. Meu pai estuda psicologia e conversamos muito sobre diversas coisas.
Legal, em si me identifiquei com o personagem principal. Adorei o Tio Roy, tenho um tio avô desse mesmo jeito, só que o meu é chato pra caralho.
Intimação Judicial? Humm, se fudeu.
Capitulo ótimo, até o proximo.
Ps: Eu não sou um verme. ;)
Vlw pela moral. Chamo todos assim!
O que mais gostei: Uouh! Uma história fabulosa e surpreendente, adorei! Continue produzindooo que irei acompanhar :3
Vlw, cada comentário, um incentivo.