Blues Moon

3 O Tempo - Sonata


“Não pense que o mundo acaba ali
aonde a vista alcança. Quem não ouve a melodia
acha maluco quem dança.”
Oswaldo Montenegro

O TEMPO

“A dor nem compara a queima das chamas, o coração é a prova de quem sente o calor, o forte cai e o medo jaz.”

Sonata

Agora a luz daquela fogueira tocava seus sentimentos, simplesmente era bom estar ali, bom, como os ventos que veio do horizonte. Ouvia as ondas como uma bela sinfonia, isso o fez esquecer o dia desde então, aquele momento era necessário. Quem diria, trouxe algumas batatas para jogar nas brasas, adorava isso, ficaria descalço logo em seguida e pegaria seu violão. Olhou ao céu: “Não sei onde estou neste mundo, mas sei que momento como esse os outros deveriam passar, mesmo sozinho, mas nada melhor, um amigo talvez... Veja só temos dois errantes no céu, as estrelas parecem se moverem em alguma direção sem rumo, mas hoje a lua está acessa, isso! Já sei o que tocar... ” Seu violão soa, e:

.

‘Fly me to the moon and
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars

In other words, hold my hand
In other words, baby kiss me

Fill my heart with song and
Let me sing forever more
You are all I long for
All I worship and adore

In other words, please be true
In other words, I'm in love with you
In other words,
In other words…’

.

Suas mãos ainda se movimentam no ritmo da noite, mas pára de cantar, nunca arregalou os olhos como agora, a não ser que... É, para ele sem palavras, para descrever tamanha beleza que retirava um corpo banhado sob o luar, as ondas quebravam entre as pernas que delicadamente se moviam, e, ainda nua... Claro, neste momento Hector não pensava mais consigo mesmo, devia censurar essa cena, mas a natureza sempre prega uma peça. Sim, era uma dama que parecia ter saído de algum conto de fadas, parecia brilhar enquanto afastava seus cabelos longos ondulados para os lados. Seu tom era tal qual é o bronze, essa era “a moreninha” dos que anseiam um romance, se encontrava ali a formosura de uma menina numa mulher, nela ele via as curvas de um violão, e ainda seu violão tocava sem o perceber.

“Deus! Isto só pode ser brincadeira, ou, nana não, não, nãooo! Será que foi a música, a lua, estou sonhando, ela não tem vergonha de andar pelada por aí não é, nossa... Está saindo, agachou, ah, será que me viu!? Ou irá... Acho que percebeu que estou aqui, devo acenar eu acho, e, hã? O que é aquilo que ela pegou, parece um pote, não! Um aquário? Ela, ela, ela, ela está vindo, e, o que direi... ‘— Encontro de violões hoje!?’ Não, isso não, de onde tirei isso! Poxa, ela é mais alto do que eu, o que será que... ” O violão para instantaneamente num tom já desafinado.

— Bonne nuit Monsieur, que agrado encontrá-lo nesta noite.