As Cinzas de Kanto

6 O Veneno da Cidade


Dia 28 — Fuchsia City

Fuchsia City é sufocante.

O cheiro é ácido. Não de poluição, mas de algo que ainda respira, algo que foi corrompido. O ar parece pesado de toxinas, e cada Pokémon selvagem move-se de forma estranha, quase instintiva.

Aqui, a sobrevivência não depende apenas da força, mas da percepção. Koga não é um mestre tradicional. Ele encarna o que resta da contaminação.

A sua equipa é venenosa, astuta, imprevisível. Ele próprio parece feito de sombras e fumo.

Quando a batalha começou, percebi algo que não se aprende nos livros: cada turno é vida ou morte. Cada golpe errado pode significar uma perda permanente.

Koffing. Weezing. Venomoth.

Movimentos venenosos. Nuvens que persistem. Não há espaço para erro. O meu parceiro caiu uma vez com HP a zero.

Foi o primeiro verdadeiro teste. Sustive a respiração. Rezei. E ele voltou.

Gligar entrou em campo. Um golpe crítico quase nos matou outra vez. O mundo parece rir-se da minha tentativa de continuar. Mas resistimos. Finalmente, Koga recuou.

Ele não falou. Não era preciso. A insígnia não é um prémio. É um aviso: o apocalipse está a espalhar-se.

A Team Rocket ainda respira nesta cidade. E se ainda existe… o veneno não é apenas um químico. É organização. É controlo. É corrupção.

Dia 29 — Observações

O mundo não recupera sozinho.

Cada Pokémon selvagem parece mutado de formas subtis, mas perceptíveis. Cada rua parece vigiada. Cada esquina, uma armadilha.

Carrego na memória o meu parceiro caido. Carrego os traumas de Vermilion. Carrego a responsabilidade de Celadon. E agora, carrego também o veneno de Fuchsia.