As Cinzas de Kanto
7 A Cidade da Mente Quebrada
Dia 32 — Saffron City
Saffron City não parece uma cidade. É um laboratório gigante a céu aberto. Arranha-céus vazios, ruas desertas, sistemas de energia a piscar. O som constante dos geradores ressoa como o coração de um monstro adormecido.
O Centro da Silph Co. está em ruínas, mas ainda pulsa vida. Lá dentro, humanos e Pokémon correm em círculos, alguns em desespero, outros num silêncio absoluto.
E no topo do caos está ela: Sabrina. Ela não sorri. Não observa. Simplesmente sabe.
Cada movimento é um teste à sanidade. Kadabra e Alakazam não se limitam a atacar, antecipam, manipulam, confundem. Movimentos psíquicos que parecem rasgar a própria realidade.
O meu parceiro hesita. Olha para mim como se perguntasse se continuamos. É o tipo de batalha em que perder não significa apenas morte, significa desespero.
Confusion. Psybeam. Teleport.
Cada ataque mexe com os nervos. Cada golpe certeiro é dor física e mental. Quando Alakazam entrou, percebi que o ginásio não é o inimigo. É Sabrina. Ela é o teste final do que resta da humanidade.
O meu parceiro caiu uma vez, mas resistiu. O mundo à nossa volta parecia desmoronar, mas continuámos. Finalmente, depois de ataques quase desesperados, Alakazam caiu.
Sabrina recuou. Não sorriu. Não falou. Apenas permitiu que eu continuasse.
A insígnia não é um prémio. É permissão. Permissão para entrar na próxima camada do apocalipse: a Elite.
Dia 33 — Reflexão
Cada cidade ensinou-me algo:
Pewter → resistência
Cerulean → responsabilidade
Vermilion → perda
Celadon → perspectiva
Fuchsia → adaptação ao veneno
Saffron → compreensão da mente humana
Agora sei que a Elite Four não é apenas força. É conceito. Cada membro será um teste ao que resta de Kanto quebrada.
E sei que a batalha final não é por insígnias. É por sobrevivência. É por memória. É pelo mundo que já morreu.
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