As Cinzas de Kanto

5 Oásis em Ruínas


Dia 25 — Celadon City

Celadon City é diferente de tudo o que vi.

Ainda há cores. Ainda há árvores. O centro comercial, embora fechado, exibe sinais de uma antiga abundância. Mas há um cheiro a podridão, restos de comida e memórias de pessoas que não voltaram.

Aqui, a sobrevivência é subtil. Não basta força. É preciso paciência. É preciso cuidado.

Erika não luta por glória. Protege o que resta da natureza. A sua equipa não é apenas composta por Pokémon, é um aviso. Lianas cortam a entrada, Pokémons do tipo Planta observam cada passo, espinhos escondem-se entre as flores.

O meu caminho até ela foi lento. Cada batalha anterior deixou marcas. O meu parceiro ainda carrega o peso da morte que vimos em Vermilion. E ele sabe: ninguém está verdadeiramente seguro.

Vileplume surgiu primeiro. O cheiro ácido. Movimentos lentos, mas calculados. Cada ataque parecia medir a minha determinação.

Depois entrou Gloom. Já não posso subestimar força nem beleza. Cada movimento é vida ou morte.

Quando Tangela apareceu, fui obrigado a usar estratégia. A força bruta já não é suficiente. O meu parceiro tropeçou… mas resistiu. Eu também.

No fim, Erika recuou. Não sorriu. Mas deixou a insígnia, prémio e aviso ao mesmo tempo.

Dia 26 — Consequências

Passei o dia entre ruas vazias e jardins abandonados. Sentei-me perto de uma fonte, a única que ainda jorra água limpa.

Pensei no que perdemos. No que podemos perder. No que devemos preservar. O meu parceiro aproximou-se, como se compreendesse. Escrevo isto em memória de quem caiu.

Nome do Pokémon que morreu em Vermilion. Nunca esquecerei. Nunca apagarei.

Reflexão

Pewter deu-me resistência. Cerulean deu-me responsabilidade. Vermilion deu-me perda. Celadon dá-me perspectiva.

Agora começo a entender: sobreviver não é vencer. Sobreviver é carregar o que resta do mundo, e dos que já partiram.