As Cinzas de Kanto
1 A Cidade que Parou
Dia 0 — Pallet Town
Pallet Town sempre foi pequena, mas agora está morta. O vento passa pelas casas vazias como se procurasse alguém. As portas estão abertas. As luzes não funcionam. O mar continua ali… mas não traz barcos, nem esperança.
Fui até ao laboratório.
O edifício do Professor Oak estava arrombado. Estantes derrubadas. Computadores destruídos. No chão, cápsulas partidas.
Só uma Pokébola intacta permanecia na mesa.
Não sei porque ficou. Talvez fosse destino. Talvez descuido.
Quando a abri, encontrei o meu parceiro. Ele não parecia perceber que o mundo acabou. Talvez isso seja bom.
Dia 1 — Rota 1
A erva alta parece diferente. Mais densa. Mais silenciosa.
O primeiro Pokémon que apareceu não fugiu. Encarou-me. Como se estivesse a avaliar se eu merecia sobreviver. Capturei-o. Não por ambição. Por necessidade.
Não sei quais são as novas regras do mundo. Mas sei que, se alguém cair… não volta.
Dia 3 — Viridian City
Viridian City está parcialmente abandonada.
O Centro Pokémon ainda funciona, por pouco. A enfermeira não fala muito. Dizem que a norte há alguém que ainda mantém a ordem. Um líder. Pewter. Se existir um lugar firme neste mundo, talvez seja lá.
Dia 5 — Floresta de Viridian
A floresta respira de forma errada. Demasiados insetos. Demasiado silêncio. O meu parceiro quase caiu hoje.
Senti algo estranho quando o HP dele chegou perto de zero. Pânico. Raiva. Medo de ficar sozinho.
Se ele morrer… escrevo o nome dele aqui. E não o apagarei.
Dia 7 — À Vista de Pewter
As montanhas são cinzentas. Pedra sobre pedra.
Dizem que o líder daqui ainda treina. Ainda acredita em disciplina.
Se eu vencer… talvez prove que ainda existe força neste mundo. Se eu perder… este diário termina aqui.
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