Amor Et Elite

2 Are You Satisfied?


Notas iniciais
Ei, sou eu novamente! Não se esqueçam de ler usando a playlist

High achiever don’t you see?

Baby nothing comes for free

Aos dezessete anos é de se esperar que se saiba apenas um pouco, mas a verdade é que você nunca esteve tão perdida em toda sua vida. Ao menos era assim que Adhara se sentia toda vez que não era capaz dormir uma noite completa. Um dia ter apenas vinte e quatro horas e ela ter que lidar com atividades escolares e extracurricular, mais um namorado – ou melhor dizendo, ex namorado – era uma conta que não batia. Mas ela conseguia administrar tudo desde que tivesse muitas doses de café, uma quantidade razoavelmente saudável de açúcar e ao menos meia hora de discussão diária com Damian para a manter focada em seu objetivo, e faltando pouco para o alarme de seu celular tocar para mais um dia cansativo, mas tudo iria valer a pena quando pudesse ir para a Kings College.

Ser parte da Kings era seu sonho desde que ela era capaz de saber que deveria um dia ir para a Universidade. Localizada no centro de Londres, onde havia tudo o que ela mais amava na vida arte a vida noturna, tudo o que a Capital Inglesa oferecia, seu sonho era morar no Soho ou em Covent Garden assim como suas mães moraram durante a época em que elas mesmo foram alunas da Kings College, Adhara era um legado. Não um legado qualquer, ela se tornou um legado com um ano e meio por um casal composto por uma artista plástica e uma professora universitária, ela precisava ser a melhor precisava mostrar ao mundo – as suas mães – que ela era merecedora do amor e carinho que depositaram nela, precisava mostrar ao mundo de que suas mães eram as melhores e ninguém deve ousar duvidar que Kiraz e Elisa eram as melhores mães do mundo, que elas eram o maior exemplo que Addie tinha em toda sua vida. É por isso que ela acordava todas as manhãs antes mesmo de seu despertador tocar, era por isso que ela vestia a capa de Alumni Elite com orgulho, por isso que ela fazia questão de esconder as marcas de noites mal dormidas.

Quando terminava de se arrumar para a escola, uma de suas mães bate na porta antes de abrir uma pequena greta era sua mãe Kiraz, ela viu a mulher de cabelos negros e grossos e seu sorriso reluzente e maternal ser o calor que aquele dia chuvoso em Edimburgo necessitava e ela sorriu de forma calorosa.

“Estou atrasada anne? A mamãe já precisa ir para o trabalho?”

“Não meu bem, vim perguntar se posso trançar seu cabelo” com um sorriso e se sentando na cadeira de frente a sua penteadeira Addie escutou a risada de sua mãe se formar. Desde que Adhara era capaz de se lembrar sua mãe Kiraz trançava seus cabelos, era algo apenas das duas. Também nunca perguntou se a mãe de Kiraz tinha o costume de trançar os cabelos da filha.

Adhara não sabia muito da vida das mães antes de se casarem e a adotarem durante uma viagem para a américa latina, porém ela considerava algo normal. Filhos não sabiam e raramente se importavam em saber da vida dos pais antes de suas chegadas, ou até mesmo antes mesmo de seus pais ficarem juntos, porque com ela deveria ser diferente? A única coisa que sabia por escutar sua mãe Elisa e seu padrinho George conversarem era que tanto ela como Kiraz foram expulsas de casa. Addie não quis saber mais o resto era a história delas e muito provavelmente era algo doloroso então apenas aproveitava as tranças que sua mãe fazia, elas eram lindas mesmo que seus cabelos fossem simples e lisos sua anne conseguia transformar em algo bonito e diferente, se ela tinha o privilégio de uma de suas mães trançar seus cabelos Adhara não teria vergonha de usar.

“Como vai Theodore?” a mulher questiona a filha enquanto separava o cabelo para trançar “Ele não apareceu este final de semana”

Um suspiro sai de seus lábios, mas não um bom. Adhara acreditava que esse era o preço de namorar alguém desde os catorze anos, sentia falta de um tempo apenas para ela e Theodore queria sair da Europa e explorar os Estados Unidos e naquele momento – não que ela não tivesse tido outros momentos como esse – Adhara teve certeza que precisava terminar, isso fazia quase três semanas e ela não teve coragem de contar as suas mães. Theo era uma excelente pessoa Adhara reconhecia isso e foi um dos motivos que sempre tentou fazer o melhor para o relacionamento deles, mas eles não eram compatíveis ela sabia disso desde o momento em que beijou Theodore pela primeira vez.

Mas ela insistiu, porque ele era a pessoa mais gentil que ela conheceu, mesmo que o principal tópico das brigas dos dois tinha nome e sobrenome Damian Montgomery. Theodore não era capaz de entender a complexidade da rivalidade entre eles. Theodore precisava entender que a rivalidade entre ela e Damian era o que impulsionava sua vontade e necessidade de mostrar que era tão boa.... não que ela era melhor que o garoto de ouro da Grã Bretanha, herdeiro de um título idiota e filho do presidente do Banco Montgomery e possivelmente o futuro primeiro ministro, ela devia mostrar a todos que ela era a melhor, mas como explicar isso para ele quando nem mesmo suas mães eram capazes de compreender.

“Anne... Theo e eu terminamos” ela prefere tirar logo esse peso, antes contar para Kiraz do que acabar contando para Elisa enquanto sua mãe preparava chá e biscoitos enquanto riam e conversavam, sabia que sua anne teria uma reação mais tranquila e ela no final não iria se atrasar ao ter que explicar todas as nuances que fizeram ela e Theodore terminarem. Kiraz soltou apenas um pequeno oh surpresa demais para dizer mais alguma coisa. “sinto muito anne sei que você e a mamãe gostavam dele, mas precisamos conhecer outras pessoas”

Olhando para o reflexo de sua mãe pelo espelho, Adhara precisou sorrir para a coroa de trança que sua mãe se dedicou antes dela soltar toda aquela bomba a deixando sem reação e procurando as palavras corretas para dizer a seguir.

“Isso... demorou mais do que eu esperava”

Addie deve ter se levantando de forma um pouco brusca, pois sua mãe se assustou brevemente quando seus olhos avelã se encontraram com os olhos cor de âmbar dela, surpresa demais para pensar direito Adhara apenas queria a resposta do porque sua mãe pensava desta forma.

“Como assim demorou?” ela precisava saber, suas mães sempre adoraram Theodore, como sua mãe podia dizer que o relacionamento deles pode ter demorado para terminar?

“Bebeğim...” Kiraz suspira tocando no rosto de sua filha e sorri de forma reconfortante “Theodore é uma pessoa incrível, mas... não sei, talvez seja intuição de mãe. Eu pensava que era algo como um amor juvenil. Você não parecia tão apaixonada quanto dizia estar, parecia que era um amor em preto e branco.”

Se fosse possível sua boca se abrir mais ainda Adhara tinha certeza que ela estaria no chão. Sua mãe via que ela estava desperdiçando tempo não estando verdadeiramente apaixonada por Theodore, e mesmo sabendo disso elas respeitaram suas decisões e não a persuadiram a fazer algo que não estava em seu tempo. Addie amava Theodore, porém não sentiu o que sentiu com aquele beijo e ela se odiava por isso. Se odiava porque tinha certeza que Damian havia esquecido daquela maldita peça de teatro, e que aquilo que pareceu tão certo para ela não significava absolutamente nada para aquele estupido e mimado projeto de Draco Malfoy.

“E o amor deve ser que cor anne?” no fundo Adhara queria rir da própria desgraça, mas se contentava em escutar uma última palavra de sabedoria de sua mãe antes de ir para a escola “Eu deveria estar triste, mas tudo o que eu consigo sentir e pensar é que eu preciso preparar minha aplicação para a Kings College.”

“Eu não tenho nenhuma palavra sábia para dizer, sua cantora favorita já disse. O amor não é vermelho, ele é dourado como a luz do dia. Quando se sentir pronta você vai encontrar seu amor dourado.”

Naquele momento Adhara quis gritar e pular em sua mãe, mas se era porque ela havia citado Taylor Swift ou porque ela queria gritar dizendo que esperava alguma perola de sabedoria como se via na televisão as mães dando para suas filhas adolescentes, era algo que não saberia responder. No entanto ela se contentou em jogar a cabeça para trás e choramingar antes de sair apressada de seu quarto caso quisesse pegar alguma carona de sua mãe até a Academia Sant Lennox.

***

Definitivamente beber até cair na noite anterior não havia sido um boa ideia.

Ele definitivamente iria misturar um energético e talvez algumas pílulas de Simon para TDAH em seu café Damian precisava estar desperto. Não podia mostrar as noites sem dormir, o uso de remédios para se concentrar, não podia demonstrar fraqueza. Ele era um Montgomery e era o melhor, precisava ser o melhor apesar de ter feito uma semana da morte de sua avó, Lady Constance havia lutado uma dura batalha contra o câncer, mas infelizmente todos seus esforços não foram o suficiente. Em seu enterro estava apenas ele, os funcionários e os enfermeiros dela nem para se despedir da própria mãe o filho da puta de seu pai foi capaz de aparecer, quem dirá na missa de sétimo dia da mulher. Somente o céu e o inferno sabiam o que ele faria para trocar a vida de seu pai pela de sua avó a única pessoa que cuidou dele e que a cada dia o lembrava que ele não deveria ser um lixo humano, apenas pelos seus daddy e mommy issues. Mas estava cada dia mais difícil se lembrar do mínimo de educação, principalmente quando a maldita ressaca o lembrava perfeitamente do porque estar ingerindo as pílulas de Simon e tentava com dificuldade tirar os óculos escuros e forçar seus olhos cinzas se acostumarem com a luz, principalmente quando ela entrasse na sala de aula com a sua própria comitiva.

Adhara.

Chegava a ser irônico como ela brilhava como o maldito sol tendo o nome de uma estrela, e por mais que odiasse sequer pensar a respeito disso ele era grato pelo brilho irritante que ela tinha, principalmente neste ano Adhara era a única coisa perto do normal que havia ainda em sua vida. E ele não podia perder de alguma forma Adhara, ele precisava garantir essa rivalidade, seja falando mal do idiota do namorado dela, seja a chamando de estrelinha, seja fazendo qualquer merda que fosse a tirar do sério, Damian precisava manter essa rivalidade como a droga pessoal que era para ele.

“Eu não posso ficar roubando as pílulas do meu irmão sempre Damian, talvez devesse falar com alguém” o tom de voz de Sam era visivelmente preocupado, mas Montgomery não poderia se preocupar menos com isso “Não me lembro de ter pedido sua opinião Davenport, e não é como se eu não tivesse te pagado a semana passada inteira para fazer isso” ele entrega o dinheiro para o amigo seus olhos escuros e puxados o olhando como se tivesse de fato arrependido. Seria a última vez que fazia Sam pegar os remédios ele dizia a si mesmo enquanto tirava as duas capsulas da mão do gêmeo caçula Davenport as colocando na boca e abrindo a tampa de seu café e jogando a mistura química dentro de seu café como se fosse açúcar, Damian desenvolveu o gosto pelo café devido as noites em que temia que sua avó se fosse e ele não estivesse desperto para dizer adeus ou saber quando ela se foi. Os efeitos infelizmente não eram imediatos, então ele teria alguns momentos apreciando o sabor amargo do café que poderiam ser usados para aturar o casal Adhara e Theodore entrando.

Normalmente ele ignorava quando Theodore entrava primeiro na sala, sabendo que logo atrás entraria ela, a estrelinha da sala, talvez tivesse sido o remédio que o deixou desperto quando após ele entrar ter sido apenas Calebe Fergus amigo de Adhara, mas definitivamente a última pessoa que ele iria se lembrar se estivesse ou não entrado na aula, porque não tinha entrado junto com Mackenzie e Fergus? Seria possível algo ter acontecido com Adhara em plena segunda-feira? Não. Adhara tinha uma vida normal, suas mães eram responsáveis iriam avisar e Fergus ou Mackenzie iriam estar falando sobre isso, certo? Damian precisava se lembrar como respira... ele precisava, repetindo para si mesmo olhar para a janela e inspirar e expirar batendo seus dedos na madeira da mesa um de cada vez, aumentando a velocidade aos poucos, aumentando até Adhara entrar por aquela porta.

Ele repetiu esse pequeno mantra até ela entrar, não se importou em esconder seu alivio quando ela passou por aquela porta era como se o ar tivesse se tornado muito mais leve após isso ele poderia até mesmo sorrir, mas não tinha tanta certeza se teria forças ou ficaria obvio seu estado muito alerta devido à grande quantidade de cafeína as oito e meia da manhã. Mas ele podia respirar aliviado, não havia nada fora do normal em sua segunda feira, Adhara estava ali tão linda e brilhante como sempre, usava seu manto com orgulho, tinha uma coroa de tranças em seus cabelos, precisou abaixar a cabeça por um momento para que pudesse sorrir. Era quase como sua marca registrada sempre estar com diferentes tranças, ele só via ela de cabelos soltos após alguns ensaios da turma de teatro ou nas peças era tão esvoaçante que não precisavam de vento para se mover, faziam isso enquanto andava ou dançava. Mas as tranças estavam em seu dia a dia, sua forma de mostrar para o mundo que estava no controle, seu sorriso se expandiu e por um momento Damian quis rir enquanto se recordava de todos os momentos em que ela queria assumir o controle em alguma situação. Ele não fazia ideia de como Adhara não quis assumir o controle quando se beijaram naquela peça.

Romeu e Julieta. Chegava ser irônico como não se recordava de nada de seu personagem Romeu, não sabia mais as falas, não se lembrava de seu final no entanto, ele se lembrava que Adhara tinha lábios macios, um refrescante gosto de menta, que seu perfume naquela época tinha uma deliciosa mistura entre a baunilha e lavanda, ele se lembrava como Adhara parecia surpresa, como se houvesse se esquecido que o beijo estava no roteiro, recordava-se como tocou em sua bochecha e afastou seus cabelos antes de beija-la, não conseguiu tirar de seus lábios a sensação de ter os dela junto aos dele por semanas. Damian não conseguia esquecer até hoje como havia gostado de beija-la e sua mente levemente alterada com a ressaca e a cafeína em seu sangue o dizia que ele gostaria de repetir aquela experiencia em algum momento novamente.

Erguendo a cabeça lentamente para não se sentir enjoado ele se viu a procurar por Adhara e pode olhar em seus olhos por alguns segundos com a luz próxima dela o verde de seus olhos avelã estavam em mais destaque, naquele dia, no entanto o que mais o chamou a atenção foi que ela também o olhava, permitindo que assim ele pudesse ver seus olhos. Damian teve duas opções naquele momento sorrir e quem sabe oferecer uma trégua entre eles, ou arquear a sobrancelha como se estivesse propondo um desafio. Obviamente ele escolheu arquear a sobrancelha e desafiar ela que devolveu da forma como esperava com um infantil e estupido dedo médio que o fez sorrir, ele realmente precisava disso pelo menos para não sentir que tudo estava mudando e mais uma vez estava sozinho, soube no momento em que os olhos avelãs de Adhara se esbugalharam e sua boca vermelho formou um perfeito “O” algumas coisas jamais mudavam e ele agradecia a Adhara todos os dias, principalmente por ela não saber sobre a morte de sua avó. Ele a conhecia irritantemente bem para saber que que ela iria pegar leve com ele, ela seria gentil e carinhosa ela poderia até mesmo o abraçar! Mesmo que a ideia de ter os braços de Adhara em volta dele e poder descobrir se seu perfume ainda era a mesma essência de baunilha e lavanda ou se era algo novo, e então ele seria um idiota e iria arruinar tudo como sempre, estar perto de Adhara era como estar em frente a uma estrela cadente e fazer um pedido e pedir que o mundo tenha comida o suficiente para todos, nada iria mudar, por que existia pessoas – pessoas como ele, como seu pai – que detinham todos os meios de produção e tinham mais riquezas que poderiam contar, seria um pedido jogado fora. Era assim que Damian se sentia em relação a Adhara ele nunca faria a coisa certa com ela, de uma forma ou outra estragaria tudo. Mas era fisicamente impossível para ele que ela ignorasse sua existência, então provoca-la era o lembrete constante que ele estaria aqui, não por muito tempo levando em conta que era o último ano deles.

“Admirando minha beleza Crawford?” a provocação simples era o suficiente para fazer Adhara ficar vermelha de raiva.

“Prefiro admirar a beleza do inferno cristão do que olhar para sua cara Montgomery” ele ri com isso, talvez o riso mais sincero que teve na última semana.

“Bem que me disseram que possuía uma beleza angelical”

“É mesmo, me esqueci que Lúcifer foi um anjo antes de se tornar o rei do inferno cristão” aquele sorriso debochado era algo que ele facilmente conseguia imaginar os dois sozinhos em uma sala de aula ou na biblioteca e ele a deixando contra a parede e a beijando até ela tirar aquele sorriso dos lábios.

Ela estava distraída, ou ele havia tomado mais pílulas do que devia, porque seu pensamento foi muito mais rápido ao se dar conta que poderia facilmente virar aquele jogo de provocação, ele poderia derrotar Adhara e ela não faria ideia do que a atingiu, não era só ela que prestou atenção na aula introdutória de história da arte onde aprenderam sobre a influência religiosa na arte.

“Então você admite Crawford?” seu sorriso torto era o suficiente para irrita-la em suas provocações bobas principalmente porque ela ainda não viu por onde ele estaria levando aquilo “Você mesma admitiu que estava admirando a beleza do inferno cristão.” Foi naquele momento quando seus olhos avelã não se importaram com a luz e deixaram o castanho dominar suas íris, ele havia vencido o primeiro confronto do dia “E se você está me comparando com o maior símbolo do inferno cristão, então sim Adhara você estava me admirando.”

Damian se deleitou em ver ela abrindo e fechando a boca diversas vezes, era difícil deixar Adhara Crawford sem fala, mas quando ele conseguia era melhor que qualquer bebida, era melhor que qualquer dinheiro que pudesse ter. Vencer Adhara por menor que fosse e por mais estupida que fosse a competição era sua droga pessoal, Adhara era sua droga pessoal e ela não fazia a menor ideia disso.


Notas finais
Bom e é isso, um beijo da Bree! E nos vemos no próximo sábado e feliz ano novo!