A Gota Púrpura
2 Vida Longa ao Rei
Notas iniciais
I know it’s gotta go like this, I know
Hell will always come before you grow
Trouble found me, trouble found me
~ Roots
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25 DIAS RESTANTES
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Annabeth despertou com o vento gelado que entrava pelas portas abertas da sacada de seu quarto real.
As cortinas azuis esvoaçavam pelo longo espaço do cômodo, tentáculos livres que pareciam avisar que algo não estava bem. O resto do quarto era escuridão. Ao passar a mão no lado direito da cama, percebeu que estava gelado e, ela, sozinha.
Ela levantou depressa, calçou suas sapatilhas e foi em direção à sacada. A luz que emanava da lua era o suficiente apenas para guia-la até as portas abertas. O vento impiedoso provocou-lhe arrepios, mas a silhueta que estava lá fora fez seu coração afundar.
Percy mantinha-se em pé, olhando para os jardins lá embaixo, quase como se estivesse mesmo considerando pular. Annabeth bem sabia o que consumia sua mente, o que lhe fez esquecer-se de fechar as portas e o que provavelmente o convenceu a não acordá-la. Não que ele estivesse correto quanto a isso.
— Por que não me chamou?
Percy virou para trás de supetão, não tendo percebido a aproximação dela até aquele momento. Mesmo assim, sua face assustada não durou muito tempo. Logo se desfez para um rosto com sobrancelhas caídas e olhos vermelhos e inchados.
— Por que não continuou dormindo? — retrucou, a voz rouca.
— Já conversamos sobre interferir nas escolhas dos outros, Percy.
— Eu sei — fungou e olhou para os jardins de novo. — Desculpe.
Suas roupas estavam mal abotoadas, os cabelos mais embaraçados impossível. A face era lívida. Annabeth via a resposta para sua pergunta em sua frente, mas precisava fazê-lo falar.
— Ele... se foi?
Ele a olhou outra vez. Atrás dele, o céu sem estrelas refletia o que parecia estar em seu coração. Um meneio positivo com a cabeça, muito de leve, entrecortado por um suspiro afogado de quem segurava as lágrimas. Ela imaginou que as palavras pesavam.
— Faz só alguns minutos. Eu... não pensei que seria agora. Que seria tão rápido. Fiquei sem saber o que fazer.
Por isso ela não foi acordada. Percy mal conseguia digerir os fatos. Aquela não era somente a morte de Paul: era também ele tornar-se rei. Era ele ter que governar ao mesmo tempo em que queria manter sua promessa a Annabeth. Era um golpe com o qual ele não contava. Tudo isso atravessou a mente de Annabeth em frações de segundos, mas, naquele momento, o que ela via era um menino arrasado em sua frente, que ainda não compreendia a magnitude da morte do pai e definitivamente sequer conseguiria imaginar o que tudo isso acarretaria mais tarde.
Mas... uma dor de cada vez.
— Eu sinto muito, Percy — disse-lhe, no tom de voz mais gentil de que foi capaz.
Ele lhe ergueu os olhos verdes estreitados, com lágrimas que não eram mais controláveis. Quando o ventou soprou mais uma vez, pareceu trazer-lhe para seus braços, uma vez que Percy agarrou-se a ela e encaixou a cabeça em seu ombro. Chorou.
Ela deixou que ele ficasse ali o tempo que achasse necessário. Annabeth não tinha ela mesma as melhores relações com o pai mortal, mas a sorte de Percy tinha sido generosa com ele, e ela percebia isso a cada soluço que sacudia seu corpo abraçado ao dela.
Sentindo o rosto molhado dele contra seus cabelos, o ouviu falar em tom bastante baixo.
— Ele foi meu pai. O único que conheci a vida inteira. Ele me amou do jeito que eu era – desabafou, o que com certeza era mais fácil fazer não tendo que olhar nos olhos dela. — Ele me protegeu. Nunca me disse uma palavra sobre isso...
Uma longa pausa para suspirar. Então...
— Já Poseidon...
— Percy, não o julgue. Os últimos cem anos não foram fáceis para ninguém.
— Meus cem anos começaram hoje, Annabeth – respondeu, se afastando do abraço e fungando para afastar o choro. — Eu não contava com isso. Tudo ficou... um milhão de vezes mais difícil.
De fato. O cérebro de Annabeth era veloz, tentando imaginar o que aconteceria a partir do momento em que o dia amanhecesse. Percy teria que escolher entre Súkurys e o Reino? Ele mudaria as leis? E ela, e seus vinte e sete dias de vida? Rodopiando e rodopiando, seus pensamentos não encontravam paz. Eram luzes piscantes na noite densa.
Ela foi forçada a fechar os olhos para não ver o rosto vermelho de Percy. Balançou a cabeça, dando tempo a si mesma para encontrar as melhores palavras. Inspirou.
— Percy, apenas... esqueça a Batalha por um segundo — disse-lhe, mas não sabia dizer a quem realmente tentava convencer. — Esqueça seu reino. Esqueça sobre sua vida divina.
Os olhos verdes dele a seguiam, atentos às suas palavras, e Annabeth sabia o quanto ele as valorizava. Ela era a filha da Sabedoria, mas seria sábia o tempo todo?
— Você acabou de perder seu pai — ela racionalizou, e o golpe pareceu profundo o suficiente para que Percy enfim abaixasse a cabeça. Ela tinha as mãos deles nas delas. — Isso já é difícil o bastante. Dê tempo a si mesmo para se curar — pediu.
— Há pessoas esperando por mim.
— Há pessoas esperando o tempo todo. Mas nenhuma delas vai sentir a sua dor por você.
Ele não respondeu. Com um buraco no peito, tremendo de frio e de medo, Annabeth reuniu as forças que restavam e abraçou Percy outra vez. Fraco, ele sequer resistiu.
Ali, ambos sob a lua escondida pelas nuvens, Annabeth queria seguir o próprio conselho. Fechou os olhos e esqueceu do mundo. Uma dor de cada vez.
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Enquanto olhava para as linhas amareladas do mapa diante de si, Quíron era quase capaz de enxergar a pequena caravela de Percy a cruzar aquelas águas, sozinho e vulnerável, em direção àquela planta que prometia reverter qualquer destino de quem a tivesse em mãos – ironicamente, era mais conhecida por reverter destinos de quem sequer conseguiu encostar nela. Essa parte da história Quíron se recusou a contar ao príncipe. Mas não é como se o garoto não imaginasse.
Então algo brilhou em sua janela.
Quíron inclinou o rosto, perguntando-se se havia mesmo visto algo brilhando no céu perto do castelo através da pequena janela da Casa Grande. No outro segundo, como uma resposta imediata, a luz brilhou de novo. Branca, piscante, como um sinal.
O sono que sentia atrasou seu raciocínio por alguns momentos, até se recordar do que aquele sinal significava. Sentiu as pernas balançarem. Era definitivamente a última coisa que ele precisava ouvir naquele instante.
Aquele era o sinal de Percy para ele. O sinal de que o rei Paul Jackson estava, enfim, morto.
Antes que pudesse se conter, caiu sobre um joelho. Em sua forma de centauro, estava curvado na direção do castelo como estaria caso ainda fosse o sacerdote Bernard: humilde, servo, reverente. Era impossível ignorar a perda de um rei de tamanha gentileza, bravura e dedicação a seu reino, cujo único pecado cometido – a não revogação da Lei que perseguia os semideuses – ainda tinha um motivo justo e puro: Percy.
O sacerdote esteve lá, no castelo, durante os primeiros anos de vida do pequeno príncipe de olhos verdes. Presenciou a dura decisão de Paul de manter a Lei, em tempos em que a menor hesitação em concordar com ela seria vista com olhos suspeitos, e essas suspeitas não demorariam a recair sobre uma rainha jovem e assustada e uma criança que justificava toda e qualquer desconfiança.
Os semideuses não entendiam, mas Quíron entendia. Não era apenas uma lei, mas um acordo de fidelidade ao reino. E, se Paul agora já não reinava mais, como ficaria o acordo?
Pensando em Paul, Quíron lembrou-se de Percy. Ele poderia ter a Annabeth agora, casados e unidos nem que fosse por apenas 27 dias ou, que os deuses permitissem, eternamente. Mas, nesse momento, Quíron se perguntava se até mesmo a presença dela seria suficiente para amortecer a dor que o inundava.
Enquanto isso, aqui, no Acampamento Secreto, Quíron tinha seu próprio desafio pela frente. Respirou fundo, ergueu-se, pegou o sino em sua mão direita e saiu da Casa Grande, trotando pelo campo verde e acordando os alheios semideuses adormecidos.
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Cercados em volta da Casa Grande, rostos com olhos inchados e bocas bocejantes o encaravam. O que de tão importante haveria para ser dito àquela hora da madrugada, naquele frio de congelar os ossos? Os semideuses tinham seus cobertores de lã em volta dos corpos, mas nada era mesmo o bastante.
— Tenho um comunicado urgente — o que era óbvio, mas Quíron não sabia exatamente por onde começar. Todas as vezes em que precisava falar sobre o reino, a comoção dos jovens meio-sangues era violenta.
E agora que a atenção recairia sobre Percy somente, o centauro não sabia o que esperar de seus primos.
— Recebemos uma mensagem... do castelo — disse, a última parte da frase soando um pouco mais baixa involuntariamente. Mesmo assim, foi bem audível ao ponto de olhares se cruzarem em ansiedade. Quíron não tinha ideia do que aquilo poderia significar.
Analisando tão profundamente seus rostos, ele percebeu que a maioria ainda tinha profundas feridas de guerra, afinal, a Batalha havia sido há dois dias. Os comentários sobre o primeiro herói capaz de trazer sua mão viva de volta da luta eram incessantes e carregados de admiração. O mestre se perguntou se isso ainda teria algum peso no julgamento dos semideuses.
Inflando o peito, Quíron recitou as palavras:
— Vosso Rei, Paul Jackson, está morto. Vida longa ao novo rei, Perseus Jackson.
Os primeiros cinco segundos foram de completo silêncio. Não exatamente uma surpresa. Quíron esperava que o choque precisaria de um tempo para ser recebido e compreendido. O rei Paul ainda era consideravelmente jovem, mas a doença que o atacara havia destruído sua saúde durante o último ano. Os acontecimentos mais recentes não auxiliaram exatamente sua perspectiva de recuperação, mas todos ainda tinham a esperança, ou ao menos apostavam, que Paul aguentaria por mais alguns anos. Percy era muito jovem e o mundo esteve louco demais nos últimos dias para que algo tão natural e tão óbvio quanto a morte de um rei pudesse ter sido esperado por algum deles.
Mas o golpe os trouxera de volta às suas metades humanas.
Quando os burburinhos ameaçaram recomeçar, Quíron deu um passo frente. Já tinha o discurso pronto e não queria ouvir uma palavra sequer antes de começar, ou perderia o foco. O que importava agora não era o que tinha ficado para trás, mas o que viria pela frente. Estava na hora de esquecer o ódio que todos nutriam pelo príncipe e...
— Vida longa ao rei!
— Vida longa ao rei!
Quíron arregalou os olhos. Diante de si, semideuses bradavam, erguiam punhos ao ar e balançavam suas cobertas como bandeiras. Todos gritavam o nome de Percy e lhe desejavam vida longa e reinado próspero.
Agora quem precisava de um momento para compreender o que acontecia era ele.
— Um semideus assentado ao trono da Inglaterra! — uma filha de Afrodite declarou. — Mais uma vitória para o Herói da Batalha!
— Enfim, nosso dia de vingança! — outro filho de Ares acrescentou, obviamente.
— Vida longa a Perseus, filho das águas!
— Nosso rei!
Quíron piscou algumas vezes e, sem notar, deixou o queixo cair. Se o Sr D já tivesse voltado do Olimpo, com certeza já o teria cutucado diversas vezes.
— Por que tão surpreso, mestre? — Kate Gardner, a talentosa filha de Deméter, pareceu ser a única a notar sua expressão. Logo os outros também prestaram atenção a ele, e os brados diminuíram ligeiramente.
— Eu não... imaginava — respondeu. — Vocês acreditam em Percy. Eu não...
— Ora, mas é claro! — disse Kate, sorridente, como se houvesse ouvido uma piada. — Não percebe?
Provavelmente ainda não, mas, com a sombra de um sorriso em resposta, ele se esforçava.
— Estou... hã, começando a perceber...
Um dos meninos do chalé de Atena, mais contido que os outros, mas de voz sábia e autoritária como a de quem havia calculado esse resultado, explicou em poucas palavras:
— Naturalmente, senhor Quíron, Perseus será o rei que acabará com a Lei contra semideuses. Seremos livres e poderemos retornar às cidades. Será o fim do Acampamento Secreto.
Assim que assimilou as palavras, Quíron desfez a expressão de surpresa e a transformou em algo mais próximo do choque e do terror. Não, obviamente Percy não poderia fazer isso. Seria o fim de seu reinado antes mesmo de começá-lo. Ele e Annabeth correriam grande risco.
E acabar com o Acampamento Secreto? Aquele nunca fora o intuito para sua existência! Mas, Quíron bem sabia, aqueles semideuses estavam presos ali há tantas gerações e sentindo o mesmo medo que era lógico acreditar que a única finalidade daquele lugar era o de se esconder da Lei.
Em resposta à inteligente conclusão do filho de Atena, todos pareciam ainda mais contentes que antes. Não foi nem preciso mandá-los de volta a seus quartos, pois eles retornaram sozinhos, abraçados e cantando. Deixaram para trás, sem perceber, um centauro paralisado, tentando descobrir como contar àqueles jovens que eles nunca, nunca retornariam para as cidades. Nunca retornariam às suas famílias mortais. E que, possivelmente, Percy não revogaria a Lei.
De repente, a morte de Paul pareceu mil vezes mais assustadora que antes.
Conforme se recompunha, Quíron começava a se virar para entrar na Casa Grande e ter o resto de seu ataque de pânico lá dentro, quando se deu conta que uma semideusa havia ficado para trás, observando-o.
Parado à soleira da porta, Quíron reconheceu Clarisse de La Rue. Impassível, ela estivera na mesma posição o tempo todo, sem dizer uma única palavra. A mão não deixara o punho da espada em nenhum momento. Pelas últimas quarenta e oito horas, Quíron a havia visto treinando escondida, cuidando de seus próprios ferimentos e constantemente concentrada em algo que apenas ela era capaz de ver.
Clarisse sustentou o olhar do mestre por alguns longos segundos. Então, lentamente, balançou-lhe a cabeça em negativa. Era o primeiro contato que ela fazia com ele desde o começo da Batalha. Depois, como uma espectadora desapontada, ela respirou fundo, deu meia-volta e retornou ao seu chalé.
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Fazia muito tempo desde que Atena se sentira assim pela última vez, mas lá estava ela de novo: a sensação de que havia trocado de lugar com Atlas e agora tinha o peso do mundo em seus ombros.
A mais tola das comparações, sim, porém também a mais fidedigna. Desde o desaparecimento de Zeus e o fim caótico da Batalha com todas as suas consequências, Atena vinha mantendo olhos sobre tudo e todos, como uma mãe zelosa em noite de tempestade.
Quando enfim a Batalha foi declarada como encerrada, os deuses então tiveram tempo para compreender tudo o que havia acontecido na última semana. As revelações, as respostas. Vieram à tona sentimentos de culpa e responsabilidade; todavia, por mais puros que fossem, Atena não poderia permitir que se deixassem levar por eles. Ao fim do dia, deuses eram deuses e mortais eram mortais, e nada do que fizessem hoje alteraria o que houve no passado.
Ela bem sabia disso.
O que o resto do Olimpo enfrentava agora ela já havia experimentado alguns muitos anos atrás. O desespero. As negativas. A resignação. Sabia que palavras não surtiriam efeito imediato. Então, deixou a solidão lhe invadir.
Seu pequeno Conselho de antes não dançava mais a mesma música. Atena via Apolo correr para cima e para baixo com uma expressão soturna e desconfiada, protegendo em seu íntimo aquilo que a deusa sabia lhe ser tão importante: seu novo Oráculo. Entretanto, Apolo era evasivo e incomunicável. Fechado em seu próprio mundinho, Atena temia que ele se esquecesse de que uma guerra ainda estava acontecendo.
Ártemis quis levar suas caçadoras para longe durante algum tempo. Não disse para onde. Não que importasse. Arisca, Ártemis dificilmente se disporia a se envolver mais no problemas de sua família além do que fosse estritamente necessário.
E havia Poseidon.
Aquela pobre alma torturada, a qual Atena gostaria de poder ajudar, mas que, a cada dia, parecia mais e mais distante dela. Distante o suficiente para a deusa da guerra começar a acreditar que estavam em lados opostos.
Apolo poderia ter suas próprias cismas, mas Atena sabia que não era qualquer motivo tolo que o faria enfrentar Poseidon do modo que fizera. O deus do mar esteve cruzando limites muito mais perigosos do que os de Hermes, se é que tal feito ainda fosse possível. Se o fosse, Atena sabia que ele seria definitivamente capaz de fazê-lo.
Ela só se perguntava até quando Poseidon acreditaria que ela poderia ajudá-lo. Até quando ele invadiria seus aposentos cheio de explicações e justificativas. E até quando ela evitaria confrontá-lo com a única verdade existente: se continuassem por esse caminho, ambos seriam inimigos até o fim do dia.
Mas enquanto ele fosse sua única companhia, Atena postergaria. Não se sentia pronta para começar uma nova fase completamente sozinha. E pensava ser esse seu maior problema... até agora.
Sobre os telhados, de onde nem Annabeth nem Percy a veriam, Atena os observava. E mesmo se vissem, veriam apenas uma coruja. Uma coruja velha e silenciosa, quase estática, perdida na própria mente. Sem Paul, Percy teria que assumir. E como justificar a partida do recém coroado rei da Inglaterra? Como arriscar ambos no governo de um país que os quer na fogueira?
Atena adoraria poder encontrar motivos para dizer que a morte prematura e surpresa de Paul Jackson não havia sido pura má sorte, mas era justamente o que parecia ser. Talvez nem... nem o Oráculo pudesse tê-la previsto. Era bizarro. Era estúpido. Era cruel. Mas lá estavam: os novos rei e rainha da Inglaterra, abraçados um ao outro, na sacada do castelo, dentro da madrugada de vento frio. Chorando. Aflitos. Sozinhos. De repente, ambos sob o peso do mundo.
Assim como Atena.
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