Eram que horas? Onze? Meia-noite? Que dia era hoje? Ah sim, quarta. Fazia duas horas que voltara da festa dos pais de Abellona. Duas horas que escutou a mais ridícula, porém atrativa, ideia: procurar o Pomo de Sealan. Sua irmã estava dormindo pesadamente, o que lhe deu tempo para pensar bastante. Estava confuso. Pelo que viu, Abellona realmente tinha provas de que o artefato existia, e mais ainda a localização do pomo. Aquela sala estava repleta de mapas, penas, cartas, anotações, e outros artefatos que deram a ela alguma certeza de que aquilo existia.
O problema era que as informações passadas nos livros ou no boca a boca eram apenas lendas, relatos de pessoas que nem sequer saíram da cidade. Afinal, quem saía nunca mais era visto ou lembrado. E isso estava fora de cogitação. Mas mesmo assim, Ahadi sentia uma estranha excitação em seu corpo. A adrenalina percorria o corpo como um todo e estava começando a considerar a ideia.
Entrou em seu quarto e abriu seu armário de carvalho escuro. Camisetas, armas, bestas e alguns mapas. Caso aceitasse entrar nessa "aventura", teria tudo pronto. Mas mesmo que não pense em ir, por mais que ache uma loucura sem limites, ele iria. Não por ele, mas pela irmã. A ideia de ir buscar o pomo pela irmã era o que motivou. Uru merecia trabalhar, viver e enxergar novamente. Ver o nascer do sol, ver o que come, o que faz, onde dorme. Ver o filho que nunca pôde. Poderia não pedir nada, mas para ela faria o impossível.
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