Algumas mechas estavam molhadas, grudadas em sua cabeça, outros fios estavam completamente secos, espalhados, um emaranhado ruivo, ondulado. A pele era café-com-leite, pálido. Os olhos estavam fechados serenamente, haviam marcas de corte pela extensão do braço e sua roupa tinha alguns cortes finos, o tórax não subia nem descia, não respirava definitivamente.
Eu reconhecia o rosto de algum lugar. Inclinei meu corpo tentando chegar sua cabeça, queria ver se ainda havia pulsação através de seu pescoço.
As pálpebras se abriram e ele sorriu, percebi que seus caninos eram maiores que o normal e me desequilibrei, meu reflexo era rápido então consegui me apoiar no canto da banheira me jogando para trás, não seria bom ter caído em cima dele. Nenhum dos dois obteve vantagem para se levantar, ele já estava tentando se levantar quando cai no chão, mas sua posição não ajudava, conseguimos nos levantar na mesma hora e eu corri até a pia, onde havia Sol.
Eu deveria ter investigado o banheiro também, agora estou na situação mais constrangedora de minha vida sem contar a primeira vez que fui na ginecologista.
Me apoiei na pia tentando subir, mas algo agarrou meu braço e gritou de dor, enquanto eu era puxada para trás senti cheiro de carne queimada, com o outro braço ele prendeu minhas costas ao seu tórax, a sensação de algo próximo ao meu pescoço, não mordeu na mesma hora, provavelmente estava tentando se acalmar da dor de ser queimado pelo Sol.
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