Assim Estava Escrito
21 Vamos dançar?
Notas iniciais
Clara estava no estúdio organizando algumas fotos no computador. Muito concentrada, não percebeu quando Marina chegou ao local. A fotógrafa se aproximou bem devagar, e surpreendeu a morena com um beijo na nuca, fazendo com que ela se arrepiasse toda. A assistente fechou os olhos e mordeu os lábios. Após um suspiro alto, se declarou:
– Adoro quando você chega de surpresa assim amor! — Virou-se e sorriu.
Marina selou os lábios de Clara.
– E eu adoro te surpreender, sabia?! — A fotógrafa afirmou. — Queria te fazer um convite! — Completou animada.
– Convite?! O que você tá aprontando hein?! — A morena brincou.
– Queria te convidar pra sair, fazer algo diferente, tomar alguns drinks... — Marina puxou a assistente, que suavemente se levantou e juntou seu corpo ao dela — ...e dançar muito! — A fotógrafa passou os braços envolta do pescoço de Clara, que a segurou pela cintura.
Começaram a dar pequenos passos seguindo o ritmo de uma música imaginária.
– Adorei a ideia! Nossa, tem tanto tempo que eu não saio para um programa assim. — A morena falou olhando em seus olhos.
– Então, mais uma razão pra gente sair e se divertir muito! — Marina sorriu.
– Combinado! — Clara concordou. — Mas de onde surgiu essa ideia?! Bom, não é que eu não tenha gostado, eu adorei! Mas é que ultimamente você anda mais quieta, mais caseira. — A assistente olhou para a namorada. Permaneciam abraçadas.
– Você tem razão. Ultimamente eu tô bem caseira mesmo. Teve uma época da minha vida que eu saía muito, tinha uma vida bem badalada, sabe?! Mas depois fui preferindo programas mais tranquilos, menos agitados... agora que estamos juntas então, sou muito mais tomar um bom vinho e ficar agarradinha com o meu amor! — Assim que terminou de falar, Marina beijou a morena. Depois que seus lábios se separaram, olharam-se nos olhos e sorriram. — Melhor coisa que existe! — A fotógrafa completou. — Mas sabe de onde veio a ideia?! É que eu recebi um convite para a abertura da exposição de um fotógrafo que eu conheço. E depois da abertura haverá um coquetel em uma boate. Daí me veio a ideia de irmos na abertura e aproveitarmos a oportunidade para dar uma esticadinha, dançar, relaxar. Foi isso! — Marina finalizou sua explicação.
– Excelente ideia amor! Gostei muito! — Clara deu um sorriso safado. — Mas me fala um negócio aqui: nessa boate... — A morena puxou a cintura da namorada para bem junto de si — ...a gente pode dançar agarradinha assim?! — A assistente mordeu os lábios.
– Claro que sim! — Respondeu a fotógrafa. — Por que não poderia?! — Questionou.
– Ah minha linda, lidamos com posturas tão difíceis nesse mundo, não é?! Tem lugar que se sentarmos para jantar, mesmo que a gente nem se toque, já vai ter um monte de gente olhando e nos julgando. Imagina então a gente dançando agarradinha assim?!
– Então meu amor, nós até já conversamos sobre isso. Acho que não podemos ir para o embate direto, tem muita gente ruim por aí, gente que sai agredindo as pessoas na rua por pura ignorância, por não entender que duas pessoas do mesmo sexo podem sim se amar. Mas também não podemos nos esconder, não podemos deixar de viver por isso. É claro que há lugares e lugares, não é?! — Marina olhou nos olhos da morena. — Mas fica tranquila que essa boate eu conheço, já fui lá muitas vezes e é muito tranquilo. O pessoal que frequenta é de boa, cabeça aberta. Vai ser muito bom, você vai ver!
– Vai sim minha linda! — Clara sorriu e selou os lábios da namorada. — Bom, então vou pra casa me aprontar pra nossa noitada! — A morena fez um carinho no rosto de Marina. A seguir, começou a ajeitar algumas coisas no estúdio, desligou o computador e pegou sua bolsa. – Você me pega lá no apartamento?! — Perguntou a assistente.
– Sim amor! Passo lá às 20h, pode ser?!
– Pode sim! Combinado! — Clara concordou e selou os lábios da fotógrafa mais uma vez antes de partir.
.....
Tinham saído poucas vezes desde que ficaram juntas, e esse seria o primeiro evento maior das duas como namoradas. Clara queria estar deslumbrante para Marina. Vestiu uma calça preta e uma blusa num tom verde-escuro que deixava seus ombros à mostra. Prendeu o cabelo com um coque e colocou sua franja de lado. Caprichou na maquiagem e no perfume.
A fotógrafa por sua vez também se esmerou no figurino. Colocou um vestido, deixou os cabelos soltos e pôs longos e brilhantes brincos. Batom vermelho nos lábios e estava pronta.
Seguiu para o Leblon. Enquanto o motorista esperava no carro, subiu para buscar a namorada. Assim que abriu a porta, a morena não conseguiu disfarçar sua admiração com a beleza estonteante da fotógrafa. Ficou um tempo com a boca entreaberta até conseguir dizer algo:
– Uau! — Falou enquanto admirava Marina dos pés à cabeça. — Você é linda demais meu amor! Maravilhosa! — Elogiou.
– Gostou?! — A fotógrafa perguntou sorrindo.
– Se eu gostei?! Eu amei! — A assistente exclamou.
– Que bom meu amor! Eu tinha que ficar bem mesmo, não é?! Afinal, você tá um escândalo, e eu preciso ficar à altura da minha namorada espetacular! — Marina elogiou, fazendo a assistente ruborizar.
– Assim você me deixa sem graça... — Clara falou com seu jeito tímido. — ...mas agradeço os elogios!
– São sinceros e merecidíssimos amor! Vamos lá?! — A fotógrafa a chamou para saírem.
Clara concordou. Deram-se as mãos e seguiram para o carro.
Chegando à galeria onde a exposição seria aberta, a grande movimentação na porta já dava uma amostra do quanto o evento estava concorrido. Entraram no local. Enquanto aguardavam a abertura oficial, os jornalistas presentes reconheceram a fotógrafa e correram até ela, na expectativa de obterem alguma informação sobre seu próximo trabalho. Clara já tinha visto esse assédio antes, na exposição de Marina, quando se conheceram. Mas dessa vez era diferente. Ela não era apenas uma admiradora do trabalho da fotógrafa, nem somente sua assistente. Era também sua namorada, sua companheira, e pela primeira vez seria vista publicamente como tal.
Quando os repórteres se aproximaram e cercaram a fotógrafa, a morena ficou sem saber se permanecia ao lado da namorada ou se lhe deixava a sós com os jornalistas. Preferiu se afastar um pouco.
Ficou a alguns metros de distância, não muito longe, de onde ainda pôde observar Marina apresentar suas ideias para os próximos trabalhos e tentar esclarecer porque estava há algum tempo sem expor. Alguns minutos depois os repórteres encerraram a entrevista, pouco antes de ter início a abertura oficial da exposição.
Assim que se viu liberada, a fotógrafa procurou por Clara, e seus olhos rapidamente a encontraram. A assistente estava encostada em uma parede próxima. Marina se aproximou. Olharam-se nos olhos. A fotógrafa parecia entender o sentimento da outra, mas mesmo assim quis ouvi-la.
– Senti sua falta ali comigo amor. Por que você não ficou do meu lado?!
– Ah Marina, eu não sei o que aconteceu... desculpa... — A morena estava cabisbaixa. — Acho que ainda tenho que me acostumar com a ideia de que além de ser namorada de uma mulher, também sou namorada de uma fotógrafa famosa. — Fitou os olhos de Marina. – Mas eu vou me acostumar, prometo! — Clara afirmou.
– Eu sei que vai minha linda! Leve o tempo que precisar, está bem?! — Marina passou a mão carinhosamente no rosto da morena. — Vamos ver as obras?! — Ofereceu seu braço para a assistente, chamando-a para a visita à exposição.
De braços dados, começaram a caminhar e apreciar os belos painéis que ali estavam sendo expostos pela primeira vez. A fotógrafa explicou para a assistente alguns detalhes que observara nas fotografias, falando das escolhas e estilo do autor, direção da luz, foco etc. Clara olhava tudo com muito encantamento e atenção. Percebeu o tanto que já tinha aprendido com a namorada e como conseguia compreender melhor a arte da fotografia desde aquela primeira exposição quando se conheceram.
Percorreram a galeria juntas e após apreciarem todas as obras, seguiram para a boate onde ocorreria o coquetel após a abertura da exposição, para onde já tinham se dirigido vários outros convidados.
A boate era um lugar familiar para Marina, que já tinha vivido ali muitas noitadas em seus tempos de solteira. Um local onde a diversidade era bem vinda, e ela nunca precisou de se privar de qualquer demonstração de afeto quando esteve por ali. Por isso, tinha a expectativa de que Clara também se sentisse mais à vontade naquele lugar.
Entraram juntas. A boate já estava lotada. Foram direto para o bar pegar algum drink, iniciando o aquecimento para a noite que estava só começando. Após beberem a primeira taça, seguiram para a pista de dança e logo deixaram-se embalar pelo ritmo da música e luzes que tomavam conta do ambiente.
Dançavam com os corpos próximos, trocando olhares quentes e provocações ao pé do ouvido. Embora não se tocassem, nem tivessem se beijado ainda, o clima esquentava ao ritmo da música. Marina percebia a morena cada vez mais à vontade, embora sentisse que algo ainda a travava. Mas a fotógrafa não queria pressionar a namorada a fazer nada que fosse deixá-la desconfortável.
– Você tá gostando amor?! — Marina perguntou bem perto do rosto de Clara.
– Tô amando! — A morena respondeu olhando nos olhos da outra. Sorriu.
Fitou os lábios vermelhos da fotógrafa que a hipnotizavam da mesma forma como da primeira vez em que se viram. Seus rostos estavam próximos. Clara foi chegando mais perto. Olhou nos olhos da namorada. Sorriu mais uma vez. Marina percebeu que finalmente a morena se deixaria levar, vencendo sua inibição de beijá-la em público. Fecharam os olhos. A fotógrafa sentiu a respiração ofegante da assistente.
– Dá licença por favor! — Pediu um casal que saía apressado da pista de dança, sem perceber o clima que rolava entre as duas.
Clara e Marina se afastaram e deram passagem à dupla. Ao olharem o casal passar, tinham o semblante pesaroso pelo momento que acabara de ser atrapalhado. Marina estava especialmente triste, pois sabia que para a morena não era simples chegar até ali. Olharam-se e abriram um sorriso tímido.
– Tô muito feliz por você ter me trazido aqui! — Clara falou para a fotógrafa, tentando retomar o momento de alguns minutos atrás. — Faz muito tempo que eu não danço e me divirto tanto! Obrigada! — A morena agradeceu e em seguida levou a mão de Marina até sua boca, beijando-a carinhosamente.
A fotógrafa ficou feliz com o carinho da assistente, mas percebeu que não retomariam naquele instante o clima que quase levou a morena a beijá-la no meio da pista de dança. Voltaram a dançar e, mesmo com a boate lotada, conseguiam se divertir.
Algumas músicas depois, o calor tomava conta e decidiram se refrescar tomando mais um drink. Seguiram até o bar, onde Marina fez o pedido.
– Amor, enquanto a gente aguarda o drink vou ao banheiro rapidinho. Você me espera aqui?! — Clara perguntou.
– Espero sim minha linda! — Marina falou e sorriu.
A fotógrafa ficou de frente para o bar, observando o bartender preparar a bebida delas. Alguns minutos depois, sentiu um braço passar ao lado de seu corpo, e apoiar-se no balcão.
– Voltou rápido meu am... — Falou virando-se de uma vez, quando percebeu que o braço que a envolvia não era de Clara. — Dani, há quanto tempo! — Exclamou surpresa.
– Marina Meirelles por aqui! Taí uma cena que eu achei que não veria de novo! — A mulher deu um beijo longo no rosto da fotógrafa.
Dani era modelo fotográfica e tinha trabalhado com Marina em diversas oportunidades. Namoraram por um breve período, durante o qual estiveram juntas naquela boate algumas vezes. A fotógrafa não queria nada sério à época, e, apesar da insistência da modelo, terminaram em pouco tempo. Para impedir novas investidas de Dani, Marina nunca mais trabalhou com a modelo, e preferiu evitar os ambientes que sabia que a outra frequentava. A lembrança de Dani ficou esquecida no tempo, e Marina nem se recordava disso quando chamou Clara para a boate, até que o passado resolveu encontrá-la ali naquele balcão.
Após a surpresa do reencontro, Marina conseguiu responder:
– Pois é Dani, eu tô mais quieta agora, mais tranquila, abandonei essa vida de boate e bebedeira sem fim.
– Você?!? Quieta?!? Não parece a Marina Meirelles que eu conheci! — A modelo afirmou.
– Mas vou te falar Dani, que essa que você está vendo é a Marina que eu sempre quis ser, feliz como eu nunca fui! — A fotógrafa falou de peito aberto.
– Nossa, mas essa felicidade toda tem nome?! — Dani perguntou, recolhendo a mão que até então estava no balcão envolvendo Marina.
– Tem sim! O nome dela é Clara! — A fotógrafa olhou em volta procurando pela namorada. — Ela já deve estar voltando aí!
– Ah, ela tá aqui hoje?! — Perguntou a modelo. — É a sua amiguinha da pista de dança?! — Completou com ironia.
Marina fechou os olhos e pressionou seus lábios já demonstrando intolerância com as insinuações da ex.
– Ela não é minha 'amiguinha da pista de dança' Dani! — Respondeu a fotógrafa. — Ela é minha namorada!
– Bom, eu estava observando vocês dançando, e como não a vi te tocando nenhuma vez, achei que era só sua 'amiguinha'. — A modelo riu com deboche.
Marina procurou por Clara novamente. Por um lado queria que a morena voltasse logo, para que ela pudesse encerrar aquela conversa o mais rápido possível. Por outro, temia a reação de Clara ao vê-la perto de Dani, pois sabia que a namorada não ouviria calada as provocações da modelo.
– Dani, ninguém precisa ficar se beijando ou se esfregando em público pra mostrar que está junto! — Respondeu a fotógrafa olhando para a modelo.
Dani se aproximou e sussurrou no ouvido de Marina:
– Mas você adorava se esfregar em mim quando a gente vinha aqui! — Provocou.
A fotógrafa nem teve tempo de responder quando ouviu a voz da namorada:
– Posso saber o que que tá acontecendo?! — Clara perguntou com uma expressão séria, as mãos na cintura.
– Oi amor, você demorou! Eu tava preocupada já! — Marina respondeu tentando disfarçar sua impaciência com as insinuações da ex.
– Pois é, a fila do banheiro estava maior do que eu imaginava. Não vai nos apresentar?! — A morena perguntou olhando para Marina e em seguida para a modelo, que mantinha um sorriso de deboche no rosto.
– Ah sim, essa aqui é a Dani, ela é modelo, já trabalhou comigo algumas vezes. Dani, essa aqui é a Clara de quem eu lhe falei! — Marina fez as apresentações, e as duas trocaram um aperto de mão.
– Então você é a amiguinha da pista de dança?! — A modelo provocou.
Antes que Clara fizesse menção de responder, Marina cortou o assunto.
– Então até mais Dani, prazer em revê-la! — A fotógrafa falou com um sorriso forçado, já tirando a namorada de perto e seguindo para a pista de dança, tão apressada que deixou os drinks para trás.
Assim que pararam, Clara fez questão de perguntar:
– Por que você me tirou correndo de lá Marina?! E por que aquela mulher me chamou de sua 'amiguinha da pista de dança'?! O que que foi hein?!
– Não tem nada meu amor. Eu só quis te tirar de lá porque a Dani fala as coisas sem pensar, e eu não queria que você caísse na pilha dela. Só isso. — A fotógrafa tentou se justificar.
– Você falou que ela já trabalhou com você. Foi só isso mesmo, ou tem mais alguma coisa?! — Clara estava curiosa pra saber de onde tinha surgido aquela figura.
Marina suspirou fundo e respondeu:
– Nós ficamos juntas por um tempo, nada sério, nada que mereça nem ser lembrado. Não esquenta com isso meu amor!
– Eu?!? Quem disse que eu tô esquentando?!? — Clara não conseguia disfarçar a irritação. — E por que essa mulher me chamou de sua 'amiguinha'?! Qual é a dela?! Você não falou que nós éramos namoradas não?!
– Falei meu amor! Claro que falei! — Marina afirmou. — A Dani só te chamou de 'amiguinha' pra me provocar, porque na cabeça dela, como a gente não está se agarrando nem se beijando nós somos 'amigui...
Antes que Marina terminasse de falar, Clara lhe beijou, no meio da pista de dança. Mesmo surpresa, a fotógrafa logo retribuiu o beijo, que já começou intenso e quente. A morena envolveu a cintura da namorada e trouxe-a para junto de si, esquentando ainda mais o clima dentro da pista. Seus lábios se exploravam, assim como suas línguas. A intensidade do beijo era tanta que parecia que elas não se viam há meses. De repente era como se o salão tivesse se esvaziado e somente as duas estivessem ali. Marina levou suas mãos às costas da assistente, envolvendo-a também, o que aumentou ainda mais o contato de seus corpos.
Cessaram o beijo minutos depois, apenas porque o fôlego acabou. Ainda abraçadas, olharam-se com ternura. Ambas abriram um sorriso enorme.
– Isso é pra ninguém aqui ter dúvidas de que EU sou SUA NAMORADA! — Falou Clara.
Marina sorriu e selou os lábios da morena.
– Eu amei você ter me beijado aqui linda! Pode ter certeza! Mas não precisa fazer nada pelos outros não. — A fotógrafa afirmou.
– Eu sei amor. — Clara tocou o rosto da namorada. — Na verdade, isso foi só um empurrãozinho, porque eu estava louca pra te beijar desde a primeira música, sabia?! — A assistente falou com um sorriso.
– Ah é?! Bom, sendo assim, acho que a gente pode beijar muito até o final da noite, pra compensar as músicas em que não teve beijo, hein?! O que você acha?! — Marina perguntou para a morena.
– Bom, eu acho que pra gente compensar mesmo tem que ser assim até a última música! — Clara piscou sorrindo.
– Combinado então! — A fotógrafa concordou e abriu também um belo sorriso. — Te amo demais minha linda!
– Eu também amor! Muito muito muito! — Respondeu a assistente.
Voltaram a se beijar, e continuaram dançando o resto da noite, ora abraçadinhas, nas músicas mais lentas, ora separadas, nas músicas mais agitadas, mas sempre juntas, como se não existisse mais ninguém naquele lugar.
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