Vertigem Selvagem
Vertigem Selvagem
Chapitre 33 min de lecture

A Loja do Shopping

Alguns dias se passaram, e eu continuava minha rotina: meu café matinal na companhia do Sr. Jorge. Porém, aquela mulher não tinha aparecido nos últimos dias.

Tinha uma viagem agendada para o próximo fim de semana e precisava comprar algumas coisas. Fui até o shopping. Fazia calor naquele dia e, ao entrar, pude sentir o ar gelado, o suficiente para arrepiar os pelos do braço. Aquelas luzes brancas, apesar de adequadas ao ambiente, me incomodavam.

Fazia algum tempo que eu não passava por lá. Algumas coisas haviam mudado: a antiga loja de guloseimas dera lugar a uma loja de chinelos. Uma pena.

Ao final do corredor, notei uma loja que não existia alguns meses antes. Seu nome era B&M Modas, e ela tinha uma vitrine grande com roupas masculinas e femininas. Ao passar pela porta, pude sentir o cheiro de roupas novas se misturando ao perfume espalhado pela loja. Um perfume que me chamou a atenção.

— Bom dia, senhor. Precisa de ajuda?

Quando pensei em responder que não, levantei o olhar e a vi ali.

Estava com os cabelos presos, um batom vermelho que realçava ainda mais aqueles lábios carnudos, um look social e um sorriso acolhedor.

Engoli seco.

— Bo-bom dia… — Dei uma leve tossida para disfarçar. — Estou procurando uma camisa para uma ocasião especial.

— O senhor tem preferência de cor?

— Azul-escura ou preta.

Então ela pegou alguns modelos e começou a me mostrar. Decidi escolher uma azul-escura clássica.

— Vou precisar de uma calça também.

Nesse momento, ela cochichou com sua colega de trabalho, que olhou para mim disfarçadamente e sorriu. Ela arregalou os olhos para a amiga e tentou conter o riso.

Aquilo me deixou incomodado.

— Senhor, com esta camisa essas cores de calça ficam melhores… O senhor vai precisar de sapatos também?

— Não, não. Somente a calça.

Peguei minhas roupas e caminhei até o caixa…

— Obrigado, moça.

— Disponha.

Desta vez, o destino foi favorável. Pelo menos agora sei onde ela trabalha; provavelmente voltarei outras vezes.

Durante a viagem, cumpri meus compromissos e parei numa cafeteria para tomar um café.

Aquele ambiente era diferente. Em vez de Djavan, eu ouvia a TV ligada no canal esportivo. O único barulho do equipamento de café vinha do moedor de grãos. O homem do outro lado do balcão era mais jovem e vestia uma roupa mais formal. Era um ambiente agradável, porém diferente daquele a que eu estava acostumado.

Queria voltar para casa. Sentia que faltava algo.