Ethan e eu nos dirigíamos à área onde o pilar com o selo insidioso se encontrava. Era sutil, mas perceptível: o ar pesava, a sensação de coceira na pele fazia meus pelos arrepiarem. Era inquietante. E só piorava a cada passo!
Avançamos mais um pouco antes de Ethan parar bruscamente, me assustando com a intensidade de suas palavras indignadas:
— Deuses! Não por acaso o selo se desfez com você na primeira linha do tempo, que trabalho desleixado e porco que fiz aqui!
Me encarando, Ethan falou sério:
— Volte no tempo agora, Lobo. Vou continuar por conta própria e voltar no tempo também; deixa que eu te encontro lá, dessa vez.
Franzi a testa para ele:
— Tem certeza? — Mas me corrigi rapidamente quando notei seu sorriso: — Não, não sobre a minha volta no tempo: sobre a sua volta no tempo. E se você não conseguir voltar?
O sorriso de Ethan aumentou:
— Não vou me deixar matar, ou morrer, ou o que seja! Então, logo vou estar lá para tomar uma boa xícara de chá com você!
Fiz careta. Eu não tinha boas lembranças com bebidas humanas. Ethan notou:
— Vamos, não é tão ruim assim.
— É sim — repliquei.
— O que foi que você tomou para te deixar tão avesso às bebidas humanas? — o mago perguntou divertido.
Hesitei por um instante antes de olhá-lo acusadoramente:
— Por um conselho seu, cerveja.
O mago arregalou os olhos antes de soltar uma gargalhada, a mais espontânea que tinha ouvido dele até então.
— Ah! Faz sentido — riu mais um pouco. — Peço desculpas!
Olhei-o indignado. Sério, que patife…
Suspirei. E tornei a perguntar, não convencido:
— Você tem certeza mesmo?
— Absoluta! Posso garantir que vou conseguir, mas não que você vai conseguir. — Completou com um sorriso cúmplice: — não vai fazer sentido se você não se lembrar de tudo no fim.
Balancei a cabeça achando graça. Se ele dizia…
— Então, te vejo lá! — me despedi.
— Verá! — prometeu.
Concentrei-me no feitiço como Ethan tinha me ensinado a fazer — me concentrando em que ponto da minha história de vida eu queria voltar — e voltei!

