Son of the Moon
Son of the Moon
Chapitre 22 min de lecture

Desvio no caminho

Ou achei que tinha voltado, até que abri os olhos e não reconheci onde estava.

Estranhamente, me senti no lugar certo, me senti abraçado, mas igualmente confuso e um pouco assustado.

Não pelo medo do feitiço ter dado errado, mas pelos sentimentos que, por mais que eu tentasse abafar, cresciam com a proximidade com o pilar e o efeito insidioso que ele tinha — despertando os piores sentimentos que causassem angústia, raiva ou tristeza.

Eles teriam tido algum efeito na invocação do feitiço? Estremeci.

A raiva, o abandono e a tristeza eram sentimentos presentes no meu peito desde o Rito de Passagem, quando não me senti digno do povo druida e fui embora. Tudo porque a deusa não deu o ar de sua graça durante o ritual! Senti um nó na garganta.

Balancei a cabeça, me censurando. Não era hora de ter raiva ou cair em auto piedade, eu precisava descobrir onde tinha vindo parar.

Olhei em volta com atenção.

Tudo era iluminado por uma pálida luz prateada, o céu era escuro, poucas estrelas apareciam — seu brilho quase sumindo -, eu não enxergava nada no horizonte que se estendia sem obstáculos até perder de vista para todos os lados. Olhei para o chão ficando levemente tonto por um instante.

A luz prateada parecia ser emitida por ele, ao mesmo tempo que não era… franzi a testa. Mais estranho ainda, porém, era que ele parecia se mover. Se movia a partir de onde meus pés tocavam, como se eu estivesse sobre a água.

Parecia… um lago! Eu estava em pé em cima de um lago?! Gritei assustado tentando alcançar a margem inexistente em algum lugar atrás de mim; não havia margem, só mais água.

— Minha deusa! — exclamei apavorado.

Parei tremendo, não parecia que a água iria me engolir — não tinha me engolido até agora, aliás. Respirei fundo tentando me tranquilizar.

O lago, se eu pudesse chamar aquilo de lago, parecia ser profundo. Eu via surgindo de suas profundezas minúsculos pontinhos prateados que cresciam até chegar na superfície, e, quando emergiam, se dissolviam em luz. Era… hipnotizante!

Eu estava olhando aquele fascinante processo a sabe-se lá quanto tempo quanto uma voz… uma intenção… uma energia… algo, me chamou. Virando-me alerta, eu a vi: uma figura estonteante, bela, perigosa, familiar e, com certeza, nada mundana!