Deep blue
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Chapter 26 min read

Capítulo 2 – Desculpas e mais desculpas...

Assim que amanhece, me visto para ir pra faculdade e saio logo após meus pais terem saído para trabalhar. Não costumo tomar café, portanto levo apenas algumas barras de cereal na bolsa para o caso de alguma emergência.

Na porta da faculdade, encontro Tamy, minha melhor amiga desde que eu tinha 6 anos de idade. Ela é apenas um ano mais velha que eu, mas tem uma personalidade de alguém muito mais maduro, como se entendesse de tudo que eu ainda não sei. Talvez seja por esse motivo que ela me entenda tão bem.

- Olá, girl! Você está com uma cara péssima. Aconteceu alguma coisa?

Antes que eu pudesse responder, sinto alguém me abraçar por trás e me dar um beijo na nuca. Não é preciso ser nenhum gênio pra saber que se trata do Paul. O mesmo Paul da noite anterior. O Paul que eu amo, apesar de tudo.

- Oi Paul. – Digo sem jeito, ainda chateada pelo que aconteceu.

Ele tenta me beijar, na frente de todo mundo e, sem ter certeza do que estou fazendo, simplesmente me esquivo de seus lábios. Ele percebe e me olha interrogativo.

- O que foi, Lara?

Não respondo. Em vez disso, olho pra Tamy como se pedisse ajuda para saber o que dizer. Como se por acaso ela pudesse saber o que aconteceu entre nós na noite anterior.

Sem entender nada, muito menos meu olhar de súplica, ela pisca pra mim e se prepara pra entrar.

- Bom preciso assistir minha aula que por sinal é sua também, né mocinha? Então não demore se não quiser levar uma advertência. – Depois disso, ela passa pelo portão e some.

Ótima amiga. Pelo menos ela sabe como deixar Paul sem graça. Como se alguma vez na vida algum professor tenha dado uma advertência por chegar atrasado na aula.

Mas funcionou. Paul fica sem graça e me solta de seus braços fortes.

- Vá pra aula. Não quero que se atrase por mim. Mais tarde conversamos.

Ele me dá um rápido selinho e vai embora com seus amigos do time de futebol americano para mais um treino. Paul não quis fazer faculdade, embora seus pais tenham insistido para que ele aproveitasse a bolsa na UCLA (Universidade da Califórnia), o que ele não fez. Com todas as chances na mão, ele simplesmente não quis aproveitar nenhuma. E mesmo assim eu o amava. O amor é cego, não é?

Entro correndo e me sento ao lado de Tamy, no meu lugar de sempre. Pra nossa sorte, o professor ainda não chegou na sala e ouvimos um papo de que ele estava com dor de barriga em algum banheiro do corredor.

Tamy me lança aquele olhar que diz: “Prepare-se, senhorita Martin, agora você irá me ouvir” e eu me encolho fingindo medo. Ela ri e volta ao seu habitual senso de humor. Totalmente negro, por sinal.

- Eu sei que você tá cansada de ouvir minha opinião, mas Lara, não é possível que você ainda não veja!

- Não vejo o quê? – Pergunto, já sabendo a resposta.

- Que você e o Paul não combinam. – Lá vem o papo sobre amor outra vez... – Eu sempre vou querer que você seja feliz, você sabe muito bem disso. Nós somos quase como irmãs e eu simplesmente não consigo ver algo de bom no relacionamento de vocês. Simplesmente não dá.

- Tamy, eu não quero falar sobre isso. É sério. Ontem... – Eu paro antes que acabe contando tudo e me arrependa. Tamy não perdoaria Paul pelo que ele tentou me convencer a fazer.

- Ontem... continue. – Ela fica esperando minha resposta, que não sai.

- Desculpe. – É só o que digo.

- Tudo bem se não quer me contar. Só depois não diga que não lhe avisei.

- E sobre a sua festa? – Mudo terrivelmente de assunto. – Já conseguiu comprar as bebidas?

- É claro! Já tá tudo prontinho! Ontem meu pai me disse que ele e mamãe irão viajar na sexta pela manhã e só voltam na segunda. Não é o máximo?

- Não podia ser melhor. – Sorrio.

Desde que me lembro, Tamy adora festas. Tudo começou quando ela tinha uns 9 anos e seus pais decidiram que ela não teria festa de aniversário naquele ano. Em vez disso, prometeram levá-la para Disney para uma viagem de 1 semana com tudo que tem direito. E o que ela achou disso? Odiou. Tamy chorou por dois dias seguidos dizendo que queria que o Mickey e sua turma fossem pro inferno e que ela nunca ficaria feliz se não tivesse uma super festa de aniversário.

Como não tinha outro jeito, seus pais atenderam seus pedidos e desde então a vida de Tamy foi regada de muitas festas. Quase todas quando seus adoráveis pais estão fora da cidade viajando a negócios. Os dois são donos de uma produtora de filmes e quase sempre estão viajando atrás de locações e contratos.

O dia passou voando e à noite eu não tive como fugir da conversa com Paul. Felizmente, ele pediu desculpas – o que já era comum quando nós tínhamos esse tipo de briga – e me encheu de beijos e carinhos. Eu estava nas nuvens e o acidente envolvendo ‘um certo skatista’ naquele dia na praia já era passado em minha memória.

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