Queen of Clubs
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Kapitel 14 min Lesezeit

Capítulo 1 - Introdução

“Como se as palavras flutuassem em volta de uma coroa vazia, o peso da escuridão desaba em todos ecoando no universo.”

Não é nenhuma fala famosa de algum filósofo importante. Era apenas mais uma letra de música que eu havia escrito. O significado? Ainda não sei. A maior parte das palavras que eu escrevo tem seu significado revelado com a ação do tempo. Pode ser frustrante às vezes, mas sempre aconteceu desse jeito.

O tempo nunca foi meu amigo, sabe? Ele já me forçou a me afastar de pessoas importantes, já me fez desistir de muitos planos, já me fez sentir vazio por dentro. Mas eu decidi que eu não deixaria ele me atrapalhar mais. Melhor tê-lo como um aliado do que como um inimigo, correto?

Eu sempre havia o personificado dentro da minha cabeça, sendo um personagem quase que como um amigo imaginário. Me chame de estranho, mas é o meu jeito de lidar com as coisas. A gente não conversa muito, ele só fica sentado num pufe azul em um quarto iluminado apenas por um abajur roxo. Ele tem a mesma aparência e atitude que eu tinha até ele começar a me foder. Cabelos loiros lisos muito compridos com uma franja, chegando até o peito; olhos heterocromáticos com a combinação mais incomum possível: um azul, um verde; alguns músculos mais definidos devido uma academia moderada desde a adolescência; uma tatuagem de um rei de copas no braço esquerdo. Sempre com a mesma roupa que eu usava na época do ensino médio: jaqueta jeans pra parecer um metaleiro mais comportado; um colar com um pingente de âncora e um tênis bem gasto, para combinar com a calça preta surrada.

Quando conversamos, ele sempre me lembra de situações que eu não faço questão de rever, comenta alguma coisa desnecessária durante uma ocasião importante, ou lista minhas obrigações do dia, quando este é importante. E sempre com o mesmo tom preguiçoso e dependendo da ocasião, até debochado.

“Ah senhor Lawrence, você não devia lembrar daquele dia no segundo ano, quando você e a Kurtz colocaram um vídeo pornô no pen drive do professor de matemática durante o intervalo. Realmente, esquece essa parada, porque durante esse jantar chique com seus pais, essa não seja uma boa hora pra rir.” – Time sendo cuzão comigo. Ele sempre me chama de senhor não sei porquê. Nunca consegui fazer ele parar.

Mas deu de falar sobre esse palhaço.

Eu tenho dezenove anos e faço faculdade de fotografia, e sou músico no tempo livre. Claro que eu queria levar a carreira musical pra frente, mas minhas letras não são tão boas, minha banda não é comercial o suficiente pra agradar alguma gravadora e por último, ninguém mais se interessa por metalcore hoje em dia, nem os próprios artistas que sobraram. E é por isso que não curso música, é muito arriscado.

A Kurtz que o Time mencionou naquela breve fala dele é minha melhor amiga desde o ensino médio. Ela tem cabelos castanhos longos com algumas mechas vermelhas, olhos profundos e também castanhos, não é muito alta e é magra. Quase sempre está usando um moletom com o símbolo de Paz e Amor Hippie, junto com aquele estilo de garota alternativa emo de 2005: meias coloridas que vão até o joelho, saia xadrez (ou uma calça rasgada) e tênis tão judiados quanto os meus.

Eu estou passando por um período completamente caótico da minha vida. A banda vem fazendo muitos shows, o que vem prejudicando minha voz; o curso está numa fase chata pra cacete e eu durmo em quase todas as aulas; meus pais querem que eu volte para a casa deles depois de muitos anos devido o aumento do aluguel do meu apartamento... E o Time com certeza pode ser um inimigo pra mim. Vamos ver se as coisas vão fluir desta vez.

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