Há anos os irmãos estavam ali.

John Murffie era um desses latifundiários que confere diariamente algumas léguas de sua propriedade. Levanta cedo, antes mesmo do sol, e vai à cozinha onde um café, plantado, colhido e torrado ali mesmo, já está esperando no bule de cobre. As ajudantes da cozinha conhecem seus hábitos, aliás, já estão ali há tanto tempo que conheceram, na infância, o avô dele.

Lord Murffie era o homem mais simpático e caridoso que havia naquela região, mesmo que os seus empregados e meeiros não conhecessem de perto outros lordes, aquilo era a mais absoluta das verdades. Havia herdado a benevolência da mãe e o espírito solidário do pai.

Lady Catherine Murffie não era exatamente assim. Aspirava sempre algo maior, distante, inalcançável mesmo, pois não podia ficar feliz. Um dia aquele sentimento tinha sido inconsciente, mas agora era tão sólido quanto as colunas do século XVIII que sustentavam a casa onde moravam.

Mal acordava, gritava uma das empregadas que corria para acudir. Se a água do banho estava fria, reclamava; se vinha morna, se exasperava. Quando a empregada aparecia no segundo seguinte ao que chamava era porque estava escutando atrás da porta; se demorava, era porque sabia que não podia mais ser açoitada, então estava zombando da patroa. A mulher era um ouriço.

Além disso, dera para previsões catastróficas que, graças aos céus, não se cumpriam. Se o céu ficava nublado, era porque um pedaço dele viria abaixo logo logo, melhor se ajoelhar e pedir perdão pelos pecados, pois daquela noite não passariam. Mas o céu não caía, então a mulher levantava depois de horas ajoelhada com os empregados de casa e dizia que a culpa daquilo tudo era do mau comportamento deles, Deus havia de castigar!