Catherine era um bebê muito lindo quando nasceu. A pele marfim garantia que não seria rosada demais como as outras crianças que quase não sobreviviam ao sol; os olhos castanhos quase negros eram profundos como um abismo mesmo ainda com o cordão umbilical pendurado no ventre; as mãos grandes demais, quase desproporcionais tiravam-lhe um pouco da graça natural de um bebê, mas diziam muito sobre a futura personalidade: seria uma mulher de pulso, firme nas suas decisões. O bebê mais lindo da família Murffie, afinal dois fatores contribuíam para tal: fazia tempos que da família não nascia um bebê e era a única filha.
Cresceu arredia, aos três anos já não ia para o colo de qualquer mucama que quisesse lhe agradar, escolhia criteriosamente as bonecas de pano que lhe davam e não queria saber de andar descalça pela casa. Os adultos achavam a pequena uma graça, faziam-lhe todos os quereres, embora ela não visse nisso o menor motivo para retribuir com um belo sorriso de bebê. Catherine era séria e concentrada como poucas crianças o são.
Quando foi ficando maiorzinha, o pai achou que não saberia lidar com uma menina no meio de tanto isolamento. Achava que ela devia estudar, preparar-se para a vida adulta, ou seja, casar. Enviou Catherine, a princípio, para viver uma temporada com a tia viúva na Europa, mas ela quis voltar antes do tempo previsto sob alegação de não se acostumar com o clima frio. Mas, o que Catherine realmente queria era livrar-se da tia alegre demais para uma viúva – no julgamento da sobrinha – e desejava também ir para o internato onde as freiras não a incomodariam devido ao seu silêncio constante. Aliás, esse era o traço mais marcante de Catherine: falava pouquíssimo. A maioria das vezes que precisava expressar qualquer opinião sobre determinado assunto, apenas olhava e seu olhar era tão pétreo que poucas pessoas ousavam perguntar exatamente o que estava pensando.
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