Comentários em “Arsonist's Lullaby- Interativa”: “XXVIII- Daylight”

Cosmic Madness

Olá, minha querida Venus,

Sugiro que puxe uma cadeira, porque vamos passar um tempo aqui. Esse é o capítulo final e eu vou palestrar kkkkkkk

Antes de tudo, vamos aos comentários bobos: Tig e Hettie combinando de garantir que Mihai recebesse tudo a que tem direito do pai, e as duas morrem. Sei que o Gus vai informar ele de tudo, mas duas mulheres da nobreza teriam sido aliadas muito úteis na inserção desse pobre garoto cigano num mundo não muito tolerante.

Além disso, eu confesso que ainda não ouvi as músicas dos ships, mas que os títulos das músicas Hettie/Ed (House on Fire, Fire on Fire, Cold), nessa ordem bem pensada, se encaixam tão terrivelmente com esse capítulo. Eles arderam de dentro para fora terminando como uma pilha de ossos frios. Uma constatação terrível, mas achei poderoso.

Eu gosto muito das formas criativas que escritores usam para demonstrar a grandiosidade de um poder extremo, e eu adorei o que você fez com a roseira. O poder do Hierofante não era apenas tão grande a ponto de poder encerrar a vida de centenas de pessoas em qualquer lugar do mundo, mas também grande para alterar a própria percepção do Edward sobre essa tarefa e transformar um feito audacioso em algo tão pequeno e simples quanto podar uma planta. É o que eu disse no review anterior sobre a arrogância ser uma consequência desse poder. Como é possível não ser arrogante quando você consegue perceber que a vida das pessoas é, na verdade, algo tão pequeno e irrelevante? Como entidades igual ao Hierofante poderiam ser qualquer coisa além de indiferentes?

Enfim.

Vamos lá. Eu sempre acho uma quebra de expectativa interessante quando o antagonista vence. Eu só consigo lembrar de 3 exemplos em que vi isso acontecer, mas apenas um deles se aproxima do caso do Edward, que é o filme Watchmen e a ideia do Ozymandias de matar milhões para salvar bilhões. Eu tinha algumas ideias sobre o que o Edward poderia querer fazer com o poder do Hierofante, incluindo matar todo mundo da Ordem, mas eu não esperava a meticulosidade dele em selecionar só os ruins, o que achei... surpreendentemente inocente. A menos que o feitiço tenha uma cláusula que ficou oculta para a gente, que afete futuros agentes com tendências ruins, mesmo com a reformulação da Ordem, parece uma vitória de bem curto prazo. Porque é aquilo que o Gus pensou um tempo atrás no interrogatório do Leo, ciclos de ódios e vingança, e, pelas próprias palavras do Narrador, as tragédias e o ciclo interminável de ódio estão longe de acabar (eu disse que traria essa frase de novo kkkk). Muita gente morreu nesse momento, e seus familiares não sabem e nunca vão saber os motivos do Edward, mas, possivelmente, descobrirão sobre a magia como uma arma poderosa e imparável, que tirou pessoas deles. Por isso eu acho o plano do Edward demonstra uma simplicidade de julgamento de uma criança ferida. Por isso perguntei um tempo atrás a idade do Edward quando perdeu os pais kkkkk A leitura que eu tenho do Edward é a de alguém que, naquele momento da perda e do trauma, a criança que ele era adquiriu uma monomania e nunca se desviou dela depois de crescer, uma ideia que permaneceu fixa dentro dele ignorando novas visões de mundo enquanto ele se tornava a pessoa que conhecemos aqui. Eu acho muito interessante, mas triste. Por mais cruéis de desprezíveis que sejam os inimigos, eu sempre fico triste quando a ideia de se vingar ou extirpar o mundo desse mal se torna toda a vida do personagem, e, às vezes, também acaba com ela, como o caso do Ed, e eu nem estou falando da morte dele, mas do fato dele ter perdido a convivência com os irmãos e, agora sim falo da morte, nunca vai poder recuperar isso. Bela e cruelmente trágico, tanto a história que a Aphrodi lhe entregou quanto o fim que você encontrou para ela. Mas acho que Adel e Gus farão um bom trabalho e, assim como o Narrador, também me atrevo a ter esperança sobre a nova Ordem.

Mudando do assunto do Ed bruscamente porque senão eu fico triste, mas nossa, vaso ruim não quebra mesmo, né, Charlie? Será que o Edward ignorou a existência dela como uma agente, ou se todo o arsenal de bala de obsidiana que ela deve dormir em cima bloqueou o efeito da magia? Mas se nem o feitiço de contenção da Aaliyah bloqueou a magia do Coisa Ruim, será que obsidiana faria efeito? Enfim, é uma pena que o Narrador não esteja tão curioso quanto a isso, porque eu estou!!

Até logo,
Cosmic Madness ♥

a
aphrodi

hi.

Eis que chegamos ao último capítulo, que emoção!

Quem venceria: o mesquinho vilão que agia nas sombras, invadindo a privacidade dos outros, ou o vingativo Edward? Como eu disse, da forma que vejo os dois, são parecidos e detalhes pequenos os separam. Um queria ser o maior e melhor, um desejo humano muito comum, e o outro queria vingança completa e obscura. No fim a decisão de humilhar decidiu o embate xD

Você está me deixando obcecada com rosas xD Em parte culpa minha também? Provavelmente. Mas foi como a cena final da Antigone. Algo lindo, tristemente lindo. Principalmente porque também remete a Sienna, que prezava muito pela vida e no final acabou atraindo diversas mortes.

Eu senti alguma melancolia na calma do Edward enquanto cortava flores mortas e espinhos. Tinha certa calma, como se aliviado em finalmente concretizar o que tanto tinha idealizado, mas ele sempre soube que não era certo. Isso lembra o Henry também (já que falo muito da Sienna, preciso falar do Henry também tadinho). Ele não parecia encontrar alegria e satisfação em controlar a própria magia, somente alívio no final. Como se não fosse certo usar magia, mas apenas necessário. Pensando bem agora, os paralelos com o Henry são bem fortes no Edward também, mas são mais discretos enquanto as semelhanças com a Sienna são mais evidenciadas.

Mas voltando a divagação sobre a cena. Era um ato obscuro o que Edward almejava. Talvez seja o ponto mais importante sobre o personagem ao longo da própria jornada, ele reconhece as próprias decisões e ações. Mas se encontra preso demais ao passado e aceitou de bom grado a escuridão. Acho que ele não se sente feliz cortando as rosas e espinhos, devido ao que realmente significa, mas ele vai encontrar satisfação com o que isso vai resultar. Não vejo que ele foi feliz fazendo nada do que fez, e reconhece a monstruosidade de cada ato, porém se agarra aos resultados.

A pior parte é que suspeito que a Henrietta compreenda tudo isso mesmo sem saber da história completa ou das motivações. Ela pode ter entendido que o Edward escolheu sujar as mãos de sangue e que ele não encontrará alívio algum em impedir a si mesmo, que o contrário o traria tormento mesmo se fosse perdoado por ter tentado e que todos a sua volta tentassem o convencer de que teria feito o certo a desistir. O amor dela a fez ficar mesmo sabendo que a decisão dele não é nada razoável. Ela preferiu o apoiar no errado, sem sermões ou qualquer tentativa de reverter. O romance deles foi totalmente tóxico, ao menos pela parte do Edward que a usou apesar do que começou a sentir. Porém aqui no final dá pra ver que a ingenuidade da Henrietta no amor também a torna uma companheira um tanto questionável. Uma frase que definiria a relação deles é essa que Cristina Yang disse: "Se eu matar alguém, ela é a pessoa que eu ligo para me ajudar a arrastar o corpo pela sala. Ela é minha pessoa."

A relação da Adelaide com os próprios poderes evoluiu significantemente durante a história, então deu até um orgulho ver ela sendo a primeira a dar um passo a frente para ajudar o Mihai. O que tanto a fez sofrer e que parecia trazer apenas tormento, é o que finalmente traria um fim apesar do preço.

Vou admitir que desde a postagem sobre a Cecily estava atenta. A vibe do gif me fazia pensar que a personagem sabia sim da existência da magia, que a informação na postagem poderia ser bait. Acabou que não xD Mas ainda não posso ser totalmente conquistada por ela, apesar do grande desejo final de se redimir por tudo que aconteceu sem ser culpa dela. Cecily ainda foi consciente das ações com a Polly (sim, eu sofri muito com o sofrimento da Polly nessa história).

Voltando ao que acontece. Foi um final bem impactante quando Mihai acordou e constatou a morte da Cecily. Era uma perda que eu não esperava, e nem desejaria, principalmente por ela der deixado claro que se empenharia para compensar tudo que aconteceu no passado.

Edward prezava pelos melhores resultados, não pela perfeição total. Esse foi um detalhe de ficha que se manteve nessa decisão tão importante sobre como acabar com a Ordem e que ficou evidenciado com a menção do narrador a meticulosidade.

Ciclos se encerram para que outros comecem, e ele sabia bem que sua decisão poderia gerar exatamente o mesmo ciclo sem qualquer perspectiva de mudança. Mas aí é que está também o cuidado em como realizar o plano. Ele causou muita dor e confusão para muitas famílias, inevitavelmente, mas por outro lado ele abriu caminho para essa linha de mudança ao poupar muitos também. Tendo em vista que ele foi descrito como um personagem realista, e que não acredita em fantasias, vejo que a decisão de seguir esse plano não foi consequência de desejar um mundo perfeitamente melhor. Ele quis então um mundo diferente e se fosse melhor seria uma feliz consequência.

Por incrível que pareça essa novidade sobre o Leonard ter ajudado, e com evidente esforço, não foi um detalhe que me surpreendeu. Ele foi meu vilão favorito quando o assunto era armar um bom barraco. E apesar do sentimento latente de raiva que ele tinha em relação ao pai, não daria muito pra dizer se o Leonard era inteiramente alguém ruim. Toda a personalidade dele esteve voltada para a vingança, e as relações dele se voltaram apenas para peças do seu plano e não teve uma found family pra ele. Depois ele foi levado a agir em conjunto com a Charlotte, o que também diminuiu um pouco as chances de vermos ele em outros termos. Então de maneira geral não tem como dizer que ele era ruim e amargurado e ponto final. O empenho mostra que Leonard pode ter um lado altruísta.

Suspeito que o feitiço possa não ter atingido a Charlotte exatamente por isso. Ela ajudou a Ordem, mas nunca fez parte essencialmente e ela mesma não parecia se considerar uma agente. Deu sorte.

Fez muito sentido que Augustus estivesse na frente dessa mudança. Ele sofreu e perdoou o que a Ordem fez. O perdão dói e ele sabe muito bem. Toda a história dele, ainda mais a forma como superou seus desejos obscuros, o torna um exemplo nessa situação. Porém não deixa de ser triste. Ele levou tempo pra perdoar e esquecer e ainda teve que se infiltrar para depois tomar a frente da mudança. Fácil isso não deve ter sido também.

Mencionar a Antigone... :') Ela foi um dos maiores exemplos de força nessa história. Carregou nos ombros uma história misteriosa sobre a perda de alguém que amava muito, saindo como culpada e se tornando solitária. Apesar dos muros ao redor dela, Antigone permitiu que fossem escalados e reconstruiu sua casa. Uma que não ficou vazia apesar dos perigos iminentes e ela teve para onde retornar e encontrar abrigo. Vejam só. Eu que comecei a achando quase antipática agora estou aqui sofrendo. Ela me conquistou aos poucos, não é segredo ♡

Foi um belíssimo desfecho.

see you soon ♡