Diferente tanto no sentido da proposta quanto no sentido da execução em si; eu nunca teria imaginado encontrar algo assim aqui no Nyah!. Then again, é possível encontrar todo tipo de coisa nesse site, então...
Gostei do seu estilo. Não é qualquer pessoa que conseguiria unir o clima de um conto de terror com a vibe inconfundível da Grécia Antiga, e aqui a mistura é tão perfeitinha que me impressionou. Adorei o clima de tragédia anunciada desde a visita da Afrodite, o modo como tudo parecia sombrio e agourento enquanto a narrativa começava uma contagem regressiva até tudo inevitavelmente dar ruim.
Não estou familiar com a história que você narrou aqui (reconheço o nome Galatéia, e gosto de pensar que conheço um pouco de mitologia, mas não me recordo de já ter ouvido uma história parecida); mesmo que ela seja baseada em algum mito da antiguidade, quero te parabenizar por abordar o tema com tanta deliberação e cuidado. A história pareceu sua dos pés à cabeça, você tomou posse dela, e a entregou como queria, como ela deveria ser contada.
Adorei o Pigmalião como personagem – intrigante, grosseiro, obcecado. O modo como você descreveu a paixão doentia dele por simetria foi muito agradável, assim como o modo como você explorou o embaraço pelo qual ele fazia suas candidatas a esposas passarem. Começar a narrativa pelo ponto de vista da mãe conferiu um ângulo menos "aprovador" para as ações dele, garantindo suas intenções como autora sem comprometer a integridade narrativa. Isso, também, foi uma leitura e tanto.
O final, embora interessante (me lembrou de "Stepford Wives"), me desagradou um pouco. A implicação de um sonho ruim estar se concretizando não fez valer toda a construção do conto, e embora eu tenha gostado dos pequenos detalhes (olhos transformados em flores e uma pintura de Afrodite sorrindo no quarto) não senti qualquer impacto.
Ainda assim, essa foi uma leitura maravilhosa. Espero que tenha ficado orgulhosa com o resultado, porque eu gostei bastante.
O que mais gostei: "(...) partes de corpo esculpidas se acumulavam pelo quarto dele, quase como uma dezena de mulheres esquartejadas."
O que acho que pode melhorar: O final
Oi, em primeiro lugar, gostaria de agradecer o review, é muito raro alguém responder de maneira completa aqui hahaha.
O conto foi um resultado de um semestre estudando psiquiatria com um professor chato (tive que fazer algo mais memorável pra fixar), um pesadelo com meu gato (sim, tive um pesadelo igual o do Pigmalião, só que era meu gatinho com aspecto meio demoníaco. Acordei com ele dormindo em cima de mim haha) e mitologia grega. Acho que nunca vi ninguém misturando terror com mitologia grega (O cenário do mar Mediterrâneo, sol, praias e colunas branquinhos não parecem "góticas e sombrias" para a maioria)
E quanto aos mitos, esse é que mais detesto na mitologia grega (um dia, provavelmente vou fazer um conto bem extenso da Galatéia deixando esse babaca louco). É basicamente um escultor que rejeitou todas as mulheres de Chipre por não serem bonitas ou por promiscuidade e que termina sendo recompensado por Afrodite, tendo sua escultura perfeita virando a mulher perfeita. (Na versão de Ovídio, tem até uns detalhes dele apalpando a escultura enquanto ainda era pedra. O cara era meio pirado desde o original).
Mas valeu mesmo pelo review, eu não sabia se a combinação Grécia + terror + psiquiatria funcionaria. Por enquanto, tenho mais um conto voltado a psiquiatria sendo escrito, mas é mais Lovecraftiano haha, não sei se você gosta, mas quando eu finalmente terminar, eu mando se quiser :)
Isso foi... Diferente.
Diferente tanto no sentido da proposta quanto no sentido da execução em si; eu nunca teria imaginado encontrar algo assim aqui no Nyah!. Then again, é possível encontrar todo tipo de coisa nesse site, então...
Gostei do seu estilo. Não é qualquer pessoa que conseguiria unir o clima de um conto de terror com a vibe inconfundível da Grécia Antiga, e aqui a mistura é tão perfeitinha que me impressionou. Adorei o clima de tragédia anunciada desde a visita da Afrodite, o modo como tudo parecia sombrio e agourento enquanto a narrativa começava uma contagem regressiva até tudo inevitavelmente dar ruim.
Não estou familiar com a história que você narrou aqui (reconheço o nome Galatéia, e gosto de pensar que conheço um pouco de mitologia, mas não me recordo de já ter ouvido uma história parecida); mesmo que ela seja baseada em algum mito da antiguidade, quero te parabenizar por abordar o tema com tanta deliberação e cuidado. A história pareceu sua dos pés à cabeça, você tomou posse dela, e a entregou como queria, como ela deveria ser contada.
Adorei o Pigmalião como personagem – intrigante, grosseiro, obcecado. O modo como você descreveu a paixão doentia dele por simetria foi muito agradável, assim como o modo como você explorou o embaraço pelo qual ele fazia suas candidatas a esposas passarem. Começar a narrativa pelo ponto de vista da mãe conferiu um ângulo menos "aprovador" para as ações dele, garantindo suas intenções como autora sem comprometer a integridade narrativa. Isso, também, foi uma leitura e tanto.
O final, embora interessante (me lembrou de "Stepford Wives"), me desagradou um pouco. A implicação de um sonho ruim estar se concretizando não fez valer toda a construção do conto, e embora eu tenha gostado dos pequenos detalhes (olhos transformados em flores e uma pintura de Afrodite sorrindo no quarto) não senti qualquer impacto.
Ainda assim, essa foi uma leitura maravilhosa. Espero que tenha ficado orgulhosa com o resultado, porque eu gostei bastante.
O que mais gostei: "(...) partes de corpo esculpidas se acumulavam pelo quarto dele, quase como uma dezena de mulheres esquartejadas."
O que acho que pode melhorar: O final
Oi, em primeiro lugar, gostaria de agradecer o review, é muito raro alguém responder de maneira completa aqui hahaha.
O conto foi um resultado de um semestre estudando psiquiatria com um professor chato (tive que fazer algo mais memorável pra fixar), um pesadelo com meu gato (sim, tive um pesadelo igual o do Pigmalião, só que era meu gatinho com aspecto meio demoníaco. Acordei com ele dormindo em cima de mim haha) e mitologia grega. Acho que nunca vi ninguém misturando terror com mitologia grega (O cenário do mar Mediterrâneo, sol, praias e colunas branquinhos não parecem "góticas e sombrias" para a maioria)
E quanto aos mitos, esse é que mais detesto na mitologia grega (um dia, provavelmente vou fazer um conto bem extenso da Galatéia deixando esse babaca louco). É basicamente um escultor que rejeitou todas as mulheres de Chipre por não serem bonitas ou por promiscuidade e que termina sendo recompensado por Afrodite, tendo sua escultura perfeita virando a mulher perfeita. (Na versão de Ovídio, tem até uns detalhes dele apalpando a escultura enquanto ainda era pedra. O cara era meio pirado desde o original).
Mas valeu mesmo pelo review, eu não sabia se a combinação Grécia + terror + psiquiatria funcionaria. Por enquanto, tenho mais um conto voltado a psiquiatria sendo escrito, mas é mais Lovecraftiano haha, não sei se você gosta, mas quando eu finalmente terminar, eu mando se quiser :)