Comentários em “Quebranto.”: “Estranho.”

Arthur Guimarães
Destacado pelo autor

O que que foi isso meu Deus, o Hugo com poderes que ninguém sabe de onde vieram? Foi muito foda mais muito esquisito.

Agora para acabar de vez com tudo, eles só têm que matar a Francine.

É uma pena que o Dino e a Manuela tiveram que morrer, para o João Pedro e sua corja de seguidores serem derrotados.

Eu achei que a Carol, o Diogo e o Abel iam morrer, que bom que não aconteceu.

Capítulo foda como sempre.

Até o próximo.

Anonymous Writer

Chorando aqui de novo , vc só me faz chorar :(
Ainda tinha esperança de q a manu sobrevivesse mas acho q é um adeus né?
Pensei q a Carol ia acabar morrendo mas acho q essa não foi a hora dela.
O que foi esse poder do Hugo ? Como isso é possível? Ele não foi mordido nem nada e resolveu virar a carrie ? É claro q depois da morte do Ricardo ele me fechou uma porta e o vidro rachou , isso era um indício de que tinha algo errado mas a parte de conseguir controlar as coisas desse jeito é um pouco diferente do que trincar um vídro haha .
De qualquer jeito esse capítulo foi um dos melhores e sinto que o próximo vai ser melhor ainda .

azoo

Hey, Dropping. Adivinha quem está de volta?! Pois é, sei que estive afastado durante muito tempo, mas realmente eu estava muito ocupado. Faculdade de engenharia não é fácil e, do pouco tempo que tinha, eu usava para estudar, ver séries e ler meus livros que estão empanturrando a estante. Além disso, eu estava muito atrasado na história, então tive de ler vários capítulos – e reler diversos outros, porque tinha ficado perdido.

Mas cá estou eu. Então prepare-se, pois a review vai ser extensa. (Sim, não um comentário simples, mas uma resenha, pois pretendo analisar com minúcias).

Antes de tudo, quero parabeniza-lo por onde chegou. Mais de cem capítulos com uma qualidade excepcional. Vou até começar discorrendo sobre o desenvolvimento que os personagens atingiram. Como eles mesmo frisam, eles se tornaram uma família. Não tinham nada a ver uns com os outros, salvo o local que conviviam. Entretanto, eles conseguiram deixar as diferenças de lado e se unir em prol da sobrevivência. É muito legal você fazer uma viagem retrógrada e lembrar dos cinco estudantes que saíram em viagem após a formatura para perceber o que eles se tornaram: máquinas de matar, movidos pelo instinto, mas sem deixar o lado humano, mesmo que tenham que sobrepuja-lo às vezes em nome da razão – embora alguns sejam realmente mais emotivos (oi, Hugo).

Falando sobre personagens, como você tem coragem de matar a Manuela? Céus, ela era uma das minhas personagens preferidas. Assim como a Carol, para mim, era outra personagem muito empática, com tanto carisma que me conquistava e me deixava sorrindo a cada cena de alguma das duas. E, já que toquei nesse assunto, preciso dizer que não estou me identificando com muito dos personagens. Não me entenda mal, mas nenhum consegue ser tão gratificante quanto Carol e a própria Manuela. Ana também era maravilhosa e eu realmente sinto falta dela.

Ainda sobre Manuela, que me conquistou com seu jeito de ser, o qual eu não conseguiria descrever com a maestria necessária, confesso que ela sofreu do que eu chamo de síndrome do desenvolvimento: atinge um patamar tão benigno que sua única saída é a morte ou a ausência, como foi com a Beth – embora tenha havido, neste caso, muito mais um jogo de hype e ibope que eu achei completamente desnecessário. Para mim, essa personagem, que tinha um pano de fundo tão ótimo para se abordar – a hipersexualização, a background da prostituição com a irmã virtualmente –, merece um funeral ilustríssimo, para nos comover ainda mais.

Sobre a quinta temporada, pensei que você poderia fazer uma abordagem sobre a floresta, pois sei que lá tem mais coisas do que aparenta. E, nesse sentido, explorar o ecossistema modificado, como o Beijo das Sombras, é uma boa pedida, pois eles vivem num novo ambiente que foi pouco mostrado. Assim, ainda transitando esse caminho, cenas em alto-mar, por mais que já tenham aparecido, renderiam bons momentos. Nunca pensou em um tubarão-zumbi gigante que atacaria o barco em que eles pescam? Seria divino.

Também destacaria a possibilidade que você tem em mãos com essa espécie de cidade que se forma, contudo, estando apenas a uma temporada para o fim, esse mecanismo de carpintaria textual ficaria meio maçante. Plots separados teriam sido ótimos meios de se conhecer a Fortaleza, mostrando a vida de alguns personagens enquanto tinham de lidar com seus próprios medos, receios e segredos. Isso, claro, que de alguma forma se conectaria com a trama principal. Como presente em séries como Under the Dome, Containment, Morte Súbita, Pretty Little Liars e em outras, pequenas vivências de vários personagens poderiam, sim, convergir para a linha definitiva, e isso, no fim, é algo louvável, pois você percebe as pontas se unindo e tudo o mais. Acho que, em paralelo com a primeira temporada, os pequenos pedaços de histórias individuais são importantes para o crescimento e o desenvolvimento dos mesmos.

Outra coisa que seria de bom grado seria você ousar nos últimos momentos. Sendo a última temporada, mortes grandiosas de personagens banais viriam a calhar. Melhor ainda, seriam mortes banais de personagens grandiosos, mostrando que ninguém morre como herói e que o mundo é cruel mesmo. Claro, tais mortes banais trariam reviravoltas e character development enormes, e é aí que está a qualidade. Usar esse recurso para enriquecer a história. Não apenas matar para causar – claro, isso é sempre bom de vez em quando –, mas também para fazer crescer alguns personagens ou mesmo apenas modificá-los. Isso, claro, leva uma manipulação bem grande dos personagens, uma vez que eles foram diamantizados pelo contextos que inserem, mas isso não impede que alguém distoe da frieza de todos.

E não digo no sentido de torna-lo uma pessoa cabisbaixa e que só reclama da vida – esses personagens são sempre odiosos –, mas levando em novos patamares e cumes, como o ensandecimento, a procura de novos meios de prazer (necrofilia/zoofilia) e novas válvulas de escape – drogas, sexo, pornografia, sadomasoquismo – ou mesmo apenas o endurecimento pessoal e a fuga da realidade, como, por exemplo, por meio da paz interior advinda de alguma religião nova. E já que mencionei isso, sei que este é um tema bem legal de se trabalhar, mas, para o bem da narrativa, é tão amplo e cheio de reentrâncias que certamente abarcariam toda uma temporada, se fossem observar os detalhes e o leque de opções que isso permite. Afinal de contas, nada impede que haja um pessoal que cultue os mortos e faça sacrifícios para os zumbis achando que os mesmos seriam deuses e que lhes trariam felicidade. Mas isso fica para outra hora. Quem sabe para um spinoff de Quebranto após seu término.

Falando em spinoff, você sabe que Quebranto é muito mais que uma história qualquer de zumbis, não é? Apenas o fato de você trazer à vista os Inumanos – sim, esse termo é mais divino – já abre uma imensa gama de possibilidades e facilmente poderia haver outros confrontos entre eles, que foi um dos ápices da série, com a presença linda Lívia que controlava os animais como se fosse uma rainha. Sim, era tudo de bom uma garotinha que matava os outros sem “sujar” as mãos, que tinha um exército ao seu favor e que ficava apenas escondendo atrás de suas invocações, entoando suas regras como se fossem um cântico de ouro.

Você tem um imenso mundo nas suas mãos. O ecossistema, os transgênicos, os próprios zumbis e os humanos que fazem coisas dúbias e controvérsias, o mar – como foi retratado em Fear The Walking Dead. Você pode fazer muito mais, basta apenas querer.

Voltando à história em si, como chegamos num ponto intransponível, onde não dava mais para os sobreviventes apenas ficarem buscando novos rumos e precisavam se assentar em algum lugar, cá estamos na Fortaleza. E, se chegamos aqui, voltamos ao corisco de civilização, aquele embrião para tentar reerguer o que eles perderam com o início do surto. E, dessa forma, como você mostrou, os antagonistas – João Pedro e sua trupe – são, também, aqueles aparatos vilanescos que ainda possuem lá aquela sensação de ordem inerente, meio hierarquizado, que difere muito do que foi apresentado fora dos muros. É uma forma de aviltamento mais politizado, e não uma escória primitiva como foi com Arlindo, Topázio – aquela mulher sádica que queria dominar todos apenas pelo ego – e os canibais. É algo que eu realmente amo nessas estórias: o regresso da humanidade, mostrando o limítrofe franzino da sanidade e insanidade – embora, chegando onde chegamos, é inevitável o reacender da chama da sociedade.

Sim, é algo que eu realmente tenho grande apreço. Claro, falo por mim, pois não é todo mundo que aguenta ver temas macabros em tudo. Quanto mais mostrar do que o ser humano é capaz mais eu acho interessante. E você já fez sua parte nas outras temporadas, como eu disse acima. Chegamos, no final das contas, ao pote de arco-íris, onde todos tentar recuperar o que perderam.

Sobre os episódios em si, destaco a sua forma de narrar, sempre mudando os pontos de vistas e nos dando chance de ter uma vista panorâmica sobre os acontecimentos. E eles provam que, com o conforto, eles acabaram ficando mal acostumados e vulneráveis, quando acabaram todos reféns de pessoas despreparadas. E, ainda por cima, resultou numa morte impactante.

Palmas para as reviravoltas que você fez ao longo da temporada: jogou as suspeitas todas para um personagem e, no fim, desconstruiu todos os fatos para amarrá-los com novas evidências. Isso foi sublime. E junto com essa desconstrução, você fez a mesma coisa com a vida deles. Trouxa a sensação de segurança, o clima de calmaria que antecede a tempestade, a bonança e a fartura, para depois cortar-lhes ao meio, trazendo os protagonistas de volta para à realidade a duras penas.

E falando em palmas, como você merece congratulações para sua forma de narrar. Acho que é uma das pessoas cujas obras possuem um cunho tão filosófico, metafórico e alegórico. As comparações que você faz, as suas reflexões, as suas epifanias, tudo se encaixa perfeitamente com um mundo onde se precisa analisar muito bem as conjunturas e as motivações. E você faz isso com muita perícia, sempre trazendo à luz alguns fatos que eles fingiam não divisar, misturando as sombras com os momentos de benignidade. Você é excelente no que faz. Continue sempre assim.

Eu também tinha de comentar e analisar cada personagem. Não preciso nem falar da Vicky e sua contraparte adorável – sim, a Nora também é uma das minhas personagens preferidas. Eu nunca fui muito fã do Diogo. Eu shippava a Vicky com o Luca, até o momento em que ele a traiu.

Carol, como sempre, é um poço de simpatia. Sempre com suas frases de efeito, respostas na ponta da língua e sua mordacidade que todos amam.

Nanda também teve uma incrível evolução, e agora parece que ela está virando algo como uma psicopata obcecada pelos prazer que seus poderes lhe dão, e acho que isso tem potencial.

Cecília, devido à sua deficiência do passado, consumou-se como uma garota que não sabe se defender, embora tenha noção de tudo que vivenciou lá fora, mesmo que tenha sido como quase uma espectadora. Percebo que ela acaba findando como uma personagem que abarca o senso moral, que faz suas divagações e reflexões, diferentemente dos outros, que agem com a razão enérgica.

Otávio acabou por ficar meio de lado naquela busca incessante pela segurança. Foi algo crível, embora odioso. Ele apenas estava cego e sendo meio egoísta, pois visava à proteção apenas da sua amada, que, deixo bem claro, está abaixo da Júlia. Sim, gostava muito dela.

Os gêmeos também se tornaram como outras pessoas. Dino está com seu destino em aberto para mim – e meio que torço para o seu fim, pois a Vilma seria mais aproveitada com essa mudança vertiginosa em sua vida. Acredito que ela tem muito potencial com a aproximação de Carlos e alguns conflitos morais sobre a idade para namorar ou coisa parecida, que poderia ser mais um indício do regresso à civilização.

Tânia, aquela adorável mulher, também não teve muito tempo de texto. Mas o que tinha era um show de brilhantismo. Ela, sim, foi uma personagem muito bem composta e seu background ainda renderia muitas histórias.

Arantes continua a ser uma incógnita pra mim. Parece ser aquele arquétipo de cara durão, mas que possui um bom coração no fundo. Algo como Diogo, só que com menos para o character development.

O triângulo amoroso de Hugo e Dante rendeu muito e foi um dos píncaros da temporada. Confesso, contudo, que o Dante tá dando um banho de empatia no primeiro. O cara ganhou poderes chiquérrimos e nem assim conseguiu fazer me afeiçoar como o Dante fez com aquele jeito serelepe. Acho que ele seria melhor aproveitado com um relacionamento onde seu par fosse mais badboy e não tão depressivo como o Hugo parece ter se tornado, devido a todos os acontecimentos que o afetaram. E sinto que isso só tende a fenecer a imagem refulgente que Hugo carregava, com seus cabelos coloridos e seu sorriso otimista.

Ainda falando dele, destaco a sua maestria para descrever as suas habilidades, que ainda são um grande mistério para mim, mas eu suspeito que tenha a ver com Faye – ela parece ser meio obcecada por ele e deve ter armado para o mesmo. Os poderes telecinéticos do rapaz foram tão bem narrados, com aquela analogia toda da marionete e fios invisíveis, coisas se curvando, que eu fiquei sem fôlego. Seria meu sonho uma invocadora de bonecos, tal como a Lívia. – Sim, amo personagens que lutam sem tocar no oponente, dependendo de suas invocações. E essa personagem ainda tinha um grande agravante para me fazer amá-la: era uma criança. Ou seja, uma loli que luta.

A inserção de plots separados para cada personagem seria bem legal agora. Um momento de felicidade também seria muito bem recebido, como um banho na praia ou mesmo no rio. Ou, quem sabe, uma cavalgada? – Não sei se eles criam cavalos.

E essa dúvida me leva a algo que você pode, sim, explorar nesse último quadro da Fic: a fortaleza em si. A forma como eles trabalham, como vivem, como cultivam, o abatedouro para as vacas – que renderiam boas cenas se bem trabalhados com algum personagem bem maléfico com aquela perseguição no maior estilo Pânico. Seria legal até ver através dos olhos de novos personagens, algum que já vivia na Fortaleza que teria seu destino de alguma forma trançado com o dos protagonistas.

São apenas ideias, meus comentários pessoais e teorias. Gosto de ficar imaginando o que você vai fazer.

Bem, Dropping, tá faltando um capítulo. Sei que a review ficou enorme, mas você merecia com tantos capítulos que eu não comentava. Devo comentar o próximo amanhã ou depois. E, sério, não demora pra postar. Eu devorei essa última season com uma incrível velocidade. Não quero ter uma crise de abstinência. Então, se demorar, vou até sua casa e puxar seu pé durante a noite. Esteja avisado - e, se você não ver esse comentário rapidamente, ficarei floodando os anteriores. Zoas, estou de brincadeira, he he.

Até,