犬の花嫁 Inu no Hanayome [Re-up]
13 十三 りん Rin
Rin percebeu que queria ir embora em uma manhã comum.
Não houve grito. Não houve ofensa. Não houve nenhuma nova palavra cruel sussurrada em uma esquina, nenhuma mulher puxando uma criança para perto, nenhum aldeão desviando o caminho ao vê-la se aproximar.
Foi pior.
Era uma manhã tranquila.
O tipo de manhã em que a vila parecia respirar em paz, com o som de água sendo puxada do poço, de arroz sendo lavado, de passos conhecidos no chão de terra. As pessoas falavam entre si. Crianças corriam entre as casas. Uma mulher reclamava do marido. Um homem ria de alguma coisa que outro dissera. Galinhas ciscavam perto de uma cerca baixa, indiferentes a qualquer destino, humano ou youkai.
Tudo estava normal.
E Rin, no meio de tudo aquilo, sentia-se completamente fora de lugar.
Ela estava sentada do lado de fora da cabana de Kaede, separando ervas em pequenos montes, como fizera tantas vezes. As mãos se moviam com cuidado, quase por hábito. Folhas boas para secar. Talos a descartar. Raízes pequenas para lavar depois. Era uma tarefa simples. Útil. Familiar.
Mas, enquanto seus dedos repetiam movimentos aprendidos, seu olhar vagava pela vila...
Ali estava o caminho para o rio. Ali, a casa de Sango-sama e Miroku-sama. Ali, o espaço onde as crianças brincavam. Ali, o poço. Tudo tinha lugar. Tudo tinha função. Até ela.
E talvez esse fosse o problema.
Rin olhou para as ervas em seu colo e percebeu, com uma clareza incômoda, que sabia exatamente o que esperavam dela naquele lugar. Que continuasse ajudando Kaede-obaa-sama? Que aprendesse mais sobre ervas, curas, talvez noções espirituais? Que fosse gentil? Que fosse grata? Que aceitasse o amor de Kohaku? Que crescesse? Que se casasse? Que tivesse uma casa? Que preparasse comida? Que criasse filhos? Que se tornasse parte da vila da forma correta, limpa, compreensível?
Era uma vida boa. Uma vida segura. Uma vida que muitas meninas desejariam.
Rin sabia disso, mas, ainda assim, quando tentava imaginar essa vida como sua, algo dentro dela permanecia imóvel.
Não era medo, nem repulsa ou ingratidão. Era ausência.
Como olhar para uma roupa bonita feita para outra pessoa: poderia servir, poderia aquecer. Poderia até parecer correta aos olhos de todos, mas, ao vesti-la, ela saberia que não era dela.
Rin fechou os dedos ao redor de um pequeno ramo de folhas secas.
Por muito tempo, ela acreditara que pertencer era apenas ser aceita. Quando era pequena, muda, suja e sozinha, teria aceitado qualquer coisa que se parecesse com abrigo. Uma tigela de comida. Um canto para dormir. Um rosto que não a olhasse como se ela fosse um incômodo.
Naquela época, não falava. Não porque não soubesse, mas porque não havia motivo. Ninguém perguntava nada esperando uma resposta. Ninguém queria ouvi-la. As palavras ficavam presas em algum lugar entre a garganta e o peito, sem força para sair, porque o mundo ao redor parecia ter decidido, antes dela, que não havia nada nela digno de ser dito.
Então Sesshoumaru-sama apareceu.
Não como salvador. Pelo menos não no início.
Ele apareceu ferido, silencioso, distante. Alguém que também parecia não pertencer ao mundo dos humanos. Alguém que não pedia nada. Não explicava nada. Não sorria para confortá-la.
E, talvez por isso, ela não precisou falar.
Com ele, o silêncio não era uma punição. Era apenas silêncio.
Rin respirou fundo, sentindo o cheiro seco das ervas.
Ela tinha seguido Sesshoumaru-sama porque ele não a prendera a lugar algum.
Isso a atingiu com tanta força que suas mãos pararam.
Não foi apenas porque ele a salvou, nem apenas porque ele a protegeu. Não foi apenas porque, depois de morrer, ela acordou e ele estava ali. Ela o seguiu porque, ao lado dele, o mundo não parecia exigir que ela fosse alguma coisa.
Não precisava ser filha. Não precisava ser aldeã. Não precisava ser útil. Não precisava ser boa. Não precisava ser humana da forma que os humanos esperavam. Ela só precisava existir: caminhava, olhando, falando algo quando queria e cantando quando sentia vontade. Corria atrás de flores, pescava, fazia perguntas demais, ria alto, dormia sob árvores, acordava em lugares diferentes. Tinha até mesmo o seu próprio dragão de duas cabeças. O mundo era grande. Assustador, sim. Perigoso, também. Mas grande, e Sesshoumaru-sama atravessava esse mundo como se nada pudesse detê-lo.
“Livre”.
A palavra veio tão clara que Rin sentiu o peito apertar.
“Livre”.
Era isso.
Não o poder dele, nem a força ou a beleza. Nem o medo que provocava nos outros. Mas a liberdade.
Sesshoumaru-sama podia ir onde quisesse. Podia desaparecer no céu, cruzar montanhas, ignorar vilas, atravessar florestas, escolher o próprio caminho sem pedir licença a ninguém. Ninguém lhe dizia onde pertencer. Ninguém lhe entregava um futuro pronto e esperava que ele agradecesse.
Rin baixou o olhar e percebeu, com uma espécie de vergonha silenciosa, que sempre quisera aquilo. Queria ser assim. Não um youkai, como ele, de verdade. Mas algo dentro dela havia olhado para aquela figura distante, desde muito cedo, e pensado:
“Eu queria poder ir.”
Ir sem ser puxada de volta. Ir sem que alguém dissesse que era perigoso demais. Ir sem que decidissem que o lugar certo para ela era este ou aquele. Ir sem precisar ser devolvida.
A palavra voltou.
“Devolvida”.
Sesshoumaru-sama a havia deixado na vila para que crescesse entre humanos. Rin entendia. Tentara entender. Talvez até concordasse em parte. Havia aprendido muito ali. Kaede-obaa-sama lhe dera conhecimento. Sango-sama lhe dera exemplos. Kagome-sama lhe dera palavras que ajudavam a organizar sentimentos confusos. Kohaku lhe dera companhia, paciência e uma presença constante.
Ela não odiava a vila. Não odiava ninguém ali.
Talvez fosse justamente por isso que demorara tanto a perceber que não era preciso odiar um lugar para não se sentir parte dele. A vila a acolhera, mas também a definira:
Rin, a menina que Sesshoumaru-sama deixou.
Rin, a protegida do daiyoukai.
Rin, a garota dos quimonos mais bonitos.
Rin, a futura esposa de alguém.
Rin, a menina que deveria ser grata.
Rin, Rin, Rin.
Sempre vista por aquilo que os outros conseguiam entender, nunca pelo que ela ainda não sabia dizer.
Ela pousou as ervas de lado e levou a mão ao próprio peito, onde o amuleto lunar repousava sob o tecido. O objeto era pequeno, discreto, quase leve demais para ter qualquer importância, mas ela sabia que tinha.
Sesshoumaru-sama havia dito que, se necessário, ela saberia.
Rin ainda não sabia, ou talvez soubesse e fingisse que não. O amuleto não a prendia. Isso era o que a confundia.
Não era uma coleira. Não era uma marca visível. Não exigia nada. Apenas existia ali, como uma porta sem indicação, como uma resposta sem pergunta.
A vila via aquilo como sinal de posse.
Kagome-sama talvez visse como proteção. Kohaku talvez visse como distância. Kaede-obaa-sama talvez visse como presságio ou perigo. Mas Rin… Rin não sabia o que via. Só sabia que, quando tocava o amuleto, pensava em céu, em vento, em caminhos. Em uma presença que se afastava sempre que parecia perto demais.
E isso a irritava.
Não com ele; com ela mesma.
Porque, se era liberdade que desejava, por que continuava esperando que Sesshoumaru-sama a desse?
A pergunta veio como uma lâmina pequena. Fina e precisa.
Rin ficou imóvel. Ao redor, a vila continuava existindo.
Alguém chamou por Hisui-kun. Uma criança riu. Kaede-obaa-sama tossiu dentro da cabana. O vento passou devagar, movendo as pontas soltas do cabelo de Rin. E ela esperava. Sempre esperara.
Esperou Sesshoumaru-sama voltar. Esperou que ele dissesse seu nome. Esperou que ele explicasse por que a deixara. Esperou que ele olhasse para ela como antes. Esperou entender o que sentia. Esperou que a vila parasse de cochichar. Esperou que a sensação de inadequação passasse. Esperou que o futuro surgisse com uma forma reconhecível...
Mas nada disso acontecera. E talvez não acontecesse.
Talvez ninguém viesse lhe entregar uma resposta. Talvez crescer fosse exatamente isso: parar de esperar.
Rin levantou-se devagar.
Não havia pressa. Ainda assim, algo dentro dela já havia se movido.
Ela entrou na cabana em silêncio. Kaede-obaa-sama estava perto do fogo, organizando alguns pequenos recipientes de barro. Ergueu os olhos assim que Rin entrou, como se já soubesse que algo havia mudado antes mesmo de vê-la.
— Rin?
Rin parou. Por um instante, pensou em mentir. Dizer que ia ao rio ou dizer que buscaria lenha. Ou ainda dizer qualquer coisa pequena o suficiente para não ser impedida. Mas ela estava cansada de ser pequena.
— Kaede-obaa-sama — disse, com cuidado. — Eu acho que preciso ir embora por um tempo.
A velha sacerdotisa não reagiu de imediato. Não arregalou os olhos. Não perguntou “Mas por quê?” depressa demais. Apenas a observou. Isso quase fez Rin desistir. A gentileza era sempre mais difícil do que a recusa.
— Ir embora para onde? — perguntou Kaede, por fim.
Rin abaixou o olhar.
— Eu não sei.
A resposta pareceu ecoar mais do que deveria. Ela apertou os dedos contra o tecido do quimono.
— Mas acho que preciso descobrir.
Kaede permaneceu em silêncio por alguns instantes. Depois pousou devagar o recipiente que segurava e disse:
— A vila ainda é sua casa.
Rin sentiu algo apertar em sua garganta.
— Eu sei.
— Sabe mesmo?
— Sei que foi — disse, por fim.
Kaede fechou os olhos por um breve instante. Quando os abriu, havia tristeza neles.
Não surpresa. Tristeza.
— Entendo.
Aquilo doeu.
Rin preferiria que ela discutisse. Preferiria que dissesse que era bobagem, que era perigoso, que ela estava agindo por impulso. Assim seria mais fácil resistir. Mas Kaede apenas entendera.
— Não estou fugindo — Rin disse, depressa demais. — Não quero fugir. Não quero abandonar ninguém. Eu só… Eu não sei quem sou aqui.
A confissão saiu baixa, quase infantil, mas era a coisa mais verdadeira que conseguira dizer.
— Todos parecem saber o que eu sou — continuou. — Menos eu. Quando eu era pequena, eu achava que bastava me manter segura. Depois achei que bastava ser útil. Depois achei que bastava esperar. Mas eu não quero só esperar.
Kaede apoiou as duas mãos sobre o cajado.
— E acha que encontrará o que procura fora da vila?
Rin hesitou.
— Não sei. Talvez eu não encontre nada — ela admitiu. — Talvez eu volte.
— Talvez.
— Mas, se eu ficar sem tentar… — Rin apertou os dedos — Nunca vou saber se esta vida é minha ou apenas a vida que escolheram para mim.
Kaede respirou fundo. Lento e pesado.
— Kohaku sabe?
Rin abaixou o olhar.
— Ainda não.
— Deve falar com ele.
O peito de Rin apertou.
— Eu... Sei.
E sabia mesmo. Era o que mais temia. Não por ele tentar impedi-la com força, pois Kohaku jamais faria isso, mas porque a dor dele seria silenciosa e Rin não sabia como carregar mais um silêncio. Kaede caminhou até um pequeno canto da cabana e pegou uma bolsa simples de tecido.
— Leve alimento seco. Um pouco de sal. Ervas para febre. Ataduras.
— Kaede-obaa-sama…
— Você não vai sair sem preparo — disse ela, firme.
Rin hesitou por alguns instantes.
— Obrigada.
Kaede começou a separar os itens com calma. Cada gesto parecia comum demais para aquele momento. Como se preparar alguém para partir fosse apenas mais uma tarefa do dia, mas suas mãos estavam mais lentas, Rin percebeu. E isso quase a quebrou.
— Não precisa decidir tudo agora — disse Kaede, depois de um tempo.
Rin lembrou-se de Sango-sama dizendo algo parecido.
— Eu sei.
— Então não transforme sua partida em algo definitivo, se ainda não sabe se é.
Rin absorveu aquilo devagar.
— Posso ir… Sem que seja para sempre?
Kaede olhou para ela.
— Claro que pode.
A simplicidade da resposta fez algo dentro dela afrouxar. Rin respirou. Não tinha percebido que estava prendendo o ar.
— Então é isso... — murmurou.
Kaede assentiu.
— É isso.
A notícia chegou a Kohaku antes que Rin o encontrasse. Ou talvez ele já tivesse percebido antes de qualquer palavra. Ele estava perto da borda da vila, ajustando uma das correias de sua arma, quando Rin se aproximou. Kirara repousava não muito longe, as caudas movendo-se lentamente. Kohaku ergueu o olhar e, pelo modo como a encarou, Rin soube que ele já sabia.
— Você vai embora... — disse ele.
Rin parou a alguns passos.
— Por um tempo.
Ele assentiu devagar.
— Para onde?
— Ainda não sei.
A resposta passou entre eles como vento frio. Kohaku abaixou os olhos para a correia que segurava, mas não voltou a ajustá-la.
— Sozinha?
Rin hesitou.
— Sim.
— Então eu vou com você.
Ela já esperava. Mesmo assim, doeu.
— Kohaku…
— Eu não vou atrapalhar — disse ele, rápido demais. — Sei caçar. Sei lutar. Posso conseguir trabalho em outras vilas. Se for por causa do que estão dizendo aqui, você não precisa...
— Não é por causa disso.
Ele parou. Rin sentiu o peso da própria resposta.
— Não só por causa disso — corrigiu, mais suavemente.
Kohaku a encarou por alguns segundos.
— Então... É por ele?
A pergunta veio baixa e sem raiva. Isso foi pior.
Rin não respondeu imediatamente. O primeiro impulso foi negar. Não, não era por Sesshoumaru-sama.
Ela não estava indo atrás dele. Não queria parecer uma criança correndo atrás de alguém que se afastava. Mas a verdade era mais difícil.
— Eu não sei — disse, por fim.
Kohaku desviou o olhar e Rin sentiu uma culpa aguda atravessar o peito.
— Eu não estou indo procurá-lo — acrescentou.
— Mas quer que ele encontre você.
A pergunta a deixou sem ar. Kohaku pareceu se arrepender assim que falou, mas não retirou. Rin ficou em silêncio. Porque não sabia, porque talvez sim. Porque, talvez, bem no fundo, houvesse uma parte dela que desejava que o vento mudasse, que a presença dele surgisse, que Sesshoumaru-sama aparecesse e dissesse, com aquela voz baixa e impossível de contestar, se ela devia ir ou ficar, e era exatamente por isso que precisava sair sem chamá-lo. Rin levou a mão ao amuleto, por cima do tecido.
— Se eu usar isto… Ele virá.
Kohaku olhou para o gesto.
— Então não use.
Ela ergueu os olhos. Ele sustentou o olhar dela. Havia tristeza ali, mas também compreensão.
— Se quer escolher — disse Kohaku — Então escolha sem ele.
Rin sentiu o peito apertar tanto que quase doeu. Por um instante, quis pedir desculpas, mas desculpas pareciam pequenas demais.
— Você está bravo comigo?
Kohaku demorou a responder.
— Não. Só queria que fosse diferente...
Rin assentiu.
— Eu também.
E era verdade. Ela queria que fosse simples. Queria querer o que seria fácil. Queria olhar para Kohaku e sentir o que todos pareciam esperar que sentisse. Ele era bom. Gentil. Firme. Seguro. Mas segurança, percebeu, não era o mesmo que pertencimento, e carinho não era o mesmo que escolha.
Kohaku respirou fundo.
— Quando vai?
— Hoje.
Ele fechou os olhos por um breve instante.
— Entendi.
Rin esperou.
Ele se aproximou então, devagar, e por um momento ela pensou que fosse abraçá-la, mas Kohaku apenas retirou uma pequena lâmina da cintura — simples, curta, bem cuidada — e a estendeu.
— Leve isso com você.
Rin arregalou levemente os olhos.
— Eu não posso!
— Pode.
— Kohaku, isso é seu!
— E agora vai com você.
Ela hesitou.
— Eu não sei usar tão bem.
— Sabe o bastante para ganhar tempo.
Rin olhou para a lâmina e depois para ele.
— Obrigada...
Pegou-a com as duas mãos. O peso era real. Mais real do que esperava.
— Rin... — ele chamou.
Ela ergueu o olhar.
— Você pode voltar quando quiser. Volte se sentir vontade, está bem?
A garganta dela apertou.
— Está bem.
— Não porque se sentiu culpada.
Ela piscou e Kohaku sorriu, mas foi um sorriso pequeno, triste.
— Só se quiser.
Rin apertou a lâmina contra o peito por um instante.
— Tá...
Não havia mais nada a dizer. Ou havia coisas demais. Então ficaram em silêncio. Quando Rin finalmente se afastou, não olhou para trás de imediato. Sabia que, se olhasse, talvez não conseguisse continuar. A vila parecia maior enquanto ela caminhava para fora. Ou talvez ela que estava menor.
O caminho se abria diante dela, estreito no começo, depois sumindo entre árvores. Ela conhecia aquele caminho. Já o percorrera muitas vezes, mas nunca sozinha. Não assim. O primeiro passo foi o mais difícil. O segundo, também. No terceiro, o ar pareceu mudar. Não muito, mas o suficiente. Rin parou.
O vento tocou seu rosto, frio, familiar. Por um instante, pensou que veria uma figura branca entre as árvores. Um olhar âmbar. Uma presença silenciosa observando de longe. Mas não havia ninguém. Só o vento. Ela levou a mão ao amuleto da lua. Não o usou, apenas sentiu sua forma sob os dedos, e então continuou andando.
Atrás dela, a vila permanecia. À frente, o mundo.
Rin não sabia para onde iria, nem o que encontraria. Não sabia se aquela escolha era corajosa ou tola. Mas, pela primeira vez em muito tempo, o caminho sob seus pés não havia sido escolhido por outra pessoa, e isso bastou. Por enquanto.
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